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  Matérias :: Pedagogia

 

  Autoria: Hevert Ximenes


 


Sociologia


Introdução

Durante muito tempo o homem procurou uma ciência que estudasse os
acontecimentos na sociedade humana, com o passar do tempo recebeu o nome de
sociologia.
A Sociologia é uma das manifestações do pensamento moderno. É a ciência da
sociedade. O estudo dos fenômenos sociais pelo método da análise
sociológica. Nem todo acontecimento dentro de uma sociedade é de natureza
social.
Portanto, a sociologia não toma por objeto de observação, o indivíduo. Ela é
uma ciência do social. Só se interessa pelo indivíduo, na medida em que este
afeta aos demais, constituindo-se um fato social.
A sociedade não é analisada somente pela sociologia. Outras disciplinas
também olham para a realidade social: história, antropologia, educação, etc.
No entretanto neste trabalho será abordado o surgimento e desenvolvimento da
sociologia.
 


COMO SURGIU A SOCIOLOGIA


A sociologia, ciência que tenta explicar a vida social, nasceu de uma
mudança radical da sociedade, resultando no surgimento do capitalismo.
O século XVIII foi marcado por transformações, fazendo o homem analisar a
sociedade, um novo "objeto" de estudo. Essa situação foi gerada pelas
revoluções industrial e francesa, que mudaram completamente o curso que a
sociedade estava tomando na época. A Revolução Industrial, por exemplo,
representou a consolidação do capitalismo, uma nova forma de viver, a
destruição de costumes e instituições, a automação, o aumento de suicídios,
prostituição e violência, a formação do proletariado, etc. Essas novas
existências vão, paulatinamente, modificando o pensamento moderno, que vai
se tornando racional e científico, substituindo as explicações teológicas,
filosóficas e de senso comum.
Na Revolução Francesa, encontra-se filósofos a fim de transformar a
sociedade, os iluministas, que também objetivavam demonstrar a
irracionalidade e as injustiças de algumas instituições, pregando a
liberdade e a igualdade dos indivíduos que, na verdade, descobriu-se mais
tarde que esses eram falsos dogmas. Esse cenário leva à constituição de um
estudo científico da sociedade.
Contra a revolução, pensadores tentam reorganizar a sociedade, estabelecendo
ordem, conhecendo as leis que regem os fatos sociais. Era o positivismo
surgindo e, com ele, a instituição da ciência da sociedade. Tal movimento
revalorizou certas instituições que a revolução francesa tentou destruir e
criou uma "física social", criada por Comte, "pai da sociologia". Outro
pensador positivista, Durkheim, tornou-se um grande teórico desta nova
ciência, se esforçando para emancipa-la como disciplina científica.
Foi dentro desse contexto que surgiu a sociologia, ciência que, mesmo antes
de ser considerada como tal, estimulou a reflexão da sociedade moderna
colocando como "objeto de estudo" a própria sociedade, tendo como principais
articuladores Auguste Conte e Émile Durkheim.



A Formação da Sociologia


No final do século passado, o matemático francês Henri Poicaré referiu-se à
sociologia como ciência de muitos métodos e poucos resultados. Ao que tudo
indica, atualmente poucos duvidam dos resultados alcançados pela sociologia.
A sua realidade é atestada pelas inúmeras pesquisas dos sociólogos, pela sua
presença nas universidades e empresas e nos organismos estatais. Ao lado
desta crescente presença da sociologia no nosso dia-a-dia, continua porém
chamando a atenção de todos os que se interessam por ela os freqüentes e
acirrados debates travados em seu interior sobre o seu objeto de estudo e
seus métodos de investigação.
A falta de um entendimento comum entre os sociólogos sobre a sua ciência
possui, em boa medida, uma relação com a formação de uma sociedade dividida
pelos antagonismos de classe. A existência de interesses opostos na
sociedade capitalista penetrou e invadiu a formação da sociologia. Este
contexto histórico influenciou enormemente suas visões sobre como deveria
ser analisada a sociedade, o que refletiu também no conteúdo político de
seus trabalhos. Este antagonismo deu origem ao aparecimento de diferentes
tradições sociológicas ou distintas sociologias como afirmam alguns
sociólogos.

Não podemos esquecer que a sociologia surgiu num momento de grande expansão
do capitalismo e por isto mesmo alguns sociólogos otimistas assumiram,
diante da sociedade capitalista nascente, que os interesses e os valores da
classe dominante eram representativos do conjunto da sociedade e que os
conflitos entre as classes sociais eram passageiros.
Os conservadores chamados de “profetas do passado” construíram suas obras
contra a herança dos filósofos iluministas. Não eram intelectuais que
justificavam a sociedade por suas realizações políticas ou econômicas. Ao
contrário, a inspiração do pensamento conservador era a sociedade feudal,
com sua estabilidade e acentuada hierarquia social. Não se interessavam em
defender uma sociedade moldada nos princípios defendidos pelos iluministas
nem um capitalismo que se transformava mostrando sua faceta industrial e
financeira. O fascínio que as sociedades da Idade Média exercia sobre estes
pensadores conferiu-lhes e às suas obras um forte sabor medieval. Por
interesse direto, alguns deles eram defensores ferrenhos das instituições
religiosas, monárquicas e aristocráticas em franco processo de
desmantelamento.
As idéias dos conservadores eram um ponto de referência para os pioneiros da
sociologia, interessados na preservação da nova ordem econômica e política
que estava sendo implantada. Adaptando, inclusive, algumas concepções dos
“profetas do passado” às novas circunstâncias históricas, pela
impossibilidade total de retorno ao passado.




ÉMILE DURKEIN(1858-1917)


Entre os autores positivistas, como Emile Durkheim, que as idéias dos
conservadores exerceriam uma grande influência, para Durkheim (1858-1917) a
questão da ordem social seria uma preocupação constante. De forma
sistemática, ocupou-se em estabelecer o objeto de estudo da sociologia assim
como indicar o seu método de investigação. Foi através dele que a sociologia
penetrou a Universidade, conferindo a esta disciplina o reconhecimento
acadêmico. Sua obra foi elaborada em época de crises econômicas constantes,
quando o desemprego e a miséria provocava o acirramento das lutas de classe,
com os operários utilizando a greve como instrumento de luta e fundando seus
sindicatos.
       Vivendo nesta época em que as teorias socialistas ganhavam terreno,
Durkheim não poderia ignorá-las, tanto é que em certo sentido, suas idéias
constituíam a tentativa de fornecer uma resposta às formulações socialistas.
Discordava das teorias socialistas mormente quanto à ênfase atribuída aos
fatos econômicos para diagnosticar a crise das sociedades européias.
Acreditava que a origem dos problemas não era de natureza econômica, mas
originados na fragilidade da moral em orientar adequadamente o comportamento
dos indivíduos.
Preocupado em estabelecer um objeto de estudo e um método para a sociologia,
Durkheim, dedicou-se a esta questão, salientando que nenhuma ciência poderia
constituir-se sem uma área própria de investigação. A sociologia deveria
ocupar-se com os fatos sociais que se apresentavam aos indivíduos como
exteriores e coercitivos. Isto quer dizer que o indivíduo quando nasce já
encontra a sociedade formada criada pelas gerações passadas, cuja
organização deverá ser transmitida às gerações futuras através da educação.

       O seu pensamento marcou decisivamente e sociologia contemporânea,
principalmente as tendências que têm-se preocupado com as questões da
manutenção da ordem social. A sua influência fora do meio acadêmico francês
começou por volta de 1930, quando, na Inglaterra, dois antropólogos,
Malinowski e Radcliffe-Brown, armaram a partir de seus trabalhos os
alicerces do método de investigação funcionalista (busca de explicação das
instituições sociais e culturais em termos da contribuição que estas
fornecem para a manutenção da estrutura social). Nos Estados Unidos, a
partir daquela data, as suas idéias começaram a ganhar terreno no meio
universitário, exercendo grande fascínio em inúmeros pesquisadores. No
entanto, foram dois sociólogos americanos Mertom e Parsons, em boa medida,
os responsáveis pelo desenvolvimento do funcionalismo moderno e pela
integração da contribuição de Durkheim ao pensamento sociológico
contemporâneo, destacando a sua contribuição ao progresso teórico desta
disciplina.



Como ele via a sociedade


No pensamento durkeiniano a sociedade prevalece sobre o indivíduo, pois
quando este nasce tem de se adaptar às normas já criadas, como leis,
costumes, línguas, etc.
O indivíduo, por exemplo, obedece a uma série de leis impostas pela
sociedade e não tem o direito de modificá-las.
Para Durkein o objeto de estudo da Sociologia são os fatos sociais. Esses
fatos sociais são as regras impostas pela sociedade (as leis, costumes, etc.
que são passados de geração à geração).
É a sociedade, como coletividade, que organiza, condiciona e controla as
ações individuais. O indivíduo aprende a seguir normas e regras que não
foram criadas por ele, essas regras limitam sua ação e prescrevem punições
para quem não obedecer aos limites sociais.
Durkein propôs um método para a Sociologia que consiste no conjunto de
regras que o pesquisador deve seguir para realizar, de maneira correta, suas
pesquisas. Este método enfatiza a posição de neutralidade e objetividade que
o pesquisador deve ter em relação à sociedade: ele deve descrever a
realidade social, sem deixar que suas idéias e opiniões interfiram na
observação dos fatos sociais.
MAX WEBER (1864-1920)
Max Weber (1864-1920) um marco de referência. Durante toda sua vida,
insistiu em estabelecer uma clara distinção entre o conhecimento científico,
fruto de cuidadosa investigação, e os julgamentos de valor sobre a
realidade.
A busca de uma neutralidade científica levou Weber a estabelecer uma
rigorosa fronteira entre o cientista, homem do saber, das análises frias e
penetrantes e o político, homem de ação e de decisão comprometido com as
questões práticas da vida. Essa posição de Weber, que tantas discussões têm
provocado entre os cientistas sociais, constitui, ao isolar a sociologia dos
movimentos revolucionários, um dos momentos decisivos da profissionalização
dessa disciplina. A idéia de uma ciência social neutra seria um argumento
útil e fascinante para aqueles que viviam e iriam viver da sociologia como
profissão.
A sociologia por ele desenvolvida considerava o indivíduo e a sua ação como
ponto chave da investigação. Com isso, ele queria salientar que o verdadeiro
ponto de partida da sociologia era a compreensão da ação dos indivíduos e
não a análise das “instituições sociais” ou do “grupo social”, tão
enfatizadas pelo pensamento conservador.


Como ele compreendia a Sociedade


Para Weber a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações
individuais. Estas são todo tipo de ação que o indivíduo faz, orientando-se
pela ação de outros.
Só existe ação social, quando o indivíduo tenta estabelecer algum tipo de
comunicação, a partir de suas ações com os demais.
Weber estabeleceu quatro tipos de ação social. Estes são conceitos que
explicam a realidade social, mas não são a realidade social:
1 – ação tradicional: aquela determinada por um costume ou um hábito
arraigado;
2 – ação afetiva: aquela determinada por afetos ou estados sentimentais;
3 – racional com relação a valores: determinada pela crença consciente num
valor considerado importante, independentemente do êxito desse valor na
realidade;
4 – racional com relação a fins: determinada pelo cálculo racional que
coloca fins e organiza os meios necessários.
Nos conceitos de ação social e definição de seus diferentes tipos, Weber não
analisa as regras e normas sociais como exteriores aos indivíduos.
Para ele as normas e regras sociais são o resultado do conjunto de ações
individuais.
Na sua concepção o método deve enfatizar o papel ativo do pesquisador em
face da sociedade.



Karl Heinrich Marx


Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 — Londres, 14 de março de
1883) foi um intelectual alemão considerado um dos fundadores da Sociologia.
A relação da produção da vida prática e material para com as idéias não é,
porém, determinística e reducionista como à primeira impressão pode parecer;
existe uma relação dialética entre essas duas entidades. Marx tinha um
pensamento prático e político que muitos entenderam como sendo um método a
determinar a realidade, chamando-o de materialismo histórico e dialético,
que mais tarde veio a ser denominado de marxismo. Além disso, os
estruturalistas, que passaram a ler os escritos de Marx segundo uma visão
estruturalista segundo a qual com os homens seriam apenas apêndices das
estruturas econômicas, e não criadores diretos destas. Como colocado por
Lukács já na década de 1920, a metodologia marxista vê na ciência social uma
totalidade, onde se a Economia organiza a tessitura básica da vida social -
a "determinação em última instância", dizia Engels - a Política e a Cultura,
por sua vez, contribuem para estabelecer as formas históricas de gestão
econômica, e, portanto, agem decisivamente sobre a organização material da
Sociedade.


A mais-valia


A mais-valia não pode provir da circulação das mercadorias, porque esta só
conhece a troca de equivalentes, nem tão pouco pode provir de um aumento dos
preços porque as perdas e os lucros recíprocos dos compradores e dos
vendedores equilibrar-se-iam; trata-se de um fenômeno social médio,
generalizado, e não de um fenômeno individual. Para obter a mais-valia
“seria preciso que o possuidor do dinheiro descobrisse no mercado uma
mercadoria cujo valor de uso fosse dotado da propriedade singular de ser
fonte de valor”, uma mercadoria cujo processo de consumo fosse, ao mesmo
tempo, um processo de criação de valor. E esta mercadoria existe: é a força
de trabalho humana. O seu uso é o trabalho, e o trabalho cria valor. O
possuidor de dinheiro compra a força de trabalho pelo seu valor, que, como o
de qualquer outra mercadoria, é determinado pelo tempo de trabalho
socialmente necessário para a sua produção (isto é, pelo custo da manutenção
do operário e da sua família). Tendo comprado a força de trabalho, o
possuidor do dinheiro fica com o direito de a consumir, isto é, de a obrigar
a trabalhar durante um dia inteiro, suponhamos durante doze horas. Mas em
seis horas (tempo de trabalho “necessário”), o operário cria um produto que
cobre as despesas da sua manutenção, e durante as outras seis horas (tempo
de trabalho “suplementar”), cria um “sobreproduro” não retribuído pelo
capitalista, que constitui a mais-valia. Por conseguinte, do ponto de vista
do processo de produção é necessário distinguir duas partes do capital: o
capital constante, investido nos meios de produção (máquinas, instrumentos
de trabalho, matérias-primas, etc.), cujo valor passa sem modificação (de
uma só vez ou por partes) para o produto acabado, e o capital variável, que
é investido para pagar a força de trabalho. O valor deste capital não se
conserva invariável; antes aumenta no processo do trabalho, criando
mais-valia. Assim, para exprimir o grau de exploração da força de trabalho
pelo capital temos de comparar a mais-valia não com o capital total, mas
unicamente com o capital variável. A taxa de mais-valia, nome dado por Marx
a essa relação, seria, no nosso exemplo, de 6/6 ou de 100%.
A condição histórica para o aparecimento do capital reside, em primeiro
lugar, na acumulação de uma certa soma de dinheiro nas mãos de certas
pessoas num estádio de desenvolvimento da produção de mercadorias em geral
já relativamente elevado; em segundo lugar, na existência de operários
“livres” sob dois aspectos - livres de quaisquer entraves ou restrições para
venderem a sua força de trabalho, e livres por não terem terras nem meios de
produção em geral –, de operários sem qualquer propriedade, de operários
“proletários” que não podem subsistir senão vendendo a sua força de
trabalho.
O aumento da mais-valia é possível graças a dois processos fundamentais: o
prolongamento da jornada de trabalho (“mais-valia absoluta”) e a redução do
tempo de trabalho necessário (“mais-valia relativa”). Marx, analisando o
primeiro processo, traça um quadro grandioso da luta da classe operária pela
redução da jornada de trabalho e da intervenção do poder de Estado primeiro
para a prolongar (séculos XIV a XVII) e depois para a diminuir (legislação
fabril do século XIX). Depois da publicação de O Capital, a história do
movimento operário, em todos os países civilizados do mundo, forneceu
milhares e milhares de novos fatos que ilustram esse quadro.
Na sua análise da produção da mais-valia relativa, Marx estuda as três
etapas históricas fundamentais no processo de intensificação da
produtividade do trabalho pelo capitalismo: 1 - cooperação simples; 2 - a
divisão do trabalho e a manufatura; 3 - as máquinas e a grande indústria. A
profundidade com que a análise de Marx revela os traços fundamentais e
típicos do desenvolvimento do capitalismo aparece, entre outras coisas, no
fato de o estudo da chamada indústria artesanal russa fornecer materiais
muito abundantes para ilustrar as duas primeiras dessas três etapas. Quanto
à ação revolucionadora da grande indústria mecanizada, descrita por Marx em
1867, manifestou-se, durante o meio século decorrido desde então, em vários
países “novos” (Rússia, Japão, etc.). A análise da acumulação do capital,
isto é, da transformação de uma parte da mais-valia em capital e do seu
emprego não para satisfazer as necessidades pessoais ou os caprichos do
capitalista, mas para voltar a produzir. Marx assinalou o erro de toda a
economia política clássica anterior (desde Adam Smith), segundo a qual toda
a mais-valia que se convertia em capital passava a fazer parte do capital
variável. Enquanto, na realidade, ela se decompõe em meios de produção e em
capital variável. O crescimento mais rápido da parte do capital constante
(no montante total do capital) em relação à parte do capital variável tem,
no processo de desenvolvimento do capitalismo e da sua transformação em
socialismo, uma importância primordial.
Acelerando a substituição dos operários pelas máquinas e criando a riqueza
num pólo e a miséria no outro, a acumulação do capital gera assim o chamado
“exército de reserva do trabalho”, o “excedente relativo” de operários ou
“superpopulação capitalista”, que se reveste de formas extremamente variadas
e dá ao capital a possibilidade de ampliar muito rapidamente a produção.
Esta possibilidade, combinada com o crédito e a acumulação de capital em
meios de produção, dá-nos, entre outras coisas, a explicação das crises de
superprodução que aparecem periodicamente nos países capitalistas, a
princípio aproximadamente de dez em dez anos, depois com intervalos menos
próximos e menos fixos. Impõe-se a distinção entre a acumulação do capital
na base do capitalismo e a chamada acumulação primitiva, quando se desapossa
violentamente o trabalhador dos meios de produção, se expulsa o camponês das
suas terras, se roubam às terras comunais, e imperam o sistema colonial e o
sistema das dívidas públicas, as tarifas alfandegárias protecionistas, etc.
A “acumulação primitiva” cria, num pólo, o proletário “livre”, no outro, o
detentor do dinheiro, o capitalista.
Outro ponto extraordinariamente importante e novo é a análise feita por Marx
no tomo lide O Capital da reprodução do capital social tomado no seu
conjunto. Também aqui, ele considera não um fenômeno individual, mas um
fenômeno geral, não uma fração da economia social, mas a economia na sua
totalidade. Corrigindo o erro atrás mencionado dos economistas clássicos,
Marx divide toda a produção social em duas grandes secções: (1) produção de
meios de produção e (II) produção de artigos de consumo; e examina em
pormenor, com o apoio de dados numéricos, a circulação do capital social no
seu conjunto, tanto na reprodução simples como na acumulação. No tomo III de
O Capital resolve-se, de acordo com a lei do valor, o problema da formação
da taxa média de lucro. Um imenso progresso foi alcançado na ciência
econômica pelo fato de a análise de Marx partir de fenômenos econômicos
gerais, do conjunto da economia social, e não de casos isolados ou das
manifestações superficiais da concorrência, aos quais se limita geralmente a
economia política vulgar ou a moderna “teoria da utilidade marginal” . Marx
analisa primeiro a origem da mais-valia e passa em seguida à sua
decomposição em lucro, juro e renda da terra. O lucro é a relação entre a
mais-valia e o conjunto do capital investido numa empresa. O capital de
“elevada composição orgânica” (isto é, em que o capital constante ultrapassa
o capital variável em proporções superiores à média social) dá uma taxa de
lucro inferior à média. O capital de “baixa composição orgânica” dá uma taxa
de lucro superior à média. A concorrência entre os capitais, a sua livre
passagem de um ramo para outro, reduzem, em ambos os casos, a taxa de lucro
à taxa média. A soma dos valores de todas as mercadorias numa dada sociedade
coincide com a soma dos preços das mercadorias, mas, em cada empresa e em
cada ramo de produção tomado à parte, sob influência da concorrência, as
mercadorias são vendidas não pelo seu valor, mas pelo preço de produção, que
é igual ao capital investido, mais o lucro médio.
Assim, a diferença entre o preço e o valor e a igualização do lucro, fatos
incontestáveis e conhecidos de todos, são perfeitamente explicados por Marx
com base na lei do valor, porque a soma dos valores de todas as mercadorias
coincide com a soma dos seus preços. Mas a redução do valor (social) aos
preços (individuais) não se dá de forma simples e direta; segue uma via
muito complicada; é absolutamente natural que, numa sociedade de produtores
de mercadorias dispersos, apenas ligados uns aos outros pelo mercado, as
leis que regem essa sociedade não possam exprimir-se senão através de
resultados médios, sociais, gerais, pela compensação recíproca dos desvios
individuais num ou noutro sentido.
O aumento da produtividade do trabalho significa um crescimento mais rápido
do capital constante em relação ao capital variável. Ora, sendo a mais-valia
função apenas do capital variável, compreende-se que a taxa de lucro (a
relação entre a mais-valia e todo o capital, e não apenas entre a mais-valia
e a parte variável do capital) tenha tendência para baixar. Marx analisa
minuciosamente esta tendência, assim como as diversas circunstâncias que a
ocultam ou a contrariam. Sem nos determos na exposição dos
interessantíssimos capítulos do tomo III, consagrados ao capital usurário,
ao capital comercial e ao capital-dinheiro, abordaremos o essencial: a
teoria da renda da terra. Sendo a superfície do solo limitada e estando, nos
países capitalistas, inteiramente ocupada por proprietários particulares, o
custo de produção dos produtos da terra é determinado pelos gastos de
produção, não nos terrenos de qualidade média, mas nos da pior qualidade, e
pelas condições de transporte (não médias, mas pelas mais desfavoráveis) dos
produtos para o mercado. A diferença entre este preço e o preço de produção
num terreno de qualidade superior (ou em melhores condições) constitui a
renda diferencial. Graças a uma análise pormenorizada desta renda, em que
demonstra que ela provém da diferença da fertilidade dos terrenos e da
diferença dos capitais investidos na cultura, Marx põe em evidência (ver
igualmente as Teorias da Mais-Valia, onde a crítica a Rodbertus merece uma
atenção particular) o erro de Ricardo ao pretender que a renda diferencial
só se obtém pela conversão gradual dos melhores terrenos em terrenos de
qualidade inferior. Pelo contrário, transformações inversas produzem-se
igualmente: terrenos de uma categoria transformam-se em terrenos de outra
categoria (em virtude do progresso da técnica agrícola, do crescimento das
cidades, etc.) e a famosa “lei da fertilidade decrescente do solo” é um
profundo erro que atribui à natureza os defeitos, as limitações e as
contradições do capitalismo. Além disso, a igualdade do lucro, em todos os
ramos da indústria e da economia nacional em geral, supõe uma liberdade
completa de concorrência, a liberdade de transferir o capital de um ramo
para outro. Mas a propriedade privada da terra cria um monopólio que é um
obstáculo a essa livre transferência. Devido a esse monopólio, os produtos
de uma agricultura que se distingue por uma baixa composição orgânica do
capital e que, por conseguinte, dá uma taxa de lucro individual mais
elevada, não entram no livre jogo de igualização da taxa de lucro: o
proprietário agrícola, que detém o monopólio da terra, pode manter o preço
acima da média; este preço de monopólio dá origem à renda absoluta. A renda
diferencial não pode ser abolida em regime capitalista; mas, ao contrário, a
renda absoluta pode sê-lo, por exemplo, com a nacionalização da terra quando
esta passa a propriedade do Estado. Esta passagem da terra para o Estado
significaria a supressão do monopólio dos proprietários agrícolas, uma
liberdade de concorrência mais conseqüente e mais completa na agricultura. E
por isso que, diz Marx, os burgueses radicais, mais do que uma vez na
história, formularam esta reivindicação burguesa progressiva da
nacionalização da terra que todavia apavora a maior parte da burguesia,
porque “toca” de demasiado perto um outro monopólio que atualmente é muito
mais importante e “sensível”: o monopólio dos meios de produção em geral.




Conclusão

A Sociologia, através de seus métodos de investigação científica, procura
compreender e explicar as estruturas da sociedade, analizando a relações
históricas e culturais criando conceitos e teorias a fim de manter ou
alterar as relações de poder nela existentes.
Concluindo: possui objetivos de manter relações que estabelecem consciente
ou inconscientemente, entre pessoas que vivem numa comunidade, num grupo
social ou mesmo em grupos sociais diferentes que lutam pra viverem em
harmonia uns com outros estabelecendo limites e procurando ampliar o espaço
em que vivem para uma melhor organização.





Bibliografia
•       Livro educar difusão do livro
•       Enciclopédia virtual winkpédia
•       Positivo, apostila seg. série –ensino médio
•       www.google.com

   

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