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ISLAMISMO
Para cada uma das seitas verdadeiras ou falsas, das
associações beneficentes ou perniciosas e dos partidos retos
ou perversos, há uns princípios e fundamentos racionais, e
umas questões ideológicas que determinam sua meta e dirigem
sua marcha, sendo norma para cada um de seus afiliados e
seguidores. Quem quer afiliar-se a qualquer deles se fixará
primeiro nestes princípios que, se os admitir e acreditar
que são corretos, aceitá-los-á em meu consciente e
subconsciente e não abrigará nenhuma dúvida, e solicitará
sua filiação a esta assossiação. Cumprirá com suas
obrigações dentro dela, realizará os trabalhos instituídos
pelos seus estatutos, pagará a cota do afiliado tal como
prescreve o regulamento e, além disso, deve demonstrar, com
sua conduta, fidelidade a seus princípios, lembrar sempre
destes princípios e não fazer com que seus atos algo que o
distancie dela, mas dar, com sua moral e conduta, um bom
exemplo e ser um predicador verdadeiro.
A filiação nesta assossiação representa conhecimento de seus
estatutos, crença em seus princípios, obediência às suas
determinações e uma vida coerente com a associação.
Este panorama geral é aplicável ao Islam.
Quem quer entrar no Islam tem que aceitar primeiro seus
fundamentos racionais e crer neles totalmente, até que
constituam para ele uma ideologia. Estes fundamentos se
resumem em que este mundo materialista não é tudo e a vida
mundana não é a vida íntegra. Porque o homen existia antes
de nascer e seguirá existindo depois da morte, e não criou a
si mesmo, mas foi criado do nada (antes de conhecer-se), e
não foi criado pelo inanimado que o rodeia, porque é
racional, e o inanimado não tem razão, foi criado e a tudo
do Universo do nada por Um só Deus, Que é Único, o Que
ressuscita e faz morrer. É Ele Quem criou tudo e se quiser
pode aniquilá-lo e fazê-lo desaparecer, pois este é o Deus
que não tem semelhante algum em todos os universos. Que não
tem princípios nem fim, Eterno, Todo-Poderoso, e não há
limitações para Seu poder e capacidade; é Sapientíssimo e
não há nada oculto para Ele; É justo, porém não se mede Sua
Justiça absoluta com os parâmetros da justiça humana. Ele
foi quem disse dispos as regras do Universo (as que
denominamos de Leis Naturais) e as fez todas comedidamente,
limitado desde sempre suas partes espécies, e o que
acontecerá com os vivos inanimados, com o movimento e a
inércia, com a constância e mutação, com o feito e o
deixado. Dotou o homen de um cérebro com o qual pode julgar
sobre muitas coisas e escolher o que quiser, e de uma
vontade com a qual realiza o que escolher. Crê que depois
desta vida terrena provisória há outra eterna, na qual se
premeia os virtuosos com o Paraíso e se castiga os iníquos
com o inferno.
Este é o Deus Único. Não tem associado a quem se pode adorar
junto a Ele, nem mediador que possa interceder junto a Ele
sem a Sua anuência. Assim, pois, a submissão deve ser
absoluta em todos os aspectos.
Entre suas criações há as que são materiais, evidentes para
nós perceptíveis pelos sentidos, e outras ocultas para nós,
inanimadas umas, viventes e responsáveis outras. Entre as
viventes, há umas absolutamente virtuosas, são anjos; outras
caracterizadas pelo mal absoluto, são os demônios; e outras
que são uma mescla que contém o bem e o mal, a virtude e a
maldade, estes são os gênios.
Ele elege entre os humanos a quem os anjos tem de revelar a
legislação divina para que a divulguem entre as pessoas.
Estes são os mensageiros. Estas legislações estão contidas
em livros revelados que anulam os anteriores a eles e os
modificam. O último desses livros é o Alcorão, que, ao
contrário do que ocorreu com os livros anteriores a ele que
foram desvirtuados e esquecidos, permaneceu intacto e salvo
das desvirtuações ou de qualquer perda. E o último desses
mensageiros e profetas é Mohamad Ben Abdullah, o árabe, o
coraixita, e com ele ficaram selados para sempre topdas as
mensagens, e com sua religião todas as religiões. Não haverá
depois dele profeta algum.
Portanto, o Alcorão é a constituição do Islam e quem está
persuadindo que é divino e crê nele, em todas e cada uma de
suas partes, chama-se crente. A fé neste sentido não é
conhecida mais que por Deus, porque os humanos não podem
abrir os corações das pessoas e saber o que contêm neles.
Por isso, para contar-se entre os muçulmanos só é preciso
declarar a fé dizendo:
"Testemunho que não há outra divindade além de Deus e que
Mohamad é o mensageiro de Deus".
Se a declarar, tornar-se-á muçulmano, e gozará dos mesmos
direitos de qualquer muçulmano e aceitará cumprir com todos
os deveres que o Islam o responsabiliza. Estes preconceitos
são poucos, fáceis e não precisam de grande esforço nem
fadiga.
Primeiro: Prostar-se duas vezes ao amanhecer, chamando a seu
Senhor pedindo-lhe Seus bens e refúgio de Seu castigo, e
fazer abluções parcialmente, ou totalmente no caso de ter
tido contacto sexual. Prostar-se quatro vezes ao meio-dia,
seguidas de outras quatro à tarde, três vezes ao pôr do sol
e quatro no começo da noite.
Estas são as orações prescritas, cujos cumprimentos não leva
mais que meia hora por dia. Não se exige um lugar específico
para realizá-las nem uma pessoa determinada que as dirija,
para que sejam corretas, nem precisa mediadores entre
muçulmano e seu Senhor.
Segundo: Durante o ano há determinado mês em que o muçulmano
adianta o seu desjejum e o faz ao final da noite, em vez do
começo do dia; atrasa o seu almoço até depois do entardecer;
abstêm-se durante o dia de qualquer comida, bebida ou
relação sexual. Será, pois, este, um mês para purificar sua
alma, dar descanço a seu estômago e educar seu caráter, o
qual será também benéfico para seu corpo. Além disso, este
mês é uma manifestação de concordância das pessoas na
prática do bem e na igualdade no viver.
Terceiro: Se depois de satisfazer seus gastos pessoais e os
de sua família, ainda sobrar uma importância determinada de
dinheiro, que possuirá durante um ano sem ter necessidade de
gastá-la, responsabiliza-se em tirar, passado esse tempo, em
quantidade equivalente a 2,5% para os pobres e necessitados,
o que para ele não será uma grande carga, porém sim, uma
grande ajuda para aqueles. Ademais, será um sólido pilar
para a soliedariedade social e um remédio para a enfermidade
da pobreza, que é o pior dos males.
Quarto: O Islam organizou para a sociedade islâmica reuniões
periódicas, semelhantes às reuniões de bairros, e com
horário parecido a de um colégio; dispos que se reunissem
cinco vezes cada dia. Esta é a oração coletiva na qual cada
fiel reitera sua submissão absoluta apresentando-se perante
Deus. O fruto disso será, pois, que o forte ajude o fraco,
que os sábios ensinem aos ignorantes e que os ricos socarram
aos pobres. A duração desta reunião é de um quarto de hora,
o qual não distrai o trabalhador de seu trabalho nem a um
comerciante de seu comércio. Se alguém faltar à reunião e
rezar em sua casa, não será culpado pela ausência, mas
priva-se do prêmio pela presença.
Outra reunião similar aos conselhos dos distritos,
celebra-se uma vez por semana; é a congregação de
sexta-feira. Sua duração é de aproximadamente uma hora e sua
assistência é obrigatória para todos os homens.
Uma terceira reunião, semelhante, aos conselhos das cidades,
celebra-se uma vez por ano, é a oração do Id (Festa
celebrada pelos muçulmanos no encerramento do mês de
Ramadan). O comparecimento não é obrigatório e sua duração é
inferior a uma hora.
E por último, uma grande reunião, a exemplo de um congresso
geral. Celebra-se cada ano em um local determinado. Na
realidade é uma convocação educativa, disportiva ou para
reflexão, à qual o muçulmano tem a obrigação de comparecer
ao menos uma vez em sua vida; é o Haj (Peregrinação).
Estes são os deveres religiosos originais com os quais o
muçulmano é responsabilizado.
Entre esses deveres há os que privam de atos concretos,
aqueles sobre os quais concordam as pessoas sensatas desta
terra em decidir que são um mal e , portanto, devem ser
evitados, tais como matar sem motivo, suplantar os direitos
das pessoas, a tirania em todas as suas formas, as bebidas
alcoólicas, pois fazem perder a razão, a fornicação, que
atenta contra a honra e mistura, a descência, a usura, a
mentira, a trama, a traição e a deserção do serviço militar,
quando este é para servir a causa de Deus. Porém, entre
todos, os mais graves são a desobediência aos pais, o
perjúrio e o falso testemunho.
Além destes, há outros atos abomináveis e maldosos, sobre o
que coincide a razão em perceber a sua falsidade e maldade.
Se o muçulmano descuida do cumprimento de algum de seus
deveres ou infringe alguma das proibições, porém logo se
arrepende e pede o perdão de Deu, Ele o perdoará. Porém, se
não se arrepende, ficará muçulmano, todavia pecador e
merecedor, do castigo no Dia do Juízo Final, se bem que seu
castigo será transitório, não eterno, como será para o
incrédulo.
Se renega alguns dos princípios ou doutrinas originais, que
duvida delas, ou renega um dever sobre o qual há um consenso
geral para o seu cumprimento ou de algo no que há acordo
sobre sua ilicitude, ou de uma só palavra do Alcorão, será
considerado um apóstata e ser-lhe-á tirada a identidade
islâmica, pois o apóstata é o pior crime contra o Islam,
igual à traição nas leis modernas. Se não se arrepende, o
castigo será a morte.
É possível que o muçulmano abandone algum de seus deveres ou
infrinja algumas proibições, mesmo sabendo que é seu dever e
que é ilícito. Ele continuará sendo muçulmano, porém
pecador. Mas quanto à fé, esta é indivisível e mesmo que
creia em noventa e nove por cento e renegue um, será um
apóstata.
Pode-se ser muçulmano sem ser crente. É como quem se filia a
uma associação, assiste as suas reuniões, paga suas contas e
faz papel de sócio, porém não aceita seus princípios nem crê
em sua autenticidade. Só entra nela para espionar e
corromper seus assuntos. Este é o hipócrita, o que pronuncia
os dois testemunhos de fé e cumpre os deveres religiosos
aparentemente, porém não crê na verdade. Este não se salvará
ante Deus. Sem dúvida, as pessoas o consideram muçulmano,
pois só vêm as aparências, porém Deus sabe a respeito dos
sentimentos e do coração.
Se o homem crê nos fundamentos ideológicos que são crença
absoluta em Deus, não relacionado com associados nem
mediadores, nos anjos, nos mensageiros, nos livros Sagrados,
na outra vida, no destino, e pronuncia os dois testemunhos
de fé, pratica as orações prescritas, jejua durante o mês de
Ramadan, paga o Zakat de seu dinheiro, peregrina uma vez na
vida se puder, e se priva daquilo em que há acordo sobre sua
ilicitude, será um muçulmano crente. Porém o fruto de sua
crença não se manifestará nele nem sentirá sua doçura;
tampouco será um muçulmano completo até que adote em sua
vida a conduta de um muçulmano crente.
O mensageiro de Deus resumiu esta forma de conduta em uma só
frase, com as mais eloquentes das palavras que os homens
tenham pronunciado.
Estas palavras reunem o bem absoluto, desta e de outra vida
e são: Que o muçulamano tenha presente em sua memória que em
todo o momento, esteja e pé ou sentado, só ou acompanhado,
na seriedade ou na frivolidade, e em todas as
circunstâncias, que Deus o vê e observa; então assim não O
desobedecerá, e não teme e nem desespera pois sabe que Deus
está com ele; não sente a solidào nem a necessidade de nada,
um vez que pede e roga a Deus. Pois, ainda que desobedeça -
sua natureza é por si desobediente - retorna e se arrepende
e lhe será aceito o arrependimento.
Tudo que foi dito anteriormente está baseado nas palavras do
Profeta sobre o coneceito Ihsan:
"Adorarás a Deus como se O estivesses vendo, pois se não O
estiveres vendo, Ele estará te vendo".
Fonte: Centro Islâmico de Foz do Iguaçu
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