Ácidos nucléicos
INTRODUÇÃO
Capacidade de guardar informações, de
replicação, de gerar diversificação de atividades numa
célula, de catalisar, de unir gerações pelo processo de
hereditariedade e de dirigir a síntese de outras
macromoléculas (proteínas) são atributos de um ácido
nucléico.
O
RNA
foi provavelmente o primeiro tipo de ácido
nucléico a surgir na natureza. Sua estrutura mais simples, a
diversidade de tipos, a capacidade de auto-replicação, a
ação catalítica encontrada em certos RNA aponta
para a condição de molécula hereditária primordial. O
DNA foi
na verdade uma cria do
RNA de
algumas células primitivas que ganharam com isso maior
estabilidade e durabilidade do seu material em dupla hélice.
Com essa nova invenção das células era possível aumentar
consideravelmente o tamanho dos ácidos nucléicos e assim,
estocar mais informações e a partir daí desencadear a
síntese de um maior arsenal de proteínas que tornou o
metabolismo celular mais complexo, diversificado e
conseqüente eficiência no seu funcionamento.
Embora a ordem de surgimento das moléculas
informacionais tenha sido:
RNA
--- DNA --- PROTEÌNA, sabemos que as células
modernas transferem a informação biológica da forma:
DNA
--- RNA --- PROTEÍNAS. Essa seqüência de
eventos é considerada o
DOGMA CENTRAL DA BIOLOGIA MOLECULAR
Ácidos nucléicos
Os ácidos
nucléicos são as substâncias responsáveis pela transmissão
da herança biológica: as moléculas que regem a atividade da
matéria viva, tanto no espaço (coordenando e dirigindo a
química celular por meio da síntese de proteínas) como no
tempo (transmitindo os caracteres biológicos de uma geração
a outra, nos processos reprodutivos).
Composição
e natureza química. Já no segundo quartel do século XIX o
cientista suíço Friedrich Miescher isolou uma substância
procedente dos núcleos celulares, à qual chamou nucleína,
que passou a ser chamada mais tarde de ácido nucléico, por
seu forte grau de acidez. Mas só quando já ia avançado o
século XX demonstrou-se que essa substância era na realidade
o suporte da herança dos caracteres nos seres vivos. Em
1944, as experiências de Oswald Theodore Avery, Colin M.
MacLeod e Maclyn McCarty determinaram que um dos ácidos
nucléicos, o ADN ou ácido desoxirribonucléico podia
transferir uma característica biológica de uma bactéria (no
caso, um pneumococo) para outra, característica ausente
antes da transmissão.
Em 1954,
James Dewey Watson e Francis Harry Comptom Crick propuseram
a estrutura de dupla hélice para explicar a disposição dos
átomos na molécula de ADN. No começo da década de 1960, os
franceses François Jacob e Jacques Monod postularam o
possível papel de outro ácido nucléico, o chamado ácido
ribonucléico mensageiro (ARNm), na célula, como transmissor
e executor das instruções contidas no ADN.
Os ácidos
nucléicos são moléculas longas e complexas, de elevados
pesos moleculares, constituídos por cadeias de unidades
denominadas mononucleotídeos. Estes se compõem de um
carboidrato ou açúcar de cinco átomos de carbono (uma
pentose), de estrutura cíclica pentagonal, ao qual se une
por um de seus extremos uma molécula de ácido fosfórico e,
por outro, uma base nitrogenada também de estrutura fechada,
seja púrica (que tem dois anéis com vários átomos de
nitrogênio unidos ao esqueleto carbonado), seja pirimidínica
(que consta de um só anel hexagonal no qual se inserem
átomos de nitrogênio, oxigênio e, em alguns casos, um
radical metila, -CH3). Os componentes variáveis nos
mononucleotídeos são as bases, das quais há cinco tipos
possíveis -- duas púricas, a adenina e a guanina, e três
pirimidínicas, a citosina, a uracila e a timina --, e nessa
variabilidade reside o caráter "informativo" dos ácidos
nucléicos e sua funcionalidade como moléculas codificadoras
de informação biológica.
O açúcar
ou pentose pode ser de duas classes: em forma de ribose
desoxigenada ou desoxirribose, que é a que constitui o
esqueleto do ADN, ou, em sua variedade normal, conhecida
simplesmente como ribose, própria do ARN. No primeiro caso,
originam-se desoxirribonucleotídeos; no segundo,
ribonucleotídeos.
Os
mononucleotídeos se unem entre si para compor, como já foi
dito, longas cadeias de centenas ou milhares de unidades que
se dispõem em forma de estruturas filamentosas helicoidais,
de dupla hélice no caso de ADN e de hélice simples no ARN. A
borda de cada hélice é integrada pelas pentoses, que se
engancham umas nas outras através dos restos de ácido
fosfórico, enquanto o contato entre uma hélice e outra se
efetua pelo estabelecimento de enlaces por parte das bases
nitrogenadas, obedecendo a determinadas leis bioquímicas.
Cada enlace é, pois, o resultado da interação de um par de
bases, cada uma das quais correspondente a uma das hélices.
O acoplamento das bases não é arbitrário e atende a
exigências espaciais, químicas e estruturais muito precisas.
Sempre se emparelham uma base púrica e uma pirimidínica: a
adenina sempre com a timina ou uracila, e a guanina com a
citosina.
Seqüência
e função genética. A seqüência dos ácidos nucléicos é
específica e característica de cada ser vivo. Em tal
seqüência radicam-se em suma a individualidade e as
diferenças existentes entre os organismos. As cinco bases,
combinadas em todas as seqüências imagináveis, com ou sem
repetições e sem limite teórico de extensão, dão lugar a uma
série infinita de distintas cadeias possíveis. As cadeias
são representadas pelas iniciais maiúsculas de cada base na
ordem de seqüência característica; por exemplo:
AATCAGCTTTACGC. Logicamente, essa representação corresponde
a uma das hélices; a da outra hélice será complementar,
levando-se em conta os emparelhamentos antes indicados
(adenina, A, com timina, T, e guanina, G, com citosina, C,
no que se refere a ADN). Assim no exemplo proposto, a
complementar seria TTAGTCGAAATGCG.
A
composição anteriormente detalhada é universal e válida para
todos os seres vivos, desde o vírus até o homem, o que
reflete um fato importante: a unidade básica da estrutura da
vida na Terra. Nos vírus, o ácido nucléico situa-se no
interior, protegido por um invólucro protéico. Nos
organismos unicelulares, ou seja, que não dispõem de núcleo
ou que o apresentam difuso, sem membrana nuclear, caso das
bactérias, o ADN forma uma única estrutura circular que
constitui o cromossomo bacteriano.
Nos
eucariotes, que já dispõem de núcleo protegido por invólucro
próprio, como as plantas e animais, o ADN encontra-se
encerrado no núcleo como uma substância difusa, na qual há
também certas proteínas básicas chamadas histonas: é o que
se conhece como cromatina.
Antes de
ocorrer à divisão celular, a cromatina fragmenta-se numa
série de unidades ou cromossomos, cujo número é constante
para cada espécie. Em tais cromossomos acham-se os genes,
conjuntos mais ou menos grandes de nucleotídeos dispostos
segundo uma seqüência dada, que codificam a informação
precisa para um determinado caráter biológico.
Ácido
desoxirribonucléico. O ADN, ácido desoxirribonucléico, é
formado pela pentose desoxirribose, o ácido fosfórico e as
bases citosina, timina, adenina e guanina. É a substância
responsável pela herança biológica de todos os seres vivos,
à exceção de muitos vírus, nos quais esse papel é
representado pelo ARN.
No período
denominado interfase, imediatamente anterior à divisão
celular, o ADN experimenta o processo de autoduplicação, ou
seja: suas moléculas duplicam-se, de modo que mais tarde, ao
formarem-se as duas hélices-filhas a partir de uma única
célula-mãe, cada uma delas possa receber a totalidade do
material genético. Na autoduplicação, a dupla hélice se abre
e cada um dos dois filamentos que a compõem se separa e se
sintetiza, graças à intervenção de diferentes enzimas, o
filamento complementar.
Ácido
ribonucléico. O ARN é o ácido ribonucléico, constituído pela
pentose ribose, o ácido fosfórico e as bases citosina,
uracila (esta ausente do ADN), adenina e guanina. Compõe-se
de uma só cadeia helicoidal e apresenta três classes, cada
uma das quais cumpre uma função específica na célula: o
chamado ARN mensageiro (ARNm), sintetizado pela ação de
diversas enzimas a partir de um filamento de ADN que lhe
serve de guia, no processo conhecido como transcrição; o ARN
ribossômico, componente essencial, junto com as proteínas,
dos orgânulos celulares chamados ribossomas; e o ARN de
transferência, que translada os diversos aminoácidos
(unidades estruturais das proteínas) até onde se está
sintetizando uma molécula protéica, sob a direção de um ARNm,
e os insere no ponto exato para obter a seqüência exata, no
processo denominado tradução.
Síntese de
proteínas. A síntese de proteínas ou tradução é o processo
em função do qual se formam as seqüências de aminoácidos que
constituem as proteínas, a partir de uma seqüência
correlativa expressa pelo ARN mensageiro, numa linguagem de
bases nitrogenadas. Assim, de um fragmento de ADN dado, que
contém a informação precisa para que se forme uma proteína
concreta, obtém-se uma cópia, a qual é o ARNm que guiará
diretamente o processo de tradução. Ao ARNm unem-se vários
ribossomas que, ao se deslocarem, efetuarão um autêntico
processo de "leitura química".
Cada grupo
de três bases do ARNm -- por exemplo GCC -- corresponde na
linguagem nucleotídica a um aminoácido dado, neste caso a
alanina. O ribossoma reconhece por meios químicos o caráter
desse trio (designado em genética como códon) e um ARN de
transferência leva até ele o aminoácido alanina. Vai-se
formando assim, pouco a pouco, a seqüência que dará lugar à
proteína. Cada aminoácido tem sua codificação
correspondente, em geral de vários códones, também há trios
que indicam o sinal de terminação.
O código
genético representa, pois, na escala molecular, uma
autêntica linguagem, da qual a célula se serve para crescer
e reproduzir-se, o que é possível graças aos ácidos
nucléicos.
Conclusão
As
matérias vivas contêm quatro tipos básicos de substância
orgânica: proteínas, glicídios, lipídios e
ácidos nucléicos.
Todas as formas de vida possuem os chamados
ácidos nucléicos.
Esses ácidos têm esse nome por terem sido descobertos em
primeiro lugar no núcleo das células. Segundo o biólogo José
Mariano Amabis, professor do Departamento de Biologia do
Instituto de Biociências da USP, em São Paulo, os
ácidos nucléicos
são as maiores e as mais importantes moléculas orgânicas.
Essas moléculas se encontram presentes em todas as formas de
vida, desde vírus até mamíferos, e não são uma
particularidade dos seres humanos.
Há dois tipos identificados de
ácidos nucléicos,
que são:
-
O DNA (que
significa, em inglês, DesoxirriboNucleic Acid, ou ácido
desoxirribonucléico). Ele tem esse nome porque o açúcar
que o forma é a desoxirribose.
-
E o RNA
(que significa, em inglês, RiboNucleic Acid, ou ácido
ribonucléico). O nome vem do açúcar que o compõe, que é
a ribose.
Depois de terem desvendado boa parte dos mistérios e do
mecanismo desses ácidos, em particular o DNA, os cientistas
puderam então começar a entender o funcionamento da vida e
da perpetuação das espécies. A corrida às pesquisas começou
a atrair a curiosidade da população leiga quando foi dada a
informação de que, a partir do DNA, era possível se fazer
inclusive investigação de paternidade