Histórico
Esquizofrenia
O primeiro
a utilizar o termo esquizofrenia foi o psiquiatra suiço,
Eugen Bleuler em 1911, sobre os pacientes que tinham as
características de desligados de seus processos de
pensamentos e respostas emotivas.
Equivocadamente atribui-se a esquizofrenia à cisão de
personalidade, dissociação em personalidades, o que não é
correto.
Ser
portador de esquizofrênica não significa ter dupla
personalidade.
O termo se
adequa para descrever um quadro de sintomas típicos,
incluindo enganos, alucinações, desordem de pensamentos e
ausência de respostas emotivas, aliadas à fatores genéticos
e tensões ambientais.
O efeito
desta doença é devastador do aspecto humano no que concerne
ao pensamento, emoção e expressão. Não existe vislumbre de
cura, porém, com o tratamento adequado, pode reduzir
significativamente os sintomas e as reincidências de surtos
em mais de 50%. Novas drogas parecem estar melhorando este
índice. O tratamento prévio da esquizofrenia, durante os
primeiros sintomas, pode aumentar os índices de remissão de
50% para 80 a 85 %.
O início da
esquizofrenia pode ser repentino ou gradual, sendo que no
primeiro o prognóstico é levemente menor, regredindo em 1/3
dos pacientes. Nos outros pacientes a doença segue seu curso
numa flutuação entre altos surtos psicóticos, seguidos de
remissão.
Nas
mulheres as chances de um resultado positivo de tratamento
são maiores, atribuindo-se isto aos efeitos de estrogênio no
cérebro.
Freqüentemente a memória é prejudicada depois de 5 a 10 anos
de deterioração após o que a doença tende a se estabilizar e
a melhora pode ocorrer. Os estudos indicam que após a idade
de 20 ou 30 anos, 50% dos pacientes esquizofrênicos são
capazes de seus próprios cuidados pessoais, trabalhar e
participar socialmente, existindo serviços de apoio,
contribuindo para a melhora dos resultados.
Os
portadores de esquizofrenia sofrem na ausência de cuidados
especiais. Têm dificuldades para trabalhos e seus
relacionamentos são prejudicados e difíceis, mesmo com a
melhora dos sintomas. Apesar do comportamento do
esquizofrênico demonstrar ser assustador, as pessoas com
esquizofrenia não são mais violentas do que as pessoas
normais; pelo contrário, são mais capazes de abster-se das
violências. Calcula-se porém que cerca de 15% dos portadores
dos sintomas de esquizofrenia podem cometer suicídio; o
risco pode aumentar em pacientes mais jovens e desiludidos.
Em
pacientes com histórias de outras doenças pode ser difícil o
diagnóstico para os sintomas da esquizofrenia, sendo estes
sintomas mascarados pelos outros, não recebendo portanto a
atenção médica e a devida medicação.
Alguns
estudos demonstram que um grande número de pessoas com
esquizofrenia possui histórias de abuso de álcool,
aumentando seus efeitos com as drogas antipsicóticas
utilizadas nos tratamentos dos pacientes, além dos efeitos
adversos.
Uma das
razões que podem explicar o hábito de fumar dos
esquizofrênicos é o fator genético P50 encontrado nos
receptores cerebrais que se ligam à nicotina, sendo uma
espécie de auto-medicação que reduz os sintomas psicóticos,
os quais comprovadamente podem aumentar com a retirada deste
hábito.
Novos
estudos indicam que a fumaça do cigarro inibe a atividade de
uma proteína denominada de moaminaoxidase B (MAO-B). Com o
bloqueio desta proteína decorrente da ingestão dos gases
emitidos pela fumaça dos cigarros, aumenta no cérebro a
produção de um composto feniletilamina (FEA) que é ligado a
relação Mania-Tensão e Hiperatividade (embora sem agressão).
A
esquizofrenia causa danos não somente aos seus portadores
mas também à sociedade em si. Calcula-se que nos E.U.A. seis
bilhões de dólares foram destinados aos cuidados com a saúde
e com o sistema judiciário para lidar com doentes
esquizofrênicos, além da produtividade perdida no trabalho e
cuidados dos pacientes por seus familiares em seus lares.
Antigamente
a esquizofrenia era tratada a longo prazo com internação em
hospitais mentais. Após o início da utilização de drogas
antipsicóticas nos meados dos anos 1950 e 1960 e a pressão
política econômica de redução de custos, coincidiram com a
esperança de que estas drogas seriam mais eficientes. Em
1970, milhares de pacientes foram libertos das instituições
para a comunidade. A maioria das famílias foram orientadas
para receber seus doentes e a incidência de esquizofrênicos
em seus lares aumentou. Apesar da tentativa de reduzir os
gastos com estes pacientes mentais nos hospitais, 40% dos
pacientes ainda requer tratamento com hospitalização a longo
prazo e mais da metade dos pacientes necessitam de auxílio
público pelo menos durante um ano antes de reingressar na
comunidade.
Os sintomas
Os sintomas
de esquizofrenia surgem de vários processos físicos e
responde diferentemente aos tratamentos. Alguns
especialistas classificam-no em dois grupos: sintomas
negativos e sintomas positivos.
Sintomas
negativos (de sociabilidade baixa), são provavelmente devido
à perda de células nervosas resultando numa capacidade
diminuta de funcionamento.
Sintomas
positivos (alucinações e enganos) ou dano cognitivo
(pensamento desordenado).
Estes
sintomas se sobrepõem, interagem um com o outro e podem
corromper a categoria.
Um paciente
pode ter mais de um sintoma, mas raramente um paciente
possui todos os sintomas.
Sintomas
negativos.
Os sintomas
negativos freqüentemente ocorrem cedo no processo da doença
e vêm a ser menosprezados. Estes sintomas freqüentemente são
insuficientes para motivar um tratamento. Os sintomas
negativos podem co-existir com os sintomas positivos e
tipicamente persistem após serem tratados os sintomas
positivos.
Eles
refletem a diminuição da auto-estima, falta de emoções,
entonações de voz e perda geral do interesse pela vida. Os
pacientes com sintomas negativos podem também exibir reações
emotivamente impróprias, condição imprópria dos afetos (rir
histéricamente de um triste acontecimento) aparecendo cedo
na vida deste paciente. Foram observados em alguns dos
pacientes que desenvolveram posteriormente a esquizofrenia,
a falta de responsabilidade e pobreza social na sua
infância. Em outros, os sintomas negativos entretanto não
apareceram até depois do desenvolvimento dos sintomas
positivos. Os sintomas negativos tendem a ser mais comuns em
pacientes mais velhos do que nos mais jovens.
Sintomas
positivos.
Sintomas
psicóticos. Acontecimentos psicóticos - particularmente
enganos e alucinações - são os mais amplos sinais
reconhecidos de esquizofrenia. As alucinações podem tomar a
forma de ver e ouvir coisas que não existem. As alucinações
de audição, que são os falsos sentidos de sons, tal como
ouvir vozes, são os sintomas mais comuns. Os enganos são
crença fixamente falsas, estes podem ser esquisitos
(estrangeiros invisíveis entraram num lugar por um suporte
elétrico) ou bizarro (ciúme infundado, ou crença paranóica
de perseguição ou de ser observado). Os sintomas psicóticos
ocorrem normalmente em homens entre as idades dos 17 aos 30
anos e em mulheres entre 20 e 40 anos. A maioria dos
pacientes entretanto, exibe alguma evidência de
esquizofrenia antes do primeiro episódio psicótico. Depois
deste acontecimento inicial, a ocorrência destes sintomas
psicóticos ocorre esporadicamente e é intercalado por
períodos de remissão.
O dano
cognitivo.
Os sintomas
de danos cognitivos incluem a falta de atenção, desordem de
pensamento, processamento de informações e aberrante
associação entre palavras e frases. Por vezes a
descontinuidade entre as idéias pode ser tão extrema que o
discurso do paciente pode tornar-se incoerente, tal qual uma
"salada de palavras". Ocasionalmente os pacientes ligam as
palavras mais por semelhança de sons, do que por
significados (associações de sons - tinir- soar). A
capacidade abstrata de pensamento também pode ser
prejudicada. Estudos mostraram que apesar deste vocabulário,
capacidades especiais, tais como leituras de mapas, não
foram prejudicadas. Danos cognitivos podem ocorrer ao longo
do desenvolvimento de outros sintomas, com por exemplo as
alucinações que podem aparecer esporadicamente.
Quem pode
ser portador de esquizofrenia?
A
esquizofrenia é uma condição psicótica bem comum, afeta
aproximadamente 1% da população da terra, mais de 2,7
milhões de pessoas na América.
A
inteligência
O gênio não
é dispensado; é uma faixa de vítimas da esquizofrenia,
possuindo pleno alcance da inteligência. Novas pesquisas
sugerem entretanto que declínios significativos em QI na
infância podem predizer sintomas psicóticos em adultos.
Fatores
Geográficos Culturais
Não há
grupo cultural imune, embora o curso da doença pareça ser
mais severo em países em desenvolvimento. De acordo com um
estudo encontrou-se a porcentagem de 20% para sintomas
positivos contra 80% para sintomas negativos em pacientes
que viveram em três cidades culturalmente diferentes
(Tóquio, Viena e Tubinger, Alemanha). Variou entretanto o
conteúdo. Na Europa, os pacientes eram mais capazes de
enganos (sintomas) com envenenamento ou culpa religiosa,
enquanto que no Japão estes eram ligados aos difamados ou
caluniados.
Fatores
Sócio-econômicos
A doença
ocorre freqüentemente tanto em pessoas divorciadas,
solteiras, bem como em casados e viúvos. Sua possibilidade
se encontra nos grupos sócio econômicos mais baixos. Essas
duas últimas estatísticas entretanto, possibilitam refletir
os efeitos que alienam esta doença antes de estabelecer
qualquer relacionamento causal ou fator de risco associado
com a pobreza.
*Observação pessoal (Lazir)
- E isto pode parecer óbvio em meus estudos,
claro está que os esquizofrênicos encontrados com sintomas
positivos pertencem à classe economicamente mais baixa,
visto serem abandonados por falta de recursos e quando muito
levados a instituições por falta de meios econômicos por
parte da família. Entretanto, se o portador da esquizofrenia
for de classe média alta e/ou de família esclarecida pouca
oportunidade terá de fazer parte da estatística e grupo de
estudos para pesquisa, visto ser tratado e cuidado
adequadamente com conforto e medicação necessária sem surtos
e recidivas constantes da doença.
A idade e
sexo.
A
Esquizofrenia normalmente aparece por ocasião da
adolescência ou com atraso no adulto. As crianças que
posteriormente desenvolvem a esquizofrenia, freqüentemente
sofrem de problemas de conduta e timidez excessiva;
problemas físicos, menor controle-motor (locomoção motora)
que podem ser desprezados pelos pais. Por vezes a
esquizofrenia pode ser evidente nas crianças; em tais casos
é possível ser de desenvolvimento severo. A esquizofrenia
paranóide, em particular, pode ser mais comum no sexo
masculino. Os pacientes paranóicos normalmente tem uma
história de desenvolvimento normal e uma íntegra
personalidade. Os homens tendem a desenvolver a
esquizofrenia entre as idades de 15 e 24 anos. Nas mulheres,
desenvolvem mais levemente e normalmente mais tarde, entre
os 25 e 34 anos e os sintomas podem ser menos severos.
Embora o risco de declínios da esquizofrenia com a idade,
alguns peritos acreditam que há uma incidência de pico ao
redor dos 45 anos e outro, principalmente nas mulheres, por
volta dos 60 anos.
Risco
herdado (herança genética).
A
esquizofrenia indubitavelmente tem um componente genético e
novos estudos continuam a oferecer apoio para esta idéia. De
acordo com estudos, os indivíduos com predisposição familiar
à esquizofrenia possui várias anormalidades estruturais no
cérebro, incluindo tamanho reduzido e ventrículos
aumentados, comuns em pacientes com esquizofrenia;
entretanto a hereditariedade não explica todos os casos da
doença. O fator de risco para herança esquizofrênica é de
10% para aqueles que têm um membro familiar direto com a
doença e de aproximadamente 40% se a doença afeta ambos os
pais ou gêmeos idênticos. Aproximadamente 60% dos portadores
de esquizofrenia possuem parentes não próximos com a doença.
O distúrbio de vestígios no olhar é uma das características
genéticas que parece ser associada com a esquizofrenia. Os
pesquisadores argumentam se estas duas condições são
geneticamente ligadas ou se a desordem no olho é
simplesmente um sintoma físico da esquizofrenia.
Complicações de parto.
Os estudos
indicam que indivíduos com esquizofrenia têm uma incidência
maior com os problemas que cercam o nascimento, parecendo
que as complicações de trabalho de parto aumentam o seu
risco. Observando-se que um período curto de gestação e peso
baixo no récem-nascido podem estar associados com o
princípio da esquizofrenia no adulto, neste mesmo estudo
verificou-se que coincidentemente, na ocorrência de 2 para
1, mães de esquizofrênicos informaram ter estado deprimidas
ou relataram algum episódio de depressão durante sua
gravidez. Os pesquisadores sugerem que o risco para
esquizofrenia ocorre se o feto em desenvolvimento ou o récem
nascido é privado de oxigênio. Grávidas que sofreram fome ou
deficiência de nutrição (menos que 1000 calorias diárias)
durante o primeiro trimestre de gravidez, têm o risco
aumentado de ter uma criança que pode vir a desenvolver
esquizofrenia. Um dos estudos sugere que algumas pessoas
podem desenvolver esquizofrenia se ocorrer anormalidades
durante a vida fetal em pontos críticos de desenvolvimento
do cérebro, entre a 34a. e 35a. semana de gestação bem como
no estudo de bebês, verificou-se uma incidência de risco
aumentado para aqueles não alimentados pelo peito materno.
Os
nascimentos de inverno.
Muitos
estudos demonstraram que aproximadamente 8% das pessoas com
esquizofrenia, tiveram seus nascimentos no inverno.
O que pode
confirmar um diagnóstico de Esquizofrenia?
Um único
sintoma não é específico da Esquizofrenia. Um diagnóstico
depende de uma crise ser ativada e ter sua duração de pelo
menos um mês aproximadamente, consistindo de dois sintomas
característicos (ex.: alucinações, enganos, pensamentos
desorganizados, irresponsividade emotiva, tonalidade da
fala). O diagnóstico também pode ser feito na base de um
único sintoma se o paciente possui enganos ou alucinações
particularmente esquisitas. Fazer um diagnóstico na ausência
de altas atividades sintomáticas, incluem outros sintomas
tais como, retirada social marcante, comportamento peculiar
(conversar sozinho, grande índice de superstição), fala
incoerente e vaga ou outras indicações de pensamentos
perturbados, que devem estar presentes pelo menos durante
seis meses. Para o diagnóstico, os relacionamentos sociais
pessoais do paciente também devem estar deteriorados desde o
início dos sintomas. Outras condições médicas, incluindo
desordem bipolar, devem ser naturalmente excluídas do
diagnóstico.
Inúmeras
técnicas de mapeamento cerebral estão se tornando-se úteis
para detectar ou determinar se partes do cérebro podem estar
deterioradas ou se estas estruturas anormais se relacionam à
interligação de sintomas específicos. A utilidade de cada
uma destas técnicas varia de acordo com a evolução
tecnológica, quantidade de radiação utilizada, clareza de
imagem e visão da área cerebral. A utilização de Ressonância
Magnética tornou-se uma ferramenta particularmente valiosa
para revelar partes do cérebro inacessíveis a outras
diferentes perspectivas. Outras novas técnicas de mapeamento
são a tomografia computadorizada que pode proporcionar as
informações de fluxo sanguíneo e metabolismo cerebral. No
exterior pode-se encontrar outros recursos técnicos de
mapeamento cerebral: Tomografia por emissão de Fótons
(SPECT) e Tomografia por emissão de Pósitrons (ACARICEIA),
que podem proporcionar maior eficiência de informações do
fluxo sanguíneo e metabolismo cerebral.
Um novo
método telefônico, utilizando sistema computadorizado está
sendo desenvolvido para desordens cerebrais mentais
incluindo a esquizofrenia, levando aproximadamente oito
minutos para completar e produzir resultados claros e
exatos. Esta simples chamada telefônica poderia ajudar as
pessoas que procuram aconselhamento médico antes da
existência de um problema evidente.
Quais
outras condições assemelham-se a Esquizofrenia?
Outras
séries de sinais comuns de esquizofrenia são também os
sintomas que podem ocorrer em outros estados psicológicos e
condições médicas, incluindo enganos, alucinações, fala
desorganizada incoerente, tom plano de voz, comportamento
esquisitamente desorganizado e catatônico (ausência de fala,
rigidez muscular e irresponsividade).
Mais de 70
condições sintomáticas podem conter desordens típicas da
esquizofrenia (equívocos, enganos), tais como depressão e
mania (bipolar). Tais sintomas focalizam uma anormalidade
física ou uma doença somática, às vezes presentes em pessoas
com depressão. Os enganos ou manias de grandeza - a crença
de que tem um poder especial ou uma missão - pode ocorrer
nas pessoas com mania; estas pessoas podem também tornar-se
paranóicas.
Há uma
incidência de psicoses esquizofrênicas comuns que não
constituem critério para diagnosticar esquizofrenia e podem
ser variações de doenças inteiramente diferentes. Sabe-se
que estas variações são classificadas como desordens
esquizoafetivas, psicoses esquizofreniformes atípicas e
esquizofrenia reativa breve. Na desordem esquizoafetiva, por
exemplo, as pessoas têm episódios psicóticos entre o período
pleno de mania e o período deprimido.
O álcool e
o abuso de drogas ou sua retirada também podem ocasionar
psicoses. e pelo risco alto de abuso dessas substâncias em
pessoas com esquizofrenia é necessário que o profissional de
saúde saiba distinguir entre o gatilho de psicoses por
drogas ou álcool do episódio esquizofrênico. Normalmente o
diagnóstico é confirmado com o final da psicose depois da
retirada do álcool ou drogas e pelo retorno dos pacientes ao
álcool ou abuso dessas substâncias.
Outras
causas de sintomas psicóticos são o câncer no sistema
nervoso central, encefalite, neurosífilis, desordens de
tireóide, doenças de Alzheimer, confiscações parciais
complexas, doença de Huntington, esclerose múltipla,
traumatismos, doença de Wilson, deficiência de vitamina B e
lúpus eritematoso sistêmico.
Muitas
medicações provocam leves efeitos semelhantes ao de psicose
severa e podem vir a precipitar enganos e sérias confusões.
Tais sintomas provenientes destas medicações, são mais
freqüentes em pacientes idosos.
O que causa
a Esquizofrenia?
Não há uma
única causa para explicar todos os casos de esquizofrenia.
Contrariamente à crença popular, as pessoas com
esquizofrenia não são vítimas de sua origem pobre ou de
fatores ambientais; a maioria é vítima de erros no
desenvolvimento do cérebro surgidos geneticamente. As
pesquisas mais recentes estão encontrando tais anormalidades
no feto em desenvolvimento e não após o nascimento.
A estrutura
cerebral e anormalidades químicas.
Os
pesquisadores estão tentando achar uma única terapia que
possa integrar um número de resultados nas anormalidades
químicas estruturais no cérebro dos esquizofrênicos.
As
anormalidades no formato e nas atividades cerebrais.
Em alguns
pacientes, as técnicas de mapeamento por imagens revelaram
menor atividade cerebral no córtex pré-frontal e em alguns
casos perdas reais de tecido, particularmente nas amígdalas
- hipocampo, no lado esquerdo do cérebro. O córtex
pré-frontal do cérebro afeta a memória, razão, agressividade
e fala significativa; a atividade reduzida nesta área pode
causar sintomas negativos. A área diminuída dos lóbos
temporais do cérebro (localizada perto das orelhas) e áreas
límbicas (localizada no fundo do cérebro) que são
relacionadas às emoções, parecem estar ligadas aos sintomas
positivos, tais como ouvir vozes. A Ressonância Magnética
(MRI) pode esquadrinhar o cérebro e revelar alguns casos de
sulcos cerebrais aumentados, denominados pellucidi de septi
de cavum (CSP), entre os ventrículos laterais que são duas
estruturas que contêm o líquido cérebroespinhal. Durante o
desenvolvimento no ventre, o CSP se inicia com uma única
camada e se fende em duas antes do nascimento, voltando a se
fechar após o nascimento, durante o desenvolvimento do bebê.
Em algumas pessoas com esquizofrenia entretanto, a etapa
final é incompleta e o CSP é aumentado. Um estudo achou um
volume alto de sangue no cérebro de pessoas com
esquizofrenia sugerindo anormalidades de irrigação.
Importante notar que estas anormalidades cerebrais não foram
encontradas consistentemente em todos os pacientes com
esquizofrenia, encontrando-se anormalidades estruturais
semelhantes em pessoas que não tinham nenhuma indicação da
doença.
As
anormalidades de circuitos cerebrais.
Um
interesse particular se concentra na pesquisa do circuito
cerebral, que filtra as informações que entram no cérebro e
envia as informações relevantes para outra partes executarem
determinada ação. Um defeito nesse circuito pode resultar no
bombardeio das informações não filtradas o que pode
ocasionar sintomas tanto negativos como positivos. Oprimido
por dados desorganizados, os sintomas positivos ocorrem e a
mente incorre em erros de percepção e alucina, tira
conclusões incorretas e torna-se desiludida, realizando
escolhas ímpares de sentimentos e de comportamentos. Para
compensar estes sintomas a mente então se retrai, ocorrendo
alternativamente os sintomas negativos.
Químicas
anormais no cérebro.
Alguns
especialistas acreditam que a esquizofrenia se origina de
uma desordem rara nos neurotransmissores (mensageiros
químicos entre as células e o sistema nervoso). Um possível
elo entre as anormalidades cerebrais e o desenvolvimento da
esquizofrenia envolve o transporte de dopamina pelo
neurotransmissor. A dopamina foi investigada por muitos
anos, observando-se a principio que certas drogas que
reduzem a ação de dopamina no cérebro também reduzem os
sintomas psicóticos. Por outro lado, drogas que aumentam a
atividade da dopamina aumentam estes sintomas ou agravam a
esquizofrenia. Esta pesquisa foi centralizada em receptores
(moléculas nas células que se unem a outras moléculas) de
dopamina, particularmente D1 (dopamina) e D2. Os estudos de
imagem mostrou uma hiperatividade da dopamina nas partes do
cérebro onde parecem se localizar os sintomas psicóticos. Em
esquizofrênicos, o lado esquerdo do cérebro tende a ter
concentrações mais altas de dopamina que o direito, o que
provavelmente, não é devido a uma superprodução de dopamina
mas a um aumento dos receptores químicos que atraem e fixam
a dopamina em partes do cérebro que foram deterioradas. A
pesquisa revelou também baixa atividade de receptores de
dopamina, D1, ocorrendo no córtex pré-frontal do cérebro, o
que pode ser relacionado a sintomas negativos. Atualmente,
os especialistas sugeriram que um equilíbrio anormal de
dopamina, e não só a hiperatividade, são gatilhos para a
síndrome da esquizofrenia e outros transmissores e químicas
do cérebro continuam sendo objeto de estudos, tais como os
níveis baixos de amino ácido glicídio encontrado nos
cérebros de pessoas com esquizofrenia, dirige-se a pesquisa
aos possíveis mecanismos e tratamentos relacionados a esta
substância. Novos estudos indicam que os pacientes tendem a
ter anormalidades proteicas no efeito reparador estrutural
em função das células nervosas; duas destas proteínas que
estão sendo investigadas são a ESTALO-25 e alfa-fodrin.
Fatores
Genéticos
Os
cientistas estão próximos de encontrar a localização
genética da esquizofrenia, que acredita-se estar no
cromossoma 13 dos humanos e possivelmente no 8. Uma hipótese
comum a um número de doenças neurológicas é que um gene
defeituoso é a causa de células saudáveis no organismo
humanos estarem suscetíveis a atacar o próprio sistema
imunológico uma condição chamada auto imunologia. Na
esquizofrenia, estes incluem as células nervosas do cérebro.
Num estudo em mães de pacientes esquizofrênicos foram
encontradas uma incidência alta do HLA-B44 neste tipo de
gene. Genes semelhantes são encontrados em outras doenças
auto imunes que predispõem o sistema imune a atacar as
próprias células e tecidos quando um vírus a invade.
Os vírus.
A hipótese
virótica para a causa desta doença se baseia principalmente
em evidências circunstanciais: o alto índice de nascimentos
no inverno entre as pessoas com esquizofrenia; alto índice
da doença nas áreas suburbanas das cidades, e uma incidência
mais alta de esquizofrenia nas populações que tiveram
epidemias de gripe. Por exemplo, um estudo na Finlândia
mostrou um alto índice de esquizofrenia nas pessoas cujas
mães estavam no segundo trimestre de gravidez durante uma
epidemia importante de gripe há vinte anos atrás. Alguns
pesquisadores postularam que se uma mulher grávida
suscetivelmente genética tiver uma gripe no segundo
trimestre de gravidez quando as células cerebrais do feto se
encontram em desenvolvimento, o seu sistema imunológico
reage à invasão do vírus atacando também estas células
vulneráveis do cérebro. Recentemente, o vírus da doença de
Borna, que dispara uma desordem neurológica em animais, foi
encontrado no sangue de um paciente esquizofrênico. Ainda há
necessidade de pesquisas extensas a serem realizadas antes
que uma conexão real entre vírus e o princípio da
esquizofrenia possa ser feita.
Os fatores
Psicológicos.
Embora
fatores genéticos neurológicos quase certamente sejam os
fatores mais importantes nas desordens da esquizofrenia,
seria irresponsável ignorar e dizer que estão fora de
cogitação as pressões e influências que podem exacerbar ou
servir de gatilho para os sintomas inerentes a esta doença.
O cérebro é um sistema complexo de apreensão, que além de
responder a mecanismos físicos internos também responde a
estímulos do mundo. A pesquisa demonstrou que os lóbos
pré-frontais do cérebro freqüentemente são afetados nos
pacientes com esquizofrenia sendo extremamente responsivo a
tensões de ambiente. Pelo fato dos sintomas negativos do
esquizofrênico serem naturalmente extraídos do círculo de
sofrimento familiar, é seguro supor que a sua realimentação
negativa intensifica o estado neurológico já vulnerável
servindo-lhe regularmente de gatilho e exacerbando a
existência dos sintomas.
Quais são
as diretrizes gerais para se tratar a Esquizofrenia?
O Instituto
Nacional de Saúde Mental e a Agência de Seguros de Pesquisa
e Saúde organizaram suas recomendações para tratamento em
sete categorias: (1) medicações com anti-psicóticos; (2)
medicações adicionais para depressão, ansiedade ou
hostilidade; (3) terapia com eletroconvulsivos; (4)
tratamentos psicológicos; (5) intervenções familiares; (6)
reabilitação vocacional; (7) tratamento intensivo
comunitário. Precocemente captada, a esquizofrenia tem
melhores resultados em seu tratamento. Os estudos indicam
que pacientes que recebem drogas antipsicóticas e outros
tratamentos durante os seus primeiros episódios e os cinco
anos seguintes a estes, são freqüentemente menos
hospitalizados e requerem menos tempo para controlar
plenamente os sintomas, desde que procurem ajuda
rapidamente. Um estudo comprovou que a intervenção de
controle prévio da esquizofrenia, reduziu o diagnóstico de
surtos. Entretanto os pacientes suportam uma média de 10
meses com sintomas sérios antes de receber tratamento e a
pesquisa indica que mais da metade dos indivíduos com
esquizofrenia recebe cuidados inadequados. Particularmente,
Afro americanos são menos passíveis de receber bom
tratamento.
O que é o
tratamento com droga para a esquizofrenia?
Antipsicótico típico (ou neuroléptico), Drogas.
As drogas
típicas antipsicóticas foram até bem recentemente o
principal tratamento para esquizofrenia. Bloqueiam os
receptores de dopamina, neurotransmissores que julga-se ter
influência nos sintomas psicóticos. Estes medicamentos
também são referidos como drogas neurolépticas porque podem
causar efeitos neurológicos paralelos. A primeira droga
deste tipo utilizada para tratar esquizofrenia foi a
clorpromazina (Amplictil). Muitas outras drogas
antipsicóticas estão agora disponíveis, a mais popular é o
haloperidol (Haldol). Incluindo entre outras perfenazina
(Trilafon - não encontrei no Vade-mécum - Brasil),
tioridazina (Melleril), mezoridazina (Serentil - não
encontrei no Vade-mécum - Brasil), trifluoperazina
(Stelazine) e flufenazina (Anatensol Depot). Os estudos não
mostraram quaisquer diferenças significativas de benefícios
entre estas drogas; seu impacto benéfico é maior em sintomas
psicóticos, particularmente nas alucinações e enganos
(equívocos) nas etapas iniciais e intermediárias das
desordens mentais. Drogas típicas antipsicóticas não são
muito bem sucedidas na redução dos sintomas negativos,
embora as pessoas freqüentemente demonstrem um menor
isolamento e apatia em virtude da redução dos episódios
psicóticos. De um terço a um quinto dos pacientes com
esquizofrenia, não respondem adequadamente ao tratamento com
drogas. Um estudo importante informou que somente um terço
dos pacientes recebem dosagem corretas.
Nota
(Lazir): Em parecendo ser a doença escalonada em níveis
diferenciados, normalmente a dosagem deve obedecer a
critérios peculiares, obtidos somente após tentativas de
erros e acertos, exemplificando: Começar com dosagem de
média para baixa e caso necessário ir aumentando ou
reduzindo conforme a tolerância e resposta particular do
paciente.
Tratamento
de fase aguda ou inicial.
Para uma
fase ativa grave de esquizofrenia, utilizam-se drogas
injetáveis de antipsicóticos, a cada quatro e oito horas até
que o paciente se tranqüilize. Se possível, entretanto, por
prescrição médica, administrar a droga oralmente ou pelo
menos retornar à droga oral tão logo possível. Geralmente
doses mais elevadas são utilizadas para tratar episódios
agudos e doses menores durantes os períodos de remissão da
doença. Em pacientes que não responderem ao haloperidol
dentro de três semanas, estimular a dosagem parece não ser
eficiente e pode ser mais produtivo. Um estudo indica que
para pacientes com um primeiro episódio, a utilização de
doses abaixo das normais pode ser eficiente e oferecem menor
risco de efeitos colaterais. Em pacientes tratados
inicialmente, a melhora dos sintomas psicóticos pode ser
evidente dentro de um ou dois dias de tratamento, embora o
pleno benefício da droga desenvolva-se somente após
aproximadamente de seis a oito semanas. Acredita-se que os
distúrbios diminuam-se gradualmente.
As recaídas
e a manutenção.
Para
reduzir os riscos de recaída, muitos médicos recomendam
ministrar as drogas antipsicóticas diariamente pelo menos
por um ano. Aproximadamente 75% dos pacientes têm recaídas
dentro de dois anos após retirada da medicação. Se dois ou
mais episódios ocorrerem, alguns especialistas recomendam um
tratamento de manutenção de pelo menos cinco anos, alguns
possivelmente por tempo indefinido. Até 75% dos pacientes,
entretanto, podem parar com as drogas antipsicóticas dentro
de dois anos. A conformidade do prosseguimento de um regime
de manutenção se deve a inúmeras razões: efeitos colaterais
que podem estar debilitando o paciente; a vida do paciente
esquizofrênico é normalmente instável; e muitas pessoas são
relutantes em aceitar o conceito de tratamento longo. A fim
de evitar os efeitos colaterais, conforme o paciente, os
médicos tentam manter as dosagens o mais baixas possíveis.
Os efeitos da droga devem ser cuidadosa e estritamente
controlados pelo médico. A eficácia varia de indivíduo para
indivíduo, avaliações, julgamentos e adaptações podem ser
necessárias quando prescrever as dosagens, de modo que os
benefícios do tratamento excedam ao efeitos colaterais da
terapia. A terapia de depósito (tipos de neuroléptico,
normalmente Haldol ou Anatensol, são ministradas com
injeções mensais) teve êxito em sua utilização em pacientes
que têm dificuldade em se submeter ao regime oral diário. Na
Europa, o critério injetável reduziu o índice das recaídas
dos sintomas em mais de 50%. Alguns especialistas recomendam
esta terapia de depósito em pacientes que têm reduzida
capacidade de tolerância. Uma desvantagem desta terapia são
os efeitos colaterais, que, se ocorrerem, são prolongados.
Efeitos
colaterais dos Neurolépticos.
Os
neurololépticos pode ter efeitos colaterais adversos em
muitos órgãos e sistemas do corpo. A insônia e letargia
comumente ocorrem no início da terapia, mas normalmente
diminuem depois de algum tempo. Outros efeitos colaterais
são a boca seca, problemas oculares, reações alérgicas,
aumento de peso e irregularidades menstrual nas mulheres.
Uma disfunção sexual pode ser resultante do tratamento e é
uma das razões para a não concordância na utilização da
droga por parte do paciente, embora a amantadina ( Mantidan
- antiparkinsoniano) possa ajudar e compensar os efeitos
colaterais. Um efeito colateral muito mais sério, entretanto
raro, é a síndrome maligna do neuroléptico, onde ocorrem
altas temperaturas corporais. A inobservância deste efeito
colateral pode ser fatal em 20% dos pacientes que o
desenvolvem. As vezes os efeitos sintomáticos devido as
drogas assemelham-se aos sintomas de esquizofrenia, tais
como agitação, fala lenta e movimento retardado e então o
médico, equivocadamente, pode ser tentado a aumentar a
dosagem.
Os efeitos
colaterais mais comuns e perturbadores das drogas
antipsicóticas típicas são os sintomas extrapiramidais, que
envolvem os nervos e músculos que controlam a coordenação
motora e os movimentos em geral. As mulheres possuem riscos
mais altos para estes sintomas e esses riscos são aumentados
no decorrer da terapia e da idade. Assim sendo, estas drogas
denominadas de potência alta (haloperidol e flufenazina)
causam menor sedação e distúrbios de pressão sanguínea,
entretanto possuem maior risco para os efeitos colaterais
extrapiramidais; drogas de baixa potência (clorpromazina,
tioridazina, respectivamente Amplicitil e Melleril) são mais
sedativas; entretanto, seus efeitos colaterais não são
agudos. A maioria das drogas neurolépticas causam efeitos
colaterais extrapiramidais em até 70% dos pacientes que
fazem uso desta medicação. Uma condição distônica aguda pode
se desenvolver durante um curto período após o uso de
antipsicóticos. Esta síndrome inclui espasmos musculares
anormais, contorsões particularmente no apoio do pescoço,
tronco, mandíbula e músculos do olho. O efeito mais sério
ocasionado pelo uso das drogas antipsicóticas é a discenesia
tardia, que é freqüentemente manifesta por movimentos
repetitivos e involuntários, ou tiques, na boca, lábios,
pernas, braços ou tronco. Os sintomas variam de suaves a
graves, e às vezes interfere no ato de comer e andar.
Podendo aparecer meses ou anos seguidos após tomar as
drogas, podendo persistir por meses e anos após a sua
retirada. Alguns casos de discenesia tardia podem ser
permanentes embora possam entrar em remissão ou desaparecer
por completo.
O
tratamento dos efeitos colaterais extrapiramidais.
Em geral,
os efeitos colaterais extrapiramidais decorrentes das drogas
neurolépticas são tratados de início, pelo médico, reduzindo
a dosagem ou receitando um interruptor, droga atípica. Os
efeitos extrapiramidais podem realmente assemelhar-se aos da
doença de Parkinson (ocasionado por baixos níveis de
dopamina), e então o médico pode prescrever drogas
anticolinérgica e anti-parkinsoniana que aumentam os níveis
de dopamina, ajudando a restaurar o equilíbrio. Entre os
anticolinérgicos mais comuns utilizados, são o cloridrato de
triexifenidila 2 ou 5 mg (Artane, Triexidyl), cloridrato de
de biperideno 2 e 4 mg ampola com solução injetável, 1ml
contendo lactato de biperideno 5m IM ou IV (Cinetol,
Akineton) e benzotropina (não encontrei nome comercial desta
droga no Vade-mécun, entretanto adicionei o cloridrato de
biperideno - Akineton, comumente utilizado no Brasil).
Algumas destas drogas também podem ser úteis quando
administradas a sintomas negativos da esquizofrenia. O uso
de anticolinérgicos, entretanto, aumenta o custo e complica
o equilíbrio de sérios efeitos colaterais. Comumente causam
secura na boca podendo ocorrer náuseas, visão turva, índice
aumentado de batimentos cardíacos, constipação e retenção
urinária em homens com aumento prostático. Os portadores de
glaucoma devem utilizar estas drogas cautelosamente. Os
anticolinérgicos podem causar problemas mentais
significativos, incluindo perda de memória, confusão e
alucinações, semelhantes aos sintomas da esquizofrenia. Elas
também reagem com o álcool e anti-histamínicos.
A maioria
dos especialistas opõe-se ao uso de rotina de drogas
antiparkisonianas para a esquizofrenia e os recomenda
somente para pacientes que não podem ser controlados
regularmente e para quem necessita de altas doses de
antipsicóticos e correm grande risco para os efeitos
colaterais desta. Os especialistas recomendam sua retirada
após três ou quatro meses, se possível. Se os sintomas
persistirem, as drogam podem ser substituídas. Deve ser
anotado que a retirada dos anticolinérgicos podem causar
depressão e exacerbar a esquizofrenia.
As drogas
atípicas.
Embora os
antipsicóticos também afetem os níveis de dopamina, as ações
medicamentosas com drogas atípicas podem ocorrer em áreas do
cérebro diferentes das que são afetadas pelas drogas típicas
neurolépticas. A clozapina (Leponex) foi a primeira destas
drogas, incluindo, risperidona, olanzapina e quetiapina (não
encontrei no Vade-mécum). Com exceção da clozapina, que tem
severos efeitos colaterais, muitos especialistas atualmente
recomendam a prescrição de drogas atípicas para os pacientes
que se encontram diagnosticados com esquizofrenia, os que
não conseguem responder a antipsicóticos ou têm reincidivas.
As drogas atípicas mais bem sucedidas são simultaneamente
capazes de afetar os receptores de dopamina e os
neurotransmissores responsáveis pelos sintomas psicóticos.
Diferentemente dos antipsicóticos normais (também dos
neurolépticos) as drogas atípicas têm alguns efeitos nos
sintomas negativos bem como nos positivos ajudando a
prevenir a reincidência. Também estão associados os graves
efeitos colaterais extra-piramidais causados pelos
anti-psicóticos.
Clozapina.
A
clozapina, dibenzodiazepínico tricíclico (Leponex) foi de
grande benefício para a metade dos pacientes com
esquizofrenia que não respondiam a tratamentos normais. É
particularmente útil nos jovens, embora os efeitos
colaterais sejam comuns, estas novas drogas provam que são
de melhor escolha para o tratamento. Os efeitos positivos
podem não ser evidentes até nove meses de tratamento. A
clozapina melhorou os sintomas negativos no julgamento
resumido de sua utilização; um estudo mais longo é
incentivado para verificar seus maiores benefícios. Estudos
confirmam que também reduz o comportamento agressivo e
impulsos suicidas. E embora a droga não demonstre causar
discinesia tardia, outros efeitos colaterais foram
conclusivos, tais como: congestão nasal, torpor, baixa
pressão sanguínea, dor de cabeça, insônia e ganho
significativo de peso. Efeitos colaterais sérios incluem, em
até 1% dos casos, agranulocitose - uma diminuição
potencialmente vital que ameaça as células brancas do sangue
do paciente. Quando se desenvolve, a agranulocitose aparece
normalmente na fase de três meses de tratamento, atingindo o
seu ápice no terceiro mês, se não aparecer dentro de seis
meses, possivelmente não se desenvolverá. As mulheres mais
idosas possuem risco maior para este efeito colateral. A
agranulocitose pode ser revertida se parar imediatamente o
tratamento com a clozapina. É importante para quem se medica
com clozapina o controle freqüente do nível de contagem de
glicose, especialmente os com diabetes ou história familiar
de diabetes. A potência da clozapina pode ser efetuada por
variações de entradas de cafeína; pacientes que tomam
bebidas cafeínadas devem ser controlados pelo médico,
particularmente mudando seus hábitos. Embora a clozapina
seja mais cara do que o haloperidol, esta despesa extra pode
compensar pela sua maior eficácia, resultando em menor
índice de hospitalização.
Risperidona.
A
risperidona (Risperdal) é um bloqueador de receptores de
dopamina que mostrou regular superioridade de benefícios em
comparação com os antipsicóticos. Assim como a clozapina, a
risperidona pode ter um efeito benéfico nos sintomas
negativos. A risperidona também pode melhorar a memória de
trabalho verbal, um problema comum em esquizofrênicos. Em
geral, tem poucos efeitos extra-piramidais, embora podendo
ocorrer em doses mais altas. Os efeitos colaterais comuns
incluem a insônia, ganho de peso e vertigem.
Olanzapina.
A
olanzapina (Zyprexa) pode ser mais eficiente no bloqueio da
serotonina e neurotransmissores de dopamina, do que a
clozapina, a que tem um risco maior para diminuição para
confiscações e agranulocitoses. Os estudos indicam que pelo
menos é eficiente para os sintomas agudos e possivelmente
mais eficiente para os negativos do que neurolépticos
típicos e que possuem um risco menor para causar sintomas
extrapiramidais. A droga pode também ser benéfica para
pacientes que não respondem às drogas neurolépticas. Um novo
estudo sugere que a olanzapina também pode ser mais
eficiente que a risperidona, particularmente na resposta
para os sintomas negativos, mas ainda é necessário mais
pesquisas para confirmação dos resultados. Assim como a
risperidona, a olanzapina pode causar insônia, ganho de peso
e vertigem. Outras drogas atípicas são a Ziprasidona e
quetiapina (Seroquel - não encontrei no Vade-mécum - Brasil)
que são promessas de novas drogas. A ziprasidona, que afeta
a serotonina assim como a dopamina, também pode melhorar os
sintomas negativos com efeitos colaterais extrapiramidais
limitados. A aripiprazola e iloperidona são outras drogas
atípicas em desenvolvimento.
Outras
drogas úteis.
Antidepressivos.
A medicação
com antidepressivos é recomendada concomitante aos
antipsicóticos com a finalidade de aliviar a depressão tão
comum em portadores da esquizofrenia, além de ser indicado
para regular e prevenir a reincidência dos surtos. Apesar de
seus benefícios, menos da metade dos pacientes recebem esta
medicação tão útil. Os Afro Americanos menos ainda.
Ansiolíticos.
Normalmente
são utilizados benzodiazepínicos para tratamento da
ansiedade e constatado-se que reduzem os sintomas
psicóticos, embora não tão eficientemente quanto à terapia
normal com antipsicóticos, estes podem resultar num forte
efeito sedativo. Usualmente os médicos prescrevem
ansiolíticos com a finalidade de reduzir doses altas de
antipsicóticos na ocorrência dos surtos. Podem também ser
úteis na prevenção de uma reincidência psicótica, prevenindo
um surto e às vezes utilizado para tratar o desassossego e
agitação que ocorrem com o uso dos neurolépticos. Os efeitos
colaterais severos que podem ocorrer, são dispnéia,
hipotensão arterial e perda da consciência. Estudos de
alguns pacientes, demonstraram que o uso concomitante de
medicação ansiolítica e clozapina, não provocou nenhuma
evidência ainda de perigo comprovado na associação destas
duas drogas. Em todo caso, o uso prolongado de ansiolíticos
geralmente não é recomendado na esquizofrenia, e em se
utilizando deve ser gradual a sua retirada.
Litio.
O litio,
normalmente usado para pacientes bipolares, é útil em alguns
pacientes esquizofrênicos. Parece que reduz os sintomas
negativos nos que não têm história familiar de
esquizofrenia, mas não existem critérios confiáveis para
predizer a quem beneficiar.
As drogas
antiepiléticas.
Estas
drogas, prescritas para epilepsia, tais como carbamazepina
(Tegretol), ocasionalmente encontrou-se moderados benefícios
em pacientes esquizofrênicos violentos e que não respondem a
outras drogas.
Quais as
terapias sem drogas para a Esquizofrenia?
Atualmente
a Esquizofrenia está oficialmente caracterizada como uma
doença cerebral, e não como uma desordem psicológica. O
tratamento com drogas é a terapia primária. Entre um terço e
um quinto de todos os pacientes com esquizofrenia,
entretanto não respondem às drogas. Os efeitos das doenças
são profundamente emotivos e os especialistas geralmente
recomendam que o tratamento deva ser integrado, além das
drogas, a alguma forma de terapia psicosocial. Muitos
pacientes obtiveram êxito nas experiências que podem
relembrar fenômenos de reações dolorosa em que positivamente
os familiares estariam envolvidos e que na integração com
outras famílias que compartilham dificuldades semelhantes,
os índices de reincidência diminuiu significativamente, em
relação aos pacientes medicados simplesmente com drogas. Por
exemplo, familiares e outros entes queridos podem ser
orientados a reconhecer os sintomas ou as situações
estressantes que podem servir de gatilho para um surto
esquizofrênico, ajudando a reconhecer também quando os
pacientes submetidos às drogas, manifestam os sinais prévios
de efeitos colaterais concernentes ao tratamento. Tanto os
médicos quanto os familiares devem estar atentos para os
sinais de reincidência. Tais sintomas podem incluir
sentimento distancial da família e de amigos, acrescido
perturbadoramente de pensamentos persistentes, e além disso,
despertando um maior interesse religioso.
Os membros
familiares e entes queridos, além de ajudar o paciente,
normalmente também necessitam de apoio, pois freqüentemente
sua saúde mental é ameaçada. Quando o afeto e a razão não
conseguem trazer o ser amado para a realidade, normalmente
os familiares reagem com raiva e frustração, o que somente
piora a situação. Fora o desespero e temor, eles também
tendem a rejeitar completamente o paciente. Numerosos
estudos mostraram que os piores pacientes esquizofrênicos
são aqueles que sofrem hostilidade, crítica ou outro
envolvimento por parte da família. O maior problema é que se
trata de uma rua de mão dupla: Famílias críticas geram
ansiedade e depressão nos pacientes esquizofrênicos e,
contrariamente, a ansiedade e depressão do paciente pode
induzir às críticas familiares. Estudos indicam que uma vez
recebido tratamento apropriado pelo paciente e apoio, o
estado sobre-emotivo da família também retrocede. Os grupos
de apoio podem ser muito úteis e alguns estudos demonstram
que os pacientes melhoram quando as famílias estão em algum
grupo de auto-ajuda. A curto prazo, cuidados residenciais e
outros serviços, também podem ajudar e proteger o paciente
oferecendo alívio à família.
O
tratamento de Programa Comunitário.
Este
consiste de um tratamento em que uma equipe de profissionais
"ofertadores de atenção especializados" (psicólogos e outros
profissionais de saúde mental) proporciona tratamento de
apoio para os pacientes em seus lares, e é altamente
benéfico e de custo eficientemente menor (comparado
freqüentemente ao de hospitalização). Entretanto, só 2% dos
10% de pacientes participam de tais programas. OBS.:
Desconheço este serviço no Brasil, no exterior denomina-se
"caregivers".
Reabilitação vocacional.
Até 90% dos
pacientes com problemas mentais graves se encontram
desempregados, apesar de que o trabalho remunerado seja
muito importante na reabilitação do paciente. Um estudo
informa que depois de um ano de trabalho, 40% dos pacientes
com esquizofrenia que eram pagos por seus serviços obtiveram
um melhora em todos os sintomas e 50% informou muita melhora
nos sintomas positivos. Os que não recebiam por seu
trabalho, a melhora foi consideravelmente menor. Menos de um
quarto dos pacientes esquizofrênicos estão em programas que
os possa ajudar a encontrar um trabalho para se manter.
Tratamentos
alternativos.
Em alguns
estudos foi utilizado a glicina (aminoácido), em grandes
doses para tratar os sintomas negativos, resultando numa
pequena melhora, mas significativa em alguns pacientes e de
poucos efeitos colaterais. Noutro estudo, a glicina
adicionada a um regime de drogas antipsicóticas, os
pacientes manifestaram suas emoções como interiores e o
reconhecimento de perdas reais. Em tais casos a psicoterapia
é certamente um apoio essencial, sendo úteis outros
tratamentos.
Tratamentos
com Eletroconvulsivos (ECT) (Eletroconvulsivoterapia).
Este
tratamento, usualmente denomiado Eletrochoque, recebeu má
impressão desde que foi introduzido nos anos de 1940.
Entretanto técnicas refinadas recentes ressuscitaram o seu
uso, particularmente para depressão grave. Não foi
encontrado nos estudos de mapeamento cerebral por Imagem
indícios de que as técnicas atuais de ECT causem danos à
estrutura do cérebro e alguns médicos sentem-se mais seguros
do que com as terapias com drogas. Estudos num grupo pequeno
de adolescentes com esquizofrenia e outras desordens,
acharam ser útil o ECT.
Terapia
Psicosocial (Psicanálise e Psicologia).
Sabe-se
atualmente que esta terapia Psicosocial é a base física para
a esquizofrenia, não mais recomendada como um tratamento
alternativo para as drogas. Um estudo informou que os
pacientes mais maleáveis à administração das drogas, são os
que se encontram em terapia (psicológica ou psicosocial)
pelo menos durante quinze minutos por mês. A maioria dos
especialistas acreditam que um programa integrado oferecendo
tanto médico quanto tratamento psicológico ao paciente e
apoio à família do paciente ou outro "caregivers"
(profissionais ofertadores de atenção - TO - Terapeuta
Ocupacional), é importante para a melhora a longo prazo dos
pacientes com esquizofrenia. A técnica clássica
psicanalítica, que descobre e analisa acontecimentos da
infância, o uso de métodos terapêuticos cognitivos
comportamentais, mostram uma particular promessa de ajuda
aos pacientes. Comumente usada para a depressão, este
tratamento clássico psicanalítico tende a fortalecer a
capacidade do paciente em normalizar os pensamentos
utilizando exercícios mentais e auto-conhecimento. Pacientes
que combinaram terapia cognitiva com cuidados de rotina
(medicamentos) informaram quase oito vezes mais as chances
de melhora comparados aos que somente utilizam cuidados de
rotina. A terapia cognitiva ensina aos pacientes a mudarem
os seus padrões comportamentais de pensamentos negativos
ajudando-os com técnicas para resolver seus problemas e
outras estratégias para reduzir os riscos de reincidência
dos surtos. Um método é o retraimento, em que o paciente
compensa com suas habilidades básicas de vida , o seu dano
mental. Os pacientes são treinados nas habilidades sociais,
tais como boa higiene, cozinhar, viajar, melhorar os
pensamentos e aprendem técnicas para alcançar uma qualidade
básica de vida. A análise também deve incluir métodos para a
redução de tensão, intervir para manter a conformidade da
terapia com drogas e apoio emotivo geral.
A família e
estruturas de apoio externa.
Apoio
familiar. Em qualquer tratamento de desordem mental, é
insensato ver o paciente como se ele não existisse. As
pessoas próximas do paciente exercem grande influência no
curso de uma doença ignorada. É profundamente doloroso para
alguém lidar com um ente amado cujo comportamento não é
determinado pela resposta saudável imediata ao mundo real,
mas por um mecanismo interno misterioso para o qual foi
desviado. Não obstante, menos que 10% das famílias de
pacientes com esquizofrenia recebem apoio e educação, mesmo
sendo mostrado por muitos estudos os benefícios de tais
programas para ambos, paciente e familiares pela estatística
de 7% da redução dos sintomas negativos, menor depressão e
melhor funcionamento mental. A glicina está disponível nas
farmácias, mas entre 60 e 120 pílulas teriam que ser tomadas
diariamente para combinar a força da glicina, estando então
atualmente em julgamento se deve ou não ser administrada. Os
médicos não recomendam o uso da glicina comprada para este
propósito e mais pesquisas seguem, por enquanto. De acordo
com os resultados de um estudo recente, o consumo de ômega-3
ácidos gordurosos encontrados em óleos de peixe, foi
associado à melhora nos pacientes com esquizofrenia.
LEMBRE-SE:
NÃO TOME OU ADMINISTRE QUALQUER MEDICAMENTO, POR MAIS
SIMPLES QUE SEJA, SEM A ORIENTAÇÃO DE SEU MÉDICO!
Toda citação medicamentosa neste trabalho é somente para uma
melhor compreensão da doença, reafirmo sua tradução e
bibliografia a seguir.
Bibliografia:
Figueiredo,
Dr. Jorge Barros, Psicofarmacologia, Curso
Formação-de-Psicanalistas-Clínicos, , Editora Reproarte, Rio
de Janeiro, 1999.
Mental
Health NetMichaelis, Shering-Plough, Manual de Medicamentos,
P. R. Vade-mécum, Clínico Geral, 4a. edição especial, Ed.
Soriak, S. Paulo, 1998/1999.