Homeopatia
O que você diria de um medicamento que contém 1,0g de extrato vegetal misturado
com 100000g de água? Isso é praticamente água pura, não é mesmo? No entanto,
medicamentos desse tipo são comuns em homeopatia, campo da medicina cujo princípio
fundamental pode ser descrito da seguinte maneira: toda
substância que, em quantidades apreciáveis, provoca algum distúrbio em uma pessoa
sadia, ajudará a combater esse mesmo distúrbio quando for prescrita em doses
extremamente pequenas.
Veja, por
exemplo, o caso da beladona, material extraído de um arbusto de mesmo nome e
rico em uma substância chamada atropina. Em doses excessivas, a beladona é tóxica,
causa febre e dilata os vasos sanguíneos. No século XVII, esse efeito causado
pela beladona era bastante utilizado pelas mulheres, que ingeriam o chá dessa
substância para ficarem com as faces avermelhadas, criando assim a impressão
de maquiagem. Daí a origem do nome ,bella donna, que, em italiano significa
mulher bonita.
No entanto,
quando diluída em grande quantidade de água, a beladona combate os mesmos efeitos
negativos, serve como relaxante gastrintestinal e é também usada no combate
à amigdalite.
As primeiras
idéias sobre a medicina homeopática surgiram a partir de 1790, com o médico
alemão Christian Samuel Hahnemann.
Até essa
época Hahnemann era um médico convencional, que acreditava no princípio básico
de que os opostos se curam . Assim, acreditava que os efeitos nocivos
de uma substância deveriam ser combatidos com outras substâncias que tivessem
efeitos contrários.
Hahnemann
observou, porém, que o quinino (extraído da casca da quina), usado para combater
a febre, os delírios e tremores da malária, provocava esses mesmos sintomas
quando aplicado em uma pessoa sadia. Isso significa que o remédio provoca os
mesmos sintomas da doença para a qual ele é utilizado como cura. Mas como explicar
esse acontecimento? Seria coincidência?
Após muitas
pesquisas com outros medicamentos, Hahnemann publicou, em setembro de 1790,
um artigo que marcaria o início da homeopatia. No entanto foi somente em 1810
que ele publicou a obra, intitulada O organon, na qual descreve em detalhes
os princípios gerais da medicina homeopática.
Observe a
seguir o resumo de alguns desses princípios:
·
Os
medicamentos seriam sempre muitos diluídos em solventes apropriados, geralmente
água ou uma mistura de água e álcool. Nesse caso, o grau de diluição deveria
ser cuidadosamente estudado para cada paciente.
·
O
pensamento da homeopatia postulava que os sintomas de uma mesma enfermidade
deveriam variar de acordo com o estado físico e emocional de cada pessoa, sendo
influenciados até mesmo por fatores sociais. Assim, acreditava-se que não
existiam doenças, mas sim doentes.
·
Baseando-se
na idéia de que o remédio seria parecido com a doença, o médico homeopata tentaria
eliminar os efeitos de uma doença com remédios que causassem os mesmos sintomas
em uma pessoa sadia.
Por essa
descrição, descrição nota-se que os estudos de Hahnemann foram de grande importância
para a época. Mas, atualmente, qual a situação da homeopatia?
Considerada
em muitos casos uma espécie de medicina alternativa, a homeopatia continua sendo
investigada por muitos grupos de cientistas. Daí a ocorrência de alguns questionamentos:
seria a ação da homeopatia um efeito placebo, ou seja, provocado por agentes
de ordem psicológica? Em caso positivo, como poderiam ser explicados os resultados
da medicina homeopática no campo veterinário, no tratamento de gatos, cães e
cavalos?
A discussão
está cada vez mais acirrada, o que não impede que as artes homeopáticas sejam
ensinadas até em cursos de pós-graduação de grandes universidades no mundo inteiro.
Extraído do livro de Química
Antônio Lembo