Os Descaminhos Da Escola
INTRODUÇÃO
“Mestre não é aquele que
ensina, mas quem de repente aprende” (GUIMARÃES ROSA, Grande
Sertão: Veredas apud SILVA, 1982)
Como pudemos perceber, o
próprio título já é uma suposição clara do assunto ao qual
se refere o livro em resumo: OS (DES) CAMINHOS DA ESCOLA –
traumatismos educacionais; Refere-se exatamente ao que
sugere: - aos traumas sofridos pela educação brasileira, de
um modo geral.
Se nós formos
avaliar o significado da palavra DESCAMINHOS, teremos a
seguinte definição, segundo um dos dicionários ortográficos
brasileiro: - Extravio, sumiço. Desvio do bom caminho Moral.
- Agora sim, chegamos a um determinado ponto específico,
pois avaliando essas definições, percebemos sobre o que o
livro quer nos dizer. E nos deixa bem claro, quais os
distúrbios sofridos pela educação brasileira durante décadas
em seus cronogramas curriculares e educacionais em nível
nacional, estadual, municipal e até mesmo regional e
institucional.
Em cada um dos
capítulos que o autor nos traz nesse livro de leitura “leve”
- leva em conta os professores que estão exaustos, após a
sua dezena de aulas diárias - ele se refere a questões
cotidianas do sistema escolar, das instituições e dos
professores. Relataremos cada um dos capítulos, de uma forma
simples, transportando os relatos para o nosso dia-a-dia, e
a nossa vivência, como já educadores ou futuros pedagogos.
Não esquecendo que o livro proposto foi editado no ano de
1982, e que algumas coisas podem ter mudado de lá para cá,
ou que para nossa satisfação e alegria do autor (pela
possível conquista através desta leitura) muito se tenha
avançado nessa área ainda decadente através de estudos,
pesquisas, leituras, lutas e conquistas.
Veremos nesse
trabalho universitário, que no livro, “o autor apoiado na
sua experiência e servindo-se da intuição, descreve algumas
das mazelas que caracterizam a escola brasileira.” (SAVIANI,
São Paulo, nov./78. apud SILVA, 1982)
Mazelas estas que
explicitam o significado real da palavra em sua tradução,
pois as manchas na reputação são carregadas pelos alunos,
professores e escolas; que até são usadas e servem como não
modelos de educação.
Ainda, segundo SAVIANI (São
Paulo, nov. p.78, apud Os descaminhos da escola, 1982. p.
10), “se isto tem a vantagem de propiciar uma identificação
(...) um clima emotivo preliminar favorável ao despertar da
consciência, por outro lado corre o risco de não provocar o
despertar e, menos ainda, o desenvolvimento de uma
consciência crítica. Com efeito, o clima favorável pode se
dissolver nos queixumes e lamentações reforçando nos
professores o sentimento de vítima justificando o ‘lavar as
mãos’.”
Se o alvo principal ao qual se
destina a obra não souber usufruir devidamente desse rico
material, que é um “grito de alerta” para a classe
educacional, com certeza, não será culpa de má interpretação
das palavras que a obra contém, e muito menos, culpa do
autor, porque o professor Ezequiel T. da Silva, usa uma
linguagem muito clara e específica, diretamente perceptível,
com um texto descontraído, e informal, que mexe com a nossa
consciência, levando a um pensar incisivamente sobre o
cotidiano escolar, e a prática exercida. Devemos deixar bem
claro, aos destinatários da obra, que de nada adianta
simplesmente pensar e aí estacionar - na reflexão pura e
simples - mas devem AGIR, ATUAR, PROPOR, FAZER e CONSTRUIR!
Se é que desejam ver avanços na educação e melhoras efetivas
nas causas reais da ignorância, opressão e alienação.
Sabemos que, só
assim, com a classe dos professores agindo, atuando,
propondo, fazendo, e construindo, conseguiremos chegar a um
exemplo de educação e não mais, apenas copiar os exemplos de
educação dos quais temos conhecimento, que ouvimos falar ou
que deu certo em algum outro país. Para que consigamos
delinear os “caminhos” da escola, superando os “descaminhos”
e seus problemas existentes.
OS DESCAMINHOS DA ESCOLA
Barafunda Metodológica
“PROCURA-SE: ‘um método milagroso ou uma técnica
santa para curar todos os males da educação brasileira!’
QUESTIONA-SE: ‘a cura para problemas de ensino e
aprendizagem deve ser procurada, única e exclusivamente, no
método utilizado pelo professor?’ LAMENTA-SE: ‘será que os
professores brasileiros perderam o bom senso ou será isto
um problema de má formação mesmo?’.” (SILVA, 1982)
Muito se têm discutido em
palestras, cursos, simpósios, congressos, reuniões de
professores, entre outros..., sobre qual seria a técnica
correta, ou a melhor técnica para se aplicar em nossas salas
de aulas. Muitas vezes superlotada, com alunos vazando pelas
janelas; e os professores se perguntam, como trabalhar
devidamente nossos alunos? numa turma heterogênea, com
portadores de necessidades especiais e até crianças
hiperativas. Trazendo de casa “bolsas” com gritantes
diferenças que variam desde costumes à educação.
Impulsionando os educadores, cheios de interrogações para
que façam uma escolha vaga, no “escuro”, que se poderá se
tornar falha; pois muitas vezes as técnicas educacionais são
adotadas por estarem na moda, e na verdade tornam-se
deficientes quando o educador não sabe aplicá-las
adequadamente, não consegue transpor para sua prática
diária, para as reais necessidades dos seus alunos.
E agora! Já fizeram a escolha,
que “dedocraticamente” era a melhor, então, como
transmiti-las para os alunos? Se os professores mal sabem
como é essa nova técnica que escolheram, e conseqüentemente,
desconhecem como trabalhar adequadamente em sala. Não
estabeleceram objetivos na hora da escolha da técnica que
utilizariam, e nem ao menos os sabem estabelecer, enfim, não
pensem que será utilizando-se de uma técnica “miraculosa”,
que deu certo em vários países, e já foi supercomentada até
recomendada por renomados educadores, eles conseguirão
resolver seus problemas de “ensinagem”. E não é porque que
muitos outros profissionais que eles conhecem já aplicaram
essa mesma técnica e conseguiram bons resultados,
evidentemente funcionará para eles.
Para muitos não faz diferença
entre qual método utilizar, o importante é estar empacotada,
é vir com o “kit completo” (com o manual de instruções);
desde que já esteja pronta para usar, e deixe os alunos
estátuas em suas carteiras do tradicionalismo, está sendo
adotada.
E a busca dos professores
continua, em um “método solução” para todos os problemas
educacionais. Preocupados com o “como ensinar”; acabaram
soterrando com os novos métodos todas as expectativas com o
“que ensinar” e o “por que ensinar”.
“Que técnica...? Que meio...?
Que recurso...? Que estratégia...? Que procedimento...? De
que jeito...? A técnica-panacéia (...) Se ‘na moda’, então
deve ser implementada. Não importa o contexto de origem – Se
‘nova’, então deve ser adotada. Para que saber dos
resultados? Se ‘motivadora’, então deve ser praticada.
Funcionou lá, também vai funcionar aqui – Se ‘falada’, então
deve ser generalizada. Abaixo as reflexões críticas do
professor – Se ‘empacotada’, então deve ser imediatamente
adquirida.” (SILVA, 1982)
Em uma conclusão a esse
capítulo, podemos afirmar que: todos os métodos de ensino
são eficazes quando se têm educadores que saibam avaliar e
saibam coerentemente utilizar os novos métodos adotados. Que
compreendam com clareza o “que utilizar”, e não deixem de
fora o “como” e o “por que” devem utilizar tal método de
ensino em suas aulas. Lembrando que um aproveitamento
favorável vai do bom desempenho dos professores, e não
somente, mas também da vivência dos alunos em comparação ao
método aplicado, evitando possíveis choques de realidades.
Vale ainda ressaltar, que qualquer técnica de ensino
encontra seus fundamentos numa psicologia educacional, que
por sua vez encontra seus fundamentos em uma filosofia.
O dia-a-dia de um professor
Um retrato da vida
de um professor de ensino médio e fundamental; com a ajuda
dos relatos do autor vamos, fazer um “Raio X” da rotina de
muitos dos nossos professores em sua longa jornada diária de
trabalho.
Fato verídico é que; o
dia-a-dia de um professor não é nada fácil, muitas vezes dá
suas aulas em uma, duas, ou até mais escolas, fazendo um
verdadeiro contorcionismo para honrar com seus compromissos,
pois além de todo o esforço do professor existem muitas
outras questões em jogo. Como a pontualidade do professor, o
planejamento das aulas aplicadas (sempre que possível,
prévia e ecleticamente, planeja seus conteúdos), as
avaliações dos alunos, e sem contar nos baixos salários, que
na realidade é o que impulsiona os professores a fazerem
essa maratona diária; pulando de escola em escola para
aumentar um pouco mais a sua renda mensal. O seu orçamento
não acompanha a proporção dos preços, custos e gastos que
aumentam diariamente.
Ecleticamente – Método que
reúne e harmoniza teses de correntes de pensamento
diferentes. Sem nenhuma corrente ou doutrina para seguir
como base, mas aproveita de todas aquilo que considera
melhor.
O professor é um
verdadeiro ator, mesmo enfrentando diversos problemas
particulares, chegando em sala, tem que manter a
tranqüilidade, a simpatia; relevando risos e palhaçadas,
brincadeiras e falta de atenção, mantendo sempre o bom
humor. Esquecendo até das suas questões pessoais, e como diz
o ditado “deixem a vida de vocês lá fora...”. Vamos ainda
mencionar a carga horária, um problema que está presente em
todas as disciplinas e, “Conforme transcorre o dia, os
alunos vão recebendo aula, três quartos de aula, metade de
aula e nenhuma aula, embora o aluno também sai prejudicado,
sem ser culpa do professor, mas pelo desgaste diário que ele
sofre.” (SILVA, 1982) E os professores devem ser de fato
verdadeiros atores! Ou será que deveriam ser artistas de
circo?
Os índices de evasão escolar
são grandes, mas neles não estão só os alunos, pois os
professores estudavam em instituições universitárias, não
estudam mais. Chega ser um fato assustador. Mas as péssimas
condições que o professor tem de enfrentar o obrigam a
deixar os estudos e muitas vezes até o magistério. Segundo
SILVA, (1982) “ ‘se ficar no magistério é porque é ruim ou é
louco’, ‘status do professor já era’, ‘ensinar é dom e
sacrifício’, ‘o trabalho dos professores não traz divisas
para o país’.”
“Lembrando Euclides da Cunha:
o professor brasileiro é um forte. Forte em dois sentidos:
figurado e não figurado. No primeiro, porque luta contra
diversas situações aversivas, que o impedem de cumprir
adequadamente as suas funções sociais. No segundo, porque
levanta por necessidade, uma série de muralhas ao seu redor.
E é impedido de atualizar-se, é impedido de trocar idéias
com outras pessoas, é impedido de renovar é impedido de
pensar e, o pior de tudo, é impedido de viver como ser
consciente.” (SILVA, 1982)
Mas existem ainda
professores que lutam e são fortes por dois. Pois são
cercados de situações antipáticas, contra as quais travam
uma constante batalha, e de uma série de muralhas que os
impedem de agir, atuar e até expor seus pensamentos. Mas
...Feliz ou infelizmente, ainda acreditam numa reviravolta
das coisas. Quando?...
Mal-formado e Mal-informado
Uma analogia que é usada por
vários autores, e possui uma delicadeza singular, é sobre o
Médico e o Professor. Com um ditado muito conhecido
explicitaremos essa analogia. Quando um médico erra, mata um
só paciente. Quando o professor erra, congela a consciência
de trinta, quarenta, cinqüenta ou mais alunos, de uma só
vez. Pobres alunos... já não bastava a barafunda
metodológica? Concluindo, para SILVA, (1982) “pode-se
inferir que o erro pedagógico também é um instrumento
mortal. (...) talvez seja tão ruim ou até pior que a própria
morte física”.
Apesar das várias comparações
existentes entre as funções de médicos e de professores, em
nenhuma delas foi mencionado o fato de que o médico também
precisou ir a escola para que hoje ele tenha o direito de
usufruir seu diploma, e que possivelmente esteve sentado
entre os trinta alunos, ou mais, que estavam sob orientação
de um professor assassino.
Um dos fatores que muito
impulsionou a demanda de professores mal-formados, foi a
grande ploriferação das “faculdades de fim de semana”, onde
“quem paga passa!”, onde freqüentam “alunos pára-quedistas”.
Contribuindo para inflacionar mais o mercado de trabalho,
deixando sempre aquela velha impressão, que todos os
professores de um modo geral são assassinos, e não há faça
um bom trabalho educacional. Nessas “instituições de ensino”
a rotatividade de professores é muito alta, devido à
incoerência do sistema com: classes superlotadas; currículos
desmantelados; baixo nível de ensino; gerando por fim,
profissionais (de todas as áreas) sem qualquer base
formativa e/ou informativa. Mais uma contribuição para que a
sociedade olhe de esguelha para os profissionais
recém-formados.
E na área da educação, isso
tem colaborado e muito para que os alunos em questão de
conhecimentos, regridam efetivamente, tem contribuído para a
alienação e maior dependência dos professores por parte dos
alunos. Nascem aqui evidencias reais daquele velho texto, O
GAROTINHO – Anexo A.
Retificando a idéia do autor,
podemos afirmar que, quando ele se refere as “faculdades de
fim de semana”, elas ainda estavam em fase experimental e
pouco havia de proveitoso para se extrair delas. Mas hoje a
realidade é outra, essas tais faculdades são utilizadas como
um recurso alternativo, para quem trabalha durante a semana
inteira e pode então dedicar-se aos estudos em regime
especial, sem perder a qualidade de ensino e aprendizagem.
Formando-se ao final um profissional bem formado e
informado.
Conheça o “pedagoguês”, um dos
contribuintes para a má formação de professores, possui uma
cartilha com uma lista de chavões tradicionais, em frases
como: “preparar o aluno para viver em sociedade”, “levar o
aluno à criatividade”, “formar o bom profissional”, etc... -
usadas principalmente na formulação de objetivos. São
sentenças decoradas ou copiadas de livros e aulas de
didática. Os planejamentos primam pela redundância, pois
muitos dos professores nem refletem sobre o que estão
escrevendo, ou sobre o que significa tais afirmações.
Há grande repetição de
conteúdos e planejamentos de um ano para outro, pela falta
de criatividade são recicláveis, sem serem modificados ou
adaptados, ou seja, simplesmente reaproveitados. Sem
flexibilidade e avaliação “naquilo” e “daquilo” que se
planeja.
-
FLEXIBILIDADE - permite
substituições e re-seqüênciação dos conteúdos, conforme
a necessidade dos alunos.
-
AVALIAÇÃO – permite
refinar ou esmerar aquilo que foi mais eficaz no
processo de ensino aprendizagem.
A seleção de conteúdos para os
planejamentos anual, mensal, semanal, ou ainda que seja
diário, deve ser minuciosa, pois, se o professor usar livros
antigos, ele vai estar preparando o seu aluno para uma
sociedade do passado. Atrasada, desvinculada do presente, da
real situação dos nossos alunos. Gerando uma simples
‘reprodução’, o ‘não-avanço’ da sociedade, a
‘não-transformação’ cultural.
Quanto às expectativas sobre o
nível de conhecimento dos alunos, os professores devem levar
em conta os conteúdos que supostamente seus alunos já
conhecem, ou seja, conhecimentos anteriormente adquiridos, e
“a partir daí”, elaborar seus planejamentos; a escola deve,
em fim, atender aos critérios da unidade e continuidade, em
seu currículo.
E com tantos problemas o que
vem em mente é um trecho do poema, LIBERDADE, de Fernando
Pessoa: “Estudar é uma coisa em que está indistinta a
distinção entre nada e coisa nenhuma”. (PESSOA apud SILVA,
1982)
.
Abaixo as Muralhas da
Universidade
Agente colaborador para a
crise da educação brasileira é a criação da barreira (mesmo
que invisível) existente entre as escolas de ensino médio e
fundamental, e as universidades, pois gera, o “lavar as
mãos” e o “jogo do empurra-empurra”, freqüentemente usado
como desculpas para o afastamento. Veja agora uma frase que
segundo o autor, martela em sua consciência, “Mas se a gente
não for às escolas de ensino médio e fundamental, os
professores de lá nunca virão até nós!”
Vamos enumerar agora mais
alguns dos tais colaboradores para que seja mantida essa
grande muralha entre as instituições escolares:
1. A necrose metodológica e
informacional dos professores - muitos estacionam no tempo,
não buscam, não refletem e muito menos agem.
2. O tipo de ensino proposto
aos diferentes níveis educacionais – falta de um padrão
educacional entre os níveis de ensino, o que não pára por
aí, essas diferenças também nas instituições, programas
regionais e chegam às classes sociais, causando exclusões.
3. As manchas institucionais
que se fazem presentes nos currículos - pois quando uma
instituição educacional, sofre uma desmoralização,
dificilmente se libertará da má fama sobre seus currículos.
4. A desvalorização dos
professores - um fator incisivo, pois a falta de valorização
conseqüentemente leva a falta de motivação e restando para
os alunos a falta de aprendizado.
5. O despreparo dos alunos ao
entrarem para a faculdade - isso é um reflexo da questão
anterior pois os alunos deixam de aprender e os professores
deixam de ensinar.
6. A mudança constante das
informações dos dias atuais - a crescente evolução da
informática, leva a um avanço entre as comunicações e seus
meios de efetivação, o que se torna desproporcional diante
dos professores, e escolas, pois não apresentam recursos
financeiros suficientes para acompanhar tal evolução e
acabam se tornando arcaicos.
A universidade está alheia ao
que acontece com as escolas de ensino médio e fundamental...
Enquanto os professores de ensino médio e fundamental ficam
no isolamento, utilizando-se unicamente de reproduções...
Vejamos agora a real
interpretação do verbo SERVIR, e teremos a seguinte
definição, segundo um dos dicionários ortográficos
brasileiro: 1. SERVIR – “estar a serviço de; ser útil a;
estar às ordens de”. Significa que os professores de
universidades, devem estar a serviço dos professores do
ensino fundamental e médio, auxiliando-os. 2. SERVIR –
“aproveitar-se de; usar; utilizar-se de”. Significa que os
professores do ensino médio e fundamental devem fazer uso
das pesquisas, dos serviços, dos instrumentos e meios que a
universidade proporciona.
A distorção do verbo “servir”,
acaba gerando resultados drásticos no campo educacional. E
no momento única ligação existente entre as escolas de
ensino médio e fundamental e as universidades, é a pesquisa.
Pois é de lá das universidades, que de vez em quando saem
pesquisadores de campo, para desenvolverem estágios de
observação ou mesmo de intervenção e “vem aqui colocar
defeitos no meu ensino” (frase que segundo o autor é falada
pelos professores em referencia aos estagiários, ou
pesquisadores). Que acabam por serem vistos como empecilhos,
e não como auxiliadores do trabalho dos professores de
ensino médio e fundamental.
Na visão do pesquisador
educacional, surgem críticas quanto à receptividade dos
professores e escolas em relação às investigações, e
investigadores pedagógicos. E que a maioria das
investigações realizadas, pecam pela falta de continuidade e
acompanhamento onde foram coletados os dados de origem.
Como fim trágico, a reprodução
dos relatórios de pesquisa continua sendo a mesma, tanto de
um lado como de outro, ou seja, tanto do tipo de
levantamento feito, como do tipo de ensino proposto aos
alunos.
Não devemos generalizar, pois
hoje já existem bons pesquisadores e profissionais
dispostos a contribuir para o bom desenvolvimento de tais
pesquisas de campo. Vamos esclarecer que estamos falando de
um livro editado em 1982, e mesmo que poucos mas
significativos avanços já ocorreram em nossa educação.
Graças aos professores, e pesquisadores e universitários que
apresentam um real interesse na melhoria do ensino.
O que não podemos fazer é
restringir os meios de acesso e comunicação entre as
universidades escolas de ensino médio e fundamental. Pois
ambas dispõem de muitos outros meios para desenvolverem
possibilidades de trabalho em conjunto.
Devemos saber aproveitar os
estudos e as pesquisas desenvolvidas, e aplicá-las a
realidade escolar dos nossos alunos. Esquecer as velhas
frases, que nada ajudam, mas desmotivam para um bom
desempenho do trabalho educacional.
Temos que saber tirar proveito
dos estudos que estão dentro da realidade dos nossos alunos
para enriquecer nossas aulas, excluir o que está
desvinculado da realidade, e produz pouco efeito na prática
concreta.
Nós como futuros pedagogos,
devemos aprender tirar proveito do que nos é oferecido. E
desvincular dos discursos pedagógicos a frase “Formar
nossos alunos críticos e pensantes, com uma visão realista
de mundo.”, e transportando-a para nós mesmos e nosso
próprio uso na íntegra.
A Educação e o Trabalho
Pode mos afirmar que a
exigência da escolaridade para o exercício do trabalho
sempre foi uma imposição injustificável; pois no país onde
moramos, sabemos que nossa educação é precária e vem a
passos lentos progredindo; e ainda assim é um privilégio de
poucos. Hoje, ainda existe trabalho infantil, trabalho
escravo e evasão escolar por inúmeras questões sociais
anteriormente citadas, nos levando a crer na exclusão, por
parte das empresas, para a maioria das classes menos
favorecidas.
Para SILVA,(1982) “A exigência
de escolaridade é privilégio – a escolaridade (...) não
assegura competência assim como o nível universitário não
corresponde a saber e, muito menos, atualização de saber.”
Dessa forma, as exigências das industrias capitalistas,
acaba por denegrir as funções das instituições escolares e
da universidade, distorcendo seus verdadeiros fins.
E nesse ponto não podemos
discordar da idéia do autor, pois às vezes, vale mais uma
experiência adquirida no dia-a-dia, do que um pedaço de
papel que é ganho na universidade, que não assegura em nada
se quem o possui tem as habilidades básicas para desempenhar
adequadamente o trabalho para qual se dispõe a ocupar.
As universidades, e as
escolas, não devem se preocupar em formar profissionais
para a mão-de-obra capitalista. A existência da escola não
se justifica unicamente para as indústrias; devem para
tanto, buscar seus objetivos empregando suas reais funções;
estar questionando, conscientizando, transformando,
conquistando um lugar nessa sociedade injusta da qual
fazemos parte. Pois a educação para o trabalho apresenta
unicamente dimensões políticas e sociais.
A educação não deve ficar
somente em um recinto fechado – as salas de aulas; ela é uma
atividade que deve ser exercida livremente. Não existem
limites para a verdadeira educação; a não ser, as aptidões
individuais. Lembrando que, a educação nunca foi
domesticação do homem para o trabalho, mas não basta só
estudar, com o trabalho também se aprende coisas novas e
atualizadas; logo o estudo e o trabalho andam juntos.
Deveras não deveria ter tanta
importância o “canudo universitário” ou o “diploma” de
ensino médio, para garantir um lugar no mercado de trabalho,
deveria sim ser levado em conta os conhecimentos do
indivíduo em várias áreas de desenvolvimento, partindo daí
uma avaliação sobre as condições de realização para o
trabalho proposto.
Segundo SILVA, (1982) “Em sua
obra A universidade necessária, Darcy Ribeiro, afirma que o
principal objetivo do ensino superior é o desenvolvimento da
consciência crítica. Ela não deve ser desvinculada da
sociedade circundante: se a situação social oprime, ela deve
lutar contra a opressão; se o regime é injusto, ela deve
lutar pela sua politização; se o desenvolvimento do país é
reflexo, ela deve lutar pelo desenvolvimento autônomo; se a
mão-de-obra é explorada, ela deve lutar pela não-exploração
do trabalho.” Quebrando assim, o círculo opressor. Buscando
contradições na própria sociedade; educação não é, e nunca
foi, domesticação do homem.
O Problema das Normas
Lingüísticas
A maioria das vezes as normas
lingüísticas acabam sendo como propõe o título um problema
de comunicação que se resume apenas em meras decorebas, ao
invés de ajudar, na comunicação e expressão cultural das
pessoas, acaba dificultando, criando barreiras. Veja que
para SILVA, (1982) “quem estabelece o que é certo em termos
de língua é o falar cotidiano do próprio povo e não aquilo
que é fixado em gramáticas normativas. A língua sendo a
representação de uma cultura em constante mudança, também se
transforma ao longo do tempo – isso acontece em todos os
níveis: fonêmico, morfológico, sintático, semântico e
progmático.”
As normas lingüísticas de
certa forma, não deixam de ser uma maneira discreta de
explicitar as diferença existentes entre as classes sociais.
Regras criadas pela sociedade burguesa, e com seu uso
diferencial faz distinção entre ricos e pobres. Esquecendo
que a linguagem precisa estabelecer a liberdade de
expressão, pois as gírias, e as diferentes formas de
comunicação que são usadas no cotidiano nacional, fazem
parte da cultura popular.
Epidemia na e da Pesquisa
A pesquisa sempre foi vista
com “os olhos” da inquietação do homem diante do que ele
desconhece, e tem como intuito realizar investigações,
chegando em soluções para devidos problemas da humanidade.
Mas, desde que a moda da pesquisa chegou nas instituições
escolares, parece ter mudado de sentido, ou seu real valor;
de busca ao saber. Seguindo a nova moda, não importa o tipo,
natureza ou finalidade da investigação, mas deve ser,
simplesmente, conduzida. Muitas pesquisas, depois de prontas
são tão pobres e sem fundamentação que não mereciam nem ir
para prateleira de uma biblioteca e sim direto para o cesto
de lixo. E o que é pior, pois acontece muitas vezes, em que
os trabalhos de pesquisa são encomendados pelos
pesquisadores-universitários, para serem elaborados por
profissionais ilícitos, que realizam a pesquisa sem o mínimo
e real interesse em saber sobre as questões das quais se
refere o trabalho. Redigem. E entregam “prontas” para os
pesquisadores-universitários interessados. Isso quando não
ocorre destes elaboradores de pesquisa, simplesmente
reformularem seus modelos pré-fabricados, e venderem como um
material inédito.
Se bem que esse mercado tem
diminuído significativamente. O fato é que os salários dos
pesquisadores-universitários não conseguem acompanhar os
preços cobrados para os elaboradores da pesquisa. Outra fuga
usada pelos pesquisadores-universitários educacionais está
relacionada com a tese de repetir idéias de autores muitas
vezes estrangeiros, crescendo a importação da cultura, que
nada diz com a nossa realidade; pouco acrescenta ao nosso
cotidiano, e menos ainda ajuda a melhorar a nossa atual
prática escolar.
Para SILVA (1982) “Um estágio
fundamental na superação da dependência é a capacidade de
produzir obras de primeira ordem, influenciadas não por
modelos estrangeiros, mas por exemplos nacionais
anteriores”. Os exemplos nacionais são muito mais fáceis de
serem compreendidos, além de sua linguagem simples, discutem
sobre problemas que estão acontecendo em nossa realidade
social e cultural.
E muitas vezes sobra para os
orientadores auxiliar nas pesquisas, isso quando não acabam
ficando com quase toda a pesquisa para fazer. Devemos pensar
bem quando formos realizar uma pesquisa de campo, para que
não seja mais uma das padronizadas, forçadas,
artificialmente elaboradas. Ela tem que ser uma pesquisa que
abra caminhos na área pedagógica, de preferência realizada
com afinco e por vontade própria não por obrigação. Assim
estaremos desenvolvendo um trabalho crítico, organizado e
consciente.
Escola de Rico e Escola de
Pobre
Essa analogia, ou melhor, essa
discriminação entre as instituições escolares que são
freqüentadas por alunos de baixa renda e as que são
freqüentadas por alunos de bom nível econômico, nós já
estamos cansados de ver, ler e discutir... mas saber que a
diferença que existente entre elas é enorme, e desvantajosa
principalmente para a classe baixa, quase nunca se é
comentado; ou melhor, fica sempre “por baixo do pano”.
“A leitura é de vital
importância por ser um instrumento básico para aquisição e
retenção de novos conhecimentos, tornando a mente do leitor
mais aberta, dando margem a debates com raízes sólidas,
fundamentadas em algo mais concreto do que um apenas ‘acho
que...’ (...) Nas bibliotecas escolares em geral, há
insuficiência de livros, tanto didático como de ficção;
existe, também, falha dos educadores em não saber
incentivar a leitura, apesar da culpa não ser só deles: o
erro principia em casa.” (SILVA, 1982)
Além das bibliotecas serem
precárias; o que é uma lástima para a educação. Pois é uma
fonte riquíssima de saber e talvez o principal ou o único
recurso de pesquisa e conhecimentos para os alunos de baixa
renda, não basta. Os alunos devem querer saber; Para os pais
sobra e deve vir o incentivo maior, primeiramente; E logo
vir também dos professores. Buscamos a consciência que só o
que o aluno aprende e vê em sala não é o suficiente para uma
formação educacional coerente; tem que haver uma
continuação, aplicar na prática em casa, tudo o que se
aprende na escola.
Nos dias atuais, vemos que o
número de bibliotecas existentes cresceu consideravelmente,
e que o seu acesso, não está restrito a classes sociais,
idades, ou áreas de busca do conhecimento. Muito se tem
feito em nosso país, para que essa situação melhore a cada
dia mais, proporcionando aos alunos e cidadãos, um meio para
desenvolverem bons hábitos de leitura, enriquecimento do
vocabulário, e crescimento intelectual.
Com o hábito de ler os alunos
adquirem muitos conhecimentos, aprimorando sua cultura; com
isso o indivíduo sai do campo da opinião generalizada para
opiniões próprias e críticas. Pode-se dizer que a cultura de
um povo está no que ele diz e escreve. Mas para conhecer a
cultura é necessário: saber ler, querer ler e essencialmente
ter acesso aos livros.
A primeira condição surge
através da alfabetização, à segunda tem que partir do
interesse dos alunos, desde casa, com ajuda da família, para
não deixar a TV, os gibis, as revistas, e o rádio como
únicos meios de acesso às informações para seus filhos.
Devem ser incentivados à leitura também, na parte de livros
educativos.
Qualidade versus quantidade
Geralmente, o que
é visado principalmente na educação brasileira, é a
quantidade - talvez por motivos que até são justificáveis -
e não a qualidade. Estamos falando da educação nas
instituições públicas; onde as salas são superlotadas, os
professores sobrecarregados com muitas horas de aulas a
serem dadas e acabam não ensinando ninguém. A educação é
para todos. Mas com certa ruptura, o ensino para o rico é
muito diferente do aplicado para o pobre. Com certeza para o
pobre, o que existe de mais significativo é a merenda
escolar. Enquanto para o rico, a escola vai a fundo na busca
do saber, pois os pais pagam e muito bem todos os meses. E
lá na universidade que está cheio de indivíduos da elite?
Será que a qualidade de ensino continua a ser um privilégio
só para os mais bem sucedidos. Pois o que vimos até agora é
que o ensino democrático só existe no papel. Mas discordando
um pouco do autor, e analisando as universidades de hoje,
percebemos que elas evoluíram muito neste sentido abrindo as
portas para todos, sem distinção de raça, cor, credo, idade,
ou classe social. Tornando-se mais acessível, e flexível.
Notamos que existem meios de ajuda aos alunos mais carentes,
e até aos mais arrojados, que elaboram pesquisas dentro das
suas áreas de estudo, e pleiteiam bolsas de estudo, para
auxiliar no custeio de despesas com mensalidades. E o
governo federal também tem dado sua participação para
aumentar o acesso às universidades, com o FIES, um
financiamento para estudantes; e com o projeto MAGISTER, que
já tem formado muitos profissionais da área de educação,
destinado para professores que não tinham habilitação
específica.
Importância da Leitura
- um diagnóstico com o aluno
Universitário –
“Existem quatro tipos de
leitor. O primeiro é como uma AMPULHETA: a leitura, sendo a
areia, desaparece sem deixar vestígio. O segundo é igual a
uma ESPONJA: embebe-se de tudo e devolve exatamente aquilo
que sugou. O terceiro parece um COADOR: retém somente aquilo
que não presta. O quarto é como um MINEIRO das minas de
Golconda: joga fora o inútil e retém somente as gemas mais
puras.” (COLERIDGE apud SILVA, 1982)
A leitura é
fundamental para enriquecer os nossos conhecimentos. Pois
como diz a propaganda “Leia mais, ler também é um
exercício”, “através da leitura você viaja a mundos
interessantes e desconhecidos, descobre um montão de coisas
novas.” E falando em propaganda e televisão, não podemos
deixar de explicitar as mudanças fundamentais que esse meio
de comunicação tem exercido em nossas vidas. Mudanças que
vão, desde costumes e tradições a hábitos pessoais ou
familiares. Não devemos unicamente fazer uso da televisão ou
do rádio, se quisermos ter uma boa comunicação. É de suma
importância, adquirirmos hábitos de leitura freqüente, a
princípio, devemos estipular alguns horários dentro do nosso
dia e reservá-los à leitura. Assim estaremos nos habituando
à leitura, aprendendo falar bem e escrever melhor, fazendo
um bom uso da nossa linguagem mãe.
A leitura pode
proporcionar a você crescimento pessoal. O direito de
escolha, o que se quer ler, e um enriquecimento mental. Sem
o mau hábito de repetição massificada, repassada pela TV,
rádio entre outros. Adquirimos uma visão ampla e crítica,
sempre tendo algo novo a compartilhar.
E é óbvio que para
isso existem alguns pré-requisitos a serem preenchidos:
1.
Desenvolvimento
De Atitude Positiva Frente À Leitura – tome consciência de
que o ato de leitura contribui para o seu
autodesenvolvimento.
2.
Desenvolvimento
Do Hábito De Leitura – dedique parte de seu tempo para
leituras seletivas e críticas.
3.
Consulta À Fonte
Primeira – consulte sempre os livros originais, e não
somente a recortes em forma de apostilas.
4.
Reflexão Sobre O
Material Escrito Proposto – busque além da compreensão das
idéias do autor. Adquira termos de comparação.
Desassimilação de Hábitos
Adquiridos
Um dos hábitos do
professor Ezequiel, é fazer um prévio diagnóstico das
habilidades comunicacionais dos alunos. Ele sustenta que
essa deve ser uma prática entre profissionais para avaliar
se o conteúdo programático a ser aplicado, não está muito
além ou aquém das possibilidades dos estudantes. Com o
diagnóstico em mãos, os professores, poderão verificar se há
possibilidades reais para desenvolver os conteúdos
elaborados.
O que ocorre em
muitas das escolas, até mesmo de nível universitário, é
quando os professores em sala de aula, pedem aos seus alunos
para elaborarem um texto coerentemente organizado, nessa ora
aparecem várias perguntas. Perguntas essas até sem sentido
ou de tão simples que acabam sendo banais.
Dar fim a essas
questões não é fácil, pois os professores orientam seus
alunos para que façam a redação de acordo com seus
conhecimentos redacionais, e aí, sujem ainda mais perguntas
durante o processo de construção do texto.
É difícil... os
alunos não conseguem redigir um texto. E para a agonia dos
professores poucas dessas redações são recuperáveis.
Chegamos à
conclusão que, os alunos nunca redigiram, em seus anos de
escola; deixaram de pensar, possuem meros chavões, idéias
materializadas, formulas e modelos prontos. Que chegam a ser
um dilema para os professores...
Quando conseguem
elaborar algo, é puro reflexo de fórmulas redacionais
prontas e memorizadas, com uma linguagem dentro de um único
esquema: o narrativo. E ainda têm professores que passam os
modelinhos e mandam que os seus alunos apliquem em cima de
problemas padronizados.
E como triste fim, “Os alunos
perdem todos os seus atributos humanos para se transformarem
em máquinas que memorizam e vomitam fórmulas.” (SILVA, 1982)
Passando a recusar qualquer proposta que exija pensamento e
reflexão. Não conseguem ser diferente um dos outros,
produzindo sequer um texto que exija o mínimo de
originalidade.
Passaram suas vidas escolares
em aulas expositivas, sempre seguindo os mesmos hábitos, os
alunos deixam de criar. O que, tornou-se muito difícil agora
para que haja uma recuperação, pois não será fácil que os
alunos desassimilem um hábito anteriormente adquirido, e
“martelado” durante anos de vida escolar.
Pá-lavras...
1.
Dirigindo-se
para um fim...
O professor Ezequiel, ao
finalizar seus cursos (ministrados por todo o Brasil),
propõe um relato das suas crenças sobre a educação e a
aprendizagem. Fala com seus alunos sobre as suas
experiências educacionais. Ou até mesmo sobre coisas na
educação, que acredita serem inadequadas.
Com essa prática ao findar
suas palestras, tem como pretensão, incutir de uma forma ou
de outra, um pouco de consciência sobre educação, em seus
alunos. Mas para SILVA, (1982) “Diante da mediocridade
educacional deste país, não adianta a educação para o ‘mais
ou menos’; estou farto de encontrar meio-educador por aí. Eu
só trabalho no sentido de formar educadores perfeitos, ou
seja, aqueles que saibam analisar a realidade social deste
país!”. E por isso que muitas vezes ele até é taxado como
perfeccionista.
Afirma ainda que os alunos
somente irão conseguir fazer uma “análise de realidade”
quando tiverem incorporado em si, dois valores fundamentais:
* iniciativa e responsabilidade. * postura diante da
realidade.
“Liberdade, para mim, é a
consciência da necessidade, e é por isso mesmo que exijo o
máximo da potencialidade do aluno. Não adianta formar
pedagogo pela metade – disso o Brasil já está infestado!”
(SILVA, 1982)
A organização cognitiva, e o
conhecimento prévio de assuntos é essencial para a
assimilação de conteúdos, pois somente indivíduos que
possuem, esses dois pontos discriminados em si, poderão
analisar o mundo dos fenômenos com efeito, e ainda
argumentar sobre conteúdos em estudo.
2.
Palavras quase
finais...
Os problemas presentes na
educação nacional, a função de cada indivíduo como futuro
pedagogo e a necessidade de atualização constante, são
enfatizados pelo professor Ezequiel. “O responsável pela sua
vida é VOCÊ. (...) Haverá continuidade nesse seu abrir-se
para uma educação melhor ou você cairá na passividade e
massificação em anos futuros? A decisão é somente sua!”
(SILVA, 1982)
Mesmo sendo uma tarefa de
meses ou até mesmo anos, não é fácil ‘levar os alunos a
pensar, questionar e refletir’; e muitos passam uma vida
toda e não constroem sua identidade. Com esse “pontapé”
inicial o professor Ezequiel, gostaria que seus alunos se
formassem bons intelectuais e sucessivamente, formassem
intelectuais tão bons ou melhores do que seus alunos.
3.
Palavras
finais...
Para o autor, já se tornou uma
redundância falar em crise na educação brasileira. Se
dissermos que há um sistema educacional democrático, estamos
permanecendo em falsidade. Para bater na mesma tecla é só
falar na necessidade de conscientização dos professores.
Utopia e moral de quinta, é falar em educação popular. Não
agir e falar da falta de condições é continuar de braços
cruzados; é continuar na eterna passividade. E de nada
discordamos dele, pois ainda hoje nos deparamos com essa
mesma realidade.
“A letargia do professor
brasileiro parece ter virado um estereótipo que já faz parte
do senso comum – a opressão e a falta de condições parecem
ter-lhes ofuscado o bom senso.” (SILVA, 1982)
Vale ressaltar a idéia do
autor de que o “vírus”, está no sistema capengante e não em
aulas específicas. E muitas vezes vemos alguns professores
“lavando as mãos”, e jogando a culpa em outros
profissionais, sem admitir ou ter consciência que o erro já
vem desde o sistema. Tornando-se uma grande contribuição
para essa realidade professores: * mal formados e mal
informados. *sem estruturação de idéias de mundo previamente
organizadas para guiar as suas ações. * para os quais a
escola deixou de ser uma instituição da sociedade civil com
uma função social e política e, assim, conscientizadora e
transformadora. * que transformaram o trabalho do magistério
em “bico”. * que adotaram a atitude passiva diante da
realidade em crise. * que esperam uma solução milagrosa para
seus problemas didáticos. *e procuram uma metodologia
solucionadora de problemas de ensino.
CONCLUSÃO
Em vista do que
aprendemos e pudemos extrair, com essa leitura do professor
Ezequiel Theodoro da Silva, podemos chegar em uma conclusão
na forma de reflexão, criando um perfil para nós, os futuros
professores-educadores e pedagogos. Não para ser usado como
uma cartilha, ou receita de bolo, mas para ser analisado, e
depois de refletido, ser absorvido para nossa prática tudo
que nos seja útil e proveitoso.
* Perfil do
Professor-Educador Pedagogo
-
Como primeiro passo, vamos
descobrir se realmente somos professores, se essa é a
nossa vocação.
-
Analise seu conhecimento
sobre a função de professor.
-
Verifique suas noções
básicas sobre psicologia da aprendizagem.
-
Gosta de trabalhar com
crianças.
-
É uma pessoa dinâmica,
alegre, bem humorada, e criativa.
-
Consegue desenhar, cantar,
dançar, mesmo sem ser artista.
-
Procura sempre aprender
mais sobre seus alunos, a aprendizagem e faixa etária
das crianças.
-
Debate com outros
profissionais que trabalham na área.
-
Em seguida, vamos
descobrir como é a escola onde vamos trabalhar.
-
Têm canais abertos para
contatos com a direção, supervisão e pais de alunos.
-
Como encaminha o processo
educativo.
-
Tem uma consciência clara
e nítida de uma filosofia educacional, de uma proposta
de ser humano a ser desenvolvida e conquistada.
-
Está integrada na
comunidade onde está inserida.
-
Percebe os anseios e as
necessidades dos professores.
-
Para finalizar conheça
como proceder com os alunos.
-
Assuma o compromisso com o
dinamismo. Para que possa acontecer de maneira salutar,
viva, inesperada...
-
Encoraje seus alunos a
demonstrar todas as suas nuances dos sentimentos de amor
e respeito pelas outras pessoas: solidariedade, piedade,
amizade, admiração, respeito, companheirismo.
-
Assegure ao seu aluno o
direito de falar.
-
Toque seus alunos
fisicamente demonstrando carinho, aceitação e segurança.
-
Brinque com seus alunos.
-
Não use apelidos para seus
alunos.
-
Dê liberdade para os
alunos movimentarem-se pela sala.
-
Aprecie o crescimento de
seu aluno.
“O bom professor
se faz a cada dia, sabemos disso. É um exercitar continuado;
é uma revisão consciente das atitudes, das ações, dos
conhecimentos. Ou nos concedemos uma freqüente atualização,
uma reciclagem, ou o tempo nos ultrapassa e ficamos...”
E quem sabe a
daqui mais alguns anos, essa reflexão sobre o livro, esse
trabalho realizado, as palestras, cursos, revoluções e
tantas outras coisas se torne tão arcaica, e tão fora da
realidade que ninguém mais conhece ou jamais ouviu falar
sobre os tais descaminhos da escola. Quem sabe?... Um dia...
BIBLIOGRAFIA
SILVA, Ezequiel Theodoro da.
Os (dês) caminhos da escola. São Paulo, 1982. Ática. 2º
Edição.