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  Matérias :: Português :: Literatura

  Autoria: Mariana Pizani
 

PÓS-MODERNO

Trabalho sobre o livro "O que é pós-moderno"

 

O QUE É PÓS-MODERNO

Vem comigo que no caminho eu explico

Pós-modernismo é a denominação aplicada às mudanças ocorridas nas ciências, nas artes e nas sociedades avançadas desde 1950 até os dias de hoje, quando, por convenção, se encerrou o modernismo.

O pós-modernismo tem como algumas características a invasão da tecnologia, a revolução da comunicação e a informática. Na economia, tem o poder de seduzir os indivíduos para fins de consumo.

Vivendo num mundo de signos, prefere-se a imagem ao objeto, o simulacro ao real, o hiper-realismo, que expressa a perplexidade contemporânea.

A presença do hiper-realismo na comunicação, sendo notável principalmente pela espetacularização da notícia, gera problemas pois o que parece ser possível em novelas, por exemplo, não passam de sonho na vida real. Daí, alguns elementos passam a ser confundidos, como ficção e realidade. O hiper-realismo é a mentira da verdade, podendo ultrapassar tanto o controle do emissor quanto do receptor. Este encontra na emissão hiper-realista uma espécie de potencialização de sentimentos, impressões e percepções. Hoje, mais do que nunca, os meios de comunicação desenvolvem técnicas de apresentação da notícia como espetáculo, manipulando o seu conteúdo. Outro problema gerado pelo hiper-realismo da mídia está presente em roupas, gestos, atos e comportamentos diariamente recebidos por ela. Nessa atitude, insere-se a cultura do hiper-real e a sensação de se viver no intenso clima por ela caracterizado.

Uma característica do indivíduos pós-moderno é que ele atua na micrologia individual. Se o sujeito parece fragmentado é porque o pós-modernismo vai levar às últimas conseqüências as pequenas liberdades individuais.

Sendo eclético, o pós-modernismo faz do cidadão senhor de suas escolhas, com um infinito leque de possibilidades que lhe permite optar, desde que essa opção não seja o não-consumo. Será o pós-modernismo decadência ou renascimento?

 

Do boom ao bit ao blip

Os países mais desenvolvidos produzem mais e mais rápido, visando facilitar a vida das pessoas. As novas tecnologias tornaram o mundo mais simples, mas criaram novas necessidades que não resolvem as inquietações do homem, cada vez mais necessitado da família, da escola e da sociedade para descobrir seu rumo, o que parece ser um paradoxo, pois ao mesmo tempo que ele nega esses valores ele também precisa deles. O sujeito pós-moderno não tem uma referência segura, fica à deriva.

Vive-se no circuito informação-estetização-erotização-personalização. O desespero pós-moderno pela diferença onde impera o esteriótipo faz do desamparo a marca-registrada.

 

Do sacrossanto não ao zero patafísico

Em relação à arte: os artistas pós-modernos utilizam materiais mais naturais, sendo uma arte eclética e fragmentada, se estruturando no pastiche.

A Arte Pop dos anos 70, convertida em antiarte, é lançada nas ruas com linguagem assimilável, dando valor artístico à banalidade cotidiana, se apoiando nos objetos, na matéria, no momento e no riso.

Na arte pós-moderna a fragmentação da narrativa e a intertextualidade são aspectos marcantes, junto ao pastiche.

 

Anartistas em nuliverso

Na arte pós-moderna impera o pluralismo e o ecletismo. Surgindo primeiramente na arquitetura, o que marca é a estética. Na pintura/escultura, objetos e imagens do consumo popular ganham espaço, com o real virando hiper-real. Uma forma de arte que está ganhando as galerias é o grafite.

O essencial da arte pós-moderna é a comunicação de massa, materiais não artísticos, objetividade, antiintelectualidade, anti-humanismo, superficialidade, efemeridade (como o grafite), volta ao passado pela paródia/pastiche/neo-expressionismo.

Pode-se citar exemplos de filmes e exaltar suas características pós-modernas, como em Pulp Fiction, de Tarantino, onde não há uma seqüência lógica dos fatos, há fragmentação e intertextualidade.

Nos dias de hoje a arte vem sob forma digital também. A grande revolução se dá pela intervenção das novas tecnologias. Com as máquinas, o artista cria um novo meio, mas nem tudo poderá ser realizado por elas. O mais importante continua sendo o humano, pois essa atividade é de criação e não de reprodução.

 

Adeus às ilusões

O pós-modernismo está associado à negação do pensamento ocidental e ao niilismo, gerando um indivíduo apático socialmente e dando adeus às ilusões. O pós-modernismo passa a dar valor tudo o que se refere a sensações, como escapismo para algum tipo de sentido além da realidade. Uma prova disso é que nunca se venderam tantos livros de auto-ajuda como hoje em dia. Jamais se abriram tantas academias de embelezamento nem inventaram tantas "poções mágicas". Tudo isso tomou o lugar dos valores supremos ocidentais. Há uma intensificação da necessidade de se viver sem qualquer referência a uma suposta grande norma que imponha limites nas particularidades de cada um.

Um dos motivos dessa negação do Ocidente foi justificado pelas gradativas conquistas da camada reprimida da população. O europeu conquistador de terras desconhecidas com muita freqüência se deparava com civilizações absurdamente diferentes. Era costumeiro que esse choque cultural argumentava a defesa de que aqueles seres não eram semelhantes, até porque as cores de pele eram distintas do branco europeu. Isso serve de exemplo para justificar novas idéias pós-modernistas, pois o diferente é o modelo para o revolucionário de nossos dias.

 

A massa fria com Narciso no trono

O indivíduo pós-modernista é consumista, hedonista e narcisista, se preocupando com o presente. Isso é um problema que o pós-modernismo trouxe, devido ao alto grau de sofisticação dos arsenais de sedução e domínio, obrigando o sujeito a consumir. A quantidade de informações, na maioria das vezes inúteis, estão produzindo cidadãos passivos, desmobilizados e despolitizados, meio vegetais diante da mídia, inseguros e de vontades determinadas pelas suas necessidades mais imediatas. Nesse emaranhado de informações, valores e tendências, dispersas nas mais opções oferecidas ao indivíduo, a idéia é de que o mundo está sem limites e de que o paraíso é o passageiro prazer de cada novidade do consumo.

Para o pós-modernismo, só o presente conta, com a deserção da História, do político e do ideológico, do trabalho, da família e da religião. O sujeito pós-moderno é indiferente à política, não crê no valor moral nem da realização pessoal relacionada ao trabalho, está cada vez mais descrente e menos religioso. Com esse neo-individualismo, o sujeito indivíduo narcisista é atingido pela dessubstancialização do sujeito, uma falta de identidade. No mundo pós-moderno, objetos e informação são descartáveis, produzindo personalidades também descartáveis e apáticas, com os modismos tomando lugar dos grandes valores ocidentais.

Demônio terminal e anjo anunciador

A sensação do indivíduo pós-moderno é de irrealidade, niilismo e confusão. O mundo atual é representado por simulacros, informação, consumo, individualismo. Nada tem identidade definitiva.

 

CONCLUSÃO

Pós-modernismo é uma síntese de todos os conteúdos da contemporaneidade, que surgiu primeiro no cenário artístico e ganhou terreno, espalhando-se em todas as áreas. Pode-se também defini-lo pelos seus três ideais: o individualismo, o pós-dever e o narcisismo hedonista.

Nascendo com a arquitetura e a computação nos anos 50, parece que toma corpo com a arte pop nos anos 60. Cresce, ao entrar pela filosofia, durante os anos 70, como crítica da cultura ocidental. Amadurece hoje, alastrando-se na moda, no cinema, na música e no dia a dia programado pela tecnociência, invadindo o cotidiano com alimentos processados, biotecnologia, microcomputadores, engenharia genética, clonagens, etc.

O pós-modernismo invadiu o cotidiano com a tecnologia eletrônica de massa e individual, visando a sua saturação com informações, diversões e serviços.

O pós-modernismo permite uma fortuna ser aplicada em sofisticados equipamentos e pesquisas espaciais, num interesse frenético por "outros mundos". Enquanto isso, vê-se milhares de pessoas morrerem por não conseguirem o mínimo para saciar as suas necessidades básicas.

Enfim, o pós-modernismo ameaça encarnar hoje estilos de vida e de filosofia nos quais viceja uma idéia tida como arqui-sinistra: o niilismo, o nada, o vazio, a ausência de valores e de sentido para a vida. Um exemplo disso é a introdução gradativa do american way of life no cotidiano, que todos querem copiar, o que fica mais fácil perante a globalização.

Paira uma pergunta no ar: o pós-modernismo é agonia ou êxtase? Isso não importaria tanto se existisse ajuda em relação a formar o cidadão consciente, capaz de manejar com objetividade os poderosos instrumentos que as novas tecnologias da comunicação estão colocando à sua disposição. Nesse caso, haveria de se exercitar uma vigilância sobre os veículos de comunicação, a fim de chamá-los à sua responsabilidade de principais formadores de opinião.

 

 

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