Psicose
A psicose
é utilizada em diferentes sentidos e em diversas situações. É
comum que tenhamos contato com este termo através de filmes e
livros, os quais se referem a um comportamento anormal, ou ainda
como referência de um medo ou terror, que acomete várias
pessoas ao mesmo tempo, aparecendo como psicose
coletiva. As definições em psiquiatria também são
muitas e não há nenhuma plenamente satisfatória. A psicose é
caracterizada por alterações psicológicas muito graves e muito
mais comprometedoras que outros distúrbios, como é o caso da
neurose. Para diagnosticar uma psicose, o profissional observa o
nível de consciência do paciente, se ele está sonolento,
desperto ou em vigília, se é capaz de se concentrar, de
memorizar, se tem noção de tempo e de espaço, se reage
afetivamente, se tem idéias a respeito das coisas que se lhe
apresentam, se é capaz de raciocinar e se tem percepção e
juízo da realidade. Todas estas observações apontam o nível
de comprometimento apresentado por um psicótico. A
característica psicológica que apresenta um nível de
comprometimento mais preocupante é o juízo da realidade
apresentado pelo paciente. A comunicação fica quase totalmente
prejudicada, porque esta síndrome provoca a incapacidade de
reconhecer fatos e fazer relações entre eles. A principal
alteração do juízo é caracterizada pelo aparecimento do
delírio, onde o paciente distorce totalmente a realidade e
acredita plenamente nas suas fantasias, ficando irredutível a
qualquer tentativa de argumentação lógica. A psicose não se
refere a uma doença específica, trata-se de uma síndrome, ou
seja, de um conjunto de doenças diferentes, que possuem sinais e
sintomas semelhantes. A esquizofrenia é um dos quadros
psicóticos de maior importância (ver esquizofrenia). As
doenças afetivas, que se caracterizam por fases de depressão e
mania, podem também se apresentar como quadros psicóticos,
apresentando os conteúdos afetivos da doença como
características do delírio. A fase depressiva apresenta
delírios de ruína, de culpa, prejuízo, morte, o paciente se
sente responsável por grandes catástrofes mundiais, por guerras
e desastres. Na fase maníaca os delírios são de grandeza ou de
poder. Os quadros psicóticos são caracterizados também por
visões de situações fúnebres, por depressão, a pessoa pode
chorar muito e ouvir vozes que podem ser de comando ou podem
estar chamando pessoas que já morreram, além de outros
delírios. A psicose pode aparecer em qualquer fase da vida. O
autismo é um exemplo de uma psicose típica da infância que se
caracteriza por um alheamento e pela falta de contato com as
pessoas. O uso de drogas como LSD e cocaína podem causar
sintomas psicóticos. O álcool também pode causar alucinose
alcoólica e o delirium tremens. Algumas doenças como tumores
cerebrais e até a AIDS podem levar ao aparecimento da síndrome.
A psicose é tratada com medicamentos e, em casos mais graves, a
internação é inevitável, mesmo que tenha como objetivo um
tratamento rápido com alta precoce. O indivíduo psicótico não
tem consciência do seu estado e, por este motivo, pode recusar a
medicação. Estas características da síndrome reforçam a
idéia da importância da intervenção da família até que o
paciente possa tomar conta de si próprio.