Histeria
A histeria
foi o que levou Freud a descobrir o inconsciente e a postular a
psicanálise. Ele começou a observar que os sintomas físicos
não possuíam causa orgânica. A histeria é causada pela recusa
do desejo sexual que é tipicamente reprimido e se manifesta em
forma de ansiedades e traumas. Há psicanalistas que acrescentam
que a histeria não se refere apenas aos desejos sexuais, mas a
outros tipos de desejo ou situações traumáticas. A cura da
histeria só acontece quando o paciente, através da associação
livre, chega a uma cena traumática, causadora do sintoma. É
fundamental esclarecer que a cena pode não acontecer
necessariamente, e pode ter sido uma criação do paciente, a
partir de desejos proibidos. A cena, real ou não,
provoca uma ansiedade muito grande e a pessoa esquece-a
automaticamente, e somatiza. Os sintomas aparecem como que para
impedir o movimento para o desejo. É muito importante saber que
a histeria não é proposital e nem uma frescura,
como pode parecer. A histeria é uma classe de neuroses que
apresenta quadros clínicos muito variados. Freud considerou a
histeria como uma doença psíquica bem definida e que, portanto,
exige uma etiologia específica. Freud nominou diferentes tipos
de histeria. A histeria de angústia apresenta sintomas fóbicos
que podem ser observados na neurose obsessiva e na esquizofrenia.
A libido é libertada sob forma de angústia e a formação dos
sintomas fóbicos tem sua origem num trabalho psíquico que tem
como objetivo ligar a angústia que se tornou livre outra vez, ao
psiquismo. Existem ainda a histeria de conversão, que se
caracteriza pela predominância de sintomas de conversão; a
histeria de defesa, especificada por uma atividade de defesa que
o indivíduo desenvolve para evitar representações que causem
afetos desagradáveis (ver amnésia); a histeria hipnóide, que
segundo Freud e Breuer teria origem nos estados hipnóides, todas
as vezes que a pessoa não consegue aceitar os conteúdos
inconscientes revelados por esta técnica; a histeria de
retenção, quando a natureza do trauma esbarra em condições
sociais ou individuais que impedem a ab-reação; a histeria
traumática, que foi descrita por Charcot como sintomas
somáticos designados para um traumatismo físico, que, naquela
época, era caracterizado pelas paralisias.