Humanismo
1)
Definir Humanismo.
R:
A poesia conhece um período de decadência nos anos de 1400, estando toda a
produção poética do período ligada ao Cancioneiro geral, organizado
por Garcia de Resende. Essa poesia, por se desenvolver no ambiente palaciano, é
conhecida como poesia palaciana.
2)
Principais Manifestações.
R:
O Humanismo é um período muito rico no desenvolvimento da prosa, graças ao
trabalho dos cronistas, notadamente de Fernão Lopes, considerado o iniciador da
historiografia portuguesa. Outra manifestação importantíssima que se
desenvolve no Humanismo já no inicio do século XVI, é o teatro popular, com a
produção de Gil Vicente.
3)
Modificações políticas que influenciaram o Humanismo.
R:
Tanto as crônicas históricas como o próprio teatro vicentino estão
intimamente relacionados com as profundas transformações políticas, econômicas
e sociais verificadas em Portugal no final do século XIV e em todo o século
XV.
4)
Principais modificações em relação a poesia.
R:
O Humanismo, ou 2ª Época Medieval, corresponde ao período que vai desde a
nomeação de Fernão Lopes para o cargo de cronista-mor da Torre do Tombo, em
1434, até o retorno de Sá de Miranda da Itália, introduzindo em Portugal a
nova estética clássica, no ano de 1527.
O
Humanismo marca toda a transição de um Portugal caracterizado por valores
puramente medievais para uma nova realidade mercantil, em que se percebe a
ascensão dos ideais burgueses. A economia de subsistência feudal é substituída
pelas atividades comerciais; inicia-se uma retomada da cultura clássica,
esquecida durante a maior parte da Idade Média; ao lado do pensamento teocêntrico
medieval, começa a surgir uma nova visão do mundo que coloca o homem como
centro das atenções (antropocentrismo).
5)
Pesquisa: Gil Vicente e as principais características do teatro vicentino.
Gil
Vicente é considerado o criador do teatro português pela apresentação, em
1502 de seu Monologo do Vaqueiro (também conhecido como Auto da
Visitação).
Sobre
a vida de Gil Vicente pouco se sabe. Supõe-se que tenha nascido por vota de
1465 e morrido cerca de 1536. A primeira data seguramente ligada ao poeta é o
ano de 1502, quando na noite de 7 para 8 de junho, recitou o Monologo do
vaqueiro no quarto de D. Maria, esposa de D. Manuel, que acabava de dar a
luz ao futuro rei D. João III. Durante 34 anos produziu textos teatrais e
algumas poesias, sendo que sua última peça – Floresta de enganos –
data de 1536.
Se
nada se sabe a respeito de sua origem, podemos afirmar com certeza que viveu a
vida palaciana como funcionário da corte e que possuía bons conhecimentos da língua
portuguesa, bem como do castelhano, do latim e de assuntos teológicos.
O
teatro vicentino é basicamente caracterizado pela sátira, criticando o
comportamento de todas as camadas sociais: a nobreza, o clero e o povo.
Apesar
de sua profunda religiosidade, o tipo mais comumente satirizado por Gil Vicente
é o frade que se entrega a amores proibidos (chegando a enlouquecer de amor),
à ganância (na venda de indulgências), ao exagerado misticismo, ao
mundanismo, à depravação dos costumes. Criticou desde o frade de aldeia até
o alto clero dos bispos, cardeais e mesmo o papa.
A
baixa nobreza representada pelo fidalgo decadente e pelo escudeiro é outra
faixa social insistentemente criticada pelo autor.
Por
outro, o teatro vicentino satiriza o povo que abandona o campo em direção à
cidade ou mesmo aqueles que sempre viveram na cidade, mas que, em ambos os
casos, se deixam corromper pela perspectiva do lucro fácil.
Riquíssima
é a galeria de tipos humanos que formam o teatro vicentino: o velho apaixonado
que se deixa roubar; a alcoviteira; a velha beata; o sapateiro que rouba o povo;
o escudeiro fanfarrão; o médico incompetente; o judeu ganancioso; o fidalgo
decadente; a mulher adultera; o padre corrupto. Gil Vicente não tem a preocupação
de fixar tipos psicológicos, e sim a de fixar tipos sociais. Observe que a
maior parte dos personagens do teatro vicentino não tem nome de batismo: os
personagens são normalmente designados pela profissão ou pelo tipo humano que
representam.
Quanto
à forma, a utilização de cenários e montagens, o teatro de Gil Vicente é
extremamente simples. Tampouco obedece às três unidades do teatro clássico
– ação, lugar e tempo. Seu texto apresenta uma estrutura poética, com o
predomínio da redondilha maior (sete sílabas), havendo mesmo varias cantigas
no corpo de suas peças.