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A Friagem é livro de mulher sobre ser mulher. As
personagens centrais dos treze contos são mulheres. Uma, de
desejo sexual não satisfeito, acaba corroída por formigas.
Outra comprou um lindo vaso chinês, de porcelana, "alvo e
casto", com um magnífico dragão estampado, em relevo, no
meio da peça. O vaso começa a virar pesadelo quando a dona
imagina - ou será verdade? - que à noite o dragão sai da
estampa e anda pela casa, come os coelhinhos do quintal,
ameaça-a com seu bafo de fogo, e assim num crescendo até
subjugá-la pelo terror de sua "vos potente e
autoritária". O livro é também Goiás, ou o que se
imagina o mais puro Goiás. É a cidade de Goiás velho que se
adivinha, embora nunca citada, com cenário das histórias - um
lugar de personagens primordiais, como o padre e a parteira,
lavores domésticos, ruas estreitas, sobrados seculares, tempo
lento, crenças que datam do começo do mundo e solidões
invencíveis.
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