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Modernismo de segunda fase. A história
é dividida em 5 partes (cada uma aberta por uma lição de
culinária de Flor, que é professora desta arte, com exceção
da quarta parte, aberta por um programa para o concerto de
Teodoro) e um intervalo. A primeira começa com a morte de
Vadinho em pleno Domingo de Carnaval. Vestido de baiana, Vadinho
cai enquanto dançava e seu funeral é muito concorrido. Nele
voltam as lembranças de todos sobre o falecido: os amigos de
farra, as possíveis (prováveis) amantes, os conhecidos e
principalmente da esposa, Flor. Flor lembra do marido infiel,
cheio de lábia, espertalhão, jogador e malicioso que era
Vadinho, mas ainda assim extremamente adorável. Na definição
de um dos presentes no funeral, Vadinho "Era um
porreta". O anteriormente referido intervalo se trata da
discussão que ocorreu na cidade sobre a autoria da elegia a
Vadinho, poesia anônima picante. A segunda parte passasse-se
durante o período de luto de Flor. Inconsolável com a morte de
Vadinho, sua mãe volta para a cidade e a situação piora. Dona
Rozilda é o mais perfeito modelo de sogra: odeia o genro, é chata, controladora,
exibida e pretende sempre escalar na vida social. Passa a fazer intriga sobre o falecido ("era morte
para festa") com várias beatas, enquanto algumas poucas
defendem Vadinho (não seus atos) por ele ser uma pessoa excepcional (no sentido
de incomum, não o de maravilhoso ou com deficiência mental).
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Assim em flashback é mais detalhado o
passado do casal. A mãe de Flor queria que as filhas se casassem
com homens ricos, e Vadinho apareceu. Eles se conheceram numa
festa chique (Vadinho entrou de penetra, com a ajuda do tio) e
começaram o namoro com a benção de Dona Rozilda, até que ela
descobriu quem era o genro. Mais tarde Flor sai de casa e se casa
(de azul, porque não teve coragem de por o branco) e começa o
casamento. Vadinho é um marido ausente, sempre gastando o
dinheiro (dos outros) no jogo e nas mulheres. Certa vez Flor
quase adotou um menino que ela achava ser filho de Vadinho (Flor
é estéril; o filho era do "xará"). E assim são
mostrados os vários acontecimentos, em flashback, da vida
matrimonial com aquele adorável cafajeste, generoso gastador,
infiel e amantíssimo marido que era Vadinho. O capítulo acaba
com Flor pondo flores sobre o túmulo do falecido, superando
melhor o passamento dele. A terceira parte é passada nos meses
seguintes. Flor está mais alegre, apesar de manter ainda a
fachada de viúva. Todas as beatas competem para achar-lhe um bom
pretendente e quem aparece é Eduardo, o Príncipe, calhorda que
enganava viúvas para roubar-lhes as economias. Descoberto, Flor
passa a se retrair. Seu sono torna-se mais agitado, seu desejo
cresce na medida em que ela deixa os homens fora de sua vida
pessoal. Mas então o farmacêutico Teodoro Madureira, respeitado
solteirão (ele ficara solteiro para cuidar da mãe paralítica,
que morreu pouco antes), ele propõe casamento a Dona Flor e eles
tem o mais casto dos noivados, nunca ficando juntos sozinhos. O
capítulo acaba com o casamento de Flor, desta vez aprovado por
sua mãe (que havia saído da cidade no começo do capítulo; nem
as outras beatas agüentavam Dona Rozilda). A quarta parte
começa com a lua-de-mel de Dona Flor. Teodoro é diferente do
falecido em tudo. Fiel (não compreende mesmo quando uma cliente
da farmácia levanta o vestido BEM alto para tentá-lo), regular
(sexo às quartas e sábados, bis aos sábados e facultativo às
quartas) e inteligente, Teodoro trás a paz de volta à vida de
Dona Flor. Teodoro toca fagote numa orquestra de amadores e o
maestro compõem uma linda música para ela que Teodoro toca solo
(o convite abre o capítulo) e no dia do aniversário de
casamento, após os convidados partirem Flor vê Vadinho, nu como
o viu na cama no dia de sua morte, a puxá-la e tentá-la. Ela se
recusa naquele momento, fiel ao marido. Teodoro vai dormir e
Vadinho sai logo depois, qundo Flor ia procurá-lo. Começa aqui
a parte do livro que o deixou famoso: Flor, Teodoro e Vadinho,
vivendo em matrimônio ao mesmo tempo, Vadinho nu, invisível a
todos menos Flor. A quinta parte, que tornou famoso livro, filme,
seriado e tantas quanto foram as adaptações desta obra, começa
com o Vadinho vindo de volta dos mortos, tentando Flor. Flor
sente-se dividida entre o esposo atual e Vadinho, mas este
diz-lhe que não há por que o estar: são colegas, casados
frente ao juiz e ao padre. Flor vai aos poucos perdendo a
resistência e chega a encomendar um trabalho para mandar Vadinho
de volta para onde estava. Enquanto isso se passa Vadinho vai
manipulando as mesas de jogo, favorecendo velhos amigos, levando
Pellanchi Moulas, rei do jogo em Salvador, ao desespero e a todos
os "místicos" da Bahia para se livrar do azar. Vadinho
só para quando seus amigos cansam (Mirandão, companheiro seu
quando era vivo, para de jogar definitivamente, assustado com o
repetir de vezes que caía no 17, número de sorte de Vadinho).
Por fim Dona Flor sucumbe a Vadinho e passam a viver
harmoniosamente os três uma vida conjugal (mesmo que Teodoro
não o saiba). Vadinho chega a fazer o milagre de expulsar a
sogra quando ela chega de mala e cuia para ficar. Vadinho começa
então a desaparecer e Flor se dá conta de que era por causa do
feitiço por ela encomendado. Há uma batalha entre vários
deuses contra Exu (identificado por alguns como sendo o diabo
católico), que protege Vadinho. Quando Exu estava perdendo, o
amor e a volúpia de Vadinho ganham a batalha. A obra acaba com
Flor andando feliz com Teodoro e Vadinho (nu, como sempre) ao seu
lado, pelas ruas de Salvador. Esta parte acentua duas
características gerais da obra: a religiosidade que mistura ao
mesmo tempo o catolicismo e o candomblé, pondo todas as figuras
míticas das duas religiões junto e eficientemente simultâneas
(algo como é a religiosidade baiana, já que Salvador tem mais
igrejas que qualquer outra cidade do Brasil e ainda assim é
centro das religiões de origem africana). A outra
característica vem a ser o fato de que Vadinho e Teodoro são
metáforas para o id e o superego, respectivamente. Vadinho é
rebelde, impulsivo, espontâneo e dado ao caos (no seu caso, o
jogo); Teodoro é metódico e controlado ("Um lugar para
cada coisa e cada coisa em seu lugar" é seu lema, pendurado
na farmácia). Assim, a imagem de Flor pacificamente com os dois,
totalmente feliz, invoca o ideal de equilíbrio entre os dois.
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