Água
Composição
e Ocorrência
A água
é uma substância incolor, insípida e inodora, líquida à temperatura ambiente.
É formada de átomos de hidrogênio e oxigênio, agrupados em moléculas. As moléculas
se agregam na superfície da água para formar uma espécie de película, devido
a tensão superficial. Elas também se agregam à moléculas de outras substâncias:
é a maneira como a água molha as coisas.

As gotículas
de água são redondas por causa da tensão superficial: as moléculas da superfície
são "puxadas" para dentro, gerando o formato de esferas, ou seja,
as moléculas da camada superior são puxadas apenas pelas moléculas de baixo.
A película superficial de água resiste o suficiente para suportar um mosquito,
que de outra maneira afundaria.


A água
cobre mais de 70% da superfície terrestre e é vital para toda a vida no planeta.
É a substância mais abundante da natureza, ocorrendo:
Nos
rios, lagos, oceanos, mares e nas calotas polares.
No reino
vegetal, animal e mineral (água de cristalização, Al2O3
. H2O, Bauxita).
Na atmosfera,
na forma de vapor de água, podendo atingir num local até 4%, em volume (é chamada
umidade relativa).
Tipos
de Águas Naturais
Água
de chuva: é a mais pura, por resultar de um processo de destilação simples.
Água
dos Rios e Fontes: Contém até 0,2% de sais dissolvidos. As águas de fontes com
porcentagens maiores de sais dissolvidos são chamadas de águas minerais ou termais.
Água
do Mar: Possui aproximadamente 3,5% de sais, entre os diversos, destaca-se o
Cloreto de Sódio (NaCl) e o Cloreto de Magnésio (MgCl).
Água
Dura: Contém bicarbonato ou sulfato de cálcio ou magnésio: CaSO4
ou Ca(HCO3)2. Essa água favorece a calcificação dos ossos
e dentes, porém, ela é prejudicial pelo fato de não permitir a ação de limpeza
por parte de sabões e detergentes.
Observação
de Água Potável
A água
própria para se beber é denominada água potável. Para tanto, é necessário que
ela esteja "límpida", não conter terra e outros materiais em suspensão;
pode conter somente vestígios de sais em solução, que lhe conferem algum sabor
(diferente de uma água destilada); precisa estar aerada, ou seja, conter um
pouco de ar dissolvido, dando ao paladar uma sensação de "água leve";
não deve nela ser encontrado nenhum microorganismo que possa causar doenças.
Evidentemente, essa água será também apropriada para outros usos domésticos,
como: cozer alimentos, lavar roupas e utensílios domésticos, tomar banho, etc.
Afortunada
seria a cidade que dispusesse de "fontes de água pura", com todas
as características da água potável. Infelizmente, para satisfazer o enorme consumo
das grandes cidades, é preciso retirar água de lagos ou de rios, que, em geral,
não é potável - tendo, por isso, de ser convenientemente tratada.
O tratamento
da água para consumo público segue, em geral, os seguintes passos:
1º)
A água é bombeada de um lago ou rio até um tanque, onde recebe produtos químicos,
em geral uma mistura de Al2(SO4)3 e Ca(OH)2.
2º)
A água passa por uma câmara de floculação, onde se completa a reação:
Al2(SO4)3
+ 3 Ca(OH)2 è 2 Al(OH)3 + 3 CaSO4
O Al(OH)3
produzido forma "flocos" ou "coágulos" gelatinosos e insolúveis
em água. Esse flocos vão "agarrando" as partículas (terra em suspensão,
restos de folhas, etc.), que estão sendo arrastados pela água.
3º)
A água vai então para um tanque de decantação ou sedimentação, onde ela circula
lentamente, dando tempo para que o Al(OH)3 precipite, arrastando
consigo as partículas em suspensão existentes na água.
4º)
A seguir, a água passa por um filtro de areia, que retém as partículas menores
de Al(OH)3 e outras impurezas.
5º)
Finalmente, a água passa por um clorador, onde é introduzido o cloro, que mata
os microorganismos.
Água para Fins Domésticos
As águas
de rios e lagos são filtrados (em filtros de areia), ficando eliminadas as impurezas
em suspensão. As bactérias patogênicas, como as responsáveis pelo tifo e cólera,
são eliminadas pelo tratamento com gás cloro (bactericida). Esse processo de
purificação não elimina sais dissolvidos, os quais são necessários ao organismo
humano e também servem para dar gosto à água.
Água
para Fins Científicos
As exigências
quanto à qualidade da água a ser consumida para fins científicos devem ser mais
rígidos que para a água potável, portanto, deve ser destilada, porém, pode apresentar
traços de ferro, cobre, cromo, devido o destilador ser fabricado com esses metais.
Água
para Fins Industriais
As exigências
quanto à qualidade da água a ser consumida nas indústrias podem ser menos rígidas
que para a água potável. No entanto, certas precauções devem ser tomadas. Vejamos,
por exemplo, o caso da chamada água dura, isto é, a água que contém bicarbonatos
de cálcio ou de magnésio (dureza temporária) e/ou sulfatos de cálcio ou de magnésio
(dureza permanente). A água dura, além de ter gosto desagradável (água salobra),
não faz espuma quando em contato com sabão e é muito prejudicial quando usada
em caldeiras e outros aparelhos em que a água é fortemente aquecida, pois ocorrem
reações, como por exemplo:
|
Solúvel
|
Insolúvel
|
Insolúvel
|
Essas
substâncias insolúveis depositam-se nas tubulações das caldeiras, obstruindo-as
e podendo causar explosões. A dureza temporária pode ser eliminada por aquecimento
prévio (daí o nome temporária) ou pela adição de Ca(OH)2:
Ca(HCO3)2
+ Ca(OH)2 è 2 CaCO3 ß + 2 H2O
Água
Pesada
É na
verdade o Óxido de Deutério, cujas propriedades diferem da água comum. Fórmula
D2O de peso molecular 20. Obtém-se pela eletrólise de uma solução
aquosa diluída de hidróxido de sódio, durante a qual a percentagem de água pesada
aumenta até 99%. Tem várias aplicações científicas.
Equilíbrio
Iônico da Água
Heidweiller
(1894) concluíram, após cuidadosas experiências, a mais pura das águas apresenta
uma pequena, porém, bem definida condutância. A água é, portanto, fracamente
ionizada de acordo com o equilíbrio de dissociação:
H2O
Û H+ + OH-
Aplicando
a essa dissociação a leio da ação das massas, podemos expressar a constante
de equilíbrio como:
K
= [H+] x [OH-]
[H2O]
Dos
resultados experimentais obtidos na determinação da condutância da água, foi
possível estabelecer o valor de K, como sendo 1,82 x 10-16 a 25ºC.
Este baixo valor indica que o grau de dissociação é insignificante; a água,
portanto, deve ser considerada como não dissociada. Assim, a concentração da
água (massa molecular relativa = 18) é constante e pode ser expressa como:
[H2O]
= 1000 = 55,6 mol/l
18
Pode-se,
portanto, reunir as constantes em um dos lados da equação e escrever:
Kw
= [H+] x [OH-] = 1,82 x 10-10-16 x 55,6 = 1,01
x 10-14 (a 25ºC)
A nova
constante Kw é denominada produto iônico da água. Seu
valor depende da temperatura, para temperatura ambiente, o valor
Kw
= 10-14
É geralmente
usado.
|
Temperatura (ºC)
|
Kw
x 1014
|
Temperatura (ºC)
|
Kw
x 1014
|
|
0
|
0,12
|
35
|
2,09
|
|
5
|
0,19
|
40
|
2,92
|
|
10
|
0,29
|
45
|
4,02
|
|
15
|
0,45
|
50
|
5,48
|
|
20
|
0,68
|
55
|
7,30
|
|
25
|
1,01
|
60
|
9,62
|
|
30
|
1,47
|
-
|
-
|
Tabela
do Produto Iônico da Água em várias temperaturas
A importância
do produto iônico da água reside no fato de que seu valor pode ser considerado
como constante, não só em água pura como também em soluções aquosas diluídas,
tais como as encontradas comumente em analise qualitativa inorgânica. Isso significa,m
por exemplo, que se um ácido for dissolvido em água (o qual, em dissociação,
produz íons hidrogênio), a concentração dos íons hidrogênio pode aumentar às
expensas, unicamente, da concentração dos íons hidroxila (oxidrila). Se, por
outro lado, uma base for dissolvida, a concentração dos íons hidroxila aumentará
e a concentração de íons hidrogênio diminuirá.
Pode-se
definir mais precisamente o conceito de uma solução neutra, segundo esses critérios.
Uma solução é neutra, se contiver a mesma concentração de íons hidrogênio e
íons hidroxila, isto é, se
[H+]
= [OH-]
Portanto,
numa solução neutra, teremos:
[H+]
= [OH-] = Ö Kw = 10-7 mol/l
Numa
solução ácida, a concentração de íons hidrogênio excede esse valor, enquanto
que numa solução alcalina acontece o inverso. Assim,
Numa
solução ácida [H+] > [OH-] e [H+] > 10-7
mol/l
Numa
solução alcalina [H+] < [OH-] e [H+] <
10-7 mol/l
Em todos
os casos, a acidez ou alcalinidade de uma solução pode ser expressa quantitativamente
em termos de magnitude da concentração hidrogeniônica (ou concentração de íons
hidroxila). É suficiente o uso de apenas um desses para qual quer solução, pois
conhecendo um deles sempre é possível calcular o outro pela equação:
[H+]
= 10-14
[OH-]
Numa
solução 1M de um ácido forte monobásico (supondo uma dissociação completa),
a concentração hidrogeniônica é 1 mol/l. Por outro lado, numa solução 1M de
base monovalente, a concentração de íons hidroxila é 1 mol/l, daí a concentração
hidrogeniônica ser 10-14 mol/l. A concentração hidrogeniônica da
maioria das soluções aquosas encontradas na análise química (que não sejam ácidos
concentrados, empregados principalmente para dissolver amostras) situa-se entre
esses valores.
Medidas
de pH, pHmetro e Indicadores
Conceitos
Básicos de pH e pOH
Na análise
química experimental lidamos freqüentemente com baixas concentrações hidrogeniônicas.
Para evitar o incômodo de escrever números com fatores de potências negativas
de 10, Sörensen (1909) introduziu o uso do expoente hidrogeniônico ou pH, definido
pela relação:
pH =
- log [H+] = log 1 ou [H+] = 10-pH
[H+]
Assim,
o pH é o logaritmo da concentração hidrogeniônica com sinal negativo ou o logaritmo
do inverso da concentração hidrogeniônica. É muito conveniente expressar a acidez
ou alcalinidade de uma solução por seu pH. Na maioria das vezes o pH das soluções
aquosas permanece entre 0 e 14. Numa solução 1M de um ácido forte monobásico:
pH =
- log 1 = 0
enquanto
o pH de uma solução 1M de uma base forte monovalente é:
pH =
- log 10-14 = 14
Se uma
solução for neutra,
pH =
- log 10-7 = 7
Da definição
acima, segue-se:
para
uma solução ácida pH < 7
para
uma solução alcalina pH > 7
O termo
pOH é, às vezes, usado de maneira análoga para expressar o expoente da concentração
de íons hidroxila:
pOH
= - log [OH-] = log 1 ou [OH-] = 10-pOH
[OH-]
Para
qualquer solução aquosa é válida a correlação:
pH +
pOH = 14
pHmetro:
Princípio de Funcionamento:
O método
mais avançado e preciso para determinação do pH é fundamentado na medição da
força eletromotriz (f.e.m.) de uma célula eletroquímica que contém uma solução
de pH desconhecido como eletrólito, e dois eletrodos. Os eletrodos são conectados
aos terminais de um voltímetro eletrônico, a maioria das vezes denominado, simplesmente,
medidor de pH. Quando convenientemente calibrado com uma solução-tampão de pH
conhecido, pode-se ler diretamente na escala do aparelho o pH da solução de
teste.
A f.e.m.
de uma célula eletroquímica pode ser definida como o valor absoluto da diferença
de potenciais de eletrodo entre os dois eletrodos. Os dois eletrodos utilizados
na construção da célula eletroquímica tem funções diferentes na medição e devem
ser escolhidos cuidadosamente. Um dos eletrodos, denominado eletrodo indicador,
adquire um potencial que depende do pH da solução. Na prática, o eletrodo de
vidro é utilizado como eletrodo indicador. O segundo eletrodo, por sua vez,
deve ter um potencial constante independente do pH da solução, com o qual, portanto,
o potencial do eletrodo indicador pode ser comparado em várias soluções; daí
este segundo eletrodo ser denominado eletrodo de referência. Na medição do pH,
o eletrodo de calomelano (saturado) é utilizado como eletrodo indicador.
A medição
da f.e.m. de uma célula pode ser expressa por:
f.e.m.
= |Evd - Ecal|
Ecal
é o potencial de eletrodo do eletrodo de calomelano, o qual é constante.
O potencial
do eletrodo de calomelano saturado é + 0,246V a 25ºC (medido contra um eletrodo
padrão de hidrogênio). Evd, o potencial do eletrodo de vidro, por
sua vez, depende do pH da solução. Para a região de pH 2-11 (onde a precisão
da determinação é muito importante), a dependência do pH do potencial do eletrodo
de vidro pode ser expressa por:
Evd
= E0vd - 0,059 pH
onde
E0vd é o potencial padrão do eletrodo de vidro. Esse valor
varia para cada exemplar de instrumento, e também depende do estado de conservação
e do pré-tratamento do eletrodo. Dentro de um conjunto de medições, isso pode
ser considerado constante. Se empregarmos o processo habitual de calibração,
não será necessário medir o potencial padrão e deduzir o potencial do eletrodo
de calomelano, visto que o pH pode ser lido diretamente no medidor de pH.
Indicadores
Os indicadores
de pH são substâncias orgânicas que possuem a propriedade de mudar de coloração
com a variação do pH do meio. A mudança de coloração se processa de maneira
gradual entre valores definidos da escala de pH.
Uma
das causas de erro no uso dos indicadores é o fato da viragem dos mesmos ser
gradual e se dar em um certo intervalo de pH. Outra causa de erro é devido ao
fato da mudança de cor do indicador ocorrer em um pH diferente do pH do ponto
de equivalência, fazendo com que o volume do titulante no ponto final seja diferente
do volume do titulante no ponto de equivalência. Na prática procura-se escolher
um indicador de cause o menor erro possível. É necessário frisar que não há
necessidade de se eliminar o erro, isto é, não é preciso fazer com que o ponto
final coincida exatamente com o ponto de equivalência.
No caso
de uma titulação de um ácido forte com uma base forte esta coincidência existiria
se o ponto final da titulação ocorresse em pH 7,0. Quando se observa num mesmo
gráfico a curva de titulação e o intervalo de viragem de um dado indicador,
é possível decidir se o mesmo é ou não adequado para esta titulação. Assim,
o indicador correto para uma titulação será aquele cuja mudança de coloração
ocorre em pH igual ao obtido dissolvendo-se no mesmo volume de sal formado pela
neutralização, ou seja, o pH do ponto de equivalência.
Solução
Tampão
É um
tipo de solução que resiste à variação de pH quando pequenas quantidades de
ácido ou base são a ela adicionadas.
Como
se prepara uma solução tampão no laboratório?
1º Caso:
Prepara-se 1 litro de solução aquosa misturando-se:
0,1
mol de HNO2 (Ácido Fraco)
0,1
mol de NaNO2 (Sal desse ácido fraco)
A solução
obtida é uma solução tampão ácida.
2º Caso:
Prepara-se 1 litro de solução aquosa misturando-se:
0,1
mol de NH4OH (Base Fraca)
0,1
mol de NH4Cl (Sal dessa base fraca)
A solução
obtida é uma solução tampão alcalina ou básica.
Explicando
o que ocorreu nos dois casos:
1º Caso
- Tampão Ácido: é uma solução preparada a partir de um ácido fraco e um sal
do mesmo ácido.
HNO2
è H+ + NO2-
NaNO2
è Na+ + NO2-
2º Caso
- Tampão Básico: é uma solução preparada a partir de uma base fraca e um sal
da mesma base.
NH4OH
è NH4+ + OH-
NH4Cl
è NH4+ + Cl-