Fome no Nordeste
A
fome dos brasileiros do Nordeste não pode esperar"O que está
acontecendo com a região Nordeste do Brasil? Tínhamos um
espaço imenso na imprensa, com notícias de saque, miséria,
fome, falta d'água, seca, MST, governo e oposição. Ouvíamos
falar de campanhas de arrecadação de alimentos, cesta básica,
gente fazendo um movimento enorme em relação a essa região. De
repente, tudo sumiu, desapareceu, ninguém fala mais nada,
ninguém diz nada, não há absolutamente nada a respeito do
Nordeste brasileiro." (Heródoto Barbeiro, jornal da rádio CBN,
em 3 de julho de 1998)
Depois de ser, no mês de maio, capa da revista Veja, tema de
reportagem especial do Fantástico, e assunto de destaque dos
principais veículos de comunicação, o flagelo provocado pela
seca do Nordeste volta a cair no esquecimento. Mas a fome nas
cidades afetadas continua, e deve piorar sensivelmente nos
próximos dias e meses, em razão do agravamento das condições
climáticas nessas áreas afetadas pela estiagem, previsto pelos
especialistas.
Essa tendência, aliás, não é nova. Já em sua edição de 30 de
julho de 97, a revista
Isto é publicou um minucioso relato sobre os efeitos do El
Niño no planeta, destacando que o fenômeno provocaria a pior
seca do Nordeste brasileiro desde 1983.
Em apoio às vítimas da longa estiagem, que não podem plantar,
colher ou criar gado, e estão sobrevivendo em condições
mínimas de subsistência, campanhas como o SOS Nordeste sem
Fome, promovido pela Câmara Americana de Comércio de São
Paulo, têm empreendido esforços no sentido de enviar a maior
quantidade possível de alimentos para as populações
flageladas. Diante da ausência do debate sobre o tema no
noticiário, mantido em evidência por apenas alguns veículos de
comunicação, e com a conseqüente desmobilização da população
brasileira, essas ações têm encontrado dificuldades para
cumprir com seus objetivos.
Segundo dados da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento
do Nordeste), há 1.209 municípios de nove estados em situação
crítica, e a ajuda do governo é insuficiente para cobrir todas
as necessidades. As campanhas de apoio, como o SOS Nordeste
sem Fome, portanto, não podem parar. Para isso, as doações
precisam imprimir um ritmo ajustado ao agravamento das
condições climáticas da região.
Até o momento, já foram enviadas pela Câmara Americana mais de
300 toneladas de alimentos ao Nordeste, beneficiando cerca de
oito mil famílias de 38 municípios dos Estados da Bahia,
Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Mas esses
números precisam ser multiplicados. Da participação de todos
depende a sobrevivência de famílias e crianças nordestinas. A
fome, definitivamente, não pode esperar.
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