TIPOS DE AGREGADOS
INTRODUÇAÕ
AGREGADOS: Constituem uma reunião de pessoas frouxamente
aglomeradas que, apesar da proximidade física, tem
um mínimo de comunicação e de relações
sociais. Apresentam as seguintes características:
anonimato, não-organizada, limitado contato social,
insignificante modificação no comportamento
dos componentes, são territoriais e temporários.
Os principais agregados são:
Manifestações publicas:
( agregados de pessoas reunidas deliberadamente com determinado
objetivo );
Agregados residenciais: ( apesar
dos seus componentes estarem próximos, mantêm-se relativamente
estranhos; não há, entre eles, contato e
interação e também não possuem
organização );
Agregados funcionais: ( constituem
uma zona territorial onde os indivíduos tem funções
especificas );
Multidões: ( agregados pacíficos ou tumultuosos
de pessoas ocupando determinado espaço físico
).
A sociedade, como toda a realidade, é necessariamente dinâmica,
está sempre em processo. Indivíduos, grupos, categorias, agregados,
subculturas, estratos sociais agem e reagem continuamente uns sobre os outros.
Em outras palavras, estão sempre em interação. Por isto,
a análise científica da sociedade requer não apenas a
classificação das suas partes – posições,
papéis, grupos, agregados, categorias, camadas, subculturas -, a fim
de que seja possível a compreensão do funcionamento do todo,
mas, também, a classificação dos seus processos.
Processo social é qualquer ação
entre dois ou mais agente sociais – indivíduos,
grupos, agregados etc. -, contribuindo para aproximá-los
ou afastá-los uns dos outros. Por esta razão,
os processos sociais são classificados em coesivos
ou positivos, os que contribuem para aproximar os agentes
sociais, de um lado, e, de outro, disjuntivos ou negativos,
os que contribuem para afastar os agentes sociais.
O processo social mais importante é a interação.
Todos os processos sociais são diferentes tipos
de interação. Por isto, a interação é o
processo social geral. A interação é o
processo de influência recíproca ou unilateral
entre dois ou mais agentes sociais. A influência
entre os agentes sociais é recíproca quando
os agentes estão fisicamente próximos entre
si, em contato direto, ou quando há, de qualquer
modo, a possibilidade de reação por parte
de todos os agentes envolvidos no processo: quando converso
com uma pessoa, seja em contato face a face, seja por
telefone, ou mesmo quando me comunico com alguém
através de carta, por exemplo. A influência é unilateral
quando algum dos agentes em interação está presente
no processo apenas de forma indireta e, desse modo, pode
influenciar, mas não pode ser influenciado pelo
outro. Quando, por exemplo, leio algum livro, sou influenciado,
mas, em geral, não influencio o seu autor, seja
porque eu não tenha como entrar em contato com
ele seja porque ele esteja morto. O mesmo tende a acontecer
quando vejo um filme ou assisto televisão. A unilateralidade
predominante na interação feita com a intermediação
dos modernos meios de comunicação de massa – cinema,
rádio, televisão, jornal – é um
eficientíssimo e, por isto mesmo, perigoso instrumento
de dominação e manipulação
das massas, através da transmissão de crenças
e valores, bem como, em conseqüência, da formação
de opiniões e atitudes”.
“Interação social é a ação social, mutuamente
orientada, de dois ou mais indivíduos em contato. Distingue-se da mera
interestimulação em virtude de envolver significados e expectativas
em relação às ações de outras pessoas. Podemos
dizer que a interação é a reciprocidade de ações
sociais”.
“Nas sociedades estratificadas, a interação das camadas sociais
entre si tende a ser só aparentemente solidária. Em tais sociedades,
as relações entre as camadas sociais são antes um processo
caracterizado pela desigualdade de poder, assim como pela diferença de
interesses. Desse modo, dominação, de um lado, e submissão,
de outro, são características preponderantes no processo de interação
das classes umas com as outras, e o pacto social tende a resultar de arranjos
temporários dos interesses e do poder relativo de barganha das diversas
classes”.
“Contato social, aspecto primário e fundamental, do qual dependem
os outros processos ou relações sociais.
Comunicação, forma importante de interação,
fundamental para o ser social e para a cultura.
Cooperação, requisito indispensável
para a manutenção e continuidade dos grupos
e sociedades.
Competição e conflito, fatores dissociativos,
que alteram as relações entre indivíduos
e grupos, no seio da sociedade ou entre sociedades.
Adaptação, acomodação e assimilação,
fatores associativos que sucessivamente propiciam um certo
grau de adesão e conformidade às normas estabelecidas;
a diminuição do conflito e o estabelecimento
de um modus vivendi; a integração sócio-cultural
entre indivíduos e grupos, no âmbito de uma
sociedade”.
O símbolo está presente em todos os momentos de nossa vida, pois
ele não se limita à palavra. A palavra é o símbolo
por excelência mas não é a sua única expressão.
A linguagem verbal, no entanto, é o mais importante instrumento de socialização.
O símbolo verbal permite ao homem conduzir suas ações
segundo situações, objetos e pessoas fisicamente distantes, assim
como de acordo com acontecimentos passados ou hipoteticamente futuros; permite
a transmissão de conhecimentos, técnicas e idéias em geral;
permite, enfim, a elaboração de um universo de idéias
paralelo e tão real quanto o ambiente e as pessoas. Por isto é tão
rica de possibilidades a comunicação entre os homens. É,
portanto, compreensível que o símbolo, sobretudo o verbal, seja
tão importante para o processo de socialização e, em conseqüência,
para a continuidade dos sistemas sociais.
Embora a socialização seja mais intensa
durante a infância e a adolescência, é,
no entanto, um processo permanente, porque, mudando de
grupo e de posição social, os indivíduos
têm de se adaptar a novas situações
sociais e essa adaptação é feita através
da aprendizagem de novos modos padronizados de agir e mesmo
de pensar. Ademais, todas as sociedades estão sempre
se transformando, mudando os padrões de organização.
As sociedades simples, como as sociedades indígenas,
se transformam mais lentamente; as sociedades complexas,
como as sociedades do tipo urbano-industrial, se transformam
com mais rapidez. De qualquer modo, qualquer que seja o
tipo de sociedade, ela está sempre em mudança.
Isto requer do indivíduo, para que ele possa se
adaptar às transformações do seu ambiente
social, a assimilação dos novos padrões
de comportamento desenvolvidos na sociedade.
É através da socialização
que o indivíduo pode desenvolver a sua personalidade
e ser admitido na sociedade. A socialização é,
portanto, um processo fundamental não apenas para
a integração do indivíduo na sua sociedade,
mas também para continuidade dos sistemas sociais”.
“Ao nos referirmos às relações sociais, devemos compreendê-las
em seus aspectos dinâmicos. Os indivíduos, através das relações
sociais, podem aproximar-se ou afastar-se, dando origem a formas de associação
ou dissociação. A este aspecto dinâmico damos o nome de processo
social”.
No processo social, podemos ver
um aspecto primário,
fundamental, que é o contato social. Essa denominação
de primário ou fundamental deriva do fato de que
dependerão do contato todos os outros processos
ou relações sociais. Podemos dizer que o
contato é a fase inicial da interestimulação,
e que as modificações resultantes são
denominadas de interação. É importante
fazer uma distinção, no que se refere aos
contatos, entre os meios físicos e o significado,
isto é, a transmissão de idéias, valores
e atitudes. Os meios físicos são apenas os
instrumentos: o aperto de mão, o sinal de cabeça,
o assobio, o piscar de olhos (meios físicos, porque
fundamentados em percepções sensitivas, através
dos sentidos da visão, olfato, audição
e tato) significam algo, pois são atribuídos
significados específicos, convencionais, a esses
elementos. Verificamos que o importante no contato social
não é apenas o estímulo-reação,
mas a interpretação, o aspecto social do
contato que está baseado na comunicação
de significados”.
Podem ser apontadas como causas do isolamento, enquanto processo social consistente
na falta de contato ou de comunicação entre grupos ou indivíduos:
a) fatores segregadores de caráter geofísico (montanhas, vales,
florestas, pântanos, rios, oceanos), quando os meios de comunicação
e os transportes de que dispõe a comunidade são rudimentares;
b) prisões solitárias, no sistema penitenciário; c)
voluntariedade no isolamento como no caso dos eremitas; d) diferenças
biológicas tais como raça, sexo, idade; e) defeitos físicos
podem provocar o isolamento funcional; f) diferenças culturais podem
resultar no isolamento psíquico como o que ocorre entre o cientista
e o analfabeto; g) fatores culturais como a língua, costumes provocam
o isolamento habitudinal.
Como conseqüências do isolamento há:
se o indivíduo é isolado nos primeiros anos
de vida, anteriormente ao processo de socialização,
ou seja, a criança afastada inteiramente do convívio
de outros seres humanos, tornar-se-á o chamado homo
ferus, como o caso das “meninas-lobo”; se o
isolamento não é total, decorre a mentalidade
retardada; se o indivíduo for isolado depois de
socializado, ocorre a diminuição das funções
mentais, podendo chegar à loucura, sendo constatadas
em prisioneiros e também entre eremitas; já quanto
ao grupo o isolamento praticamente nada altera, em relação
aos seus costumes, posto que deveras cristalizados ao longo
do processo histórico compartilhado.
Grupos Sociais
A própria natureza humana exige que os homens
se agrupem. A vida em sociedade é condição
necessária à sobrevivência da espécie
humana.
Desde o início, os homens têm vivido juntos,
formando agrupamentos, como as famílias, por exemplo.
Para o sociólogo Karl Mannheim, os contatos e os
processos sociais que aproximam ou afastam os indivíduos
provocam o surgimento de formas diversas de agrupamentos
sociais, de acordo com o estágio de integração
social. Tais formas são os grupos sociais e os agregados
sociais.
Vamos analisar inicialmente os grupos
sociais: aqueles que, devido aos contatos sociais mais
duradouros, resultam
em formas mais estáveis de integração
social. Nos grupos sociais há normas, hábitos
e costumes próprios, divisão de funções
e posições sociais definidas. Como exemplos
temos: a família, a escola, a Igreja, o clube, o
Estado etc.
Grupo social é a reunião de duas ou mais
pessoas, associadas pela interação, e, por
isso, capazes de ação conjunta, visando atingir
um objetivo comum.
O indivíduo, ao longo de sua vida, participa de
vários grupos sociais.
Os principais são:
•
Grupo familial - família;
•
Grupo vicinal - vizinhança;
• Grupo educativo - escola;
• Grupo religioso - Igreja;
•
Grupo de lazer - clube, associação;
• Grupo profissional - empresa;
•
Grupo político - Estado, partidos políticos.
As principais características de um grupo social
são:
•
Pluralidade de indivíduos - há sempre mais
de um indivíduo no grupo;
•
Interação social - no grupo, os indivíduos
comunicam-se uns com os outros;
•
Organização - todo grupo, para funcionar
bem precisa de uma certa ordem interna;
•
Objetividade e exterioridade - os grupos sociais são
superiores e exteriores ao indivíduo, isto é,
quando uma pessoa entra no grupo, ele já existe;
quando sai, ele continua a existir;
•
Conteúdo intencional ou objetivo comum - os membros
de um grupo unem-se em torno de certos princípios
ou valores, para atingir um objetivo de todo o grupo; a
importância dos valores pode ser percebida pelo fato
de que o grupo geralmente se divide quando ocorre um conflito
de valores; um partido político, por exemplo, pode
dividir-se quando uma parte de seus membros passa a discordar
de seus princípios básicos;
Consciência grupal ou sentimento de "nós" - são
as maneiras de pensar, sentir e agir próprias do grupo; existe um sentimento
mais ou menos forte de compartilhar uma série de idéias, de pensamentos,
de modos de agir; um exemplo disso é o torcedor que, quando fala da
vitória de seu time, diz: "Nós ganhamos";
•
Continuidade - as interações passageiras não chegam a
formar grupos sociais organizados; para isso, é necessário que
elas tenham uma certa duração; como exemplo, temos a família,
a escola, a Igreja etc.; há; porém, grupos de duração
efêmera, que aparecem e desaparecem com facilidade, como, por exemplo,
o mutirão.
Tomando por base a classificação dos contatos
em primários e secundários, os grupos sociais
podem ser classificados em:
•
Grupos primários - são aqueles em que predominam
os contatos primários, isto é, os contatos
mais pessoais, diretos, como a família, os vizinhos,
o grupo de brinquedos etc.;
•
Grupos secundários - são os grupos sociais
mais complexos, como as igrejas e o Estado, em que predominam
os contatos secundários; os contatos sociais, neste
caso, realizam-se de maneira pessoal e direta mas sem intimidade
-, ou de maneira indireta, através de cartas, telegramas,telefone,etc.;
•
Grupos intermediários - são aqueles em que
se alternam e se complementam as duas formas de contatos
sociais (primários e secundários).Um exemplo
deste tipo de grupo é a escola.
BIBLIOGRAFIA
CIES – CENTRO DE INVESTIGAÇÃO
E ESTUDOS DE SOCIOLOGIA
Departamento de Direito
Disciplina: Sociologia Geral e Jurídica