Home > Artes > Barroco no Brasil

Barroco no Brasil

O Barroco não surgiu de repente (1580 à 1756 em Portugal e 1601 á 1768 no Brasil), foi uma manifestação cultural que aos poucos se transformou em um Estilo de Época, aqui tentaremos passar o que nós aprendemos sobre o barroco.

O Brasil ainda se estruturava sócio economicamente como país colônia de base açucareiro. Somente a Bahia e Pernambuco produziam alguma atividade cultural. O Barroco no Brasil é marcado também pela expulsão definitiva dos franceses (1615) e pelas invasões holandesas, na Bahia (1624) e em Pernambuco (1630). O Nordeste passa por rápidas mudanças econômicas, por meio do contato com os holandeses, até sua expulsão, em 1654. Com o declínio da cana-de-açúcar, a hegemonia econômica transfere-se para Minas Gerais, onde há extração de minérios outra fonte de riqueza, que contribui para o desenvolvimento econômico.

O Barroco no Brasil foi o movimento artístico mais importante do per colonial, colocando em ascensão o catolicismo e a fé. Nasceu da crise de valores renascentistas, ocasionada pelas lutas religiosas e pela crise econômica vivida em consequência da falência do comércio com o Oriente. Inicia-se no Brasil em 1601, com a publicação do poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira. Estende-se por todo o século XVII e início do XVIII. Seu rebuscamento reflete o conflito entre o terreno e o celestial, o homem e Deus (antropocentrismo x teocentrismo), o pecado e o perdão, a religiosidade medieval e o paganismo renascentista, o material e o espiritual, que tanto atormenta o homem do século XVII. Surge uma tendência sensualista, caracterizada pela busca do detalhe num exagerado rebuscamento formal.

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, Rio
Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, Rio

Podem ser notados dois estilos no Barroco literário:

Cultismo – caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante; a valorização do detalhe mediante jogo de palavras. Tem forte influência do espanhol Luís de Gôngora; no Brasil podem ser citados: Gregório de Matos Guerra e Bento Teixeira.

Conceptismo – marcada pelo jogo de ideias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, usando uma retórica aprimorada. O espanhol Quevedo foi um dos principais nomes desse estilo; no Brasil, tem-se como exemplo o Padre Antônio Vieira.

O Barroco é também chamado de Seiscentismo por ser a estética (isto é, todas as manifestações artísticas da época: música, escultura, pintura, arquitetura e literatura) dominante do século XVII (1600 a 1700 d.C).

A origem da palavra Barroco ainda é muito controvertida. Barroco é sinônimo de bizarro. Para os artistas plásticos isto significa mau gosto e até mesmo coisa absurda. Alguns especialistas afirmam que etimologicamente a palavra está ligada a um processo mnemônico (relativo à memória) que designava uma sofisma (silogismo aristotélico com conclusão falsa). Outros dizem que designa a um tipo de pérola de forma irregular, ou até mesmo um terreno desigual, assimétrico.

O estilo Barroco também é conhecido por outros nomes. Recebeu denominações particulares em alguns países:

  • Gongorismo: Espanha, pela influência do poeta Luís de Gôngora y Argote (1561-1607).
  • Marinismo : Itália, pela influência exercida por Gianbattista Marini (1569-1625).
  • Eufuísmo : Inglaterra, devido ao título do romance Euphes, or the anatomy of wit, do escritor John Lyly (1554-1606).
  • Silesianismo : Alemanha, por ter caracterizado os escritores da região da Silésia , que originou a Escola Silesiana.
  • Preciosismo: França, passou a chamar preciosismo o culto à forma rebuscada na corte de Luís XIV, o Rei- Sol.

O Barroco caracterizou-se por ser o primeiro estilo de época da literatura no Brasil. E Gregório de Matos Guerra, por representar o primeiro poeta efetivamente brasileiro.

É sob luzes e sombras que a arte barroca aparece, influenciada intensamente pelas tensões de sua época.

Autores de obras literárias do Movimento Barroco no Brasil:

  • Padre Antônio Vieira
  • Gregório de Matos
  • Bento Teixeira
  • Botelho de Oliveira

Autoria: Daniela Midei

Veja também:

Comentários