Realismo
O termo realismo, de uma maneira geral, é
utilizado na História da Arte para designar representações
objetivas, sendo utilizado como sinônimo de naturalismo.
Normalmente implica numa não idealização dos objetos
representados e numa preferência por temas ligados ao homem
comum e à existência cotidiana. Entretanto, em meados do
século XIX, Gustave Courbert, com a crença na pintura como
uma arte concreta, que deveria ser aplicada ao real, acaba
por se tornar o líder de um movimento chamado Realista,
juntamente com Édouard Manet. Esse movimento, especialmente
forte na França, reagia contra o Romantismo e pregava o fim
dos temas ligados ao passado (como temas mitológicos) ou
representações religiosas em nome de uma arte centrada na
representação do homem da época, em temas sociais e ligados
à experiência concreta. Um dos primeiros pintores
considerados realistas é Jean-Baptiste Camille Corot (1796 -
1875) que, com sua pintura de paisagens provocou a admiração
de artistas posteriores como Cézanne. Foi um dos pioneiros a
considerar os desenhos que realizava ao ar livre como obras
acabadas, que não necessitavam dos estúdios. “Ilha de São
Bartolomeu“ é um exemplo de sua obra. Extremamente
importante para o Movimento Realista foi a Escola de
Barbizon (Corot era associado a ela), que se propunha
observar a natureza “com novos olhos“, seguindo a inspiração
do paisagista inglês John Constable, que exibiu suas obras
em Paris na década de 20 do século passado. Seu nome
deriva-se da reunião de um grupo de pintores na aldeia
francesa de Barbizon, floresta de Fontainebleau. Buscava
distanciar-se da pintura tradicional, concentrando-se em
aspectos da vida cotidiana de homens simples, como os
camponeses do local. Jean-François Millet (1814 - 1875) era
um de seus principais líderes. Millet foi um dos pioneiros a
incluir a representação de figuras entre os objetos que
deveriam ser representados de forma realista (o realismo de
Corot, por exemplo, restringia-se mais às paisagens). Queria
pintar cenas da vida real, sem apelos dramáticos, como
atesta sua tela “As Respigadeiras“ em que três mulheres não
idealizadas, com movimentos lentos, pesados e corpos fortes
e robustos trabalham na terra. Diferentemente do
neoclassicismo, quando representava figuras no campo, esse
quadro não possui exaltação ou idílio da vida fora da
cidade, apesar de valorizar o ato de colheita pelo arranjo e
equilíbrio da pintura. Theodore Rousseau (1812 - 1867) e
Narcisse-Vergille eram outros nomes de destaque dentro da
escola Barbizon, conhecidos por seus trabalhos com as
paisagens e estudos de luz e cor que iriam posteriormente
influenciar movimentos como os Impressionistas. Gustave
Courbet, com sua busca da “verdade“ nas representações e
sinceridade em suas representações, bem como seu objetivo de
“chocar“ a burguesia com o rompimento dos padrões estéticos
acadêmicos foi outra grande influência para os artistas da
época, que se baseavam em seu estilo para realizar suas
pinturas. Honoré Daumier (ver caricatura), com suas estampas
satíricas, normalmente visando atacar a política de sua
época, é outro expoente importante e diferenciado do
Movimento Realista. “Rua Transnonain, 24 de abril de 1874“ é
um dos trabalhos do artista em que a crítica social é mais
enfatizada. Mostra soldados massacrando a população em
represália às revoltas da época, ressaltando a desumanidade
do ataque governamental. O Realismo também se espalha fora
da França, em especial na Inglaterra, Alemanha e Estados
Unidos. Na Inglaterra é especialmente expresso pela
“Irmandade Pré-Rafaelita“ (ver primitivismo) que acreditavam
que a arte, a partir de Rafael, passou a desvalorizar a
verdade em busca de uma beleza idealizada. Deveriam,
portanto, voltar à época anterior ao mestre Renascentista. A
irmandade tinha ainda forte apelo religioso, pretendendo
exaltar Deus através de suas pinturas “sinceras“. “A
Anunciação“, de Dante Gabriel Rossetti é uma importante obra
dessa escola. Na Alemanha, destacam-se Adolph von Menzel
(1815 - 1905), Hans Thoma (1839 - 1934) e especialmente
Wilhelm Leibl (1844 - 1900), com sua obra mais conhecida
“Três Mulheres numa Igreja de Vila“. As fiéis são retratadas
de maneira simples e forte, com atenção aos detalhes e
influências de mestres alemães do passado como Dürer. Nos
Estados Unidos, destacam-se Winslow Homer (1836 - 1910), com
suas cenas da vida e paisagem americana e as da Guerra Civil
e Thomas Eakins, que assimilou o Realismo em seu treinamento
em Paris. Chegou mesmo a perder seu posto de professor na
Academia de Belas Artes da Pensilvânia por insistir na
observação de modelos nus em suas aulas de desenho.