Sociologia
Introdução
Durante muito tempo o homem procurou uma ciência que
estudasse os
acontecimentos na sociedade humana, com o passar do tempo
recebeu o nome de
sociologia.
A Sociologia é uma das manifestações do pensamento moderno.
É a ciência da
sociedade. O estudo dos fenômenos sociais pelo método da
análise
sociológica. Nem todo acontecimento dentro de uma sociedade
é de natureza
social.
Portanto, a sociologia não toma por objeto de observação, o
indivíduo. Ela é
uma ciência do social. Só se interessa pelo indivíduo, na
medida em que este
afeta aos demais, constituindo-se um fato social.
A sociedade não é analisada somente pela sociologia. Outras
disciplinas
também olham para a realidade social: história,
antropologia, educação, etc.
No entretanto neste trabalho será abordado o surgimento e
desenvolvimento da
sociologia.
COMO SURGIU A SOCIOLOGIA
A sociologia, ciência que tenta explicar a vida social,
nasceu de uma
mudança radical da sociedade, resultando no surgimento do
capitalismo.
O século XVIII foi marcado por transformações, fazendo o
homem analisar a
sociedade, um novo "objeto" de estudo. Essa situação foi
gerada pelas
revoluções industrial e francesa, que mudaram completamente
o curso que a
sociedade estava tomando na época. A Revolução Industrial,
por exemplo,
representou a consolidação do capitalismo, uma nova forma de
viver, a
destruição de costumes e instituições, a automação, o
aumento de suicídios,
prostituição e violência, a formação do proletariado, etc.
Essas novas
existências vão, paulatinamente, modificando o pensamento
moderno, que vai
se tornando racional e científico, substituindo as
explicações teológicas,
filosóficas e de senso comum.
Na Revolução Francesa, encontra-se filósofos a fim de
transformar a
sociedade, os iluministas, que também objetivavam demonstrar
a
irracionalidade e as injustiças de algumas instituições,
pregando a
liberdade e a igualdade dos indivíduos que, na verdade,
descobriu-se mais
tarde que esses eram falsos dogmas. Esse cenário leva à
constituição de um
estudo científico da sociedade.
Contra a revolução, pensadores tentam reorganizar a
sociedade, estabelecendo
ordem, conhecendo as leis que regem os fatos sociais. Era o
positivismo
surgindo e, com ele, a instituição da ciência da sociedade.
Tal movimento
revalorizou certas instituições que a revolução francesa
tentou destruir e
criou uma "física social", criada por Comte, "pai da
sociologia". Outro
pensador positivista, Durkheim, tornou-se um grande teórico
desta nova
ciência, se esforçando para emancipa-la como disciplina
científica.
Foi dentro desse contexto que surgiu a sociologia, ciência
que, mesmo antes
de ser considerada como tal, estimulou a reflexão da
sociedade moderna
colocando como "objeto de estudo" a própria sociedade, tendo
como principais
articuladores Auguste Conte e Émile Durkheim.
A Formação da Sociologia
No final do século passado, o matemático francês Henri
Poicaré referiu-se à
sociologia como ciência de muitos métodos e poucos
resultados. Ao que tudo
indica, atualmente poucos duvidam dos resultados alcançados
pela sociologia.
A sua realidade é atestada pelas inúmeras pesquisas dos
sociólogos, pela sua
presença nas universidades e empresas e nos organismos
estatais. Ao lado
desta crescente presença da sociologia no nosso dia-a-dia,
continua porém
chamando a atenção de todos os que se interessam por ela os
freqüentes e
acirrados debates travados em seu interior sobre o seu
objeto de estudo e
seus métodos de investigação.
A falta de um entendimento comum entre os sociólogos sobre a
sua ciência
possui, em boa medida, uma relação com a formação de uma
sociedade dividida
pelos antagonismos de classe. A existência de interesses
opostos na
sociedade capitalista penetrou e invadiu a formação da
sociologia. Este
contexto histórico influenciou enormemente suas visões sobre
como deveria
ser analisada a sociedade, o que refletiu também no conteúdo
político de
seus trabalhos. Este antagonismo deu origem ao aparecimento
de diferentes
tradições sociológicas ou distintas sociologias como afirmam
alguns
sociólogos.
Não podemos esquecer que a sociologia surgiu num momento de
grande expansão
do capitalismo e por isto mesmo alguns sociólogos otimistas
assumiram,
diante da sociedade capitalista nascente, que os interesses
e os valores da
classe dominante eram representativos do conjunto da
sociedade e que os
conflitos entre as classes sociais eram passageiros.
Os conservadores chamados de “profetas do passado”
construíram suas obras
contra a herança dos filósofos iluministas. Não eram
intelectuais que
justificavam a sociedade por suas realizações políticas ou
econômicas. Ao
contrário, a inspiração do pensamento conservador era a
sociedade feudal,
com sua estabilidade e acentuada hierarquia social. Não se
interessavam em
defender uma sociedade moldada nos princípios defendidos
pelos iluministas
nem um capitalismo que se transformava mostrando sua faceta
industrial e
financeira. O fascínio que as sociedades da Idade Média
exercia sobre estes
pensadores conferiu-lhes e às suas obras um forte sabor
medieval. Por
interesse direto, alguns deles eram defensores ferrenhos das
instituições
religiosas, monárquicas e aristocráticas em franco processo
de
desmantelamento.
As idéias dos conservadores eram um ponto de referência para
os pioneiros da
sociologia, interessados na preservação da nova ordem
econômica e política
que estava sendo implantada. Adaptando, inclusive, algumas
concepções dos
“profetas do passado” às novas circunstâncias históricas,
pela
impossibilidade total de retorno ao passado.
ÉMILE DURKEIN(1858-1917)
Entre os autores positivistas, como Emile Durkheim, que as
idéias dos
conservadores exerceriam uma grande influência, para
Durkheim (1858-1917) a
questão da ordem social seria uma preocupação constante. De
forma
sistemática, ocupou-se em estabelecer o objeto de estudo da
sociologia assim
como indicar o seu método de investigação. Foi através dele
que a sociologia
penetrou a Universidade, conferindo a esta disciplina o
reconhecimento
acadêmico. Sua obra foi elaborada em época de crises
econômicas constantes,
quando o desemprego e a miséria provocava o acirramento das
lutas de classe,
com os operários utilizando a greve como instrumento de luta
e fundando seus
sindicatos.
Vivendo nesta época em que as teorias socialistas
ganhavam terreno,
Durkheim não poderia ignorá-las, tanto é que em certo
sentido, suas idéias
constituíam a tentativa de fornecer uma resposta às
formulações socialistas.
Discordava das teorias socialistas mormente quanto à ênfase
atribuída aos
fatos econômicos para diagnosticar a crise das sociedades
européias.
Acreditava que a origem dos problemas não era de natureza
econômica, mas
originados na fragilidade da moral em orientar adequadamente
o comportamento
dos indivíduos.
Preocupado em estabelecer um objeto de estudo e um método
para a sociologia,
Durkheim, dedicou-se a esta questão, salientando que nenhuma
ciência poderia
constituir-se sem uma área própria de investigação. A
sociologia deveria
ocupar-se com os fatos sociais que se apresentavam aos
indivíduos como
exteriores e coercitivos. Isto quer dizer que o indivíduo
quando nasce já
encontra a sociedade formada criada pelas gerações passadas,
cuja
organização deverá ser transmitida às gerações futuras
através da educação.
O seu pensamento marcou decisivamente e sociologia
contemporânea,
principalmente as tendências que têm-se preocupado com as
questões da
manutenção da ordem social. A sua influência fora do meio
acadêmico francês
começou por volta de 1930, quando, na Inglaterra, dois
antropólogos,
Malinowski e Radcliffe-Brown, armaram a partir de seus
trabalhos os
alicerces do método de investigação funcionalista (busca de
explicação das
instituições sociais e culturais em termos da contribuição
que estas
fornecem para a manutenção da estrutura social). Nos Estados
Unidos, a
partir daquela data, as suas idéias começaram a ganhar
terreno no meio
universitário, exercendo grande fascínio em inúmeros
pesquisadores. No
entanto, foram dois sociólogos americanos Mertom e Parsons,
em boa medida,
os responsáveis pelo desenvolvimento do funcionalismo
moderno e pela
integração da contribuição de Durkheim ao pensamento
sociológico
contemporâneo, destacando a sua contribuição ao progresso
teórico desta
disciplina.
Como ele via a sociedade
No pensamento durkeiniano a sociedade prevalece sobre o
indivíduo, pois
quando este nasce tem de se adaptar às normas já criadas,
como leis,
costumes, línguas, etc.
O indivíduo, por exemplo, obedece a uma série de leis
impostas pela
sociedade e não tem o direito de modificá-las.
Para Durkein o objeto de estudo da Sociologia são os fatos
sociais. Esses
fatos sociais são as regras impostas pela sociedade (as
leis, costumes, etc.
que são passados de geração à geração).
É a sociedade, como coletividade, que organiza, condiciona e
controla as
ações individuais. O indivíduo aprende a seguir normas e
regras que não
foram criadas por ele, essas regras limitam sua ação e
prescrevem punições
para quem não obedecer aos limites sociais.
Durkein propôs um método para a Sociologia que consiste no
conjunto de
regras que o pesquisador deve seguir para realizar, de
maneira correta, suas
pesquisas. Este método enfatiza a posição de neutralidade e
objetividade que
o pesquisador deve ter em relação à sociedade: ele deve
descrever a
realidade social, sem deixar que suas idéias e opiniões
interfiram na
observação dos fatos sociais.
MAX WEBER (1864-1920)
Max Weber (1864-1920) um marco de referência. Durante toda
sua vida,
insistiu em estabelecer uma clara distinção entre o
conhecimento científico,
fruto de cuidadosa investigação, e os julgamentos de valor
sobre a
realidade.
A busca de uma neutralidade científica levou Weber a
estabelecer uma
rigorosa fronteira entre o cientista, homem do saber, das
análises frias e
penetrantes e o político, homem de ação e de decisão
comprometido com as
questões práticas da vida. Essa posição de Weber, que tantas
discussões têm
provocado entre os cientistas sociais, constitui, ao isolar
a sociologia dos
movimentos revolucionários, um dos momentos decisivos da
profissionalização
dessa disciplina. A idéia de uma ciência social neutra seria
um argumento
útil e fascinante para aqueles que viviam e iriam viver da
sociologia como
profissão.
A sociologia por ele desenvolvida considerava o indivíduo e
a sua ação como
ponto chave da investigação. Com isso, ele queria salientar
que o verdadeiro
ponto de partida da sociologia era a compreensão da ação dos
indivíduos e
não a análise das “instituições sociais” ou do “grupo
social”, tão
enfatizadas pelo pensamento conservador.
Como ele compreendia a Sociedade
Para Weber a sociedade pode ser compreendida a partir do
conjunto das ações
individuais. Estas são todo tipo de ação que o indivíduo
faz, orientando-se
pela ação de outros.
Só existe ação social, quando o indivíduo tenta estabelecer
algum tipo de
comunicação, a partir de suas ações com os demais.
Weber estabeleceu quatro tipos de ação social. Estes são
conceitos que
explicam a realidade social, mas não são a realidade social:
1 – ação tradicional: aquela determinada por um costume ou
um hábito
arraigado;
2 – ação afetiva: aquela determinada por afetos ou estados
sentimentais;
3 – racional com relação a valores: determinada pela crença
consciente num
valor considerado importante, independentemente do êxito
desse valor na
realidade;
4 – racional com relação a fins: determinada pelo cálculo
racional que
coloca fins e organiza os meios necessários.
Nos conceitos de ação social e definição de seus diferentes
tipos, Weber não
analisa as regras e normas sociais como exteriores aos
indivíduos.
Para ele as normas e regras sociais são o resultado do
conjunto de ações
individuais.
Na sua concepção o método deve enfatizar o papel ativo do
pesquisador em
face da sociedade.
Karl Heinrich Marx
Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 — Londres,
14 de março de
1883) foi um intelectual alemão considerado um dos
fundadores da Sociologia.
A relação da produção da vida prática e material para com as
idéias não é,
porém, determinística e reducionista como à primeira
impressão pode parecer;
existe uma relação dialética entre essas duas entidades.
Marx tinha um
pensamento prático e político que muitos entenderam como
sendo um método a
determinar a realidade, chamando-o de materialismo histórico
e dialético,
que mais tarde veio a ser denominado de marxismo. Além
disso, os
estruturalistas, que passaram a ler os escritos de Marx
segundo uma visão
estruturalista segundo a qual com os homens seriam apenas
apêndices das
estruturas econômicas, e não criadores diretos destas. Como
colocado por
Lukács já na década de 1920, a metodologia marxista vê na
ciência social uma
totalidade, onde se a Economia organiza a tessitura básica
da vida social -
a "determinação em última instância", dizia Engels - a
Política e a Cultura,
por sua vez, contribuem para estabelecer as formas
históricas de gestão
econômica, e, portanto, agem decisivamente sobre a
organização material da
Sociedade.
A mais-valia
A mais-valia não pode provir da circulação das mercadorias,
porque esta só
conhece a troca de equivalentes, nem tão pouco pode provir
de um aumento dos
preços porque as perdas e os lucros recíprocos dos
compradores e dos
vendedores equilibrar-se-iam; trata-se de um fenômeno social
médio,
generalizado, e não de um fenômeno individual. Para obter a
mais-valia
“seria preciso que o possuidor do dinheiro descobrisse no
mercado uma
mercadoria cujo valor de uso fosse dotado da propriedade
singular de ser
fonte de valor”, uma mercadoria cujo processo de consumo
fosse, ao mesmo
tempo, um processo de criação de valor. E esta mercadoria
existe: é a força
de trabalho humana. O seu uso é o trabalho, e o trabalho
cria valor. O
possuidor de dinheiro compra a força de trabalho pelo seu
valor, que, como o
de qualquer outra mercadoria, é determinado pelo tempo de
trabalho
socialmente necessário para a sua produção (isto é, pelo
custo da manutenção
do operário e da sua família). Tendo comprado a força de
trabalho, o
possuidor do dinheiro fica com o direito de a consumir, isto
é, de a obrigar
a trabalhar durante um dia inteiro, suponhamos durante doze
horas. Mas em
seis horas (tempo de trabalho “necessário”), o operário cria
um produto que
cobre as despesas da sua manutenção, e durante as outras
seis horas (tempo
de trabalho “suplementar”), cria um “sobreproduro” não
retribuído pelo
capitalista, que constitui a mais-valia. Por conseguinte, do
ponto de vista
do processo de produção é necessário distinguir duas partes
do capital: o
capital constante, investido nos meios de produção
(máquinas, instrumentos
de trabalho, matérias-primas, etc.), cujo valor passa sem
modificação (de
uma só vez ou por partes) para o produto acabado, e o
capital variável, que
é investido para pagar a força de trabalho. O valor deste
capital não se
conserva invariável; antes aumenta no processo do trabalho,
criando
mais-valia. Assim, para exprimir o grau de exploração da
força de trabalho
pelo capital temos de comparar a mais-valia não com o
capital total, mas
unicamente com o capital variável. A taxa de mais-valia,
nome dado por Marx
a essa relação, seria, no nosso exemplo, de 6/6 ou de 100%.
A condição histórica para o aparecimento do capital reside,
em primeiro
lugar, na acumulação de uma certa soma de dinheiro nas mãos
de certas
pessoas num estádio de desenvolvimento da produção de
mercadorias em geral
já relativamente elevado; em segundo lugar, na existência de
operários
“livres” sob dois aspectos - livres de quaisquer entraves ou
restrições para
venderem a sua força de trabalho, e livres por não terem
terras nem meios de
produção em geral –, de operários sem qualquer propriedade,
de operários
“proletários” que não podem subsistir senão vendendo a sua
força de
trabalho.
O aumento da mais-valia é possível graças a dois processos
fundamentais: o
prolongamento da jornada de trabalho (“mais-valia absoluta”)
e a redução do
tempo de trabalho necessário (“mais-valia relativa”). Marx,
analisando o
primeiro processo, traça um quadro grandioso da luta da
classe operária pela
redução da jornada de trabalho e da intervenção do poder de
Estado primeiro
para a prolongar (séculos XIV a XVII) e depois para a
diminuir (legislação
fabril do século XIX). Depois da publicação de O Capital, a
história do
movimento operário, em todos os países civilizados do mundo,
forneceu
milhares e milhares de novos fatos que ilustram esse quadro.
Na sua análise da produção da mais-valia relativa, Marx
estuda as três
etapas históricas fundamentais no processo de intensificação
da
produtividade do trabalho pelo capitalismo: 1 - cooperação
simples; 2 - a
divisão do trabalho e a manufatura; 3 - as máquinas e a
grande indústria. A
profundidade com que a análise de Marx revela os traços
fundamentais e
típicos do desenvolvimento do capitalismo aparece, entre
outras coisas, no
fato de o estudo da chamada indústria artesanal russa
fornecer materiais
muito abundantes para ilustrar as duas primeiras dessas três
etapas. Quanto
à ação revolucionadora da grande indústria mecanizada,
descrita por Marx em
1867, manifestou-se, durante o meio século decorrido desde
então, em vários
países “novos” (Rússia, Japão, etc.). A análise da
acumulação do capital,
isto é, da transformação de uma parte da mais-valia em
capital e do seu
emprego não para satisfazer as necessidades pessoais ou os
caprichos do
capitalista, mas para voltar a produzir. Marx assinalou o
erro de toda a
economia política clássica anterior (desde Adam Smith),
segundo a qual toda
a mais-valia que se convertia em capital passava a fazer
parte do capital
variável. Enquanto, na realidade, ela se decompõe em meios
de produção e em
capital variável. O crescimento mais rápido da parte do
capital constante
(no montante total do capital) em relação à parte do capital
variável tem,
no processo de desenvolvimento do capitalismo e da sua
transformação em
socialismo, uma importância primordial.
Acelerando a substituição dos operários pelas máquinas e
criando a riqueza
num pólo e a miséria no outro, a acumulação do capital gera
assim o chamado
“exército de reserva do trabalho”, o “excedente relativo” de
operários ou
“superpopulação capitalista”, que se reveste de formas
extremamente variadas
e dá ao capital a possibilidade de ampliar muito rapidamente
a produção.
Esta possibilidade, combinada com o crédito e a acumulação
de capital em
meios de produção, dá-nos, entre outras coisas, a explicação
das crises de
superprodução que aparecem periodicamente nos países
capitalistas, a
princípio aproximadamente de dez em dez anos, depois com
intervalos menos
próximos e menos fixos. Impõe-se a distinção entre a
acumulação do capital
na base do capitalismo e a chamada acumulação primitiva,
quando se desapossa
violentamente o trabalhador dos meios de produção, se
expulsa o camponês das
suas terras, se roubam às terras comunais, e imperam o
sistema colonial e o
sistema das dívidas públicas, as tarifas alfandegárias
protecionistas, etc.
A “acumulação primitiva” cria, num pólo, o proletário
“livre”, no outro, o
detentor do dinheiro, o capitalista.
Outro ponto extraordinariamente importante e novo é a
análise feita por Marx
no tomo lide O Capital da reprodução do capital social
tomado no seu
conjunto. Também aqui, ele considera não um fenômeno
individual, mas um
fenômeno geral, não uma fração da economia social, mas a
economia na sua
totalidade. Corrigindo o erro atrás mencionado dos
economistas clássicos,
Marx divide toda a produção social em duas grandes secções:
(1) produção de
meios de produção e (II) produção de artigos de consumo; e
examina em
pormenor, com o apoio de dados numéricos, a circulação do
capital social no
seu conjunto, tanto na reprodução simples como na
acumulação. No tomo III de
O Capital resolve-se, de acordo com a lei do valor, o
problema da formação
da taxa média de lucro. Um imenso progresso foi alcançado na
ciência
econômica pelo fato de a análise de Marx partir de fenômenos
econômicos
gerais, do conjunto da economia social, e não de casos
isolados ou das
manifestações superficiais da concorrência, aos quais se
limita geralmente a
economia política vulgar ou a moderna “teoria da utilidade
marginal” . Marx
analisa primeiro a origem da mais-valia e passa em seguida à
sua
decomposição em lucro, juro e renda da terra. O lucro é a
relação entre a
mais-valia e o conjunto do capital investido numa empresa. O
capital de
“elevada composição orgânica” (isto é, em que o capital
constante ultrapassa
o capital variável em proporções superiores à média social)
dá uma taxa de
lucro inferior à média. O capital de “baixa composição
orgânica” dá uma taxa
de lucro superior à média. A concorrência entre os capitais,
a sua livre
passagem de um ramo para outro, reduzem, em ambos os casos,
a taxa de lucro
à taxa média. A soma dos valores de todas as mercadorias
numa dada sociedade
coincide com a soma dos preços das mercadorias, mas, em cada
empresa e em
cada ramo de produção tomado à parte, sob influência da
concorrência, as
mercadorias são vendidas não pelo seu valor, mas pelo preço
de produção, que
é igual ao capital investido, mais o lucro médio.
Assim, a diferença entre o preço e o valor e a igualização
do lucro, fatos
incontestáveis e conhecidos de todos, são perfeitamente
explicados por Marx
com base na lei do valor, porque a soma dos valores de todas
as mercadorias
coincide com a soma dos seus preços. Mas a redução do valor
(social) aos
preços (individuais) não se dá de forma simples e direta;
segue uma via
muito complicada; é absolutamente natural que, numa
sociedade de produtores
de mercadorias dispersos, apenas ligados uns aos outros pelo
mercado, as
leis que regem essa sociedade não possam exprimir-se senão
através de
resultados médios, sociais, gerais, pela compensação
recíproca dos desvios
individuais num ou noutro sentido.
O aumento da produtividade do trabalho significa um
crescimento mais rápido
do capital constante em relação ao capital variável. Ora,
sendo a mais-valia
função apenas do capital variável, compreende-se que a taxa
de lucro (a
relação entre a mais-valia e todo o capital, e não apenas
entre a mais-valia
e a parte variável do capital) tenha tendência para baixar.
Marx analisa
minuciosamente esta tendência, assim como as diversas
circunstâncias que a
ocultam ou a contrariam. Sem nos determos na exposição dos
interessantíssimos capítulos do tomo III, consagrados ao
capital usurário,
ao capital comercial e ao capital-dinheiro, abordaremos o
essencial: a
teoria da renda da terra. Sendo a superfície do solo
limitada e estando, nos
países capitalistas, inteiramente ocupada por proprietários
particulares, o
custo de produção dos produtos da terra é determinado pelos
gastos de
produção, não nos terrenos de qualidade média, mas nos da
pior qualidade, e
pelas condições de transporte (não médias, mas pelas mais
desfavoráveis) dos
produtos para o mercado. A diferença entre este preço e o
preço de produção
num terreno de qualidade superior (ou em melhores condições)
constitui a
renda diferencial. Graças a uma análise pormenorizada desta
renda, em que
demonstra que ela provém da diferença da fertilidade dos
terrenos e da
diferença dos capitais investidos na cultura, Marx põe em
evidência (ver
igualmente as Teorias da Mais-Valia, onde a crítica a
Rodbertus merece uma
atenção particular) o erro de Ricardo ao pretender que a
renda diferencial
só se obtém pela conversão gradual dos melhores terrenos em
terrenos de
qualidade inferior. Pelo contrário, transformações inversas
produzem-se
igualmente: terrenos de uma categoria transformam-se em
terrenos de outra
categoria (em virtude do progresso da técnica agrícola, do
crescimento das
cidades, etc.) e a famosa “lei da fertilidade decrescente do
solo” é um
profundo erro que atribui à natureza os defeitos, as
limitações e as
contradições do capitalismo. Além disso, a igualdade do
lucro, em todos os
ramos da indústria e da economia nacional em geral, supõe
uma liberdade
completa de concorrência, a liberdade de transferir o
capital de um ramo
para outro. Mas a propriedade privada da terra cria um
monopólio que é um
obstáculo a essa livre transferência. Devido a esse
monopólio, os produtos
de uma agricultura que se distingue por uma baixa composição
orgânica do
capital e que, por conseguinte, dá uma taxa de lucro
individual mais
elevada, não entram no livre jogo de igualização da taxa de
lucro: o
proprietário agrícola, que detém o monopólio da terra, pode
manter o preço
acima da média; este preço de monopólio dá origem à renda
absoluta. A renda
diferencial não pode ser abolida em regime capitalista; mas,
ao contrário, a
renda absoluta pode sê-lo, por exemplo, com a nacionalização
da terra quando
esta passa a propriedade do Estado. Esta passagem da terra
para o Estado
significaria a supressão do monopólio dos proprietários
agrícolas, uma
liberdade de concorrência mais conseqüente e mais completa
na agricultura. E
por isso que, diz Marx, os burgueses radicais, mais do que
uma vez na
história, formularam esta reivindicação burguesa progressiva
da
nacionalização da terra que todavia apavora a maior parte da
burguesia,
porque “toca” de demasiado perto um outro monopólio que
atualmente é muito
mais importante e “sensível”: o monopólio dos meios de
produção em geral.
Conclusão
A Sociologia, através de seus métodos de investigação
científica, procura
compreender e explicar as estruturas da sociedade,
analizando a relações
históricas e culturais criando conceitos e teorias a fim de
manter ou
alterar as relações de poder nela existentes.
Concluindo: possui objetivos de manter relações que
estabelecem consciente
ou inconscientemente, entre pessoas que vivem numa
comunidade, num grupo
social ou mesmo em grupos sociais diferentes que lutam pra
viverem em
harmonia uns com outros estabelecendo limites e procurando
ampliar o espaço
em que vivem para uma melhor organização.
Bibliografia
• Livro educar difusão do livro
• Enciclopédia virtual winkpédia
• Positivo, apostila seg. série –ensino médio
• www.google.com