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Reforma
Conjunto
de movimentos de caráter religioso, político e econômico que
contestam os dogmas católicos, entre 1517 e 1564. Tem início
na Alemanha e provoca a separação de uma parte da comunidade
católica da Europa, originando o protestantismo.
Ocorre paralelamente ao renascimento cultural
humanista, às insurreições da nobreza, às rebeliões
camponesas, à expansão do mercantilismo e do sistema
colonial e às guerras entre as monarquias européias. Estes
movimentos entre os católicos reivindica a reaproximação da
Igreja do espírito do cristianismo primitivo.
A resistência da hierarquia da Igreja leva os
reformadores a constituírem confissões independentes. Os
Papas exerciam poder espiritual e também poder temporal, ou
seja como o de qualquer outro governante de um país. O
comportamento de parte do clero estava envolvido em
interesses econômicos ou políticos, entrava em contradição
com a doutrina da Igreja.
Muitos
cristãos, opondo-se a essa situação, sentiam a necessidade
de uma volta aos ensinamentos de Cristo e de seus apóstolos
e pregavam uma reforma dos costumes. Os principais
reformadores são Martinho Lutero e João Calvino, no século
XVI. A Reforma difunde-se rapidamente na Alemanha, Suíça,
França, Holanda, Escócia e Escandinávia. No século XVI surge
a Igreja Anglicana e, a partir do século XVII, as igrejas
Batista, Metodista e Adventista. As igrejas nascidas da
Reforma reúnem cerca de 450 milhões de fiéis em todo o mundo.
No início
do século XVI, a Igreja sofria de males profundos que
necessitavam de remédio urgente. O papado perdera prestígio
devido à sua preocupação excessiva pelas artes, pelas letras,
pela cultura pagã do Renascimento e pelo seu envolvimento em
disputas políticas.
A Igreja
reconheceu estes abusos mas não teve coragem para empreender
a necessária reforma geral. Surgiu, então, o movimento
denominado Reforma Protestante, iniciado na Alemanha
Martinho Lutero.
Martinho Lutero (1483-1546) nasce em Eisleben,
Alemanha, numa família camponesa. Em 1501 ingressa na
Universidade de Erfurt, onde estuda artes, lógica, retórica,
física e filosofia e especializa-se em matemática,
metafísica e ética. Entra para o mosteiro dos eremitas
agostinianos de Erfurt em 1505, torna-se sacerdote e teólogo.
Em 1517,
o Papa Leão X mandou alguns padres dominicanos à
Alemanha com a finalidade de arrecadarem esmolas para o
término da construção da Basílica de São Pedro. O
monje agostiniano Martinho Lutero, professor da
Universidade de Wittenberg, protestou, afirmando não ver
nessa atitude da Igreja nenhum valor espiritual. Para
justificar seu protesto contra o que chamou de venda de
indulgencias e suas críticas a conduta das autoridades
eclesiásticas, Lutero afixou na porta principal da Catedral
de Winttenberg 95 teses, que condenavam a venda de
indulgencias e outros abusos do clero, pregando a salvação
pela fé somente, sem a necessidade de praticar boas obras(
dar esmolas por exemplo). Lutero Denuncia as deformações da
vida eclesiástica em 1517.
O Papa enviou a Alemanha um cardeal para
tentar obter de Lutero uma retratação.
Lutero ,
no entanto, permaneceu firme em suas críticas e, em 1520,
foi acusado de herege condenado é excomungado pelo papa Leão
X e banido por Carlos V, imperador da Alemanha, em 1521,o
que o levou a queimar em praça pública, diante de milhares
de pessoas, a bula papal que o condenara.
No dia
seguinte, Carlos V, rei da Espanha e imperador da
Alemanha, para evitar aumentassem a controvérsia e a revolta
entre os príncipes alemães do seu Império, convocou Lutero
para se apresentar e defender suas idéias numa Diéta
(assembléia), que se realizaria na cidade de Worms com a
participação de todos estes príncipes.
Em Worms,
onde deveria justificar suas atitudes, Lutero reafirmou suas
posições e para não ser preso refugiou-se no Castelo de
Wartburg, sob a proteção de um nobre que tentava libertar
seus domínios do poder político da Igreja e do Imperador
católico Carlos V.
Escondido
no castelo de Wartburg e apoiado por setores da nobreza,
traduz para o alemão o Novo Testamento dando base a
Doutrina Luterana. Abandona o hábito de monge e casa-se
com a ex-freira Catarina von Bora, em 1525.
Durante
sua permanência em Wartburg, Lutero traduziu a Bíblia para o
Alemão.
Doutrinas
dos reformadores
– Os pontos centrais da doutrina de Lutero são a
justificação de Deus só pela fé e o acesso ao sacerdócio
para todos os fiéis. Lutero, nega o valor dos
sacramentos(conservando o batismo e a eucaristia, esta com
valor essencialmente simbólico), o culto dos santos e o
valor da missa . Afasta por completo a autoridade e a
hierarquia da Igreja e do Papa, afirmando que “todo fiel é
padre”. Nega também que o homem seja livre para praticar o
bem e o mal. Calvino acrescenta a doutrina da predestinação
dos fiéis. As diferenças doutrinais entre os dois dão origem
a duas grandes correntes: os luteranos e os calvinistas. A
Reforma abole a hierarquia e institui os pastores como
ministros das igrejas. As mulheres têm acesso ao ministério
e os pastores podem se casar. A liturgia é simplificada e os
sacramentos praticados são o batismo e a ceia.
Apoio a
Lutero
– Com a simpatia de diferentes setores da nobreza e
camponeses o protestantismo de Lutero difunde-se rapidamente
na Alemanha, provoca uma série de conflitos com os católicos
e com Carlos V. Isto resulta na dissolução das ordens
monásticas, na revogação do celibato clerical, na
secularização dos bens da igreja pela nobreza e na
substituição da autoridade eclesiástica pela autoridade do
Estado. Na esteira dos protestos de Lutero surgem seitas e
rebeliões que contestam a autoridade de Roma. Grupos
místicos surgem em Waldshut, Nuremberg, Suábia, Silésia,
Leiden e Münster.
Esta situação de instabilidade deu origem a
uma série de revoltas, dentre as quais se destacaram:
·
A dos
Cavalheiros, promovida por pequenos nobres que,
cobiçando territórios e bens pertencentes à Igreja, tentavam
apossar-se deles;
·
A dos
Camponeses, que, baseando-se nos exemplos dados pelos
senhores durante vários anos, disseminaram o terror por todo
o sul do Império alemão, levando Lutero a optar por uma das
classes a apoiar. Para não perder o apoio dos
nobres(Cavalheiros), Lutero condenou com muito rigor os
Camponeses, chegando-se ao extermínio por parte dos
Cavalheiros de mais ou menos cem mil pessoas.
O CALVINISMO
João
Calvino (1509-1564) nasce em Noyon, França, filho de um
secretário do bispado de Noyon. Em 1523 ingressa na
Universidade de Paris, estuda latim, filosofia e dialética.
Forma-se em direito e, em 1532, publica Dois livros sobre
a clemência ao imperador Nero, obra que assinala sua
adesão à Reforma. Em 1535, já é considerado chefe do
protestantismo francês. Perseguido pelas autoridades
católicas refugia-se em Genebra. Organiza uma nova igreja,
com pastores eleitos pelo povo, e o Colégio Genebra, que se
torna um dos centros universitários mais famosos da Europa.
Pela dogmática do francês João Calvino, refugiado em Genebra,
o homem está predestinado à salvação ou à condenação. Pode
salvar-se quem santificar a vida cumprindo seus deveres. A
Igreja e o Estado devem estar separados, com predomínio da
primeira.
Ética
protestante
– Calvino considera o cristão livre de todas as proibições
não explicitadas nas Escrituras, o que torna as práticas do
capitalismo lícitas, em especial a usura, condenada pela
Igreja Católica. De acordo com a teoria da predestinação, a
idéia de que Deus concede a salvação a poucos eleitos, o
homem deve buscar o lucro por meio do trabalho e da vida
regrada. Surge a identificação da ética protestante com o
capitalismo, que se torna atraente para a burguesia.
Reforma
anglicana
Henrique
VIII (1491-1547) nasce em Greenwich e torna-se herdeiro do
trono da Inglaterra em 1502, após a morte do irmão mais
velho. Em 1509 é coroado e casa-se com Catarina de Aragão, a
viúva de seu irmão. Poliglota, esportista e estudioso de
teologia, retoma a doutrina de Lutero, o que lhe vale o
título de defensor da fé, concedido pelo papa Leão X.
Com o apoio do Parlamento e do povo,
descontente com os privilégios e poderes eclesiásticos,
Henrique VIII rompe com a Igreja Católica e cria o
anglicanismo. É reconhecido como chefe supremo da Igreja da
Inglaterra. O rei passa a ser o chefe supremo da Igreja
Anglicana ou Episcopal e o seu líder espiritual é o
arcebispo de Canterbury. A Reforma anglicana é promulgada em
1534 pelo rei Henrique VIII. Usa como pretexto a recusa do
papa em aceitar seu divórcio da rainha espanhola Catarina de
Aragão, tia de Carlos V da Espanha, para casar-se com Ana
Bolena, uma dama de sua corte, que três anos depois é
decapitada por adultério por casa-se mais quatro vezes.
Da
Inglaterra, difunde-se para as colônias, especialmente na
América do Norte. As igrejas Católica e Anglicana são
semelhantes quanto à profissão de fé, a liturgia e os
sacramentos, mas a igreja episcopal não reconhece a
autoridade do papa e admite mulheres como sacerdotes. A
primeira mulher a exercer o ministério episcopal é a
reverenda Barbara Harris, da diocese de Massachusetts (EUA),
consagrada em 1989.
Entre 1553 e 1558 ocorre a reação católica,
com o reinado de Maria Tudor. Seu casamento com Felipe II da
Espanha transforma a reforma religiosa numa questão nacional.
Entre 1559, sob Elisabeth I, é renovada a soberania da Coroa
sobre a igreja e ratificada a liturgia anglicana, tendo por
base a confissão calvinista reformada.
CONTRA-REFORMA
Compreende o conjunto das medidas adotadas pela Igreja
através da autoridade do Papa Paulo III, em 1545,
para defender-se, como as reformas internas, a fundação da
Companhia de Jesus e o Concílio de Trento. Cria novas ordens
eclesiásticas, como a dos teatinos, capuchinhos, barbabitas,
ursulinas e oratorianos.
Concílio
de Trento
– De 1545 a 1563, convocado por Paulo III para assegurar a
unidade de fé e a disciplina eclesiástica. Regula as
obrigações dos bispos e confirma a presença de Cristo na
eucaristia. São criados seminários como centros de formação
sacerdotal e reconhece-se a superioridade do papa sobre a
assembléia conciliar. São restaurados também os
Tribunais da inquisição, que viriam a funcionar
principalmente na Itália, França, Espanha e Portugal, sob o
nome de Santo Ofício, julgando e condenando cristãos
acusados de infidelidade, heresia, cisma, magia, poligamia,
abuso dos sacramentos etc. É instituído o índice de livros
proibidos (Index Librorum Prohibitorum) e
reorganizada a Inquisição.
Companhia
de Jesus
– Criada em 1534 por Inácio de Loyola. Com organização
militar e disciplina rígida, coloca-se incondicionalmente a
serviço do papa. Desempenha papel fundamental na renovação
da Igreja, na luta contra os hereges e na evangelização da
Ásia e Américas.
GUERRA
DOS TRINTA ANOS
- É a primeira grande guerra européia. Começa em
1618 como conflito religioso envolvendo católicos e
protestantes e adquire caráter político em torno das
contradições entre Estados territoriais e príncipes. Envolve
a Áustria, Hungria, Espanha, Holanda, Dinamarca, França e
Suécia, entre outros. Termina em 1648 com a Paz de Westfalia,
na qual são reconhecidas as liberdades dos calvinistas e
demais protestantes. As devastações no território alemão, a
redução da população, a disseminação da barbárie e a
repressão sangrenta às mulheres acusadas de bruxaria
facilitam a restauração do império pelos príncipes.
Desaparece a hegemonia dos Habsburgo. Portugal, Áustria e
Holanda conquistam a independência. França, Suécia, Baviera
e Prússia ampliam suas áreas territoriais à custa da
Alemanha.
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