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Camilo Pessanha

O mais importante poeta simbolista português foi o coimbrão Camilo Pessanha, que viveu boa parte de sua vida em Macau (China), como professor e funcionário público. Ali morreu, consumido pelo ópio. Seu único livro, Clepsidra, foi publicado em 1920, contendo textos ditados a um amigo, quando o poeta esteve pela última vez em Portugal.

Pessanha é conhecido como o “poeta da dor espiritual“: um pessimismo sutil, sem angústias ou paixões, permeia todos os seus textos. Um saudosismo indefinido compõe o nítido incômodo existencial em viver a vida presente. Essa dor de existir, que se constrói de renúncia e silêncio, constitui uma das mais impressionantes obras poéticas em língua portuguesa.

Poesia de musicalidade suave e sugestiva, compõe fragmentos de realidade e memória, plenos de sensações vagas e plurissignificativas. A imagem mais fecunda em sua poesia é a água. Tradicionalmente associada à passagem do tempo, à mutabilidade das coisas, aprofunda-se, na poesia de Pessanha, em resignada sensação de impotência e desalento perante o tempo. Não é à toa que seu único livro chama-se “clepsidra“, nome dado na Grécia antiga aos relógios d’água. Com ele exerceu grande influência, particularmente na geração de Orpheu, que iniciou o Modernismo em Portugal.

Camilo PessanhaConsiderado um poeta de leitura pouco acessível para o grande público, um criador que inspirou outros criadores, passou grande parte da vida em Macau (China), onde conheceu o ópio e conviveu com a poesia chinesa, de que foi tradutor para o português.

Os poemas de Camilo Pessanha caracterizam-se por um forte poder de sugestão e ritmo, apresentando imagens estranhas, insólitas, não lineares, isto é, repletas de rupturas e cores – elementos tipicamente simbolistas.

Neles predomina o tema do estranhamento entre o eu e o corpo; o eu e a existência e o mundo, cujos elementos mais familiares ao mesmo tempo tornam-se esquivos, perante uma sensibilidade poética fina e sutil, mas na qual não se encontram os derramamentos emocionais, a subjetividade egocêntrica.

Por: Paulo Magno da Costa Torres

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