Dom Casmurro
INTRODUÇÃO
Neste trabalho, trabalharei a obra Dom Casmurro, de
Machado de Assis, a fim de desenvolver um melhor
entendimento e uma melhor interpretação da obra.
Vulgarmente, pode-se dizer que Dom Casmurro trata-se da
história deste, que tenta escapulir da função de padre,
designada por sua mãe, para ficar com Capitu, sua amiga e
vizinha, já que sente um imenso amor por ela, e descobre no
decorrer da história que esse amor é correspondido. Entre
estas e outras “aventuras” de um menino apaixonado que busca
pelos seus interesses, numa história rica em detalhes e
interessante pois percorre toda a sua vida.
Dom Casmurro
1-
Biografia:
Nascido no
dia 21 de junho de 1839 no Rio de Janeiro. Joaquim Maria
Machado de Assis, era um menino mestiço filho de Francisco
José de Assis, mulato que exercia a profissão de pintor e
Maria Leopoldina Machado de Assis uma lavadeira açoriana.
Quando menino, o autor perdeu uma irmã mais nova, que morreu
quando criança, logo após perde também sua mãe. Pouco se
sabe sobre sua infância e inicio de sua adolescência. Aos 16
anos em 12-01-1885 publica seu primeiro trabalho literário,
"Éla " um poema , na revista Marmota
Fluminense de Francisco de Paula Brito que em sua livraria
acolhia novos talentos da época, publicado este poema tornou
Machado de Assis seu colaborador efetivo.
Em 1864,
publica seu
primeiro livro Crisálidas. Em 1867, torna-se
diretor de publicação do Diário Oficial, cargo modesto, mas
o ordenado mensal lhe possibilitava algumas regalias.
Começava a despontar como crítico. Criticava livros e
teatros e várias de suas críticas entraram para a História.
A critica ao livro O Primo Basílio é a mais perfeita delas.
Entretanto, largou essa função por adquirir sem intenção,
alguns inimigos que interpretaram mal suas críticas. Sílvio
Romeiro foi um desse que por ressentimento o perseguiu por
toda a carreira. Aos 30 anos, Machado de Assis casou-se com
Carolina Xavier de Novaes, e eles viveram juntos por 35 anos
e não tiveram filhos. Carolina agiu positivamente na vida do
autor, concedeu-lhe tranqüilidade, estabilidade para o seu
crescimento social e literário: foi companheira, crítica,
redatora, professor. Carolina o completou e o impulsionou a
crescer. Ela até o ensinou gramática, pois Machado de Assis
tinha apenas noções rudimentares, devido a precariedade de
seu estudo.
Logo nos primeiros meses de casados a
epilepsia se manifestara para ser mais um serio obstáculo em
sua vida, mas Carolina estava lá para atenuar os problemas
dele, prestando todos os cuidados necessários para que a
doença afetasse minimamente o autor. Machado de Assis
conheceu Ganier que dispõe a publicar seus livros. .Em dois
anos, entrega três livros: Falenas,
Contos Fluminenses e Ressurreição –seu
primeiro romance-(1872). Em seguida, é nomeado para o cargo
de primeiro oficial da secretária de Estado do Ministério da
Agricultura, Comércio e Obras Públicas, estabilizando-se na
carreira burocrática, seu meio de subsistência para o resto
da vida. Em 1904, morre Carolina, sua companheira por 35
anos de casamento. Machado de Assis estava idoso, sozinho e
doente e seus amigos de mocidade estavam todos mortos e os
que estavam vivos ainda, estavam longe dele.Ele continuou
sendo de fato presidente da Academia Brasileira de Letras
até o fim. Em suas noites solitárias estudava ainda grego.
Foi definhando e recusou um sacerdote para a sua
extrema-unção.Faleceu no dia 29 de setembro de 1908, em sua
casa na rua Cosme Velho, no Rio de Janeiro. Um enorme
cortejo acompanhou seu enterro até o cemitério São João
Batista. Tinha se tornado então um monumento nacional.
2-
Contextualização da época machadiana
O plano
econômico:
em meados do
Séc. XIX, as nações enpinalistas européias sobretudo
Inglaterra e França, detinham o controle militar,
administrativo, comercial e financeiro no mundo e seu
principal objetivo era criar consumidores para seus
produtos. O Brasil, na 2ª metade do Séc. XIX, consolidava o
Império, alicerçando na escravidão, e teve uma relativa
modernização.
O
Rio de Janeiro, a capital do Império, sede da oligarquia
cafeeira do Vale do Paraíba sustentado na mão-de-obra
escrava, é o cenário principal dos romances de Machado de
Assis.
O plano
abolicionista:
abolicionista e republicana, a Guerra do Paraguai, o ocaso
do império, o fim da escravidão (1888) e do império (1889),
são os principais fatos políticos em que conviveu Machado de
Assis e que repecurtem na sua produção literária e visão de
mundo.
O plano ideológico: ao final do Séc. XIX predomina, no
Brasil, um torto e mal disfarçado racismo e a conceituação
do trabalho manual como algo indigno. A visão do mundo é
predominante do modelo europeu colonizado.
3- Enredo
(resumo):
Dom
Casmurro é um apelido que o narrador recebe que significa
metido e calado. O narrador é um velho que decide escrever
um livro sobre a própria história para acabar com o tédio. A
história começa na sua adolescência, quando ele descobre,
ouvindo por trás de uma porta que sua mãe desejava torná-lo
padre e mandá-lo para um seminário devido a uma promessa
feita por ela antes de ele nascer. Ele fica revoltado por
ter que se separar de Capitu, sua vizinha, e sua amada. Ele
fica mais aflito ainda depois que descobre que seu amor é
correspondido. Ele pede até para José Dias, um agregado à
sua família, de confiança, que convença sua mãe a mudar de
idéia aos poucos. Bentinho planejou muitos planos
"mirabolantes" para não ir ao seminário, e viver seu amor
com Capitu. Este esforço pareceu inútil, e sua mãe estava
decidida a mandá-lo para o seminário. Faltando pouco para
partir, Bentinho e Capitu selam uma promessa de que assim
que ele saísse do seminário eles se casariam, e que um
esperaria pelo outro. Bentinho conseguiu sair do seminário
com a ajuda de seu amigo Escobar, que conheceu dentro do
seminário. Bentinho casou-se com Capitu, e Escobar com
Gurgel, amiga de Capitu. Escobar e Gurgel tiveram uma filha
e fizeram uma homenagem a Capitu, dando o mesmo nome à
menina. Já Bentinho e Capitu tentaram mais não conseguiram
ter um filho. Capitu até chegou a chamar Escobar para
acertarem as contas, já que ela tinha certeza que teria um
filho. E assim foi, finalmente ela engravidou e teve um
menino, que Foi chamado de Ezequiel, em homenagem a Escobar.
Foi como uma "homenagem trocada". Bentinho não se aquietava
pelo fato de seu filho se parecer muito com Escobar, e certo
dia, quando estava refletindo sobre isso, recebeu a notícia
de que Escobar tinha falecido. Depois disso, ele recordou
dos encontros de Capitu e Escobar e teve quase certeza de
que Ezequiel não era seu filho, até pensou em se matar, mais
apesar de tudo, ele amava Ezequiel como seu legítimo filho.
Ele separou-se de Capitu e viajou com ela e Ezequiel para a
Suíça, e voltou para o Brasil, deixando-os lá para que
Ezequiel tivesse uma boa educação. Ezequiel voltou já grande
e formado em Arqueologia, contou que Capitu foi enterrada na
Suiça e estava indo para o oriente médio para fazer um
estudo sobre as pirâmides. Assim feito, depois de algum
tempo, fica sabendo que Ezequiel morreu de febre tifóide.
4-
Personagens:
4.1-
Bentinho: Personagem principal, narrador personagem, já
idoso, que conta alguns principais fatos de sua vida, seus
principais amigos, como os conheceu e vários detalhes a seus
respeitos.
4.2-
Capitu: Era a amada de Bentinho desde os tempos de infância,
sua vizinha. Um certo dia Bentinho descobriu que ela também
o amava. Ele retrata no livro que ela era também muito
curiosa. Comprove no texto a seguir:
“Era
também a mais curiosa. As curiosidades de Capitu dão para um
capítulo. Eram de várias espécies, explicáveis e
inexplicáveis, assim úteis como inúteis, umas graves, outras
frívolas; gostava de saber tudo...”
Pág.: 30
Cap.: XXXI
Apesar de
amar Bentinho, ele descobre que ela o traiu com Escobar, seu
melhor amigo.
4.3- D.
Glória: Mãe de Bentinho, viúva e fiel ao falecido marido,
que prometeu colocar seu filho no seminário para o tornar
padre, coisa que Bentinho menos queria. Em sua casa ela
acomodava além do filho, Justina, Cosme e José Dias.
4.4- Escobar:
Ezequiel de Souza Escobar, conheceu Bentinho no seminário e
tornou-se seu único e melhor amigo ali dentro. Após
crescerem e casarem-se com Capitu e Gurgel e terem seus
filhos, ele morre afogado, justo quando Bentinho finalmente
teve certeza de que Ezequiel, seu filho, era fruto de uma
traição de Capitu e Escobar.
4.5- Ezequiel:
Filho de Capitu com Bentinho, teve esse nome em homenagem a
Escobar, melhor amigo de Bentinho. Ele cresce, se forma em
arqueologia e vai para o Egito para realizar algumas
pesquisas. Depois de onze meses, Bentinho descobre que seu
filho morrera de febre tifóide.
5- Espaço:
A história se
passa inicialmente em Itaguaí, onde a família de Bentinho
possuía uma fazendola, alguns escravos, que foram vendidos
após a morte de Pedro de Albuquerque, pai de Bentinho,
quando D. Benta decidiu mudar-se para um lugar perto da
Igreja onde fora sepultado.
“...Quando lhe
morreu o marido, Pedro de Albuquerque Santiago, contava
trinta e um anos de idade, e podia voltar para Itaguaí. Não
quis; preferiu ficar perto da igreja em que meu pai fora
sepultado. Vendeu a fazendola e os escravos, ...”
Págs.: 6 e 7,
Cap.: VII
6- Tempo:
A
meu ver, é psicológico, pois ele conta fatos ocorridos
durante sua vida, até o dia em que se encontra.
“Mas é tempo de
tornar àquela tarde de novembro, uma tarde clara e...”
Pág.: 7 Cap.:
VIII
Durante a narração, há passagens do tempo cronológico:
“No dia
seguinte fui à casa da vizinha,...”
Pág.: 43 Cap.:
XLII
7- Narrador:
Esta obra está escrita em narrador personagem, representado
por Bentinho.
8- Análise
Crítica
A meu ver,
este é um ótimo livro com uma trama bem elaborada por
Machado de Assis, mas mesmo assim, talvez pelo fato de ele
enrolar muito para dizer pouca coisa, torne a obra um pouco
monótona, o que desmotiva completamente a sua leitura. Fora
isso, desde que você disponha de algum tempo e muita
paciência, ou caso seja obrigado a ler para um trabalho de
português, é uma leitura ao final de tudo agradável, com um
final muito surpreendente, com certeza não esperado pela
maioria, já que é um final tão trágico para uma obra que
enfatiza a amizade e o amor, frizando a luta de Bentinho
para ficar com Capitu, e acaba sendo traído. Logo assim,
posso dizer que a história, apesar de longa e cansativa, é
uma leitura aconselhável, já que trás um final imprevisível.
CONCLUSÃO
Relembro aqui que este trabalho é uma forma
para conhecermos melhor a obra Dom Casmurro, e
conseqüentemente, mais de nossa cultura. Pudemos conhecer
melhor nossa literatura, mesmo que superficialmente, através
de Machado de Assis, grande escritor brasileiro. Esta obra,
narrada em 1ª pessoa por Dom Casmurro, na infância chamado
Bentinho, que participa das mais diversas aventuras para
escapar de seu “destino” e casar-se com Capitu, que no
final, o trai com seu melhor amigo, do qual nasce seu filho
Ezequiel, que também morre ao final da história. Assim,
concluo que é uma obra aconselhável para a leitura pois é
escrita numa linguagem diferente da nossa, que nos traz
conhecimento.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
*ASSIS, Machado
de. Dom Casmurro Ciranda Cultural, 2004
*http://cristina.fjaunet.com.br/analise_de_livros/esau_e_jaco.htm
*http://www.google.com.br