Fome
1 – INTRODUÇÃO
O que é fome
A fome de que se trata aqui significa
a situação
em que uma pessoa fica, durante um período prolongado,
carente de alimentos que lhe forneçam as calorias
(energia) e os elementos nutritivos necessários à vida
e à saúde do seu organismo. Os especialistas
em nutrição diferenciam dois tipos de fome:
a global e a parcial.
A fome global, também chamada fome energética
ou calórica, é entendida como a incapacidade
de a ração alimentar diária ingerida
por uma pessoa fornecer as calorias equivalentes à energia
gasta pelo organismo nos trabalhos realizados.
Além das calorias, a alimentação deve
fornecer determinados elementos nutritivos – como
proteínas, vitaminas e sais minerais – que
cumpram a função de restaurar as células,
os tecidos e os órgãos de todo o nosso organismo.
A falta prolongada de qualquer dessas substâncias
na alimentação provoca distúrbios
e lesões no organismo, com graves conseqüências à saúde.
Essa é a fome denominada parcial ou específica.
2 – A FOME NO MUNDO
?Cerca de 100 milhões de pessoas estão
sem teto;
?1 bilhão de analfabetos;
?1,1 bilhão de pessoas vivem na pobreza, destas,
630 milhões são extremamente pobres, com
renda per capita anual bem menor que 275 dólares;
?1 bilhão de pessoas passando fome;
?1,5 bilhão de pessoas sem água potável;
?150 milhões de crianças subnutridas com
menos de 5 anos (uma para cada três no mundo);
?12,9 milhões de crianças morrem a cada ano
antes dos seus 5 anos de vida;
?No Brasil, os 10 % mais ricos detêm quase toda a
renda nacional.
• O Brasil e a fome
O Brasil é o quinto país do mundo em extensão
territorial, ocupando metade da área do continente
sul-americano. Há cerca de 20 anos, aumentaram o
fornecimento de energia elétrica e o número
de estradas pavimentadas, além de um enorme crescimento
industrial. Nada disso, entretanto, serviu para combater
a pobreza, a má nutrição e as doenças
endêmicas.
Em 1987, no Brasil, quase 40 % da população
(50 milhões de pessoas) vivia em extrema pobreza.
No dias de hoje, um terço da população é mal
nutrido, 9 % das crianças morrem antes de completar
um ano de vida e 37 % do total são trabalhadores
rurais sem terras.
Há ainda o problema crescente da concentração
da produção agrícola, onde grande
parte fica nas mãos de poucas pessoas, vendo seu
patrimônio aumentar sensivelmente e ganhando grande
poder político.
A produção para o mercado externo, visando à entrada
de divisas e ao pagamento da divida externa, vem crescendo,
enquanto a diversidade da produção de alimentos
dirigida ao mercado interno tem diminuído, ficando
numa posição secundária. Ao lado disso,
milhões de pessoas vivem em favelas, na periferias
das grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro,
Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, entre outras. O caso
das migrações internas é um problema
gerado dentro da própria nação. Grande
parte dos favelados deixou terras de sua propriedade ou
locais onde plantavam sua produção agrícola.
Nos grandes centros, essas pessoas vão exercer funções
mal pagas, muitas vezes em trabalho não regular.
Quase toda a família trabalha, inclusive as crianças,
freqüentemente durante o dia inteiro, e alimenta-se
mal, raramente ingerindo o suficiente para repor as energias
gastas. Nesse círculo vicioso, cada vez mais famílias
se aglomeram nas cidades passando fome por não conseguir
meios para suprir sua subsistência.
3 – CAUSAS DA FOME
É comum dizer que o crescimento populacional é responsável
pela existência da fome, assim como as adversidades
do clima e do solo. Claro que para muitas pessoas que têm
maior responsabilidade no problema – apesar de todos
nós termos – é uma posição
bastante cômoda, a qual serve para ocultar as verdadeiras
causas.
Uma análise detalhada constata que a fome é uma
criação humana. Ela existe e maltrata bilhões
de pessoas, sendo as principais, crianças. Ao se
organizar em sociedade o homem criou uma desigualdade.
De um lado, uma minoria rica e de outro, a grande maioria
despojada de riqueza.
Entre as causas da fome o processo de colonização
pelos europeus, na América, Ásia e África é genitor
para os demais. Ao chegarem nesses continentes introduziram
seus costumes e alteraram profundamente, a organização
social dos nativos. Exploraram suas terras ao máximo.
Implantaram propriedades agrícolas destinadas à exportação.
Tudo isso com ajuda do trabalho escravo dos nativos.
Com o desequilíbrio gerado pelos colonizadores,
a produção de subsistência caiu e os
problemas de subnutrição e fome surgiram.
Os problemas decorrentes da inadequada utilização
da terra também pesam na explicação
da fome. Os países subdesenvolvidos têm, geralmente,
um passado colonial. Dentro da atual ordem econômica
mundial, a maioria desses países não conseguiu
livrar-se do colonialismo econômico que ainda predomina
nas relações internacionais. As suas economias
estão estruturadas de forma a atender as necessidades
do mercado externo em prejuízo do mercado interno.
Dá-se maior atenção a uma agricultura
para servir de exportação do que para atender
o mercado interno. Em vista disso, ocorre escassez de alimentos
básicos para o mercado interno ou o seu preço é tão
elevado que dificulta a sua aquisição por
grande parte da população de baixa renda.
4 - CONSEQÜENCIAS DA FOME
Os efeitos mais comuns causados pela
fome, principalmente nos países do Terceiro Mundo, são a desnutrição
calórica-protéica (provocada pela falta de
calorias e proteínas), as doenças causadas
pela deficiência de vitamina A, a anemia (provocada
pela deficiência de ferro), o raquitismo (gerado
pela deficiência de vitamina D), o bócio e
os distúrbios causados pela carência de vitaminas
do grupo B.
Todas essas formas de desnutrição, quando
não fazem suas vítimas diretamente, facilitam
o aparecimento de outras doenças, que acabam levando
o desnutrido à morte.
Por exemplo, os óbitos de crianças pobres
nos países do Terceiro Mundo não apontam
a fome ou a subnutrição como causa dessas
mortes. Figuram como causas a pneumonia, a desidratação,
a tuberculose, o sarampo etc. No entanto, essas e outras
são conseqüência de um organismo debilitado
ou sem resistência, em decorrência da desnutrição
ou fome.
A desnutrição calórica-protéica,
também chamada desnutrição energética-proteíca
(DEP), atinge grande número de crianças em
idade pré-escolar nos países do Terceiro
Mundo. Apresenta-se em diversos graus, sendo que os extremos
ou mais graves (3.º grau) exigem hospitalização
para o seu tratamento. Segundo especialistas, o Kwashiorkor
e o marasmo são exemplos de desnutrição
de 3.º grau.
A palavra Kwashiorkor é originada de um dialeto
africano da Costa do Ouro (atual Gana) e possui vários
significados, sendo o mais utilizado o de “ criança
desmamada”. O Kwashiorkor ocorre numa criança
após seu desmame precoce, ou seja, quando nasce
uma nova criança, num período em que há uma
outra ainda sendo amamentada no seio materno, esta cede
o lugar para a recém-nascida. Deixando de alimentar-se
do leite materno e em razão da pouca disponibilidade
de alimentos que a família tem em decorrência
de sua pobreza, a criança passa a ter uma alimentação
pobre em proteínas.
Assim, o Kwashiorkor é uma doença causada
pela falta de proteínas e ocorre geralmente em crianças
acima de seis meses de idade. Caracteriza-se por apresentar:
inchaço do ventre, dando aspecto balofo; lesões
na pele; parada do crescimento; retardamento mental, às
vezes irreversível; lesões no fígado,
com degeneração gordurosa; descoramento dos
cabelos; comportamento apático, triste, retraído.
As crianças com Kwashiorkor chegam a atingir dois
ou três anos de idade indiferentes ao mundo que rodeia.
Não engatinham nem andam, e geralmente morrem de
doenças como coqueluche, rubéola, sarampo
e outras mais, que numa criança bem alimentada raramente
causam a morte.
O marasmo, outra forma de extrema desnutrição,
causada pela deficiência de calorias na dieta alimentar
da criança, ocorre geralmente nas primeiras semanas
de vida. Caracteriza-se por emagrecimento, parada do crescimento
longitudinal e extrema debilidade. A criança chega
a ter o seu peso 60 % inferior ao normal.
Existem ainda os casos de desnutrição leve
e moderada, chamados respectivamente de primeiro e segundo
grau. Trazem, também, graves conseqüências à saúde
e ao desenvolvimento do ser humano e minam a resistência
orgânica, abrindo brechas para o estabelecimento
de várias doenças.
5 – SOLUÇÕES PARA AUMENTAR A PRODUÇÃO
DE ALIMENTOS
• A revolução
verde
Foi um empreendimento para expandir
a produção
de alimentos que consistia no desenvolvimento de novas
linhagens de plantas de cereais. No México, foram
introduzidos várias linhagens novas de trigo, o
que aumentou sua produção seis vezes nos últimos
20 anos. Essa novas linhagens foram introduzidas também
na Índia e houve um aumento considerável
na sua produção de cereais. Isso porém
não amenizou o problema da fome, pois nessa mesma época
a população hindu crescia no mesmo ritmo
que a produção de cereais.
Essa revolução verde é considerada
insegura por alguns peritos. Um dos problemas considerados
por eles é que essas cepas devem ser cultivadas
em conjuntos grandes, para impedir o cruzamento com as
variedades velhas. Outro problema é que essas novas
cepas devem ser cultivadas em níveis ótimos
de irrigação, adubação e pesticidas.
• Novas fontes de alimentos
Novos métodos de aumento da produção
de alimentos estão em estudo. Um é o cultivo
de algas em grandes quantidades, como fonte de ração
para animais. Outra é cultivar microorganismos (bactérias
e leveduras) em hidrocarboneto e nutrientes inorgânicos,
como fonte de alimento para animais e pessoas.
Uma outra possibilidade seria a dessalinação
da água do mar para fins de irrigação
do deserto. Experimentos comprovaram que o deserto com
sua alta temperatura e abundante luz solar, pode se tornar
bastante produtivo para a agricultura.
Porém, a introdução dessas novas fontes
de alimentos requer uma alta tecnologia e conseqüentemente
um custo bem elevado para a maioria dos países.
6 – BIBLIOGRAFIA
?ADAS, Melhem. A FOME: crise ou
Escândalo? /
21 ª edição. São Paulo, 1998.
Editora Moderna;
?ADAS, Melhem. Panorama Geográfico
do Brasil.
2 ª edição, 1985. Editora Moderna;
?CURTIS, Helena. Biologia. 2ª edição, 1997. Editora Guanabara;
?VASCONCELOS, José Luiz e GEWANDSNAJEDER, Fernando.
22ª edição. Editora Ática.
Centro Federal de Educação Tecnológica
do Piauí
Curso: Licenciatura em Biologia
Disciplina: Intervenção Humana no Meio Ambiente
Professor: Juliana