Ego
Em seus
primeiros escritos, Freud já mencionava a existência do ego,
mas não o especificava com tanta riqueza de detalhes, até
porque o descrevia como a personalidade em seu conjunto e esta
noção só foi sendo renovada a partir das contribuições
feitas pelos estudos da psicanálise e principalmente, pela
experiência clínica das neuroses. Muitos autores dedicam-se ao
estudo do ego procurando estabelecer as diferenças entre o ego,
enquanto instância psíquica e o ego como pessoa, como
eu, como objeto de amor para o próprio indivíduo,
investido de libido narcísica. O ego possui um conceito muito
estreito com o conceito de consciência. O ego é uma instância
psíquica como o id e o superego. Do ponto de vista tópico, a
psicanálise refere-se ao ego como mantendo uma relação de
dependência com as reivindicações do inconsciente e com a
censura exercida pelo superego e pela realidade, tendo uma
autonomia relativa. Freud define o ego sob o ponto de vista
dinâmico como defensor da personalidade, na medida em que aciona
os mecanismos de defesa, que impedem que conteúdos inconscientes
e ameaçadores passem para o campo da consciência. O ego ainda
possui uma definição do ponto de vista econômico, onde é
definido como fator de ligação entre os processos psíquicos,
sem perder de vista que nas operações defensivas as tentativas
da ligação da energia pulsional sofrem interferência das
características específicas do processo primário, assumindo um
aspecto compulsivo, de repetição e distanciado do real. Na
histeria, o ego funciona com instância defensiva. Neste caso o
ego, como campo da consciência, defende-se de um situação
conflitiva incapaz de ser dominada, e inconciliável com ele,
defendendo-se dela. Diz-se que, neste caso, acontece um
recalcamento pelo ego. O ego é parte do conflito e isto é
motivo para agir de forma defensiva. Apesar da operação
defensiva da histeria ser atribuída ao ego, ela não é
considerada consciente e voluntária. Outra idéia caracteriza o
ego como instância responsável pela diferenciação que o
indivíduo é capaz de realizar entre seus próprios processos
internos e a realidade. Apesar das características deste
conceito, Freud trata de deixar claro que o acesso direto à
realidade é realizado pela percepção e não pelo ego, como se
pode pensar. O ego é descrito como uma organização de
neurônios que facilita as vias associativas interiores a este
grupo de neurônios, investimento constante realizado por uma
energia de origem pulsional e a distinção entre uma parte, que
é permanente e outra que tem características variáveis. Para
Freud o ego possui um nível de investimento permanente que
permite a inibição de processos primários, que poderiam não
só levar o indivíduo a alucinações como também provocar
desprazer.