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Romance em tom de crônica histórica. José Saramago
é escritor da nova geração do romance em Portugal. Dedica-se,
além do romance, ao conto e ao teatro, tendo suas primeiras
produções datadas de 1966. Memorial do Convento é de 1982 e
representa uma investida no campo da narrativa histórica. O
volume percorre um período de aproximadamente 30 anos na
História de Portugal à época da Inquisição. O cenário é
rico, registrando não só o fato histórico, mas reconstituindo
a vivência popular, numa viagem a diferentes povoados ao redor
de Lisboa. O rei D. João V necessitava de herdeiros e o ventre
de D. Maria Ana não os concebia. Fez ele, então, uma promessa
de levantar um convento em Mafra, para que a concepção
ocorresse. Em paralelo, segue-se o registro da vida do povo,
através do enfoque do soldado que perdeu a mão esquerda na
guerra contra os espanhóis. Baltasar Sete-Sóis, em um
espetáculo da Inquisição, conheceu Blimunda, mulher de poderes
mágicos, que enxergava dentro das pessoas, e cuja mãe, por ter
poderes semelhantes, havia sido desterrada para Angola.
Desafiando os rigores da religião, ambos se "casam"
através de um ritual de sangue. Baltasar torna-se ajudante do
Padre Bartolomeu Lourenço, que, sob a proteção do rei,
concebia uma máquina de voar, (a passarola). Sob o signo da
máquina de voar unem-se ideais: os cultos, representados pelo
padre Bartolomeu de Gusmão e pelo músico Scarlatti, e os
populares, ancorados em Blimunda e Baltasar.
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Padre Bartolomeu
viaja, enlouquece e morre. Blimunda, após o sumiço de Baltasar,
passa a procurá-lo, encontrando-o nove anos depois em
circunstâncias trágicas. A narrativa segue direto, sem
interrupções, vigorosa e rica. Saramago procura dar à
linguagem o tom das crônicas históricas, reveste o vocabulário
de termos ricos e realiza malabarismos sintáticos.
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