O Ateneu
Um
dos mais inteligentes romances da literatura brasileira, O
Ateneu é o ápice da carreira do artista Raul Pompéia. É o romance da
desilusão. Escolheu para a fábula sentimental o estilo mais significativo de
sua época: Gustave Flaubert. Dele tomou de empréstimo o nome de um personagem,
para construir uma das figuras femininas mais platonicamente sensuais – Ema. Sérgio
e Ema constituem a história de amor no romance. Dos simbolistas franceses
trouxe a atmosfera satânica que os versos da penúltima seqüência descrevem: “Et
comme
il voit en nous des âmes peu communes/Hors de I’ordre commun il nous fait des
fortunes”. É o
clima da história de ódio entre Sérgio e Aristarco.
A
história do internato fala da educação sexual e intelectual do adolescente
como reflexo da sociedade, e, mais precisamente, de sua elite no contexto de falência
do regime monárquico, de base escravista. Os sintomas de decadência percorrem
as experiências narradas por Sérgio no contato com os companheiros de classe
– Rebelo, Sanches, Bento Alves, Franco, Egbert -, mostrando-se nas relações
a ausência de perspectiva histórica. Nada sobra dessas reminiscências, de
intenções contrárias às de Proust, anos mais tarde, no Em Busca do Tempo
Perdido. É um romance de destruição.