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Antártida

A Antártida e sua importância geopolítica  

O continente antártico estende-se por 14 milhões de localiza-se na porção extrema meridional do planeta, limitado pelo Círculo Polar Antártico, ao sul dos oceanos Atlântico, Pacífico e Indico.  

Durante o inverno, acrescido de uma grande área de banquisa, o continente antártico chega a dobrar sua extensão, chegando a atingir 30 milhões de km2.  

Na Antártida o quadro natural mostra-se adverso à ocupação humana, onde as temperaturas, durante o ano, raramente superam marcas positivas, a vegetação escassa limita-se a algumas ilhas, enquanto na porção central do continente a calota de gelo pode atingir 4 mil metros de espessura, onde são freqüentes as rajadas de vento, o blizzard, que fazem enormes icebergs se deslocarem a velocidades perigosas à navegação.  

O continente gelado, que encerra 90% das reservas de água doce do planeta, tem seus poucos habitantes, integrantes da comunidade científica, ilhados em algumas bases de diferentes nacionalidades, cuja implantação remonta ao início da década de 1960, quando da assinatura do Tratado Antártico.  

Características gerais da Antártida  

A Antártida, que milhões de anos atrás constituía um antigo e vasto continente, unindo-se à América do Sul, Austrália e Nova Zelândia, separou-se devido à movimentação das placas tectônicas e deslocou-se para sul, encontrando-se hoje sob o Pólo Sul terrestre.  

Seu relevo é montanhoso e recoberto por uma camada de gelo (inlândsis). A parte ocidental caracteriza-se por ser uma área vulcânica, coberta de gelo, destacando-se o Erebus e o Terror.

A região oriental, cujos terrenos são antigos (Escudos), apresenta relevo suave.  

As atuais condições climáticas apresentam baixíssimas temperaturas, mesmo nos meses de verão (dezembro e janeiro) quando a temperatura permanece abaixo de 0°C, mas no inverno pode chegar normalmente abaixo de -40°C.  

Porém, o estudo de seus fósseis permitiu reconstituir seu passado geológico, quando existiu extensa floresta e as temperaturas eram similares às das áreas subtropicais.  

Pelas condições atuais, a vegetação consiste em musgos e liquens nas áreas mais quentes e, nas demais, paisagem desolada. E no mar que há vida, por meio do plâncton (conjunto de plantas e animais microscópicos que servem para a alimentação de outros).  

Um exemplo desse fato é o crustáceo krill, típico do Oceano Antártico, que constitui urna fonte de proteínas para os grandes animais aquáticos. Fazem parte da fauna antártica a baleia-azul, a foca, o pingüim e os pássaros.

No que se refere aos recursos minerais, em área ainda pouco explorada já foram localizados cobre, urânio, carvão. entre outros, sendo que há um acordo internacional para pesquisar e não retirar os recursos, até que seja estabelecido o processo de exploração. Quem tem direito à Antártida Território de todos (internacional) ou de determinados países?  

Em 1988, ano da realização da convenção de Wellington (Nova Zelândia), foram estabelecidas restrições à ação turística e econômica na Antártida. A Conferência de Madri, realizada em 1991, postergou por 50 anos conversações sobre uma possível divisão territorial da Antártida. e estabeleceu condições para a proteção ambiental, que inclui a camada de ozônio, bastante afetada sobre o continente restrições ao turismo, prevenção da poluição marinha e o monitoramento da emissão de dejetos.  

A Antártida e a questão estratégica  

O Tratado Antártico teve sua assinatura e aplicação já no contexto da Guerra Fria.  

Quando de seu estabelecimento, em 1959, apesar do desejo de alguns países na divisão do continente, a ocupação das áreas geladas da Antártida poderia servir como um pretexto para o acirramento das disputas entre as grandes potências, que já viviam na era nuclear. Além disso essa ocupação encontrava, como ainda encontra, sérios problemas, impostos pelo quadro natural adverso, somados. considerando a época da assinatura do Tratado, a restrições de caráter tecnológico maiores que as atuais.  

Apesar de seu aspecto aparentemente democrático e aberto, o Tratado Antártico, que, como vimos, condicionava a partilha do continente ao desenvolvimento de pesquisas i loco, excluía as nações tecnologicamente mais atrasadas.  

No entanto, o cenário geopolítico sofreu alterações no decorrer dos anos. A estratégia militar de ontem cedeu lugar à preocupação ecológica de hoje; como resultado disso. tivemos a Conferência de Madri de 1991, que condicionou a ação dos países presentes na Antártida ao campo científico, e, ratificada pela ECO-92, estabeleceu parâmetros para a ação do homem na região.  

A Antártida insere-se na questão estratégica global no ponto de vista tático, econômico, científico e ambiental.  

Do ponto de vista tático, era de interesse das potências militares dispor do continente antártico para a realização de testes nucleares e, ao mesmo tempo, agregar ao continente armas estratégicas fundamentais para o controle de posições importantes no hemisfério austral.  

Economicamente, o continente antártico situa-se numa posição estratégica dos transportes mundiais, pois a navegação oceânica ou aérea na região e/ou adjacências é de fundamental importância para os países do hemisfério sul e na ligação oriente-ocidente, excetuando-se as águas do Ártico e o canal do Panamá.  

Além dos transportes, as reservas naturais da Antártida constituem importantes recursos futuros, seja de água doce (90% das reservas mundiais), minerais metálicos e atômicos e combustíveis fósseis. Considere-se também o potencial alimentar das águas antárticas, como baleias, peixes e o krill.  

No campo científico, as pesquisas da comunidade antártica vêm-se revelando bastante importantes, contribuindo sobremaneira no estudo do clima, dinâmica das geleiras, paleoclima, evolução, astronomia, biologia, geologia, e em áreas relativas ao estudo da vida no planeta.  

O meio ambiente encontra na Antártida um campo de estudo amplo, em que destacamos os esforços para a compreensão da dinâmica do processo de glaciação e no acompanhamento da evolução dos danos provocados pelo homem na camada de ozônio.  

O Brasil na Antártida  

Com vistas no Tratado Antártico, o Brasil, tardiamente, passou a integrar a comunidade científica estabelecida no continente.  

Em 1982, a primeira expedição científica brasileira atingiu o continente, composta de duas embarcações: o navio polar “Barão de Teffé” e o navio oceanográfico “Professor Wladimir Besnard”, e algumas dezenas de cientistas.

A Base Comandante Ferraz, inaugurada em 6 de fevereiro de 1984, localizada na Ilha Rei Jorge, integrou o Brasil à comunidade instalada na Antártida, embora, por questões materiais e financeiras, as pesquisas brasileiras caminhem muito lentamente.  

Veja no mapa onde fica a base brasileira na Antártida

Mapa da Antártida
Mapa das bases - clique para ampliar

A diminuição da camada de ozônio e sua relação com a Antártida  

A utilização dos clorofluorcarbonos (CFCs) e sua emissão na atmosfera foram estudadas pelos cientistas, que verificaram que esses compostos destroem a camada de ozônio que protege o nosso planeta da radiação ultravioleta.

Os deslocamentos das correntes de ar fazem com que essa incidência venha ocorrendo de forma mais acentuada na Antártida (essa descoberta ocorreu em 1983 e desde essa época as pesquisas se acentuaram nesse sentido, buscando causas e conseqüências dos danos provocados a plantas, animais e enfermidades nos seres humanos: câncer de pele e catarata (problema nos olhos). Na ECO-92 (RJ) esse problema foi levantado e um acordo foi realizado para impedir a emissão do CFC.  

Estudam-se ainda os efeitos dessa diminuição da camada de ozônio na Antártida, sendo que, na Estação Palmer (EUA), descobriu-se que altos níveis de radiação ultravioleta podem danificar o pigmento clorofiliano, que é fundamental na realização da fotossíntese do fitoplâncton, e que reduz o crescimento das plantas. Teme-se que este fato afete a vida no continente gelado, comprometendo a cadeia alimentar, uma vez que ameaça o krill, um elo-chave na cadeia alimentar antártica.  

De acordo com os cientistas, “peixes, baleias, pingüins e aves voadoras dependem do krill e, se acontecer algo a ele, o sistema inteiro entrará em crise.”  

Tratado Antártico  

A descoberta do continente antártico é controvertida. Atribui-se a Américo Vespúcio a navegação das águas antárticas já no início do século XVI. O inglês James Cook cruzou o Circulo Polar Antártico no final do século XVIII sem, no entanto, atingir o continente.  

Em 1820 três expedições atingiram o continente: a do russo Bellingshausen, a do britânico Bransfield e a do americano Palmer. Mas apenas em 1907 o explorador Roald Amundsen atingiu o Pólo Sul.

Seguiram-se outras expedições e surgiram as primeiras reivindicações territoriais sobre o continente.  

Em 1944 foram estabelecidas as primeiras estações permanentes de pesquisa.  

A 1ª Conferência Antártida realizada em Paris no mês de julho daquele ano, que estabeleceu regras para a ocupação do continente, reuniu doze países.  

O Tratado Antártico foi assinado em 10 de dezembro de 1958 e passou a vigorar em 1961, estabelecendo que ao sul do paralelo 60, que encerra o continente Antártico, as nações interessadas poderiam utilizar, além do próprio continente, ilhas, oceanos e mares, apenas para desenvolvimento científico para fins pacíficos.  

No ano de 1991, o tratado propunha uma divisão do continente gelado entre os países que integrassem a comunidade científica antártica.  

Aos signatários originais do tratado aderiram Alemanha, Áustria, Brasil, Bulgária, Canadá, China, Coréia do Norte, Coréia do Sul, Cuba, Dinamarca, Equador, Espanha, Finlândia, Grécia, Holanda, Hungria, Índia, Itália, Papua Nova Guiné, Peru, Polônia, Romênia, Suécia, República Tcheca, Eslováquia e Uruguai.  

Por: Renan Bardine


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