Pré-Modernismo
Nas últimas décadas do século
XIX e nas primeiras do século XX, o Brasil também viveu sua bélle
époque. Nesse período nossa literatura caracterizou-se pela ausência de
uma única diretriz. Houve, isso sim, um sincretismo estético, um entrecruzar
de várias correntes artístico-literárias. O país vivia na época uma
constante tensão.
Nesse contexto, alguns autores
refletiam o inconformismo diante de uma realidade sócio-cultural injusta e já
apontavam para a irrupção iminente do movimento modernista. Por outro lado,
muitas obras ainda mostravam a influência das escolas passadas:
realista/naturalista/parnasiana e simbolista. Essa dicotomia de tendências, uma
renovadora e outra conservadora, gerou não só tensão, mas sobretudo um clima
rico e fecundo, que Alceu Amoroso Lima chamou de Pré-Modernismo.
Quanto à prosa, podemos
distinguir três tipos de obras:
1-
Obras de ambiência rural
e regional - que tem por temática a paisagem e o homem do interior.
2-
Obras de ambiência urbana
e social - retratando a realidade das nossas cidades.
3-
Obras de ambiência
indefinida - cujos autores produzem uma literatura desligada da
realidade sócio-econômica brasileira.
Características
:
A)
ruptura com o passado - por meio de linguagem
chocante, com vocabulário que exprime a “frialdade inorgânica da terra”.
B)
inconformismo diante da
realidade brasileira - mediante um temário diferente daquele usado pelo
romantismo e pelo parnasianismo : caboclo, subúrbio, miséria, etc..
C)
interesse pelos usos e
costumes do interior - regionalismo, com registro da fala rural.
D)
destaque à psicologia do
brasileiro - retratando sua preguiça, por exemplo nas mais
diferentes regiões do Brasil.
E)
acentuado nacionalismo
- exemplo Policarpo Quaresma.
F)
preferência por assuntos
históricos.
G)
descrição e caracterização
de personagens típicos - com o intuito de retratar a
realidade política, e econômica e social de nossa terra.
H)
preferência pelo
contraste físico, social e moral.
I)
sincretismo estético
- Neo-Realismo, Neoparnasianismo, Neo-Simbolismo.
J)
emprego de uma linguagem
mais simples e coloquial - com o objetivo de combater o rebuscamento e o
pedantismo de alguns literatos.
Principais autores :
Na poesia: Augusto dos Anjos, Rodrigues de
Abreu, Juó Bananére, etc..
Na prosa: Euclides da Cunha, Lima
Barreto, Graça Aranha, Monteiro Lobato, Afonso Arinos, Simões Lopes, Afrânio
Peixoto, Alcides Maia, Valdomiro Silveira, etc...