Os metais pesados apresentam alta toxidez para os organismos vivos. Quando despejados no mar, têm a tendência de acumular nas cadeias alimentares, aumentando a concentração a cada estágio. Sem entrar em muitos detalhes relatarei um caso bastante dramático que ilustra o problema. Na baía de Minamata, no Japão, um doença atingiu inicialmente animais domésticos (gatos) e em seguida contaminou várias pessoas. Ocorrida perda da coordenação dos movimentos, dificuldade de falar, ouvir e comer. Foram vitimadas 111 pessoas, sem que se soubesse, no início, os motivos da moléstia. Autópsias demostraram que o fígado daquelas pessoas continha grande quantidade de mercúrio. Esse metal havia sido ingerido por intermédio do consumo de molusco e peixes da região.
A maior parte do volume dos despejos de material bruto em regiões costeiras e em estuários é, de longe, composta por materiais orgânicos passíveis de ataques bacterianos. Os principais tipos de materiais que pertencem a esse grupo são:
► resíduos urbanos, resíduos domésticos, como restos de alimento, lixo sólido, pesticidas de plantas, sedimentos em geral são levado spela chuva e pelo derretimento de neve aos bueiros, desses vão até os cursos d’água, e por fim, chegam as águas costeiras. Aproximadamente metade do óleo que polui as águas marinhas vem do escoamento urbano ( Corson, 1993 ). Segundo a World Resources ( 94-95 ), cerca de 1 bilhão de toneladas de lixo urbano são produzidas anualmente, a maior parte, pelos países desenvolvidos. Eles também são responsáveis, segundo a mesma fonte, pela produção anual de 300 milhões de toneladas de lixo tóxico, sendo que desse total, grande parte é exportada para os países subdesenvolvidos, assim os mares mais plúidos são os próximos a costas densamente povoadas da ìndia, Paquistão e Bangladesh e próximas às cidades costeiras da Tailândia, Malásia, Indonésia e Filipinas (Corson, 1993). Além disso há o problema da construção de emissários submarinos que despejam grandes quantidades de esgotos urbanos.;
► resíduos agrícolas, fertilizantes, herbicidas e pesticidas escoam das áreas de cultivo para os rios e riachos, que acabam encontrando-se com os mares, e pelo fato de serem biodegradáveis, são contaminadores persistentes das águas costeiras, alterando de forma persistente a cadeia alimentar e aumentando a concentração de fosfatos, nitratos e silicatos a cada passo ( Corson, 1993 );
► resíduos derivados do processamento de alimentos (ex.: matadouros, frigoríficos e usinas de açúcar, destilarias e fábricas de bebidas fermentadas );
► resíduos de indústrias de celulose, como polpa de papel moído, incluindo uma grande variedade de grandes moléculas que são relativamente instáveis e que se partem facilmente;
► resíduos de indústrias químicas, como detergentes químicos, resíduos de petroquímica. Muitos dos materiais liberados são compostos orgânicos tóxicos, ácidos e metais pesados potencialmente capazes de poluir se indevidamente colocados. Os mamíferos marinhos estão acumulando, em muitas áreas de deposição de restos químicos industriais, o que prejudica a reprodução ( Corson, 1993 ).
Os resíduos de indústrias são geralmente acondicionados em vasilhames antes de serem jogados ao mar, mas o método de lançamento pode envolver puncionamento destes ao mar, para permitir o seu afundamento.
► detritos de construção, que provêm de operações de dragagens, principalmente para manutenção de navegação e de porto, que são os maiores contigentes de materiais atirados pelo Homem no oceano, e os que provêm de atividades de demolição e construção ( Skinner & Turekian, 1977 ). Os materiais dragados para manutenção de navegação podem conter além de sedimentos, que aumentam e muito a quantidade de nutrientes, diminuindo a passagem de luz, óleo, graxas e metais pesados, juntamente com outros poluentes que se depositam nos fundos dos mares, como PCB (policlorinato bifenil), prejudicar os animais do local.
► resíduos radioativos: A água do mar é naturalmente radioativa, principalmente, por causa da presença do potássio-40; de isótopos radioativos do urânio; do tório; e do hidrogênio do (trítio - 3H), constantemente, introduzido pelos raios cósmicos que são absorvidos pelo sedimento. A introdução de radioatividade no mar por atividades humanas, começou no final da Segunda Guerra Mundial com a explosão das primeiras bombas nucleares. Hoje, as contribuições mais importantes são os lixos radioativos líquidos e sólidos das usinas nucleares, as águas de refrigeração dos reatores, que além das partículas radioativas ocasiona um desequilíbrio ecológico devido ao despejo de águas com temperaturas elevadas, chegando a aproximadamente 15°C acima da temperatura ambiente. Contribuições menores, como as causadas por acidentes com espaçonaves que são equipadas com baterias radioativas ( plutônio ), ou as contribuições dos navios e submarinos nucleares, dos rejeitos plataformas de petróleo, de hospitais e de universidades, podem ser consideradas mínimas, mas existentes. Há também a contribuição de nitratos oriundos de chuvas ácidas, proveniente de automóveis e casas de força, e de munições perdidas durante as guerras, e explosivos químicos lançados ao mar, incluindo armas químicas ( Corson, 1993 ).
► Resíduos sólidos: os plásticos e isopores, que apesar de não serem considerados tóxicos aos organismos marinhos, muitas vezes são ingeridos por pássaros, peixes e mamíferos que acabam morrendo, entram em contato com o mar através de lançamentos de lixo pelos navios ou mesmo pelos turistas em praias; redes de pesca, verdadeiras armadilhas para golfinhos e pássaros que são jogadas por pescadores comerciais. Segundo Corson (1993), mais de 136.000 toneladas métricas de plásticos são lançados anualmente ao mar, e cerca de mais de 2 milhões de aves aquáticas e 100.000 mamíferos marinhos morrem a cada ano depois de ingerirem ou se emaranharem em plásticos e redes.
Diferentes dos poluentes degradáveis, os poluentes conservativos não estão sujeitos ao ataque bacteriano nem a qualquer outro tipo de degradação. Pelo contrário, são bioacumulativos e biomagnificativos. Esses poluentes são, principalmente: os metais pesados, como o mercúrio, o cádmio, o chumbo e o zinco; os hidrocarbonetos halogenados, como inseticidas (DDT) e produtos químicos industriais do grupo dos PCBs (bifenilas policloradas); e os produtos radioativos.
Representa um dos mais sérios problemas de poluição marinha. Às vezes, a contaminação ocorre através da lavagem do reservatório de petroleiros com água do mar; outra vezes, de acidentes com petroleiros, cujos tanques se rompem; plataforma de exploração de petróleo também são responsáveis por esse tipo de poluição. Formam-se manchas muitos extensas na superfície, que interferem na passagem de luz, prejudicando a fotossíntese do fitoplâncton. A difusão do oxigênio para o a e vice-versa são também afetadas; além disso o petróleo adere às brânquias dos peixes, impedindo que respirem. O petróleo é atacado por microrganismos, porém muito lentamente, tendo de fazer muitos estragos. Têm sido usado detergentes para dispersar as manchas de óleo; suspeita-se, porem, que eles também causem danos aos ambientes marinhos.
Um dos maiores problemas de poluição da água está relacionado com o fenômeno da eutrofização. Trata de um despejo de grande quantidade de nutrientes que desequilibra as teias aquáticas provocando até extinção. Os nutrientes tanto podem estar na forma de matéria orgânica – como esgotos, restos de usinas de açúcar, de papel – quanto na forma de sais minerais – como fosfatos, que existem em certos tipos de detergentes. Os principais fatos que ocorrem para haver a eutrofização são: · Quando são despejadas substâncias orgânicas, os decompositores degradam essas substâncias, enriquecendo a água em sais minerais. Outras vezes, como no caso do detergentes, os sais minerais são despejados diretamente. · Ao morrer, essa grande quantidade de algas mortas é degradada por microrganismos decompositores, cuja população aumenta, em função da disponibilidade de alimento; também aumenta o consumo de oxigênio. As águas se tornam turvas, o que prejudica a fotossíntese e, em conseqüência, a produção de oxigênio. Vários organismos, incluindo peixes, sensíveis, à diminuição desse gás na água, se extinguem. · Sobram agora apenas microrganismos anaeróbios, que realizam processos fermentativos, implicando muitas vezes a produção de substâncias malcheirosas, como sulfetos (cheiro de ovo podre), gás metano e mercaptanas. .