FATORES GERADORES DA VIOLÊNCIA
Os fatores que geram a violência
no Brasil, e em várias nações mundiais, são dos mais diversos
modelos. Havendo situações onde a violência é uma marca que
vem sangrando há gerações, como o racismo, o conflito de
religiões, diferentes culturas. E há casos onde ela é gerada
de forma pessoal, onde a própria pessoa constrói fatores que
acabam resultando em situações violentas como o desrespeito, o
uso de drogas, a ambição e até mesmo resultado da educação
familiar. Circunstâncias refletem a conjuntura de uma nação,
como quando há falta de empregos, fazendo assim uma busca
desesperada por melhores condições de vida; a falta de
investimentos do Estado; e o principal motivo para gerar
violência que vem abalando a história da humanidade é a
desigualdade social.
Vivemos numa sociedade
consumista, “imoral e avançada”, onde o virtú, como
dizia Maquiavel sobre os valores, tem perdido na escala de
prioridades para a fortuna (bens materiais). A
sociedade está amparada pela mídia que veicula uma necessidade
material, como recentemente o ator da emissora Rede Globo,
Lima Duarte criticou: “Lá é tudo dirigido a partir do
comércio. Nunca é a partir da criação”. Um dos atores mais
consagrados da televisão brasileira viu a necessidade urgente
da mudança na concepção de mídia. Este é um alarme para que a
sociedade boicote essa glamourização da ignorância que reflete
na realidade atual. Assim, notamos uma influência
significativa da mídia na sociedade, onde se caracteriza o
modelo de cidadão como aquele que tem roupas de boas marcas,
carros novos e outros bens que estão longe da realidade
econômica da maior parte dos brasileiros.
Uma das formas encontradas pelos
jovens das classes pobres da sociedade, para atingir seus
objetivos, baseados em estilos de vida e na vontade de possuir
os bens de consumo mostrados pela mídia, é o crime, sendo esse
mundo a única alternativa para se conseguir dinheiro. Há ainda
a FACILIDADE DE ACESSO ÀS ARMAS E ÀS DROGAS, além da
sensação de IMPUNIDADE que fortalece cada vez mais o mundo do
crime.
A DESIGUALDADE SOCIAL é um
câncer que está piorando há séculos, quanto mais se fala sobre
esse problema, mais as autoridades fecham os olhos, ou as
janelas nos sinais de trânsito. A desigualdade social,
identificada por mim como o fator que mais gera violência, é
resultado da AMBIÇÃO dessa sociedade burguesa. Sendo que a
maior parte da população não tendo outro meio de obter sua
subsistência entra na vida do crime, e consequentemente na
violência. Fator gerador da desigualdade social é o
DESEMPREGO, como fora mostrado a preocupação, pelo menos
aparente, de abranger este assunto nas últimas eleições
presidenciais. Pois não há meio de obter um padrão de vida
aceitável sem um emprego, e tendo procura demasiada e ofertas
escassas muitas vezes trazem abusos nos assalariados,
parecendo voltar a épocas anteriores a Revolução Industrial.
Esses abusos muitas vezes trazem conseqüências assustadoras,
como a marginalização do assalariado, que por não aceitar
situações deploráveis tenta ‘vida mais fácil’ no tráfico de
DROGAS. Efeito posterior é seu vínculo ‘eterno’ com o morro e
a dependência da droga, sendo um criminoso inconseqüente em
muitas vezes por não estar no seu estado normal.
Partindo para uma visão mais
ampla da situação achamos causas mais subjetivas, como o
RACISMO que é parte integrante da desigualdade social. Como
mostra estatísticas recentes onde negros ganham
significativamente menos que brancos, ou que negros são
praticamente 50% da população brasileira, sendo que o número
destes na universidade não chega a 5%.
A RELIGIÃO é motivo de conflitos
no mundo inteiro, sendo que no Brasil este não é muito
presente. Guerras seculares, e até milenares, vêm aniquilando
seres humanos sem piedade, trazendo o nome de Deus como
justificativo pra tal ato. Como ocorre no Iraque, onde Xiitas
e Sunitas estão em guerra desde a morte de Maomé, por
diferenças religiosas.
FALTA DE INVESTIMENTOS DO
GOVERNO na sociedade para permitir o cidadão a recorrer a
meios mais humanos para a sobrevivência é outro agente que
gera violência. Pois sem um investimento pesado na educação,
na infra-estrutura do país e radicais reformas tributária e
agrária será muito difícil, quase impossível, diminuir a
violência. Essa situação faz o cidadão NÃO TER PERSPECTIVA
para um futuro promissor, aliado a uma perversa EDUCAÇÃO
FAMILIAR que passa de geração para geração.
SUGESTÕES PARA A DIMINUIÇÃO DA
VIOLÊNCIA
Como não dá para apagar com uma
borracha toda a maldade do ser humano, tem-se que, num
processo gradual e objetivo, eliminar os fatores geradores da
violência.
Iniciando com os mais
superficiais, mais fáceis de ser abatidos, sendo esses os de
caráter material, como o desemprego, a falta de investimentos
por parte do governo.
Medidas dadas como urgentes
devem ser feitas nesse ritmo: urgente. Como estímulos no abate
de impostos para a criação de empregos; aumento no salário do
cidadão, transformando isso numa cadeia onde o custo se torna
em benefício, pois quanto mais recebem mais gastam; reforma
agrária é de suma importância a sua realização, porque é
difícil a construção de um cidadão numa esfera onde não se tem
nem o controle da segurança, onde quem comanda a favela são
milícias armadas, além de tudo se cria uma imagem negativa do
cidadão dos morros, fixando a discriminação e assim, a
desigualdade social.
Outra medida é o investimento na
educação, pois se percebe que grandes nações são resultados de
grandes cidadãos. E com uma educação, desde o fundamental até
o superior, de qualidade forma-se pessoas capazes e instruídas
para reivindicarem seus direitos e assim cumprem com muito
mais eficácia seus deveres. Pois a ignorância é aliada da
violência, sendo que os traficantes agem principalmente nas
favelas, onde os moradores têm menos conhecimentos que pessoas
instruídas.
Há também a violência histórica,
aquela que mancha a sociedade há séculos. Na realidade
brasileira, o seu pior sintoma é o racismo e para acabar com
ele, deve-se começar a criar um novo conceito de igualdade,
pois vivemos rodeados por pensamentos conservadores, e estes
são muito difíceis de mudarem. A igualdade racial tem que
parar de ser idealizada e ser colocada na prática, pois essa
herança do regime escravagista deve ser abolida do
comportamento social. Isso reflete em várias situações, como
na questão religiosa, onde mulçumanos com aspectos de pessoas
do Oriente Médio são taxados de terroristas, um erro grave e
preconceituoso, que como na questão do racismo negro deve ser
abolida da ordem atual, com medidas duras tanto jurídicas como
morais. Penas mais severas para racistas e exclusão social
para estes.
Analisando um outro aspecto,
notamos que o desigualdade social é resultado de todas essas
violências, que geram problemas muito graves. E o motivo da
violência estar se alastrando como inço deve-se também pela
impunidade e pela facilidade de se obter armas e drogas. Para
o fim disso, precisa-se de medidas eficazes e não simplesmente
arranjar culpados. É preciso tornar as leis e as penas mais
duras e que haja uma capacidade de reabilitação para o
infrator, e arrancar o mal pela raiz dando capacidade de
convivência social na sociedade, lhes garantindo educação,
emprego, saúde, segurança e dignidade para atingir seus
objetivos.
De forma urgente, precisamos
mudar o comportamento social para que a violência não se
alastre e que todos tenham realmente direitos iguais. Que
ninguém tenha que fazer manifestações exigindo que se cumpram
seus direitos, pois se são direitos devem ser obrigatórios.
Que todos tenham segurança para que ninguém precise comprar
uma arma para se defender de delinqüentes inconseqüentes. E
que ninguém precise virar um delinqüente por falta de
oportunidade, por fome ou para saciar a de seus filhos.
Medidas das autoridades terão
que ser mais objetivas e não simplesmente aumentar o número de
policiais nas ruas e falar que ladrão não presta. Tem que
investir na educação para que a próxima geração venha com
pensamento na mudança e não a mudança no pensamento.
Temos que parar de arranjar
culpados e ver soluções.
Por THIAGO FIRMINO SILVANO
Acadêmico do Curso de Direito da
UNISUL