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No início do século XX, Manaus, a capital da
borracha, recebeu estrangeiros como o jovem Halim, aprendiz de
mascate, e Zana, uma menina que chegou sob a asa do pai, o viúvo
Galib, dono de um restaurante perto do porto. Halim e Zana vão
gerar três filhos: Rânia, que não vai casar nunca, e os
gêmeos Yaqub e Omar, permanentemente em conflito. O casarão que
habitam é servido por Domingas, a empregada índia, e mais tarde
também pelo filho de pai desconhecido que ela terá. Esse menino
o filho da empregada será o narrador. Trinta anos
depois dos acontecimentos, ele conta os dramas que testemunhou
calado. Dois irmãos é a história de como se faz e se desfaz a
casa de Halim e Zana. Apaixonado pela mulher, depois do
nascimento dos filhos Halim se condena à nostalgia dos tempos em
que não era pai, em que não precisava disputar o amor de Zana,
em que os dois tinham todo o tempo do mundo para deitar na rede
do alpendre e se entregar aos prazeres sensuais. Pelo que nos
conta o narrador, Halim estará sempre à espera da decisão mais acertada diante
dos abismos familiares: a desmedida dedicação
de Zana a Omar, seu filho preferido; o trauma de Yaqub, o filho
que, adolescente, foi separado da família supostamente para
amenizar os conflitos com Omar; a relação amorosa entre os
gêmeos e a irmã, Rânia.
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De Domingas, com quem compartilhava o
quartinho nos fundos do quintal, o narrador nos diz que esta é
uma mulher que não fez escolhas. Aparentemente, não escolheu
nem mesmo o pai de seu filho. Milton Hatoum faz os dramas da casa
estenderem-se à cidade e ao rio: Manaus e o Negro transformam-se
em símbolos das ruínas e da passagem do tempo. E, pela voz de
um narrador solitário, revive também os tempos sombrios em que
as praças manauaras foram ocupadas por tanques e homens de
verde. Esses tempos foram responsáveis pelo destino trágico de
um grande personagem do livro: o professor Antenor Laval.
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