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Baterias de Chumbo
A bateria de chumbo-ácido foi inventada por
Gaston Planté em 1860 (Planté, 1860), período que remonta
aos primórdios das células galvânicas. Durante estes 141
anos esta bateria sofreu aprimoramentos tecnológicos os mais
diversos possíveis, fazendo com que a bateria de
chumbo-ácido continue sendo uma das baterias mais confiáveis
do mercado, atendendo a aplicações
as mais diversas. Ela é usada como bateria de
arranque e iluminação em automóveis, como fontes
alternativas em no breaks, em sistemas de tração para
veículos e máquinas elétricas, etc.
A composição básica da bateria é
essencialmente, chumbo, ácido sulfúrico e materiais
plásticos. O chumbo está presente na forma de chumbo
metálico, ligas de chumbo, bióxido de chumbo e sulfato de
chumbo. O ácido sulfúrico se encontra na forma de solução
aquosa com concentrações variando de 27% a 37% em volume. O
funcionamento da bateria se baseia na seguinte
reação:
Pb + PbO2 + 2H2SO4 → 2PbSO4 + 2H2O
que é por sua vez é resultado das duas
semi-reações:
Pb + H2SO4 → PbSO4 + 2H + + 2e -
PbO2 + 2H+ + H2SO4 + 2e- → PbSO4+ 2H2O
Sendo assim, na bateria existe um ânodo de
chumbo e um cátodo de bióxido de chumbo. Durante a descarga
tanto o ânodo quanto o cátodo são convertidos à sulfato de
chumbo. No processo de recarga o sulfato de chumbo é
convertido à chumbo e bióxido de chumbo, regenerando o ânodo
e o cátodo, respectivamente. Nas baterias automotivas
atuais, este material é suportado
em grades de ligas de chumbo.
O chumbo tem sido utilizado pelo homem desde
a antigüidade. Já era conhecido pelos antigos egípcios,
tendo sido mencionado diversas vezes no Antigo Testamento
(Mellor, 1967). Era utilizado na fabricação de manilhas,
tintas e cosméticos. Até tempos recentes, foi utilizado em:
tubulações de água, revestimento de cabos elétricos, chapas
para pias, tintas, vidros, projéteis bélicos, baterias,
combustíveis, etc. No entanto, a descoberta de que o chumbo
e seus derivados são danosos à saúde, fez com que seu uso
fosse reduzido drasticamente, sendo hoje sua principal
aplicação em baterias de chumbo-ácido.
Processo de criação e o meio ambiente
O chumbo e seus compostos estão associados a
disfunções no sistema nervoso, problemas ósseos,
circulatórios, etc Devido sua baixa solubilidade, a
absorção se dá principalmente por via oral ou respiratória.
Crianças são mais suscetíveis à problemas de contaminação
por causa da relação contaminação/peso como também por
estarem em fase de desenvolvimento do sistema neurológico e
pelos hábitos de higiene pouco sedimentados. O chumbo se
encontra na natureza acumulado em minas como resultado dos
processos de diferenciação que ocorreram durante a evolução
do planeta.
Sua disseminação no ambiente é resultado da
atividade humana. Durante muitos anos foram utilizados
compostos de chumbo em tintas, tubulações e como
antidetonante em combustíveis, usos estes banidos em
praticamente todos os países. Seu uso em tubulações foi
muito freqüente em tempos passados devida à fácil
processabilidade do chumbo associada à passivação de sua
superfície (formação de camada inerte e resistência à
corrosão) uma vez que boa parte de seus compostos são
altamente insolúveis em água. O emprego como pigmento em
tintas leva à contaminação de crianças que têm o hábito de
caminhar pelo chão e eventualmente ingerir cascas de tintas
que se soltam naturalmente das paredes. Como antidetonante
(chumbo tetraetila) foi disseminado na atmosfera urbana em
grandes quantidades durante muitos anos. Caçadores e
pescadores são basicamente os únicos usuários fora de
indústrias que ainda se expõem ao contato comchumbo.
Como já foi mencionado o principal uso de
chumbo nos dias atuais é na fabricação de baterias de
chumbo-ácido. Quando se discute o impacto ambiental desta
atividade, deve-se levar em consideração desde a extração de
chumbo nas minas até sua utilização na indústria. O Brasil
praticamente não possui reservas minerais deste elemento.
Assim, a maior parte do chumbo
existente no país procede de importações.
O chumbo utilizado pela indústria de baterias
pode ser classificado como primário (proveniente de minas) e
secundário (obtido pelo refino através de material
reciclado). Um dos bens com maior índice de reciclagem no
mundo é a bateria de chumbo, superando em muito o papel e o
vidro, atingindo em alguns países números próximos a 100%.
Neste contexto, a sucata de baterias é um material
estratégico para a indústria de baterias no Brasil. A
Convenção de Genebra proíbe a exportação de lixos perigosos,
incluindo-se aí sucatas de baterias. Para um país como o
nosso isso significa que para aumentarmos nossa produção,
somos obrigados a importar chumbo refinado (primário ou
secundário). Apesar de contarmos com instalações de
reciclagem, por força desta Convenção, elas praticamente são
impedidas de reciclar sucata internacional.
A questão ambiental e o desenvolvimento
tecnológico O efeito da produção de baterias sobre o
ambiente pode ser dividido em dois aspectos: ocupacional,
devido à contaminação do ambiente interior à fábrica e
ambiental, devido à emissão de efluentes para as regiões
externas à fábrica.
O risco de exposição a compostos de chumbo no
interior das fábricas de baterias existe em praticamente
todos os setores diretamente ligados à produção. Com isto,
em praticamente todos os setores o uso de equipamento de
proteção individual é obrigatório. Além disto, por questões
da legislação trabalhista um acompanhamento do nível de
chumbo na circulação sangüínea é realizado periodicamente em
todos as pessoas que trabalham com chumbo. Para um melhor
entendimento destes riscos, vejamos o fluxograma de
produção: O chumbo metálico em lingotes praticamente não
apresenta risco de contaminação. Em sua primeira etapa, a
produção de óxido de chumbo, surgem aspectos aonde a relação
tecnologia/meio ambiente é evidenciada. O processo de
produção de óxido de chumbo à partir de chumbo metálico e
oxigênio é extotérmico e em princípio, não deveria consumir
energia.
Existem basicamente dois processos para a
realização desta oxidação. No processo Barton, chumbo
fundido é agitado na presença de ar. Em moinhos de atrito,
pedaços de chumbo são atritados em um tambor, na presença de
ar. As características físico-químicas dos óxidos obtidos
pelos dois processos são distintas, cada uma apresentando
suas vantagens e desvantagens. Os
europeus utilizam mais frequentemente o óxido
de atrito, enquanto que os americanos empregam o óxido de
Barton. Como o chumbo precisa ser fundido neste processo,
existe um custo adicional de energia e a emissão de vapores
de chumbo que necessitam ser contidos em coifas. O
isolamento térmico do cadinho aonde o chumbo é fundido é
fundamental para uma eficiência energética do processo. Os
dois processos resultam em um pó que necessita ser
corretamente armazenado. Este pó possui uma fração
apreciável de chumbo não oxidado, e portanto é um material
sujeito a posterior oxidação no ambiente.
Do ponto de vista ambiental, o transporte
desse material aumentava o risco de exposição a chumbo. O
óxido de chumbo é um pó e portanto pode ocorrer na atmosfera
na forma de partículas suspensas e de poeira espalhada pelo
piso. O uso de silos de armazenagem é comum em diversas
fábricas no mundo inteiro existindo diversos sistemas
disponíveis no mercado. Das características físico-químicas
do óxido depende toda a seqüência de processos seguintes,
que irão determinar em última instância, o desempenho do
produto final: a bateria.
A etapa seguinte é o processamento deste
óxido. Na masseira, o óxido de chumbo é transformado em uma
massa que será aplicada sobre as grades de chumbo. O óxido
armazenado nos silos é pesado automaticamente e transferido
para a masseira sem contato com o operário. Isto torna o
processo mais confiável e minimiza os riscos de
contaminação. A massa é manuseada por operadores de
empastadeira e neste setor além de máscara é obrigatório o
uso de luvas. As placas obtidas nesse processo são
acondicionadas pelos operários em cavaletes que são
transportados por empilhadeiras para estufas de cura e
secagem. Em todo este setor, nos postos de trabalho existem
coifas exaustoras para aspiração contínua de pó para
minimizar a exposição do operário a compostos de chumbo.
Este pó é filtrado e o ar emitido é isento de chumbo. Como o
transporte de placas leva inevitavelmente à dispersão de pó
no piso da fábrica, a mesma é varrida e aspirada
continuamente. A lavagem do piso também é um procedimento
freqüente.
A produção de grades de chumbo é feita por
fundição e à gravidade. Ou seja, o chumbo fundido escorre
para os moldes que são resfriados. Aqui novamente, a emissão
de vapores é uma fonte de contaminação, minimizada pelo
resfriamento ambiente dos mesmos.
A próxima etapa, o processamento das placas,
é realizada com exaustão para aspiração dos pós liberados.
Existem ainda alguns pontos aonde vapores de chumbo são
emitidos (fabricação de conexões e levantamento de bornes),
mais uma vez controlados com exaustão e resfriamento.
Todo o pó, massa, lama produzido no interior
da fábrica têm essencialmente dois destinos: filtros e
tanques. Os filtros devem ser limpos periodicamente e os
tanques, decantados. Todo o material sólido assim obtido é
encaminhado à metalúrgica para reciclagem..
O segundo rejeito mais importante da fábrica
é o ácido sulfúrico. Ele é empregado na produção de massa,
na formação das baterias e no acabamento. Todo o ácido é
recolhido e neutralizado antes de ser descartado como
efluente. Para a produção de baterias seladas o controle de
impurezas dos componentes é bastante rígido, apesar disto, a
empresa conseguiu adotar um sistema de reaproveitamento de
soluções de ácido sulfúrico que anteriormente era perdido
como rejeito através de um monitoramento constante dos
níveis de contaminação nos estoques de ácido, sem alteração
das tolerâncias nas especificações de impureza. Este
procedimento minimiza custos e permite que menos efluentes
sejam produzidos.
A fábrica deve possuir um sistema de drenagem
onde todo líquido em seu interior (incluindo águas pluviais)
é direcionado para tanques de decantação e neutralização. A
decantação remove partículas sólidas contendo compostos de
chumbo (principalmente óxidos e sulfatos). A neutralização
reduz a acidez e abaixa a solubilidade de compostos de
chumbo resultando em um efluente praticamente isento de
chumbo. Existem basicamente duas opções para neutralização:
com sonda cáustica e com cal. No primeiro processo o
subproduto é sulfato de sódio enquanto que no segundo é
sulfato de cálcio. Em ambos, alguns hidróxidos também são
formados, incluindo-se aí hidróxido de ferro originário dos
diversos equipamentos e instalações. Todo esse efluente é
jogado em lagoas de decantação. Como ainda não foi
encontrado uso comercial para os subprodutos sólidos, eles
são acondicionados em aterros apropriados. No caso
específico, como o custo da cal é bastante inferior ao da
soda cáustica, a primeira vem sendo empregada.
Para que a empresa se certifique segundo esta
norma a mesma deve estabelecer um rígido sistema de controle
de emissões, e passar por um processo de auditoria.
A motivação para esta certificação é dupla: a
melhoria da qualidade ambiente no interior da fábrica (de
forma indireta) e uma conformidade com a legislação
ambiental. Isto resulta indiretamente em maior aceitação do
produto no mercado, tanto por parte dos consumidores finais,
como por parte dos clientes industriais (montadoras de
veículos, por exemplo). Como foi dito anteriormente, a
empresa detém quase todo o ciclo fabril: produção de chumbo,
caixas plásticas e baterias. Os únicos componentes que não
são produzidos pela própria empresa são separadores de
polietileno,
empregados para separar o ânodo do cátodo.
Reaproveitamento de sucatas
Este processo, que no passado era feito
manualmente, atualmente é feito de forma automática. As
sucatas de baterias são quebradas e passam por um processo
de separação baseada na densidade: o material e flotado: os
compostos de chumbo são separados da matéria plástica e o
efluente líquido é neutralizado. O material plástico é
reaproveitado na fábrica de caixas e tampas e o material
contendo compostos de chumbo segue para o refino. Como na
fábrica de baterias, todo efluente é contido no interior da
planta e redirecionado para uma estação de tratamento de
efluente que essencialmente faz a neutralização e decantação
do mesmo. O resíduo sólido consiste em sua quase totalidade
de sulfato de cálcio. Não existe processo de reciclagem com
100% de reaproveitamento.
No caso da metalúrgica, existe como
subproduto a escória. Esta escória poderá ser mais ou menos
rica em chumbo, dependendo da eficiência do processo.
Atualmente, esforços estão sendo direcionados para a
obtenção da chamada escória verde: escória com mínimo teor
de chumbo e que poderia ser reaproveitada em outros
processos industriais (por exemplo, pavimentação), sem a
necessidade de ser contida em aterros específicos. Com a
crescente conscientização por parte da sociedade de que os
processos industriais necessitam ser ecologicamente
corretos, as indústrias
para sua própria sobrevivência, têm procurado
soluções as mais diversas para seus problemas específicos.
Na fabricação de baterias de chumbo-ácido que manuseia
rotineiramente toneladas de um elemento tóxico, o chumbo,
foram encontradas soluções que permitem colocar no mercado
um produto com elevada qualidade e sem riscos ambientais.
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