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  Matérias :: Religião

 

  Autoria: Caio Augusto

 


ISLAMISMO




Para cada uma das seitas verdadeiras ou falsas, das associações beneficentes ou perniciosas e dos partidos retos ou perversos, há uns princípios e fundamentos racionais, e umas questões ideológicas que determinam sua meta e dirigem sua marcha, sendo norma para cada um de seus afiliados e seguidores. Quem quer afiliar-se a qualquer deles se fixará primeiro nestes princípios que, se os admitir e acreditar que são corretos, aceitá-los-á em meu consciente e subconsciente e não abrigará nenhuma dúvida, e solicitará sua filiação a esta assossiação. Cumprirá com suas obrigações dentro dela, realizará os trabalhos instituídos pelos seus estatutos, pagará a cota do afiliado tal como prescreve o regulamento e, além disso, deve demonstrar, com sua conduta, fidelidade a seus princípios, lembrar sempre destes princípios e não fazer com que seus atos algo que o distancie dela, mas dar, com sua moral e conduta, um bom exemplo e ser um predicador verdadeiro.

A filiação nesta assossiação representa conhecimento de seus estatutos, crença em seus princípios, obediência às suas determinações e uma vida coerente com a associação.

Este panorama geral é aplicável ao Islam.

Quem quer entrar no Islam tem que aceitar primeiro seus fundamentos racionais e crer neles totalmente, até que constituam para ele uma ideologia. Estes fundamentos se resumem em que este mundo materialista não é tudo e a vida mundana não é a vida íntegra. Porque o homen existia antes de nascer e seguirá existindo depois da morte, e não criou a si mesmo, mas foi criado do nada (antes de conhecer-se), e não foi criado pelo inanimado que o rodeia, porque é racional, e o inanimado não tem razão, foi criado e a tudo do Universo do nada por Um só Deus, Que é Único, o Que ressuscita e faz morrer. É Ele Quem criou tudo e se quiser pode aniquilá-lo e fazê-lo desaparecer, pois este é o Deus que não tem semelhante algum em todos os universos. Que não tem princípios nem fim, Eterno, Todo-Poderoso, e não há limitações para Seu poder e capacidade; é Sapientíssimo e não há nada oculto para Ele; É justo, porém não se mede Sua Justiça absoluta com os parâmetros da justiça humana. Ele foi quem disse dispos as regras do Universo (as que denominamos de Leis Naturais) e as fez todas comedidamente, limitado desde sempre suas partes espécies, e o que acontecerá com os vivos inanimados, com o movimento e a inércia, com a constância e mutação, com o feito e o deixado. Dotou o homen de um cérebro com o qual pode julgar sobre muitas coisas e escolher o que quiser, e de uma vontade com a qual realiza o que escolher. Crê que depois desta vida terrena provisória há outra eterna, na qual se premeia os virtuosos com o Paraíso e se castiga os iníquos com o inferno.

Este é o Deus Único. Não tem associado a quem se pode adorar junto a Ele, nem mediador que possa interceder junto a Ele sem a Sua anuência. Assim, pois, a submissão deve ser absoluta em todos os aspectos.

Entre suas criações há as que são materiais, evidentes para nós perceptíveis pelos sentidos, e outras ocultas para nós, inanimadas umas, viventes e responsáveis outras. Entre as viventes, há umas absolutamente virtuosas, são anjos; outras caracterizadas pelo mal absoluto, são os demônios; e outras que são uma mescla que contém o bem e o mal, a virtude e a maldade, estes são os gênios.

Ele elege entre os humanos a quem os anjos tem de revelar a legislação divina para que a divulguem entre as pessoas. Estes são os mensageiros. Estas legislações estão contidas em livros revelados que anulam os anteriores a eles e os modificam. O último desses livros é o Alcorão, que, ao contrário do que ocorreu com os livros anteriores a ele que foram desvirtuados e esquecidos, permaneceu intacto e salvo das desvirtuações ou de qualquer perda. E o último desses mensageiros e profetas é Mohamad Ben Abdullah, o árabe, o coraixita, e com ele ficaram selados para sempre topdas as mensagens, e com sua religião todas as religiões. Não haverá depois dele profeta algum.

Portanto, o Alcorão é a constituição do Islam e quem está persuadindo que é divino e crê nele, em todas e cada uma de suas partes, chama-se crente. A fé neste sentido não é conhecida mais que por Deus, porque os humanos não podem abrir os corações das pessoas e saber o que contêm neles. Por isso, para contar-se entre os muçulmanos só é preciso declarar a fé dizendo:

"Testemunho que não há outra divindade além de Deus e que Mohamad é o mensageiro de Deus".

Se a declarar, tornar-se-á muçulmano, e gozará dos mesmos direitos de qualquer muçulmano e aceitará cumprir com todos os deveres que o Islam o responsabiliza. Estes preconceitos são poucos, fáceis e não precisam de grande esforço nem fadiga.

Primeiro: Prostar-se duas vezes ao amanhecer, chamando a seu Senhor pedindo-lhe Seus bens e refúgio de Seu castigo, e fazer abluções parcialmente, ou totalmente no caso de ter tido contacto sexual. Prostar-se quatro vezes ao meio-dia, seguidas de outras quatro à tarde, três vezes ao pôr do sol e quatro no começo da noite.

Estas são as orações prescritas, cujos cumprimentos não leva mais que meia hora por dia. Não se exige um lugar específico para realizá-las nem uma pessoa determinada que as dirija, para que sejam corretas, nem precisa mediadores entre muçulmano e seu Senhor.

Segundo: Durante o ano há determinado mês em que o muçulmano adianta o seu desjejum e o faz ao final da noite, em vez do começo do dia; atrasa o seu almoço até depois do entardecer; abstêm-se durante o dia de qualquer comida, bebida ou relação sexual. Será, pois, este, um mês para purificar sua alma, dar descanço a seu estômago e educar seu caráter, o qual será também benéfico para seu corpo. Além disso, este mês é uma manifestação de concordância das pessoas na prática do bem e na igualdade no viver.

Terceiro: Se depois de satisfazer seus gastos pessoais e os de sua família, ainda sobrar uma importância determinada de dinheiro, que possuirá durante um ano sem ter necessidade de gastá-la, responsabiliza-se em tirar, passado esse tempo, em quantidade equivalente a 2,5% para os pobres e necessitados, o que para ele não será uma grande carga, porém sim, uma grande ajuda para aqueles. Ademais, será um sólido pilar para a soliedariedade social e um remédio para a enfermidade da pobreza, que é o pior dos males.

Quarto: O Islam organizou para a sociedade islâmica reuniões periódicas, semelhantes às reuniões de bairros, e com horário parecido a de um colégio; dispos que se reunissem cinco vezes cada dia. Esta é a oração coletiva na qual cada fiel reitera sua submissão absoluta apresentando-se perante Deus. O fruto disso será, pois, que o forte ajude o fraco, que os sábios ensinem aos ignorantes e que os ricos socarram aos pobres. A duração desta reunião é de um quarto de hora, o qual não distrai o trabalhador de seu trabalho nem a um comerciante de seu comércio. Se alguém faltar à reunião e rezar em sua casa, não será culpado pela ausência, mas priva-se do prêmio pela presença.

Outra reunião similar aos conselhos dos distritos, celebra-se uma vez por semana; é a congregação de sexta-feira. Sua duração é de aproximadamente uma hora e sua assistência é obrigatória para todos os homens.

Uma terceira reunião, semelhante, aos conselhos das cidades, celebra-se uma vez por ano, é a oração do Id (Festa celebrada pelos muçulmanos no encerramento do mês de Ramadan). O comparecimento não é obrigatório e sua duração é inferior a uma hora.

E por último, uma grande reunião, a exemplo de um congresso geral. Celebra-se cada ano em um local determinado. Na realidade é uma convocação educativa, disportiva ou para reflexão, à qual o muçulmano tem a obrigação de comparecer ao menos uma vez em sua vida; é o Haj (Peregrinação).

Estes são os deveres religiosos originais com os quais o muçulmano é responsabilizado.

Entre esses deveres há os que privam de atos concretos, aqueles sobre os quais concordam as pessoas sensatas desta terra em decidir que são um mal e , portanto, devem ser evitados, tais como matar sem motivo, suplantar os direitos das pessoas, a tirania em todas as suas formas, as bebidas alcoólicas, pois fazem perder a razão, a fornicação, que atenta contra a honra e mistura, a descência, a usura, a mentira, a trama, a traição e a deserção do serviço militar, quando este é para servir a causa de Deus. Porém, entre todos, os mais graves são a desobediência aos pais, o perjúrio e o falso testemunho.

Além destes, há outros atos abomináveis e maldosos, sobre o que coincide a razão em perceber a sua falsidade e maldade.

Se o muçulmano descuida do cumprimento de algum de seus deveres ou infringe alguma das proibições, porém logo se arrepende e pede o perdão de Deu, Ele o perdoará. Porém, se não se arrepende, ficará muçulmano, todavia pecador e merecedor, do castigo no Dia do Juízo Final, se bem que seu castigo será transitório, não eterno, como será para o incrédulo.

Se renega alguns dos princípios ou doutrinas originais, que duvida delas, ou renega um dever sobre o qual há um consenso geral para o seu cumprimento ou de algo no que há acordo sobre sua ilicitude, ou de uma só palavra do Alcorão, será considerado um apóstata e ser-lhe-á tirada a identidade islâmica, pois o apóstata é o pior crime contra o Islam, igual à traição nas leis modernas. Se não se arrepende, o castigo será a morte.

É possível que o muçulmano abandone algum de seus deveres ou infrinja algumas proibições, mesmo sabendo que é seu dever e que é ilícito. Ele continuará sendo muçulmano, porém pecador. Mas quanto à fé, esta é indivisível e mesmo que creia em noventa e nove por cento e renegue um, será um apóstata.

Pode-se ser muçulmano sem ser crente. É como quem se filia a uma associação, assiste as suas reuniões, paga suas contas e faz papel de sócio, porém não aceita seus princípios nem crê em sua autenticidade. Só entra nela para espionar e corromper seus assuntos. Este é o hipócrita, o que pronuncia os dois testemunhos de fé e cumpre os deveres religiosos aparentemente, porém não crê na verdade. Este não se salvará ante Deus. Sem dúvida, as pessoas o consideram muçulmano, pois só vêm as aparências, porém Deus sabe a respeito dos sentimentos e do coração.

Se o homem crê nos fundamentos ideológicos que são crença absoluta em Deus, não relacionado com associados nem mediadores, nos anjos, nos mensageiros, nos livros Sagrados, na outra vida, no destino, e pronuncia os dois testemunhos de fé, pratica as orações prescritas, jejua durante o mês de Ramadan, paga o Zakat de seu dinheiro, peregrina uma vez na vida se puder, e se priva daquilo em que há acordo sobre sua ilicitude, será um muçulmano crente. Porém o fruto de sua crença não se manifestará nele nem sentirá sua doçura; tampouco será um muçulmano completo até que adote em sua vida a conduta de um muçulmano crente.

O mensageiro de Deus resumiu esta forma de conduta em uma só frase, com as mais eloquentes das palavras que os homens tenham pronunciado.

Estas palavras reunem o bem absoluto, desta e de outra vida e são: Que o muçulamano tenha presente em sua memória que em todo o momento, esteja e pé ou sentado, só ou acompanhado, na seriedade ou na frivolidade, e em todas as circunstâncias, que Deus o vê e observa; então assim não O desobedecerá, e não teme e nem desespera pois sabe que Deus está com ele; não sente a solidào nem a necessidade de nada, um vez que pede e roga a Deus. Pois, ainda que desobedeça - sua natureza é por si desobediente - retorna e se arrepende e lhe será aceito o arrependimento.

Tudo que foi dito anteriormente está baseado nas palavras do Profeta sobre o coneceito Ihsan:

"Adorarás a Deus como se O estivesses vendo, pois se não O estiveres vendo, Ele estará te vendo".



Fonte: Centro Islâmico de Foz do Iguaçu

 

   

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