... Página inicial- FAQ / Ajuda- Add Favoritos


  Bibliotecas
  Biografias autores
  Dicas de estudo
  Dicionários
  Exercícios Prontos
  Mapas
  Personalidades
  Saiba fazer
  Sites de buscas
  Tradutores
  Universidades
  Vestibular
  Administração
  Artes
  Astronomia
  Biologia
  Contabilidade
  Corpo humano
  Direito
  Diversos
  Economia
  Educação física
  Engenharia
  Filosofia
  Física
  Geografia
  História
  Informática
  Inglês
  Matemática
  Medicina
  Português
  Psicologia
  Química
  Religião
  Sociologia
  Completos
  Resumos


BUSCA

 


Publicidade


Recomende


Sobre o site

Contato
-----------------------
Créditos
----------------------- Na mídia
----------------------- Objetivos
----------------------- Parceiros
----------------------- P. de privacidade
-----------------------
Publicidade


  Matérias :: Português :: Literatura

  Autoria: Gilberto Rossi
 

O Auto da Barca do Inferno


I - O nobre pecador.

Estavam o Diabo e seu companheiro a arrumar a barca que transportaria os condenados ao fogo do inferno. Os dois estavam colocando várias bandeiras e fazendo os últimos preparativos para a triste viagem , muito satisfeitos com a arrumação , quando vêem chegar à embarcação um fidalgo , acompanhado de um pajem , que lhe segurava o manto , e carregando uma cadeira de encostar. Este fidalgo tinha por nome Dom Henrique. Ele se dirigiu ao Diabo , querendo saber para onde ia uma barca tão enfeitada. O Diabo fingiu surpresa ao vê-lo chegar , pois , na verdade já sabia que ele iria naquela barca , já que o fidalgo tinha sido um homem muito vaidoso e presunçoso em vida.

Então , o barqueiro infernal respondeu ao nobre que a barca iria para o fogo do inferno.
O fidalgo duvidou do que lhe foi dito , mas ficou muito espantado quando soube que ele também iria na barca infernal. Ele tentou se salvar, dizendo que deixou na terra uma mulher desesperada , que queria se matar por ele.

O Diabo , irônico , disse que ele era um verdadeiro tolo por acreditar na mulher , e ainda completou dizendo que , no momento em que o nobre morria , ela já estaria com outro.
O fidalgo ainda recusou -se a entrar na barca do Diabo , e foi tentar encontrar um lugar na barca do Anjo , que era a barca que ia para o Paraíso.

Chegando lá ,o fidalgo começou a gritar e a bater palmas , esperando ser atendido , mas ficou muito indignado com a demora pois julgava- se muito importante para ser ignorado.

De repente , apareceu o Anjo , e lhe perguntou o que ele desejava. O fidalgo rogou que o deixassem ir na barca do Paraíso , apelando ainda para sua condição de nobre , esperando atingir seu objetivo com esses argumentos.

Mas o Anjo disse que , para um "senhor tão nobre" como o fidalgo, aquela barca era muito pequena para tanta vaidade .O fidalgo então voltou para a barca do Diabo , furioso , mas por fim aceitou seu triste destino.

II - O agiota.

Enquanto o fidalgo se lamentava , chegou à barca um agiota , carregando uma enorme bolsa de dinheiro , e querendo saber para onde ia a barca. Quando o Diabo o viu ali , tornou a fingir surpresa , chamando o agiota de "seu parente " , e comentando o atraso dele. O agiota , então , explicou que , por ele, "se atrasaria" mais , já que morrera bem na época de receber seus lucros.

O Diabo perguntou-lhe se nem o dinheiro o salvara da morte , com um tom irônico. Completando , mandou que o agiota entrasse logo na barca , ao que o recém chegado ficou desconfiado , e perguntou novamente o destino da barca. Indagou também se partiriam logo.

O Diabo se prontificou a responder que a barca iria para o fogo do inferno. Foi o suficiente para que o agiota dissesse um sonoro "não" , e se dirigisse à barca do Anjo sem demora.

Lá chegando , perguntou ao barqueiro dos Céus se poderia ir com ele . O Anjo se recusou a levá -lo , alegando que sua bolsa de dinheiro ocuparia todo o espaço da barca. O agiota jurava que vinha sem nada , mas o barqueiro ainda se recusava a levá -lo , porque , em vida , ele havia sido muito materialista e ganancioso , não poderia ir ao Paraíso.

Tentando resolver o problema , o agiota voltou à barca do Inferno , pedindo ao Demônio que o deixasse voltar ao mundo para trazer todo o dinheiro que lá deixara , acreditando ter sido essa a razão pela qual o Anjo tê-lo recusado na barca celestial , mas também este pedido lhe foi negado. O agiota ainda pediu e pediu , mas , vendo que não adiantava , entrou na barca infernal para aguardar a partida.

Ele se espantou muito ao ver o fidalgo Dom Henrique ali também , condenado. Viu que não era o único pecador.

III - João , o tolo.

Enquanto o agiota conversava com o fidalgo , apareceu diante da barca um homem com ar apatetado , um tolo que tinha por nome João .

João , o tolo , nem bem havia chegado , perguntou ao Diabo se aquela era a barca dos tolos e para onde ia. O barqueiro do inferno respondeu-lhe que aquela barca era , sim , a dos tolos, cínico , e que estava de partida para o porto infernal.

Ao ouvir aquilo , o tolo João começou a proferir insultos contra o Diabo , e cada um mais absurdo e sem sentido do que o outro. Dirigiu- se ,então, à barca do Anjo. Quando perguntado quem ele era , respondeu , humildemente , que não era ninguém. Após ouvir o que o tolo disse , o Anjo deu -lhe a permissão de entrar na barca , dizendo que , de tudo o que ele fizera em vida , nada teve maldade , e que sua simplicidade já lhe bastava.

O tolo entrou na barca , e permaneceu ao lado do Anjo , com a intenção de avaliar todas as pessoas que chegavam , para ver se alguma delas tinha méritos para ir ao Céu.

 

IV - O sapateiro ladrão.

Carregado de todos os seus utensílios de trabalho , chegou na barca um sapateiro , que perguntou ao Demônio qual era seu destino. Este , então , ironizou mais uma vez , comentando como o sapateiro era honrado e como vinha carregado. Respondeu -lhe , então , que a barca ia ao cais infernal , ao que o outro , indignado , perguntou para onde iriam os que haviam comungado e confessado , como ele , o que era uma grande mentira.

O barqueiro do inferno confirmou que aquela mesmo era a barca do sapateiro , que voltou a mentir ,dizendo que , antes de morrer ,havia se confessado.

O Diabo o desmentiu , dizendo que bem sabia de todo o dinheiro que ele roubara do povo com seus serviços de sapataria. O ladrão continuou tentando encontrar motivos que o livrassem de tão horrorosa viagem , mas nada adiantava.

Como continuava a recusar o inferno , dirigiu- se à barca do Anjo , mas lá não conseguiu sua vaga , pois quem roubou tão descaradamente , no Paraíso não merecia lugar.

Por fim , o sapateiro , sem ver outra saída , voltou ao Diabo , entrou na barca e pediu que não perdessem mais tempo com ele.


V - O padre.

Embarcado o sapateiro , chegou à embarcação um padre , acompanhado de uma mulher , portando um escudo e uma espada.

Sem dúvida , era uma padre pecador.

O Diabo , vendo aquele padre acompanhado por uma mulher , começou a rir , e perguntou a ele se , no convento onde ele vivia , nunca lhe perguntaram sobre sua vida nada celibatária . O padre , muito alegre , respondeu que ele não era o único pecador na Igreja , e perguntou para onde ia a barca , sem desconfiar que ela ia para o inferno. Porém ,quando soube , ficou muito desorientado , pois julgava que só pelo fato de ser padre , já estaria livre de todo o mal.

O Diabo ordenou -lhe que entrasse na barca , ao que o padre recusou .

O barqueiro do inferno então percebeu que o padre tinha com ele uma espada e um escudo. Concluiu que ele praticava esgrima , um esporte proibido para os padres , portanto , outro pecado. Pediu ao padre que lhe desse uma lição de esgrima , pedido que foi aceito com entusiasmo. E começaram a esgrimir .

Acabada a lição , o padre foi até a barca do Anjo , acreditando que lá iria conseguir lugar. Estava enganado. Não pôde entrar porque pecara , tendo uma mulher , e ainda praticando um esporte proibido . Finalmente , aceitou ir com o Diabo para o inferno.


VI - A prostituta mentirosa.

Assim que o padre embarcou , chegou à barca a prostituta Brísida Vaz . Quando o Diabo lhe pediu que entrasse em sua barca infernal , ela retrucou , dizendo que aquela não era a barca que procurava. O Diabo lhe perguntou o que ela trazia da vida ,ao que Brísida contou que trazia a sua experiência na prostituição , as moças que ela vendera , suas mentiras e seus feitiços , pois além de prostituta ,ela era também feiticeira.

Ela ainda afirmou que sua maior bagagem se constituía das moças que ela vendeu. Ouvindo tantos pecados , o Diabo ordenou -lhe sem demora que subisse na barca. Brísida se negou a entrar , dizendo que merecia o Paraíso , já que ,em sua vida , suportara tantos tormentos e castigos , que convertera ao bem várias moças , como se fosse uma santa. E foi- se à barca do Anjo pedir ajuda.

Mas de nada adiantou-lhe dizer ao Anjo que ela criava as moças para os padres , e que por obra dela , nenhuma moça se perdeu na vida. O Anjo não queria levá -la . Brísida então reclamou que ,sendo assim , não lhe foi útil tudo o que fizera. As mentiras que ela contou ao Anjo de nada valeram. Voltou , então , à barca do Diabo e lá embarcou.


VII - O judeu que ninguém queria levar.

Estando Brísida embarcada , chegou um judeu , carregando um bode nas costas. O judeu perguntou se poderia embarcar na barca do Diabo , nem que tivesse de pagar para entrar. O Diabo perguntou se o bode iria também, o judeu disse que sim ,que sem seu bode não iria. Porém, nem mesmo o Diabo quis levar o judeu , de tão ruim que ele foi em vida , mandando -o à barca do Anjo . Nem bem lá chegou o judeu , e João , o tolo ,que lá estava , não o deixou embarcar , dizendo que ele era um pecador , um homem mau , desqualificado. Ninguém queria levar o judeu e seu bode , mas o Diabo acabou concordando em levá-lo , ainda que a reboque. E o judeu foi embarcado junto com o bode.

VIII - O juiz corrupto.

Embarcado o judeu , chegou à barca do inferno um juiz , carregado de processos. O juiz perguntou ao Diabo para onde ia a barca , ao que o Diabo rebateu , perguntando , cinicamente , mais uma vez , "como andava o direito" .

Disse então que a barca ia para o inferno ,e que o juiz deveria entrar. De forma alguma o juiz quis entrar , porque acreditava que , ao trabalhar com as leis , não poderia ser um pecador. O Diabo acusou o juiz de aceitar suborno ,só atendendo às pessoas que lhe pagavam mais ,e sendo muito injusto ,agindo assim. O juiz mentiu que sua mulher era quem aceitava os subornos ,mas o Diabo ordenou-lhe que entrasse na barca sem demora. Ainda disse que o papel dos processos seria um ótimo combustível para o fogo do inferno.

IX - O procurador.

Estavam o Diabo e o juiz nessa discussão , quando chegou um procurador , carregado de livros , que se dirigiu ao juiz ,seu conhecido , querendo saber o que o Diabo dizia. Este entrou na conversa e disse que , tanto o juiz como o procurador seriam ótimos remadores rumo ao inferno.

O procurador achou que aquilo era uma brincadeira de muito mau gosto , e então ele e o juiz foram até a barca do Anjo. A caminho da barca celestial , o juiz disse ao procurador que ,antes de morrer , havia se confessado , mas não confessara tudo o que já havia roubado em vida.

Ao chegarem ao Anjo e pedirem lugar na barca, tudo o que ouviram foram insultos do Anjo e de João , o tolo , reforçando o vexame. Voltaram à barca do Diabo , muito aborrecidos . O procurador ainda tentou consultar as leis ,mas o Diabo os mandou entrar antes que isso fosse possível. E embarcaram.

X - O enforcado.

Nisso, chegou à barca do inferno um homem que morrera enforcado , e mal chegou , já ouviu a ordem do Diabo para que entrasse na embarcação . O enforcado se espantou muito , pois, antes de ser executado , lhe disseram que , por morrer na forca, merecia ir ao Céu. O Diabo então lhe perguntou se não haviam lhe falado no purgatório , se o enforcado não fizera confusão , ao que ele respondeu que não.

O Diabo o mandou novamente entrar na barca , mas , como esta já estava tão cheia , acabou por deixar o enforcado ir para onde bem quisesse , sendo que não cabia mais nenhum passageiro na embarcação. E o enforcado foi embora.


XI - Os Quatro Cavaleiros.

Assim que o enforcado se foi , passaram em frente à barca do Diabo , quatro cavaleiros, carregando uma cruz de Cristo. Nem bem os viu chegar, o barqueiro do inferno perguntou quem eles eram. Um deles respondeu que eram cavaleiros que morreram lutando. O Diabo ordena que todos entrem ,mas prontamente eles se recusam , dizendo que , quem morre defendendo o cristianismo e a Igreja Católica , não iria jamais ao porto infernal. E seguiram caminho até a barca do Anjo , que , ao vê-los , disse que os estava esperando para irem ao Paraíso , livres de todo o mal. E assim , os honrados cavaleiros embarcaram , e as duas barcas , a do inferno e a do céu , partiram.

 

 

<-Anterior

Página 1
Próxima->

Português - Literatura - Redação

 

Cola da Web.: É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, exceto em trabalhos escolares.