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Hinduísmo

As raízes do hinduísmo se encontram na religião védica dos povoadores indo-europeus do norte da Índia, mas começou a se formara partir do século V a.e.c., tomando numerosos elementos novos de origens diferentes. Por isso, resulta variada, porque inclui muitos deuses e distintos caminhos para expressá-la.

O que faz seguidores de caminhos tão diversos dizer que são todos hinduístas é que seguem o dharma, entendido como a ordem correta de se comportar de acordo com quem se é, a etapa da vida em que se está e o que se foi em vidas passadas.

As quatro idades do mundo

No hinduísmo, em obras como o Mahabharata, fala-se de quatro yugas ou idades do mundo.

O tempo no hinduísmo não é linear, mas circular, e uma era sucede a outra. Após uma era como a atual, que se considera decadente, voltará a idade de ouro, que marcará o começo de um novo mundo e um retorno,

Guru do hinduísmo
Guru hindu em estado de meditação

A era atual é a de maior decadência, o kaliyuga, porque impera o mal, e adequar-se ao dharma é muito difícil. O kaliyuga foi precedido por idades de decadência proporcionalmente menores até chegarao kritayuga, a idade de ouro em que a perfeição reinava no mundo, em um ciclo de quatro yugas (mahayuga). Nessa ordem, a primeira é o krita yuga, época de unidade harmoniosa entre dharma, Deus, rito e veda. A seguir, vem o treta yuga, a divisão entre dharma, rito e veda. O momento seguinte é o dvapara yuga, quando os ritos perdem a harmonia, e há quatro vedas, mas poucos os seguem. A etapa final é o kaliyuga, a decadência completa dos ritos e do dharma.

O conceito de dharma no hinduísmo

O conceito de dharma é fundamental no hinduísmo, mas é complicado de explicar. Gavin Flood, em seu livro O hinduísmo, oferece algumas chaves para entender a que ele se refere: “O equivalente mais próximo a dharma em português seria religião, mas incluindo os significados de verdade, dever, ética, direito (…).

É o poder que sustenta e fundamenta a Sociedade e o cosmos (…) que converte as coisas naquilo que são (…).

Um traço chamativo do hinduísmo é que o que se faz é mais importante que aquilo em que se crê. Seguir o dharma não é, portanto, aceitar certo número de crenças, mas cumprir certos deveres específicos e (…) comportar-se segundo certas regras relativas à pureza e ao matrimônio e realizar os rituais obrigatórios, normalmente dirigidos a alguma das divindades hindus.”

Levando em conta essa explicação, ser hinduísta seria atuar de acordo com o dharma, o que abarca todos os aspectos, desde a realização de ritos solenes até o comportamento correto em cada momento com as obrigações que isso traz. Portanto, dharma se identifica, no hinduísmo (já que no budismo tem outras conotações), com obrigações entendidas como transcendentes e eternas, mas que se expressam ou se manifestam entre os seres humanos em ações concretas. de Cingapura.

As crenças hinduístas

As crenças religiosas do hinduísmo variam segundo múltiplos fatores, entre os quais se destaca a conduta.

As muitas vidas do hinduísmo

Asceta hindu
Um asceta na festa de Ganga

Para o hinduísmo, a conduta é muito importante. Os atos de cada um e suas consequências são chamados de carma, que vai além dos limites de uma só vida. Isso é assim porque no hinduísmo se crê na reencarnação, e os futuros renascimentos estão condicionados pelo conjunto das ações da vida presente. Após morrer, se volta a renascer, e essa cadeia de nascimentos, mortes e renascimentos se chama samsara. Se o carma de vidas anteriores não é bom, a reencarnação tampouco o será: a pessoa que foi violenta em uma vida sofrerá a violência na seguinte. As diferenças entre os seres humanos, o fato de que haja gente que sofre e é pobre e outros que têm tudo, podem ser explicadas pelo carma.

A finalidade principal da vida para os hinduístas é viver segundo o dharma. Eles creem que assim podem até alcançar moksha, que é a libertação do samsara e do carma. Por isso, para os hinduístas, a vida é um constante aprendizado.

Os muitos caminhos do hinduísmo

No hinduísmo, há muitos modos de entender a religião e muitas maneiras de praticá-la, dependendo do caráter de cada um, de seus deuses preferidos e também da fase da vida em que se esteja. Existem quatro caminhos principais.

O primeiro é o caminho da ação (carma), que consiste em cumprir cada ato da vida como uma oferenda à divindade, de modo desinteressado quanto aos resultados que se obtenham daí.

O segundo é o caminho da devoção (bhakti), que consiste em adorar a divindade visitando os templos e fazendo peregrinações, assistindo às festividades e ao culto diário, e também orando constantemente. Costumam seguir esse caminho os vaisnavas e, em particular, os devotos de Krishna.

O terceiro é o caminho da sabedoria (jnhana), pelo qual se pretende chegara compreender a realidade última da divindade por meio do estudo dos textos sagrados e pela análise intelectual.

No quarto caminho, o da ioga, se busca a libertação por meio dos exercícios físicos e respiratórios e pela meditação. Esse caminho costuma ser seguido especialmente pelos shaivas.

Os cultos no hinduísmo

Na Índia, as formas de celebrar os cultos são muito diversas e vão desde cerimônias íntimas na própria casa até festividades que congregam milhões de pessoas.

O culto e as festividades hindus

Nas casas dos hinduístas há um altar com imagens no qual se realiza o culto todos os dias, rezando, oferecendo flores, manteiga e outros produtos, acendendo lâmpadas e queimando incenso.

Festa dos elefantes na Índia
Homens pitando um elefante para a Festa dos Elefantes.

O culto é mais espetacular nos templos porque chegam a eles pessoas de todas as partes, as oferendas são mais numerosas e as estátuas, maiores. Acredita-se que a divindade pode entrar na estátua para receber as oferendas de seus fiéis e agradecer por elas em forma de bênçãos. São tratadas como se fossem os próprios deuses que chegassem como convidados: são acolhidos, adornados, banhados, alimentados, perfumados e, a seguir, adorados, recebendo pedidos antes da despedida.

Nas grandes festividades, além disso, as estátuas são colocadas em grandes carros e se fazem procissões que têm papel importante nos banhos purificadores nos grandes rios, que são sagrados na India. Há muitas grandes festividades na India, e todas elas costumam durar vários dias.

Holi é uma das mais importantes. Culmina com a lua cheia de março e parece uma festa de Carnaval em que as pessoas lançam pós e líquidos coloridos, acendem fogueiras e bebem muito.

Divali comemora as vitórias de Krishna e Rama sobre as forças demoníacas e é uma festa da boa sorte. Acendem-se lamparinas, que são colocadas em barquinhos de papel nos rios Sagrados.

A festa de Janmashtami celebra o nascimento de Krishna. Fazem-se casinhas com representações de Krishna criança e se celebra uma refeição festiva em família.

As peregrinações no hinduísmo

Cerimônia no rio Ganges
Cerimônia religiosa às margens do Ganges.

No hinduísmo, as peregrinações são muito importantes e têm como objetivo alcançar algum lugar sagrado, que costuma ser um rio, em especial o mais sagrado, o Ganges. Há hinduístas que, abandonando tudo o que têm, se dedicam a peregrinar até a morte.

Há muitos itinerários de peregrinação que dependem dos deuses preferidos de cada pessoa. Existe, por exemplo, grande afluxo de pessoas à peregrinação aos quatro extremos da Índia, que pode durar muitos anos se for feita a pé e que costuma terminar nas montanhas do Himalaia.

Também há peregrinações que visitam as cidades sagradas dos deuses principais e que passam por Ayodhya (cidade de Rama), por Mathura (cidade de Krishna) e por Benares, a cidade sagrada de Shiva às margens do Ganges. Costuma-se dizer que quem morre peregrinando rumo a Benares se livra do ciclo das reencarnações.

Por: Roberto Braga Garcia

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