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Teria ele sido vítima de uma armadilha elaborada pelo artista
plástico Vitório Brancatti, protetor e possível amante de
Inês? Estaria ele próprio falando a verdade sobre o seu
relacionamento com a moça, ou apenas criando o seu texto? O
crítico agora é você, leitor! Resumo Romance narrado em 1ª
pessoa, em três partes, subdivididas em capítulos e numa
linguagem que acompanha o vaivém da memória do narrador, um
crítico profissional de teatro, que alguns consideravam
excêntrico, solitário: Antônio Martins. Inicia o texto falando
que teria visto Inês num café cujas paredes e colunas eram
espelhadas. ...uma visão discreta e oblíqua, mas que por vezes,
podia jurar que o observado era ele. Inês, uma mulher com rosto
de traços finos e delicados, seios pouco salientes, mulher
magra, com o corpo bem- proporcionado, cabelos claros,
encaracolados - de olhar melancólico e solidão recatada - assim
a teria visto, após duas doses de conhaque - o que, segundo o
narrador, eram suficientes, pois se continuasse a beber... ...no
dia seguinte poderia descambar, acelerar de forma desritmada os
fluxos de sua mente, passar de uma exaltação quase feliz para
um abatimento cheio de imagens e pensamentos dolorosos - uma
tendência que ele procurava controlar: o alcoolismo. Antes de se
retirar do café, ele observa que um homem de meia-idade, com
cabelos revoltos e grisalhos, inicia uma conversa familiar com a
moça, mas percebe que ele os observa, lançando-lhe um olhar
firme, mais curioso do que hostil. No capítulo seguinte, certa
tarde, Antônio atravessava o largo do Machado, no centro do Rio
de Janeiro, e fora acometido por uma premonição, a de que algum
incidente estava prestes a ocorrer. No metrô, ainda quando
descia os degraus da escada, ao virar-se instintivamente uma
mulher cai sobre o seu corpo, e é amparada em seus braços. A
moça é manca, mas de uma beleza singular. Antônio a reconhece
como a moça que o impressionara no café. Segue-a até a rua
Paissandu, local de sua residência. Inês era seu nome, e ela
também o reconhece. Num espetáculo teatral, Antônio percebe
que o que se passara com Inês e ele no metrô o emocionara - e
isso interferiria - embora não devesse, em seu julgamento da
peça que analisava. ...dois jovens em crises existenciais que,
segundo o crítico, uma simulação do amor beirando a
impotência e buscando ostentar-se na própria teatralidade, numa
pretensa metalinguagem que não passava de um álibi - uma coisa
tediosa e medíocre. Enfim o espetáculo. Folhas de outono
(folhas secas que caíam através de uma janela cênica)
representavam o aprisionamento da atriz. Podemos ler esse
aprisionamento observado na peça como signo- sinal da relação
de também aprisionamento entre Inês e Brancatt, ou seja, uma
dica do narrador, que retira fragmentos da linguagem do teatro
que analisa para construir o seu texto e confundir ou brincar com
o leitor. Neste "texto" também há forte comparação
da atriz com Inês. ...a imagem de Inês que insistia em pairar,
no decorrer da peça, em meu palco interior? Relembrando:
Antônio e Inês trocam olhares no café; Inês cai em seus
braços no metrô no dia seguinte; Antônio a acompanha até a
rua de seu apartamento; marcam um encontro num bar- restaurante
no Leblon, onde Inês já o estaria esperando. ...ele que chega
10 minutos antes da hora marcada, depois de haver tomado um
uísque em casa, de puro nervosismo. Inês ri ao saber que
Antônio era crítico de teatro e, entre goles de uísque,
Antônio tem a impressão desconfortável de que ela apenas se
deixara tomar pela mão sem nenhum tipo de retorno; mas o
induziria a ir a seu apartamento, e que no dia seguinte entre
imagens superpostas, lembranças e projeções vagas que lhe
vinham em forma de lampejos, ele descreve-nos o local: uma muleta
e uma tela sobre o cavalete, sons de um trompete, cheiro de tinta
e perfume no ar além de um biombo negro com ramagens prateadas.
Embriagado, envolto nos sentimentos que o levavam a desvendar
Inês, acreditou na força do destino, mas já em casa
questionava: seria ela uma pintora? E o biombo escondia uma Inês
com problemas físicos? Seria o local para despir-se fora das
vistas mesmo de um amante? Ou preparado por Inês para
enciumá-lo? Inês teria neste encontro no Leblon pedido a
Antônio que fosse comprar analgésicos e tranqüilizantes
enquanto esta daria um telefonema. Antônio sequer a viu andando.
Sua perna manca teria sido um artifício para eles se
aproximarem? No apartamento, Inês se coloca inerte no divã.
Teria misturado o tranquilizante álcool? Sente por ela um
arrebatamento de uma força delicada. Antônio a conduz para a
cama, despindo-a. Inês abre os olhos, arregalando-os em pânico.
Antônio tem a reação de exibir a transparência de suas
intenções, mas ao acender a luz, Inês tinha os olhos fechados.
Parecia dormir, ou fingia que dormia? Exibir transparência ou
como narra Antônio: ...tentava fugir para não ser surpreendido
numa situação dúbia? O resto? Ele apenas se erguera e voltara
para casa, acordando em sua cama. Antônio teme um reencontro com
Inês, preocupa-se com a seqüência dos fatos produzidos por uma
memória prejudicada, deixando vazios que possivelmente
encobririam algum ato que sua mente não ousava trazer à tona.
Antônio a teria despido? E o cheiro de tinta que ainda ficava em
sua memória olfática, saíra do biombo? O que Inês pensaria de
seu delicado gesto? Despi-la para a cama? Como ela os
interpretaria? E o quadro, e o cavalete atrás do biombo?
Relembra o encontro no metrô, teme reencontrá-la e se isso
ocorresse, como despistá-la da coincidência sem que ela tecesse
suspeitas? Em casa constata um pequeno ferimento no joelho;
desiste de um contato com Inês, vai ao teatro. Antônio recebe
um envelope de Inês Brancatti, levado por um homem de moto e uma
moça. Enciumado por imaginar Inês com o motoqueiro , rasga o
envelope com raiva e junto a um convite há uma cartinha em papel
perfumado e cor-de-rosa, com o endereço e telefone. Trata-se de
uma mostra coletiva de pintura com o título de Os Divergentes.
Os Divergentes expunham no Centro de Expressão Vida, na rua
Viúva Lacerda, no Humaitá. Ao sondar a exposição, crítico
que era, não encontra nela valores contemporâneos mas: ...fruto
de pincéis de pessoas medianas, talvez normais, com suas
figuras, paisagens, naturezas mortas. Antônio encontra Inês
próxima a um quadro que revelava o apartamento onde estiveram.
Imagens refletidas reproduziam, em detalhes, o cenário em que se
encontraram, e Inês ali o concretizava. Ele percebe que ela não
os poderia ter pintado (um auto-retrato fazendo uso de um
espelho). Fora usada como modelo do pintor Vitorio Brancatti - o
homem que a acompanhava no café quando se viram pela primeira
vez. Antônio é fotografado em frente ao quadro, e a sensação
que tem é que caíra numa armadilha. Na tentativa de encontrar
uma confidente entre as muitas amigas que tinha, tenta ligar para
Maria Luísa, uma professora universitária, bonita, madura um
tanto séria, mas relaciona o telefone a outra Maria Luísa, essa
uma atriz de teatro e TV. Luísa atuava em uma adaptação de
Vestido de Noiva, de Nélson Rodrigues - era Lúcia, uma das
irmãs que disputavam o mesmo homem: Pedro. Na saída da peça,
esperando-a trocar de roupa, Antônio bebe um conhaque para
relaxar. Vai ao café com Luísa, e lá não vê Inês. Entre
Antônio e Luísa o encontro é um fracasso. Ambos cumpriam um
ritual de interesse e sedução. Da parte dele, um equívoco.
Antônio procura Maria Clara, uma amiga quarentona e solitária,
que o aconselha a transar com Inês, nem que fosse apenas para
libertar-se dela. Antônio vai a peça Albertine - uma
adaptação livre de temas proustianos , de autoria da paulista
Beatriz Sampaio. Nessa peça há algo de traiçoeiro para o
leitor: o narrador por meio de códigos, oferece-nos pistas sobre
seu envolvimento com Inês. A peça é em pré- texto. Proust
sempre numa cama adornada de rendas, enquanto vários de seus
personagens - numa movimentação por vezes lenteada, pairavam
surgindo e desaparecendo ao redor do leito - numa cenografia
móvel, constituída, entre outras coisas, de obras de arte ou
pretensamente (como já vulgarizadas reproduções de Monet,
Renoir.), além de texto do mestre Proust que podia ser ouvido,
ora em off, ora através de personagens. Lembre-se, leitor, do
biombo, do perfume, da muleta, da música, enfim... sinais que
nos remetem ao apartamento de Inês. Dois dias depois do
espetáculo Albertine, Antônio encontra um recado de Inês em
sua secretária eletrônica: precisava falar com ele. Ele aceita
um convite de Inês para um chá naquela tarde em seu
apartamento, e mais confiante não pretendia baixar a guarda
emocional e a crítica. Exporia isso ao revelar suas impressões
quanto ao quadro de Vitório Brancatti. Veja: modelo em plano
desproporcional em relação aos demais elementos da
composição; · Perspectiva chapada, aproximando e realçando os
elementos de fundo - a tela no cavalete, a muleta e o divã - sem
ofuscar o principal; · Desvio estético - Inês devassada em sua
intimidade; · O biombo tornava a cena mais poética - cingindo
de uma auréola de inocência a modelo, que, atrás daquele
compartimento, não estaria supostamente se percebendo observada,
e que não teria como se achar presente naquele espaço; · Gosto
duvidoso ao macular pela exibição, sobre a borda do biombo, a
calcinha branca e o sutiã vermelho, cuja textura em tintas
materializava como algo tátil sobre a tela. Tudo isso, pensa
Antônio, quase alegre, confiante por ter cercado criticamente a
obra de Vitório por todos os ângulos enquanto se aproxima do
edifício de Inês. Inês o introduz ao apartamento elegantemente
e Antônio ao atingir a sala é assaltado pela sensação...
...vizinha da loucura - de que não penetrava num cômodo real e
sim num espaço preparado, onde havia algo de falso, como um
cenário, ou mais abissalmente, o interior de um quadro de
Vitório Brancatti. Inês agradece, referindo-se à noite em que
ela havia sido levada para a cama e que não desgostara do fato.
Estaria querendo reviver o que se passou? Ou estaria usando
Antônio que teve uma brilhante intuição. ...se Vitório
dispunha de Inês, que tentava dispor de mim, Vitório estaria
dispondo de mim, caso eu me deixasse levar; e alguém (Vitório?)
poderia estar se ocultando atrás do biombo para nos espionar...
Durante o chá, Antônio questiona e analisa Inês, que aos
poucos, cai em contradição - E o apartamento, é de Vitório?
Inês ergue-se subitamente, derrubando a xícara, com um resto de
chá, sobre a mesa. Eu só a vira assim tão transtornada depois
da queda na estação do metrô. - Ele o alugou para mim. Eu sou
sua modelo. O que está querendo ensinuar? Depositei minha
xícara na mesa. - Desculpe-me, não quis ser indelicado. Mas ele
também o reformou para você, não foi? - Sim, reformou a seu
gosto e daí? Vitório é um artista. - Será possível que você
não se dá conta? - Dou-me conta de quê? - ela disse, com a voz
embargada. - De que o apartamento é um cenário para você se
movimentar dentro dele segundo um esquema de probabilidades
previsto por Vitório de acordo com seus caprichos? E de que a
obra que vi na exposição não passa de uma documentação
disso? A obra de Vitório, de certa forma é você mesma, Inês,
e ele precisa mantê-la encerrada aqui. É diabólico e
aviltante. Mas posso dizer que ele está de parabéns. Antes de,
pelo menos aparentemente Inês perder os sentidos, julguei
ouvi-la sussurrar, quase coincidindo com o fim da música: - Ele
me escraviza. Tomado por uma delicadeza e impetuosidade
indescritiva, Antônio toma Inês nos braços - como que se a
personagem-modelo e personagem da pintura que Antônio via na
exposição houvesse se soltado da obra , naquele cenário com
seus móveis e adereços, fazendo deles imagens de um quadro em
movimento; uma cena para qual Antônio fora tragado. Amam-se sem
resistência, mesmo que nos últimos momentos Inês tenha
murmurado repentinamente "oh não", "oh
não", que Antônio interpreta como um sim de entrega dentro
de um código amoroso. Na consciência de estar agindo como autor
e ator de uma cena de uma instalação de Vitório, Antônio
volta a si e percebe Inês chorando, denunciando a chegada,
provavelmente, de Brancatti, Nilton, o motoqueiro e Lenita - o
que faz Antônio, às pressas, deixar o apartamento. Ao passar
pela portaria, Antônio está com uma aparência suspeita
roupas e cabelos desgrenhados, o colete vestido pelo avesso - e
enfrenta o olhar do porteiro, que o faz sentir-se como alguém
que foge depois de ter cometido alguma ação criminosa. No
entanto, Antônio está comendo um biscoitinho! Raivoso com o ato
de Inês e já em seu apartamento, percebe no canto dos lábios
um resquício ínfimo de sangue, sente-se dominado por Inês, e
num impulso, escreve-lhe uma carta que mais tarde seria publicada
nos jornais, dando margem a chacotas no meio teatral. Veja leitor
como um ato aparentemente viril segundo Antônio como uma dose de
agressividade e até de maneira brutal) isso serve aos envolvidos
à Inês como para Brancatti principalmente como fato para uma
acusação judicial contra Antônio: estupro. É intimado
portanto a comparecer à 9º DP, no catete, para justificar seu
envolvimento com Maria Inês de Jesus. Fim do 2º Capítulo
Antônio é submetido a exames legais: mostras seminais,
resquícios de pele colhidos nas unhas de Inês, arranhões,
enfim marcas que corroboravam terem sido produzidos por Inês.
Antônio rejeita a hipótese de ter coagido ou muito menos
violentado Inês, mas sim ter havido entrega sem reservas por
parte de Inês, que aliás não trazia em seu corpo marcas à
exceção de um corte na orelha aliás fato importante
pois na falta de provas Antônio tem chances de responder em
liberdade à acusação: " Não estariam eles na
presença de um criminoso delicado, refinado"? Antônio
duvida de si mesmo, "teria usado Inês, uma prostituta
evitando assim, ser usado por ela e o amante Brancatti?" Na
sala de audiência o olhar de ambos se encontram como da primeira
vez no café." Antônio percebe não ter realmente conhecido
Inês, o que ela pensava de tudo aquilo e dele? Uma nova
realidade abre-se a percepção de Antônio: Brancatti usava
Inês e Lenita como fachadas para esconder seu relacionamento com
Nílton Veja sua crítica: "um pintor europeu do
terceiro escalão que se refugia artisticamente num país
provinciano e toma como esposa e ornamento uma beleza exótica
dos trópicos; como amante elege um motociclista primitivo e,
como modelo ou enteada e até quem sabe eventual amante uma
frágil e bela jovem coxa." E para ele, qual teria sido seu
papel nessa teia diabólica? Para Antônio parecia uma luta
estética: um jogo de xadrez entre o crítico e o pintor.
"Este escravizando a modelo num cárcere privado, físico,
psicológico e artístico, e pior condenando Antônio por um
pretenso crime sexual se auto prevalecia, enfim
......empenhava-se em convencer as pessoas do alto valor
artístico de sua obra propaganda em suma o
crítico teatral manipulado num cenário em plena performance
entre o casal!" Fora bem sucedido em grande parte em seus
objetivos escusos, conclui Antônio. Durante o inquérito será
acusado também de ter saído do apartamento praguejando contra
Inês enraivecido, mordendo um biscoitinho
argumento rejeitado por seu advogado como sinal da calma, da paz
de espírito dos que nada têm a temer, depois de um encontro
amoroso consentido. Nessa fase processual Antônio vem a saber
que os desmaios de Inês tinham uma causa cerebral definida
que sua lesão na perna, se originava de um atropelamento
na infância; fato esse que legitima a idéia dela ter desmaiado
ao ser possuída e a coloca como vítima de Antônio, que por sua
vez percebe a força de sedução de tal desmaio, o que valorizou
ainda mais a relação de ambos. Tentando reverter seu papel,
Antônio contra-argumenta: " _ Não serão o verdadeiro amor
e a sexualidade mais autêntica, sempre, o encontro de dois
incoscientes? No que o advogado de acusação responde: -
"No caso das violações, não estaremos diante da
imposição do inconsciente de um sobre o incosciente de outro?
Antônio tenta um novo argumento dizendo que Inês foi subjugada
pela força psíquica de Brancatti e que ele a teria libertado em
momentos preciosos, possuindo e sendo correspondido por ela
e tudo ocorrendo dentro de um cenário
instalação, portanto fazendo parte da mesma, ou seja, tudo fora
maquinalmente enquadrado por Brancatti, e Antônio e Inês
vítimas. Segundo o juiz, aturdido em face dos argumentos
inusitados e até esdrúxulos utilizados por ambas partes,
absolve Antônio por falta de provas. As conseqüências do fato:
Antônio perde seu lugar de consultor na fundação cultural do
estado, já afastado do jornal que trabalhava, ruas a índole
sensacionalista fez com que o jornal concorrente o contratasse
para ser seu colunista de teatro e o caso Inês esmiuçado em
seus páginas Antônio foi criticado severamente por seus
colegas como: " exemplo vivo e eloqüente dos extremos
patológicos a que pode ser conduzida uma personalidade que se
destaca pela contenção de seus sentimentos por meio de uma
racionalidade exacerbada, a qual de repente, libera-se através
do crime. Brancatti conquista renome e reconhecimento artístico
a obra A Modelo foi exibida como instalação com grande
alarido crítico, na Alemanha. Quanto à Nilton abre uma academia
de psicultura, bastante concorrida. Antônio não deixou de
considerar o jato ou seja as duas hipóteses sedutoras
afinal como o próprio tribunal apontou um sedutor ou
violador muito especial e delicado? Claro sem deixar de lado o
escutor que também era - "nessa tarefa que é narrar todas
as contradições, truques e divergências e conclui. "
tanto na obra de Brancatti ou neste relato
encontra-se o absurdo, a loucura da arte, essa tentativa ansiosa,
desesperada e as vezes vã, que nos alucina, de, à parte toda
vaidade, registramos, no breve tempo em que estamos na vida,
nossa passagem por ela, em momentos que realmente estivemos vivos
e merecem ser perpetuados. Personagens - Antônio Martins:
crítico profissional de teatro, narrador. Alguns o consideram
excêntrico solitário cinquentão. - Maria Inês
de Jesus, modelo do pintor Vitório Brancatti, mulher com rosto
de traços finos e delicados, magra, cabelos claros,
encaracolados, de olhar melancólico e solidão recatada com
pequeno defeito na perna manca. - Vitório Brancatti
pintor que envolveria Antônio e Inês em suas
performances, meia idade, com cabelos revoltos e grisalhos,
vestia-se com a desenvoltura de um jovem, calça jeans e camiseta
branca. - Nílton motociclista que conduzira Inês ao
edifício de Antônio Martins, provável amante de Vitório
Brancatti. - Lenita jovem negra, bonita, esposa
álibi de Vitório? - Maria Luísa I professora
universitária séria, amiga e confidente de Antônio. - Maria
Luísa II jovem atriz de teatro e tv, atlética e
exuberante. - Maria Clara ex jornalista, quarentona,
também amiga de Antônio. Enredo: Romance narrado em terceira
pessoa. A ação desenvolve-se em Belo Horizonte e no Rio de
Janeiro, trazendo à tona os conflitos de uma geração em busca
da própria identidade e de um sentido para a vida. Eduardo,
protagonista deste drama existencial, sentindo-se esmagado por
uma sociedade opressiva e aniqualadora, tenta desesperadamente,
até o fim, encontrar uma saída. Preste atenção: no misterioso
homem de smoking que por três vezes aparece na narrativa.
Estilo: Contemporâneo.
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