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Xilogravura

  A técnica da xilogravura é extremamente antiga e de origens desconhecidas. Já pode ser visto indícios de sua utilização na Ásia, no século I, porém, a primeira documentação precisa de sua utilização nos é dada pelo livro "Diamond Sutra", impresso na China no ano de 868, parece só ter chegado ao ocidente no final do século XIV. Sua técnica consiste em realizar impressão a partir de pedaços de madeira com desenhos em relevo. O artista escolhia um bloco de madeira cuja superfície fosse lisa e plana.

A partir daí, com uma faca, cravava-se em madeira o que deveria aparecer em branco no produto final, deixando saliente o que deveria aparecer em preto, num conjunto de arestas muito finas. Para imprimir no papel a superfície da placa deveria ser coberta com tinta, (normalmente feita de óleo e fuligem), antes de comprimida contra o papel. O resultado final sai ao contrário da figura original.

Como é feita uma xilogravura

Para se colorir a xilogravura, normalmente cortava-se um pedaço de madeira separado para cada cor, antes de imprimir-se sucessivamente os blocos na mesma folha de papel. Extremamente rudimentar, a xilogravura não tardou em popularizar-se na Europa do século XV: seu uso ia desde cartas de jogar, a estampas humorísticas vendidas em feiras populares.

  A Igreja valeu-se bastante dessa forma de impressão para atingir devotos com seus ensinamentos e doutrinas. "A Arte de Bem Morrer", que mostra um homem em seu leito de morte, com indicações do que deve ser feito nessa hora, demonstra essa utilização doutrinal. Acima de sua cama, abundam figuras de anjos, dos santos e de Jesus crucificado. Sua alma, em dimensões reduzidas, é segurada por um dos anjos. Em primeiro plano, vemos várias figuras demoníacas, com inscrições como "perdemos sua alma" e "estou furioso".

Xilogravura de A Arte de Bem Morrer

Após a invenção da imprensa de tipos móveis, por Gutenberg, passou-se a combinar textos impressos a ilustrações via xilogravuras. Tornava o processo de ilustração muito mais simples e barato. Alguns artistas, entretanto, consideravam a xilogravura uma arte menor porque, apesar de sua praticidade, acreditavam não ser um método preciso de representação de figuras, uma vez que dificultava o trabalho com minúcias e detalhes.

Essa opinião vem a ser desmentida com a qualidade do livro ilustrado do veneziano Aldus Manutius Hypnerotomachia Poliphili em 1499, considerado uma das grandes realizações da Renascença e principalmente pelo trabalho do alemão Dürer, no século XVI, mestre na arte da xilogravura. Entretanto, a partir de Dürer nenhum outro mestre conseguiu utilizá-la tão bem e a técnica foi progressivamente caindo em desuso.

Somente voltou à tona, através do aprimoramento de seus instrumentos, no século XIX. Pintores como Gauguin e Munch, que se utilizaram bastante da técnica, foram um dos responsáveis pelo seu renascimento e aceitação. Foi especialmente utilizada pelos expressionistas alemães, que viam nela um excelente meio para atingir seus objetivos. Hoje em dia, ainda é considerada como uma das principais técnicas de artes gráficas.


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