Formação dos Fósseis
Os fósseis são a prova concreta da existência de determinados seres vivos no passado. São os restos e impressões deixadas em rochas em diversos locais. Estas impressões podem ser marcas, pegadas, rastros etc. Comparando-se um fóssil com os animais atuais é possível determinar uma série de comparações, que, somadas a outros estudos, nos permitem supor uma provável linha evolutiva dos grupos animais.A correlação entre os fósseis e o estudo de padrões evolutivos é muito grande. Observando-se os fósseis dos organismos que viveram no passado, pode-se obter uma série de semelhanças e diferenças com organismos atuais. Isso nos permite analisar as modificações ocorridas nestes organismos, e assim, traçar padrões evolutivos.
Para que um organismo fossilize, são necessárias condições muito especiais. Logo que um animal morre, seus tecidos moles são logo decompostos, seja por ação de organismos decompositores, seja por animais que se alimentem destes tecidos. As partes duras também sofrem decomposição, mas em um ritmo mais lento. Por isso a maioria dos fósseis encontrados são referentes às partes duras dos animais, como por exemplo os ossos dos dinossauros. Entretanto, há casos em que o animal é preservado completamente, como os artrópodes envolvidos por âmbar, uma espécie de resina vegetal, que envolve o inseto e logo endurece, conservando o animal em seu interior. Outro caso incrível de conservação total é o dos mamutes das geleiras da Sibéria, cujo corpo foi conservado em meio ao gelo, em temperaturas baixíssimas. As extensas camadas de gelo que recobriram estes animais impediram que agentes externos decompusessem seus tecidos.
Estes casos são muito raros. O normal é que apenas as partes duras dos animais sejam conservadas. Assim, ossos, conchas e carapaças são mais comumente encontrados. Assim mesmo, são necessárias condições especiais para que aconteça a fossilização. Em primeiro lugar, é necessário que a estrutura a ser fossilizada seja rapidamente soterrada por terrenos alcalinos e úmidos. Com este soterramento a estrutura ficaria protegida da ação dos decompositores, e com o tempo, a compactação e a pressão transformam este terreno em rocha sedimentar. Por isso que procuramos fósseis sempre em rochas sedimentares.
Estas condições especiais existiram no passado, no fundo de lagos e oceanos. Aliás, não apenas animais se fossilizam; fósseis de vegetais também são encontrados, permitindo-nos compreender como evoluiu este grupo de seres vivos. Apenas em poucos casos a estrutura é preservada intacta, sem sofrer nenhuma alteração. Na maioria das vezes, ocorrem processos que modificam a estrutura original, gerando fósseis com uma constituição química diferente do organismo original. As principais alterações que podem ocorrer são:
- Recristalização: quando as substâncias minerais que formam as partes duras do fóssil se recristalizam, de acordo com um novo padrão;
- Preenchimento: os espaços vazios da estrutura são preenchidos por substâncias químicas do próprio sedimento onde o fóssil se localiza;
- Substituição: é um processo extremamente lento, onde todo o material que compunha a estrutura é substituído por outras substâncias (especialmente a sílica), perdendo completamente sua composição química original, mas mantendo a forma. Como a substituição ocorre à nível molecular, forma-se uma réplica exata da estrutura original.
- Molde e contra-molde: neste caso, a estrutura é completamente destruída no interior da rocha que a envolve. Forma-se então um espaço vazio, chamado de molde. Uma outra substância pode ocupar esta cavidade e formar uma estrutura idêntica à original; seria o contra-molde.
A ciência que estuda os fósseis chama-se paleontologia (do grego palaiós = "antigo" + óntos = "ser" + lógos = "estudo") e tem nos revelado muito sobre a evolução de determinados grupos de seres vivos.
Idade dos Fósseis
A idade dos fósseis tem relação direta com as rochas que os contêm, já que o acúmulo de organismos acontece por sucessão de eventos. Os estratos rochosos mais antigos são os primeiros a se originar, situando-se na base das rochas sedimentares.
Para identificar a idade dos fósseis, os cientistas utilizam isótopos (átomos do mesmo elemento químico). O método consiste em analisar nas rochas a proporção de elementos radioativos cuja meia-vida (tempo necessário para que metade do número de átomos de uma substância se desintegre) seja conhecida. O carbono 14, muito usado na arqueologia, tem meia-vida de 6 mil anos, possibilitando medidas confiáveis até cerca de 100 mil anos. Já os paleontólogos usam isótopos de potássio, argônio, rubídio e estrôncio, entre outros, que possuem meia-vida de vários milhões de anos.
Para saber a idade de um fóssil, há duas formas. Em uma delas, os cientistas fazem datações radiométricas em rochas situadas próximas aos locais onde eles são encontrados. Em geral, onde há rochas sedimentares com a mesma idade dos dinossauros encontram-se fósseis desses répteis.Outra maneira é a chamada datação paleontológica, em que se analisam microfósseis como pólens e esporos visíveis apenas ao microscópio.
Processo de relação natural e as mutações
De acordo com a teoria da evolução, a vida na terra começou com a evolução da célula, a partir da qual se desenvolveram os organismos mais simples. Estes deram origem aos organismos mais complexos. Todos os novos genes e novas informações surgiram por mutação e recombinação. As mutações ocorrem ao acaso. A maioria delas são deletérias e diminuirão a adaptação dos organismos ao meio ambiente. Novas combinações do material genético são formadas através da recombinação de genes que ocorre na meiose, durante a reprodução sexuada. A seleção natural elimina as mutações deletérias e preserva as combinações disponíveis que estão mais bem adaptadas ao ambiente.
Existem quatro explicações normalmente oferecidas para a variação observada dentro de uma espécie e entre espécies diferentes: influências ambientais, mutação, recombinação e seleção natural.
Mutação e seleção natural são fatores que podem gerar diversidade em populações naturais, levando provavelmente, aliadas a outros fatores, à formação de novas raças e espécies, ou seja, mudança genética limitada. Mutação e seleção natural podem modificar informações, mas elas não podem criar novas informações. Portanto, estes fatores nunca poderiam levar a um aumento de complexidade, indispensável para a teoria da evolução. E não existe nenhum mecanismo genético plausível que possa levar a este aumento de complexidade.
Fósseis no Brasil
O Brasil pode ser considerado um país de razoável patrimônio fóssil, levando-se em conta que apresenta grandes bacias sedimentares, algumas com grande espessura, e apresenta espécies significativas para a Paleontologia, como um dos primeiros dinossauros a surgirem, o Staurikosaurus pricei, descoberto nas vizinhanças da cidade de Santa Maria, RS, e que viveu no período Triássico, há 220 milhões de anos atrás. No Nordeste do Brasil apresentam grande significado as descobertas e pesquisas relacionadas ao litoral do período Cretáceo, apresentando grandes quantidades de peixes, conchas e répteis alados (mais conhecidos como "Pterossauros"), como o Tapejara imperator, de 5m de envergadura. Já a região mais central apresenta uma enorme gama de fósseis correspondentes aos períodos em que grande parte do território brasileiro se encontrava como o leito marinho, apresentando Trilobites, restos de peixes, crustáceos e outros espécimes da fauna e flora daquela época e que foram preservados devido à deposição de sedimentos provenientes dos avanços e regressões marinhas entre os períodos Cambriano e Permiano (Detalhe: Nem todo o território brasileiro estava submerso, haviam áreas emersas em algumas localidades.). Os sedimentos Jurássicos não são significativos, já que ainda está em discussão a datação de prováveis locais de afloramento deste período, e que são considerados afossilíferos. Os afloramentos Triássicos mais significativos estão situados na parte mais sul do Brasil, estado do Rio Grande do Sul, principalmente, com exemplares fósseis bastante numerosos e diversificados, como Tecodontes, Cinodontes, Dicinodontes, Rincossauros, Dinossauros (o exemplar Staurikosaurus pricei) e muitas outras espécies, incluindo vegetais, e dentre estes, a maior reserva mundial de madeira petrificada, situada na famosa cidade de Mata, RS, sendo um importante local para estudo da fauna e flora Triássica.
Abaixo estão alguns exemplares fósseis do Brasil

Trilobite da espécie Calmonia signifer , que habitou o território do Brasil no período Devoniano, procedente da Fromação Ponta Grossa, Bacia do Paraná. O exemplar acima possui 7,5cm de comprimento.

Réptil primitivo da espécie Stereosternum tumidum, que habitou o território do Brasil no período Permiano, procedente da Formação Irati, Bacia do Paraná. O exemplar acima possui 45cm de comprimento.

Réptil herbívoro da espécie Jachaleria candelariensis, que viveu no período Triássico, na região correspondente ao atual estado do Rio Grande do Sul (Brasil). O crânio acima possui 30,5cm de comprimento.

Réptil herbívoro da espécie Scaphonix fischeri, que viveu no período Triássico, na região correspondente ao atual estado do Rio Grande do Sul (Brasil). O crânio acima possui 26cm de comprimento.

Réptil Tecodonte carnívoro da espécie Prestosuchus chiniquensis, de 6m de comprimento e 1,7m de altura (no ombro), que viveu no período Triássico na região correspondente ao atual estado do Rio Grande do Sul (Brasil). O crânio acima possui 97cm de comprimento.

Dentes de Dinossauros Carnívoro (esquerda) e Herbívoro (direita), do período Cretáceo (Brasil).
Bibliografia:
Carvalho, H.C. Fundamentos De Genética E Evolução
Freire-Maia, N. (1988). Teoria da Evolução: de Darwin à Teoria Sintética
Revista Galileu/Editora Globo
Autoria: Janildson Eutimio Ferreira Bispo