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USP desenvolve baterias com menor impacto ambiental e maior voltagem

Um grupo de pesquisadores da USP de Ribeirão Preto está desenvolvendo baterias recarregáveis de íons de lítio, que causam menor impacto ambiental e alcançam maior voltagem do que as baterias convencionais, com custo de produção relativamente baixo. "A grande vantagem é que essa bateria pode ser produzida com diversos materiais. Usando diferentes eletrodos (condutores de elétrons e íons), produz-se baterias com voltagens, potências e toxicidades diferentes", explica Maurício Rosolen, professor responsável pelo grupo de pesquisa no Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto (FFCLRP). "Basta usar materiais menos tóxicos para produzir baterias mais ‘verdes’ e com melhor performance energética, enquanto as baterias convencionais, que só podem ser fabricadas usando os mesmos materiais, obtêm sempre os mesmos resultados e dão menos alternativas de melhorias aos fabricantes". 

As baterias atualmente mais comercializadas no país têm constituintes tóxicos e cancerígenos, que prejudicam o meio ambiente quando vazam ou são abertas (por corrosão, por exemplo). Essa nova classe de baterias de íons de lítio pode ser produzida com materiais menos prejudiciais ao meio ambiente, como o óxido de manganês, grafite ou pirita mineral devidamente modificados, que podem ser produzidos em grandes quantidades no Brasil. "O importante é que, em caso de vazamento, não estaremos intro-duzindo no solo produtos químicos tóxicos que contaminem lençóis freáticos", ressalta Rosolen. 

 As baterias de íons de lítio alcançam maior voltagem (até 5V) porque utilizam eletrólitos (solventes) não-aquosos. As outras baterias utilizam eletrólitos aquosos, e a água se decompõe em oxigênio e hidrogênio quando superam 2 Volts. "Onde você usa três pilhas de níquel /cádmio ou níquel/hidreto de níquel, você usaria uma pilha de íons de lítio", afirma Rosolen, lembrando que elas podem ser usadas em qualquer tipo de equipamento. A pilha recarregável de íons de lítio armazena energia através da intercalação destes íons no interior do eletrodo (a quantidade de íons que entra deve ser a mesma que sai), mantendo a composição química do eletrólito, enquanto, nas demais baterias, o eletrólito tem sua composição química e propriedades físicas alteradas. 

Segundo o professor, as baterias recarregáveis de íons de lítio têm sido cada vez mais vendidas, já que "funcionam bem, são compactas, leves e têm grande durabilidade", atendendo à demanda dos avanços dos equipamentos eletrônicos. "No caso dos celulares, continuam melhorando a performance a cada ano, enquanto as outras estão se estabilizando", observa. As baterias de lítio também têm uma vida útil maior, já que descarregam pouco (cerca de 10% em vários meses), agüentam mais de 800 recargas (uma bateria de níquel/cádmio agüenta cerca de 500, e uma alcalina tradicional recarre-gável, 30) e não é preciso descarregá-la completamente para recarregar, como é recomendado aos usuários de baterias de níquel e cádmio. 

Apesar de serem produzidas no Japão, Europa e Estados Unidos, ainda há alguns problemas para a produção efetiva de baterias de íons de lítio no País. "É preciso importar uma série de componentes usados na bateria, além de o pessoal técnico que realmente sabe fazer as baterias já estar contratado no exterior", argumenta Rosolen. "Para produzir baterias de alta tecnologia no Brasil é preciso dar incentivos para a produção de seus com-ponentes e, principalmente, ter pessoas for-madas nessa área saindo das universidades". 

O grupo de Ribeirão Preto desenvolve, há quatro anos, novos materiais para serem usados na bateria, como óxidos de baixa toxicidade e novos carbonos. "Os resultados são promissores, o que significa que é uma questão de tempo para logo encontrarmos baterias de íons de lítio com impacto ambiental muito baixo", conclui.

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