Home » Geografia » Países » Índia

Índia

INTRODUÇÃO

Índia, democracia federal no sul da Ásia e membro do Commonwealth; junto com o Paquistão e Bangladesh forma o chamado subcontinente indiano. Limita-se ao norte com o Afeganistão, o Tibete, o Nepal e o Butão; ao sul com o estreito de Palk e o golfo de Mannar, que o separa do Sri Lanka e do oceano Índico; ao oeste com o mar da Arábia e o Paquistão; ao leste com a Birmânia, o golfo de Bengala e Bangladesh. Com Jammu e Kashmir (cujo status definitivo ainda não foi determinado), possui uma superfície de 3.287.263 quilômetros quadrados. A capital é Nova Déli.

TERRITÓRIO

A Índia se divide em quatro grandes regiões: o Himalaia, que se estende ao longo das margens norte e leste do subcontinente indiano; as planícies fluviais do norte, uma das maiores planícies fluviais do mundo que compreende a maior parte da área regada pelos rios Indo, Ganges e Brahmaputra; o Deccan, uma meseta rochosa, dividida por baixas cadeias montanhosas e profundos vales; e os Ghats oriental e ocidental, baixas cadeias montanhosas paralelas às costas do sul. Exceto nas regiões mais montanhosas, o clima é tropical, dominado pelas monções.

POPULAÇÃO E GOVERNO

A origem exata da maior parte do povo indiano é impossível de ser determinada por conta da grande variedade de raças e culturas que invadiram e foram assimiladas no subcontinente. Aproximadamente 7% do total da população está dividido em mais de 300 tribos catalogadas. A maior parte dos povos indianos não tribais tem características caucásicas e mostram uma considerável variação na cor da pele. Entre as tribos das montanhas setentrionais há características mongóis, como no caso dos nagas; e entre os grupos tribais como os santal de Bengala ocidental há características australóides. A Constituição indiana tentou erradicar o antigo sistema de castas, que tem negado durante séculos a oportunidade de avançar socialmente o estrato mais baixo do sistema: os intocáveis (ou harijans). Na Índia vive 16% da população mundial; sua população (1994) é de 913.070.000 habitantes, com uma densidade demográfica de aproximadamente 275 habitantes por quilômetro quadrado.

Embora as condições de vida tenham melhorado em muitas áreas, cerca de um terço da população vive abaixo do limite de pobreza. A maior cidade é Bombaim, com uma população (1994, incluindo a área metropolitana) de 14.500.000 habitantes. Outras cidades com mais de 1 milhão de habitantes são Ahmadabad, Bangalore, Calcutá, Déli, Hyderabad, Kanpur, Madras, Pune (Poona), Nagpur, Lucknow e Jaipur. Os grandes grupos religiosos são: hinduísmo (83%), islamismo (11%), cristianismo e sikhs (2% cada um). Outras importantes minorias religiosas são: budismo, jainismo e parsis. São falados mais de 1.600 idiomas ou dialetos, compreendidos em 14 grandes grupos. A constituição estipula que o hindi (falado por 30% da população) é o idioma oficial, embora o inglês seja um idioma associado aos assuntos administrativos. A constituição também reconhece 17 idiomas regionais oficiais (ver Línguas indianas; Arte e arquitetura da Índia; Literatura indiana).

De acordo com a Constituição de 1949, emendada posteriormente, a Índia é uma república democrática soberana dentro do Commonwealth. O governo tem uma estrutura federal e a república é uma união de estados e territórios administrados de maneira central. O poder executivo reside no presidente, que é também chefe do Estado. Entretanto, o verdadeiro poder executivo se encontra nas mãos de um conselho de ministros presidido por um primeiro-ministro, responsáveis perante o Parlamento, formado pelo Rajya Sabha (Conselho dos Estados ou câmara alta) e o Lok Sabha (Câmara do Povo ou câmara baixa).


ECONOMIA

Em 1991, o produto interno bruto era de aproximadamente 301,4 bilhões de dólares, cerca de 330 dólares per capita. A unidade monetária é a rúpia indiana. Mais de dois terços da população depende da terra para viver. O cultivo principal é o arroz, alimento básico de grande parte da população, seguido pelo trigo. É um dos principais produtores mundiais de cana de açúcar, chá, algodão e juta. A criação de gado, em especial búfalos, cavalos e mulas, é uma característica destacada da economia agrícola, embora a falta de pastos e água implique em um rebanho de pouca qualidade. Embora muito pouco desenvolvida comercialmente, a pesca segue sendo uma atividade vital em algumas regiões, como o delta do Ganges e a costa sudoeste. A Índia se encontra entre os principais produtores mundiais de mineral de ferro, carvão e bauxita, e produz quantidades significativas de manganês, mica, ilmenita, cobre e petróleo. Possui um setor industrial muito diversificado. A siderurgia e a metalurgia domina em termos de produção. A indústria têxtil — especialmente a de algodão — é um dos setores mais antigos e um dos mais importantes.

HISTÓRIA

As evidências indicam que possivelmente durante o neolítico, os habitantes do subcontinente foram assimilados pelas tribos invasoras drávidas, que provavelmente vieram do oeste. Segundo os descobrimentos arqueológicos do vale do Indo, a civilização desenvolvida pelos drávidas é comparável em esplendor às civilizações da antiga Mesopotâmia e do Egito. Até meados do III milênio a.C., a Índia drávida sofreu a primeira de uma série de invasões de tribos, do grupo lingüístico indo-europeu, conhecidas como indoarianas (ver Vedas). Quase tudo o que se conhece com segurança da situação política é que no decorrer do I milênio a.C. se estabeleceram 16 estados autônomos. Os reinos mais importantes foram Avanti, Vamsas e Magadha, que em meados do século VI a.C. se transformou no reino dominante.

Durante o reinado de seu primeiro grande rei Bimbisara (543-491 a.C.), Buda e Vardhamana Jnatiputra ou Nataputta Mahavira, fundadores do budismo e do jainismo respectivamente, pregaram e ensinaram em Magadha. No ano 321 a.C. Chandragupta tomou o controle de Magadha, fundou a dinastia Maurya de reis indianos, estendeu sua soberania sobre a maior parte do subcontinente e converteu o budismo na religião dominante. Das dinastias que apareceram no período que se seguiu à queda dos Mauryas, os Sunga são os que mais tempo permaneceram no poder, por mais de um século. O principal acontecimento desse período (184-72 a.C.) foi a perseguição e o declínio do budismo, e o triunfo do brahmanismo, com o qual o sistema de castas se estabeleceu com força na estrutura social.

Em 320 um marajá de Magadha chamado Chandragupta I, conquistou os territórios vizinhos e fundou um novo regime imperial e a dinastia Gupta. Seu neto Chandragupta II (reinou de 375 a 413) expandiu seu reino, subjugando todo o subcontinente ao norte do rio Narmada. O período foi de paz duradoura, crescimento econômico contínuo e êxitos intelectuais. O hinduísmo experimentou um forte renascimento ao assimilar algumas características do budismo. Após um prolongado período de lutas internas, um novo poder, solidamente unido sob o islã, surgiu na Ásia ocidental. Esse novo poder era Khurasan, antes uma província Samânida que Mahmud de Gazni (que reinou de 999 a 1030) havia transformado em um reino independente. Até 1025 Mahmud havia anexado a região de Punjab ao seu império.

O mais afortunado dos governantes muçulmanos depois de Mahmud foi Muhammad de Gur, cujo reinado começou em 1173. Considerado como o fundador real do poder muçulmano na Índia, subjugou toda a planície Indo-Gangética ao oeste de Benares. Após a morte de Muhammad de Gur, Qutb-ud-Din Aybak, seu vice-rei em Déli e um antigo escravo, proclamou-se sultão. A denominada dinastia dos Escravos durou até 1288. Em 1398, quando o conquistador mongol Tamerlão guiou seus exércitos até a Índia, encontrou pouca resistência organizada. Babur, um descendente de Tamerlán e o fundador da grande dinastia mongol se autoproclamou imperador dos domínios muçulmanos, e controlou uma grande parte da Índia. O Império mongol alcançou seu auge cultural sob o reinado de Sah Yahan (1628-1658), que coincidiu com a idade dourada da arquitetura sarracênica indiana, cujo melhor exemplo é o Taj Mahal. Na primeira metade o século XVIII, o Império mongol deixou efetivamente de existir como um estado. O caos político do período foi marcado pelo rápido declínio da autoridade centralizada.

Criaram-se numerosos reinos e pequenos principados, e os governadores das províncias imperiais formaram grandes estados independentes. Em 1764, o imperador mongol obteve de novo seu trono. Entretanto, sua autoridade era puramente nominal, como ocorreu com seus sucessores. O país, que durante muito tempo foi cenário de uma rivalidade colonial entre os poderes marítimos da Europa, foi caindo cada vez mais sob o domínio britânico. No início do século XVII o monopólio português do comércio com as Índias, mantido durante mais de um século, acabou devido à ação da Companhia das Índias Orientais. Dois anos antes, a rainha Isabel I havia outorgado um foro à primeira Companhia Inglesa das Índias Orientais. As negociações da companhia com o imperador mongol Jahangir obtiveram êxito e em 1612 os ingleses haviam fundado sua primeira feitoria no golfo de Khambhat. A disputa entre os franceses e os britânicos pelo domínio da Índia se desenvolveu como uma extensão da Guerra dos Sete Anos na Europa. No decorrer das hostilidades, os britânicos terminaram de maneira efetiva com os planos franceses de controle político do subcontinente. Segundo as disposições do acordo de paz que se seguiu à guerra, o território francês na Índia se reduziu a uns poucos entrepostos (ver Guerras de Carnático).

A desunião entre vários reinos e principados indianos prepararam o caminho para a dominação britânica de todo o subcontinente e as regiões contíguas, em especial a Birmânia. Enquanto aumentava o mal-estar na Índia, cresceu um movimento conspiratório entre os sipaios, as tropas indianas empregadas pela Companhia Britânica das Índias Orientais. Um levantamento geral, conhecido como a revolta dos sipaios, começou em 1857. Uma vez sufocada a rebelião, o Parlamento britânico aprovou o Acta para o Melhor Governo da Índia em 1858, que transferia a administração da Índia da Companhia das Índias Orientais à Coroa britânica. Em 1876 o governo britânico, então liderado por Benjamin Disraeli, proclamou a rainha Vitória como imperatriz da Índia. Nos últimos anos do século XIX e na primeira década do século XX, o nacionalismo indiano começou a ameaçar seriamente a posição britânica. Havia sido criada uma série de associações dedicadas à luta contra o mandato britânico.

De todas, a mais influente era o Congresso Nacional Indiano, fundado em 1885. Essa organização, que contava com o apoio de muitos hindus e muçulmanos proeminentes, acelerou a tendência para a unificação nacional. Do ponto de vista cultural, o famoso poeta e educador Rabindranath Tagore realizou contribuições duradouras a favor da unidade da Índia. As lutas políticas continuaram depois da I Guerra Mundial. Como resposta ao grande aumento da atividade nacionalista, o Parlamento britânico aprovou as Leis Rowlatt, que suspenderam os direitos civis e estabeleceu a lei marcial em áreas nas quais haviam tumultos e levantes. Essas leis precipitaram uma onda de violência e desordens. Nesse período de tumultos, Mohandas K. Gandhi, um reformador social e religioso hindu, pediu aos indianos que enfrentassem a repressão britânica com a resistência passiva (Satyagraha). O resultado acabou com a matança de Amritsar. O movimento contra os britânicos ganhou maior importância.

A característica mais destacada desta fase da luta era a política de Gandhi de não-violência, instituída em 1920. Combinado com métodos parlamentares de luta, o movimento demonstrou ser uma arma efetiva na luta pela independência. Em 1935, depois de uma série de conferências em Londres entre dirigentes britânicos e indianos, o Parlamento britânico aprovou o Government of Índia Act. Esta lei previa o estabelecimento de corpos legislativos autônomos nas províncias da Índia britânica, a criação de um governo central representativo das províncias e estados principescos e a proteção das minorias muçulmanas. Além disso, a lei previa uma legislatura nacional bicameral e um braço executivo sob o controle do governo britânico. Em grande parte influenciado por Gandhi, o povo indiano aprovou as medidas, que passaram a ser efetivas em 1937.

Muitos membros do Congresso Nacional Indiano, entretanto, seguiram insistindo na independência completa. O plano para a federação demonstrou ser inviável pelo antagonismo entre os príncipes indianos e os radicais do Congresso Nacional Indiano, assim como as demandas muçulmanas de que os hindus teriam uma influência excessiva na legislação nacional. Como alternativa, a Liga Muçulmana advogava pela criação de um estado muçulmano independente (Paquistão). Esta proposta encontrou uma violenta oposição hindu. Com o início da II Guerra Mundial, o vice-rei da Índia, Victor Alexander John Hope, declarou guerra à Alemanha em nome da Índia. Este passo, dado de acordo com a Constituição de 1937, mas sem consultar os chefes indianos, afastou Gandhi e a importantes setores do Congresso Nacional Indiano.

Grupos influentes dentro do Congresso, que apoiavam a postura de Gandhi, intensificaram a campanha por um autogoverno imediato como seu preço pela cooperação na guerra. O Congresso Nacional Indiano retomou a campanha de desobediência civil em 1940. Depois de uma nova onda de agitação contra os britânicos, em 1942 o governo britânico enviou propostas com a finalidade de satisfazer as demandas nacionalistas. Porém, esta resultou em fracasso por conta das objeções dos dirigentes do Congresso Nacional Indiano e da Liga Muçulmana. O movimento de desobediência civil foi reiniciado em 1942. Gandhi, Nehru e milhares de seus seguidores foram encarcerados e o Congresso Nacional Indiano ilegalizado. Em 1945, Nehru foi liberado do cárcere e uma nova onda de tumultos e manifestações contra os britânicos varreu o país.

As negociações foram infrutíferas e o vice-rei britânico Archibald Wavell anunciou a formação de um governo provisório de emergência; um conselho executivo interino, liderado por Nehru e que incluía representantes de todos os grandes grupos políticos. Entretanto, a rivalidade entre muçulmanos e hindus aumentaram em algumas regiões. Em 1947, o primeiro-ministro britânico anunciou que seu governo renunciaria ao poder na Índia. A tensão política aumentou em todo o território, com sérias possibilidades de uma desastrosa guerra civil entre hindus e muçulmanos. Depois de consultar os dirigentes indianos, o vice-rei recomendou ao governo britânico a imediata divisão da Índia, como o único meio de evitar uma catástrofe. Em 15 de agosto de 1947, conforme estipulado na Lei de independência, foi estabelecido que a Índia e o Paquistão seriam estados independentes dentro da Commonwealth, com o direito de retirar-se ou permanecer dentro dela.

O governo indiano optou por manter-se dentro. Os novos estados da Índia e do Paquistão foram criados a partir de critérios religiosos. As áreas habitadas pelos hindus foram destinadas à Índia e aquelas com maioria da população muçulmana ao Paquistão. Devido ao fato da maioria da população ser hindu, a maior parte dos territórios foram incluídos, durante a divisão, dentro da União Indiana, como se chamava o país. Depois da transferência do poder, a Assembléia Constituinte confiou a responsabilidade executiva a um conselho de ministros, com Nehru como primeiro-ministro. Para antecipar-se às disputas nas fronteiras, estabeleceu-se antes da divisão uma comissão de limites com um presidente neutro (britânico). Em Punjab, a linha de demarcação incluiu quase dois milhões de sikhs, tradicionalmente antimuçulmanos, sob a jurisdição do Paquistão.

Teve lugar um êxodo maciço de muçulmanos do território da União até o Paquistão e de sikhs e hindus do Paquistão até o território da União, o que produziu constantes tumultos que agravaram as relações entre os dois estados. Kashmir, um estado principesco habitado sobretudo por muçulmanos, mas governado por um hindu, transformou-se em um grande foco de conflito entre a Índia e o Paquistão. Insurgentes muçulmanos apoiados por correligionários invasores procedentes da província da Fronteira Norte-ocidental do Paquistão, proclamaram o estabelecimento de um governo provisório de Kashmir; diante disso, o marajá hindu deste estado, anunciou sua entrada na União Indiana.

Ao aprovar a decisão do marajá, o governo indiano mandou tropas à capital de Kashmir, Calcutá, principal objetivo dos insurgentes. As hostilidades rapidamente adquiriram grandes proporções e em 1948, o governo indiano formulou uma queixa perante o Conselho de Segurança da ONU, na qual acusava o Paquistão de prestar ajuda aos insurgentes muçulmanos. Os esforços pacificadores do Conselho de Segurança finalmente obtiveram êxito em 1949, quando tanto a Índia como o Paquistão aceitaram a proposta de um plebiscito sobre o futuro político de Kashmir, que se realizou sob os auspícios da ONU. Embora a Índia e o Paquistão tenham concordado, em 1949, com uma linha demarcando suas zonas respectivas de ocupação em Kashmir, as duas nações foram incapazes de resolver suas diferenças sobre os termos do plebiscito.

A Assembléia Constituinte da Índia aprovou uma Constituição republicana para a União em 1949. Uma de suas características é uma cláusula declarando ilegal o conceito de que existia uma casta de “intocáveis”, antigo costume que havia condenado cerca de 40 milhões de hindus à degradação social e econômica. A Assembléia Constituinte se reconstituiu em um Parlamento provisório e Jawaharlal Nehru foi eleito primeiro-ministro. Os resultados das primeiras eleições gerais na República da Índia foram anunciados em 1952. O Congresso Nacional Indiano, o partido do governo, venceu em quase todos os estados constituintes. Rajendra Prasad foi eleito presidente. As conversações entre a Índia e o Paquistão sobre as disposições de um plebiscito para Kashmir terminaram em 1953 sem chegarem a um acordo.

A Assembléia Constituinte de Kashmir aprovou por unanimidade a adesão à República da Índia no início de 1954. Em 1957, a Índia declarou o estado de Kashmir parte integrante da República da Índia, apesar das queixas do Paquistão perante a ONU. Durante a revolta tibetana de 1959, cerca de 9.000 refugiados tibetanos buscaram asilo político na Índia. Depois disso, houve vários choques nas fronteiras entre tropas chinesas e indianas e as primeiras penetraram no território indiano. Uma conferência para acabar com a disputa, que teve lugar em 1960, terminou sem adotar nenhuma solução positiva. Durante 1962 as disputas fronteiriças entre a China e a Índia tornaram-se cada vez mais tensas. No início deste ano, os indianos foram incapazes de frear o avanço chinês, que terminou quando Pequim anunciou o cessar fogo unilateral no final de novembro. Em 1964 morreu Nehru, que havia sido o primeiro-ministro desde a independência. Lhe sucedeu Lal Bahadur Shastri.

O Paquistão seguiu requerendo o estado de Kashmir, de maioria muçulmana, onde em 1965 alguns incidentes envolvendo as guerrilhas paquistanesas e tropas indianas precipitaram uma guerra não declarada entre os dois estados. As hostilidades continuaram até as negociações entre Shastri e o presidente paquistanês, com mediadores soviéticos, que em 1966 tiveram como resultado um acordo de retirada de tropas. Depois da morte de Shastri, a filha de Nehru, Indira Gandhi, foi eleita para ser a nova primeira ministra. A guerra civil explodiu no Paquistão quando o governo nacional, dominado por paquistaneses ocidentais, reprimiu os esforços bengalêses de alcançar a autonomia para o Paquistão Oriental. Embora milhões de refugiados bengalêses atravessassem a fronteira para a Índia, as relações entre a Índia e o Paquistão Ocidental se agravaram. Em dezembro, a Índia se uniu à guerra em ajuda ao Paquistão Oriental e foi o primeiro país a reconhecer a nova nação de Bangladesh. As condições econômicas na Índia agravaram-se em meados da década de 1970.

O desemprego crescia e se intensificavam as acusações de corrupção do governo. O candidato respaldado por Indira Gandhi, Fakhruddin Ali Ahmed, foi eleito presidente. Em 1975, Indira Gandhi foi declarada culpada de corrupção durante a campanha eleitoral de 1971. Enfrentou a perda de sua cadeira parlamentar e declarou o estado de emergência. Centralizou o poder em suas próprias mãos e implantou medidas duras para fomentar o desenvolvimento econômico e diminuir a taxa nacional da natalidade. Seus métodos, em especial a censura da imprensa e o sistema para obrigar à esterilização do povo como parte do controle da natalidade, produziram um grande ressentimento.

Em 1977, Indira Gandhi convocou eleições gerais nas quais perdeu sua cadeira no Parlamento e o Partido do Congresso foi incapaz de obter a maioria no legislativo pela primeira vez desde 1952. O Partido Janata ganhou cerca da metade das cadeiras no Parlamento e seu dirigente, Morarji R. Desai, foi nomeado primeiro-ministro. Em 1979, depois de mais de dois anos no poder, o governo Janata perdeu sua maioria parlamentar. As eleições que tiveram lugar em 1980 deram uma grande vitória a Gandhi e a seu partido no Congresso, que voltou a ocupar o cargo de primeira ministra. Seu filho mais velho, Rajiv Gandhi, ocupou uma cadeira no Parlamento. Para apaziguar as demandas sikhs de autonomia para o Punjab, onde são maioria, Indira Gandhi apoiou a candidatura presidencial de Zail Singh, que em 1982 se tornou o primeiro chefe de estado sikh da Índia. Entretanto, continuou a agitação pela autonomia com uma série de incidentes terroristas e em 1983, Gandhi colocou o Punjab sob mandato presidencial.

Em 31 de outubro, Indira Gandhi foi assassinada por membros sikhs de sua guarda pessoal, e Rajiv Gandhi prestou juramento como primeiro-ministro. A eleição como presidente de Ramaswami Venkataraman pareceu consolidar a posição de Gandhi. Durante a campanha eleitoral de 1991, Rajiv Gandhi morreu assassinado por um terrorista tamil. Os eleitores ultrajados deram a maioria parlamentar ao Partido do Congresso e P. V. Narasimha Rao, seguidor de Gandhi, converteu-se em primeiro-ministro. Em 1996, foi substituído por H.D. Dewe Gowda (membro da Terceira Frente) e este, um ano depois, por Inder Kuman Gujral (militante do Janata Dal). No início da década de 1990 aumentaram as tensões entre a Índia e o Paquistão sobre Kashmir. A partir de 1989 no Estado de Jammu e Kashmir há lutas esporádicas entre o exército indiano e os separatistas muçulmanos militantes, que querem tanto a formação de um estado independente como unir-se ao Paquistão. Em julho de 1997, um membro da casta dos intocáveis, Kocheril R. Narayanan, foi eleito presidente da República.
 

LOCALIZAÇÃO

ÁREA: 3.287.782 km²

CAPITAL DA ÍNDIA: Nova Délhi

POPULAÇÃO:  1,013 bilhão (censo de 2000)
LOCALIZAÇÃO: centro-sul da Ásia

FUSO HORÁRIO:  + 8 h30min em relação à Brasília

CIDADES DA ÍNDIA (PRINCIPAIS): Mumbai (ex-Bombaim), Calcutá, Nova Délhi; Madras, Bangalore.

COMPOSIÇÃO DA POPULAÇÃO: indo-arianos 72%, drávidas 25%, mongóis e outros 3%  (censo de 1996).

MOEDA DA ÍNDIA:   rúpia indiana

NOME OFICIAL : República da Índia (Bharat Juktarashtra).

NACIONALIDADE: indiana

DATA NACIONAL: 26 de janeiro (Proclamação da República); 15 de agosto (Independência); 2 de outubro (aniversário de Gandhi).

RENDA PER CAPITA:  US$ 440 (1998).


SOCIEDADE

A origem exata da maior parte do povo indiano é impossível de ser determinada por conta da grande variedade de raças e culturas que invadiram e foram assimiladas no subcontinente.

Aproximadamente 7% do total da população pertence a mais de 300 tribos catalogadas.
A maior parte dos povos indianos não tribais tem características caucásicas e mostram uma considerável variação na cor da pele. Entre as tribos das montanhas setentrionais há características mongóis, como no caso dos nagas; e entre os grupos tribais como os santal de Bengala ocidental há características australóides.

A Constituição indiana tentou erradicar o antigo sistema de castas, que tem negado durante séculos a oportunidade de avançar socialmente o estrato mais baixo do sistema: os intocáveis (ou harijans).

Na Índia vive 16% da população mundial; sua população (1994) é de 913.070.000 habitantes, com uma densidade demográfica de aproximadamente 275 hab/km2. Embora as condições de vida tenham melhorado em muitas áreas, cerca de um terço da população vive abaixo do limite de pobreza.
A maior cidade é Bombaim, com uma população (1994, incluindo a área metropolitana) de 14.500.000 habitantes. Outras cidades com mais de 1 milhão de habitantes são Ahmadabad, Bangalore, Calcutá, Déli, Hyderabad, Kanpur, Madras, Pune (Poona), Nagpur, Lucknow e Jaipur.
Os grandes grupos religiosos são: hinduísmo (83%), islamismo (11%), cristianismo e sikhs (2% cada um). Outras importantes minorias religiosas são: budismo, jainismo e parsis.

São falados mais de 1.600 idiomas ou dialetos, compreendidos em 14 grandes grupos. A constituição estipula que o hindu (falado por 30% da população) é o idioma oficial, embora o inglês seja um idioma associado aos assuntos administrativos. A constituição também reconhece 17 idiomas regionais oficiais. Ver línguas indianas; Arte e Arquitetura da Índia; Literatura indiana.

De acordo com a Constituição de 1949, emendada posteriormente, a Índia é uma república democrática soberana dentro do Commonwealth. O governo tem uma estrutura federal e a república é uma união de estados e territórios administrados de maneira central.
O poder executivo reside no presidente, que é também chefe do Estado. Entretanto, o verdadeiro poder executivo se encontra nas mãos de um conselho de ministros responsáveis perante o Parlamento, formado pelo Rajya Sabha (Conselho dos Estados ou câmara alta) e o Lok Sabha (Câmara do Povo ou câmara baixa). 


CULTURA

Uma das civilizações mais antigas do nosso planeta, a Índia é um país de contrastes. A diversidade de línguas, hábitos e modo de vida não impedem que haja uma grande unidade na cultura do país.Ao mesmo tempo que cada estado tem seu próprio modo de expressão, como na arte, música, linguagem ou culinária, o indiano é profundamente arraigado ao sentimento de amor à sua nação e tem orgulho de sua civilização ancestral, o que mantém vivas até hoje muitas tradições.

"Por quê Ganesha tem cabeça de elefante? Como o ratinho tão minúsculo pode ser o seu veículo? Porque algumas pinturas mostram os deuses e deusas com tantos braços? "Não podemos entender a Índia sem entender o significado de símbolos como o Om , a swastika, o lotus que revelam fatos sobre a cultura do país, desenvolvidos por centenas de milhares de anos. Apenas aqueles que estudaram a cultura intensamente podem entender o significado intrínseco desses símbolos, mas é uma obrigação moral de todo indiano se dedicar ao conhecimento da simbologia cultural da Índia.


SÍMBOLOS

A principal mensagem dessa cultura é a aquisição de conhecimento e a remoção da ignorância. Enquanto a ignorância é como a escuridão, o conhecimento é como a luz.

A lamparina, chamada de deepak tem muita importância como símbolo pois, tradicionalmente feita de cerâmica, representa o corpo humano porque assim como o barro, também viemos da terra. O óleo é queimado nela como um símbolo do poder da vida. Uma simples lamparina quando imbuída desta simbologia chama-se deepak e nos dá a mensagem de que toda e qualquer pessoa no mundo deve remover a escuridão da ignorância fazendo o seu próprio trabalho.Nos templos, sempre se oferece uma chama, significando que tudo que fizermos é para agradar a Deus.

Outro símbolo que causa curiosidade para os ocidentais é o Om, que representa o poder de Deus, pois é o som da criação, o princípio universal, entoado começando todos os mantras. Diz-se que os primeiros yoguis o ouviram em meditação, e esse som permeia o cosmos. É o número um do alfabeto, é o zero que dá valor aos números, é o som da meditação.

A flor de lótus, presente em muitas imagens, devido ao fato de crescer na água pantanosa e não ser afetada por ela representa que devemos ficar acima do mundo material apesar de viver nele. As centenas de pétalas do lótus representam a cultura da "unidade na diversidade".
A swastica, que causa estranheza quando é vista, pois para o ocidente é relacionada com o nazismo, é na verdade um símbolo de auspiciosidade, bem estar e prosperidade.Acima de tudo é uma bênção.

As divindades, com seus muitos braços, cada um deles carregando objetos ou armas, símbolos em si, como o lotus, livro, indicam as direções, a maioria representa os quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste. Qualquer poder do espírito supremo é chamado deus ou deusa, apesar de Deus ser Uno e Absoluto. Por isso são tantos, pois são muitas as manifestações de Deus.


RELIGIÃO

Outra coisa que é absolutamente importante para entendermos a cultura indiana é a crença na reencarnação, que para os hinduístas, assim como para muitas outras religiões, é um preceito básico e incontestável. Sómente considerando isso é que um ocidental pode entender o sistema de castas. Na filosofia indiana a vida é um eterno retorno , que gravita em ciclos concêntricos terminando no ceu centro, coisa que os iluminados atingem. Os percalços do caminho não são motivo de raiva , assim como os erros não são uma questão de pecado , mas sim uma questão de imaturidade da alma.. O ciclo completo da vida deve ser percorrido e a posição da pessoa em cada vida é transitória.

Essa hierarquia implica em que quanto mais alto se chega na escala maiores são as obrigações. A roda da vida cobra mais de quem é mais capaz. Um Brâmane, por exemplo, que é da casta superior, dos filósofos e educadores, tem uma vida dedicada aos estudos e tem obrigações com a sociedade. As outras castas são: Kshatriya, administradores e soldados, Vaishya , comerciantes e pastores e Sudras , artesãos e trabalhadores braçais. Antigamente esse sistema de castas era seguido como lei, mas depois que Mahatma Gandhi, o grande personagem da libertação da India, contestou isso em nome dos direitos humanos, hoje na India a mobilidade social já se faz presente.

Mas nem tudo é hinduísmo na India. O seu maior cartão postal, o Taj Mahal, é uma construção muçulmana, um monumento ao amor, pois foi construido pelo rei para sua amada que morreu prematuramente. É uma das maravilhas do mundo, feito com mármore branco e ricamente decorado com pedras preciosas.
O Islamismo é fundamentado sobre a crença de que a existência humana é submissão (Islãm) e devoção a Allah, Deus onipotente. Para os muçulmanos, a sociedade humana não tem valor em si, mas o valor dado por Deus. A vida não é uma ilusão, e sim uma oportunidade de bênção ou penitência. Para guiar a humanidadde, Deus deu aos homens o Corão, livro revelado através do Anjo Gabriel, ao seu mensageiro, o Profeta Maomé, por volta do ano 610 DC. Um século depois, houve a grande invasão a Sind, que hoje está fora da India, na região do Paquistão, onde a língua Urdu , introduzida naquela época na região, permanece até hoje .Devido a fatores políticos, o Islamismo se espalhou pelo norte e hoje temos um grande crescimento dos seguidores do Islãm por toda a India.

Por volta do século XV o Islam estava dominando o norte da India e se tornou muito intolerante, não admitindo a existência daqueles que não acreditavam na sua religião. Os hindus estavam vivendo em condições desumanas, sendo reprimidos e até massacrados e as mulheres eram maltratadas. Por outro lado os hindus , com suas divisões de classes, suas superstições e parafernália de rituais, depois de séculos de invasões e dominação, passaram a ser humilhados em seu próprio país, proibidos de construir seus templos e até velar seus mortos. Nesse contexto surgiu o Guru Nanak , que mostrou que ambas as religiões estavam se distanciando dos princípios de Deus, de paz e amor na humanidade e inaugurou o Sikhismo, uma religião baseada em valores universais : amor, liberdade, dignidade, tolerãncia, harmonia, amizade, realização pessoal , auto confiança, serviço, caridade e sacrifício. Para um Sikh a geração de riqueza não é irreligioso, se for em benefício da sociedade e não apenas para si próprio. È uma fé baseada na realização de Deus dentro de cada um neste mundo e não depois da morte.

O Budismo também se faz presente, já que a India é a terra onde nasceu Buda, e onde tudo começou. No tempo do Imperador Ashok, o grande rei unificador da Nação indiana, a maior parte se converteu ao Budismo, que alguns chamam de filosofia e não religião, pois não existe adoração a Deus e o ser humano é levado a conquistar a paz interior pelo caminho do meio, ou seja, o equilibrio. O sofrimento é causado pelo desejo e a prática da meditação é usada para aquietar a mente e procurar atingir o Nirvana, o estado de perfeita paz. As mais impressionantes representações do Budismo da época áurea se encontram nas cavernas de Ajanta e Ellora ,em Aurangabad. Esta última consiste em templos e monastérios erguidos pelos monges budistas , hinduístas e jainistas e contam a história das três religiões.

A vida do indiano é dividida em quatro fases, e essa divisão se chama Ashrama: a infãncia , a juventude, que é absolutamente devotada aos estudos, (não existe namoro nesta fase) , o tempo de se constituir familia, que é pela tradição arranjada pelos pais (este hábito está caindo em desuso com os tempos modernos) e na velhice a vida é dedicada à realização espiritual. Tal modo de vida mostra a grande importância dada ao conhecimento, e um grande número de indianos , apesar do alto índice populacional do país, e da pobreza que é conseqüencia disso, tem escolaridade e fala mais de uma língua.


ASPECTOS FISICOS

Geologicamente, o país consiste em três elementos distintos: o Himalaia, a Planície Indo Ganética, e o Planalto do Decan. Ao norte, como gigantesca barreira natural, ergue-se a Cordihleira do Himalaia que, com suas encostas escrapadas e as maiores elevações do planeta, isola completamente o país do resto da Ásia. De seus contrafortes, desce o maior rio indiano, o Ganges que desemboca no Golfo de Bengala, por intermédio de um vasto delta situado no Paquistão Oriental, onde confunde com as águas do rio Bramaputra.

Com os materiais trazidos do Himalaia, o Ganges construiu a planície Indo-Gangética, grande área de formação sedimentar, que se alonga de Nordeste para Sudoeste, com largura não superior a 300Km, uniforme, de altitudes modestas, de formação recente e extraordináriamente rica em aluviões, que se renovam a cada cheia d rio. A planície Indo-Gagética é a região vital do país.

Para o sul, estende-se o planalto do Decan, bloco triangular maçico, constituído por terrenos cristalinos vulcânicos, um dos remanescentes do continente de Gonduanda, que teria existido na Era Paleozóica. Trata-se da área profundamente acidentada, em cujos bordos se elevam montanhas escarpadas, com altitudes inferiores a 3Km: são os Gates Ocidentais voltados para o mar da Arábia, e os Gates Orientais voltados para o golfo de Bengala. No sopé dessas elevações abrem-se planícies litorâneas, alongadas e geralmente estreitas. A noroeste, deabamentos tactônicos abriram uma fossa, junto ao quals se abrem os montes Vindia e Saputra.


CLIMA

O clima dominante, é o quente, sob regime das monções, com quatro estações relativamente bem definida:

Fria (janeiro e fevereiro),

Quente (março, abril e maio),

Das monções do sudoeste (junho a outubro)

Da cessação das monções (novembro e dezembro).  

No sul do país, a temperatura é constante em todo o ano (cerca de 26oC a 28oC). Mas no norte, as variações são muito grandes. Na estação fria, a temperatura varia de 17 oC, sendo mais baixa no norte, que no sul. Nas grandes altitudes, o clima frio é predominante com neves eternas. As chuvas são mais abundantes a oeste do planalto do Decan e a sudoeste do Himalaia e no Baixo Ganges, tornando-se mais escassas no interior do Decan, sobretudo a noroeste do país, onde se encontra o deserto de Thar. As médias de precipitação anual varia entre menos de 135mm nas áreas desérticas do noroeste e mais de 2000mm no nordeste.


ATUALIDADE

A contribuição da Inglaterra, país que colonizou a India, foi principalmente a introdução da lingua inglesa, que permite que haja uma língua comum falada em todos os estados, cada qual com sua lingua nativa. Mas, além disso, introduziram o sistema de trens , que cobre todo o país, o telégrafo e toda a modernização nas comunicações. A independência foi conquistada em 1947, após a célebre resistência pacífica liderada por Mahatma Gandhi, o grande personagem do século XX, que deu o exemplo para o mundo, ensinando que a paz é possível. Ele mobilizou a população a produzir os próprios tecidos, para mostrar que não precisavam depender da Inglaterra, por isso vemos sempre seu retrato com uma roca. Isso tornou-se um símbolo e hoje a produção e tecidos é um dos setores mais prósperos . A marcha do sal foi com a mesma intenção, provar que a India podia ser autosuficiente.

A auto-suficiência é uma realidade, principalmente com relação a alimentos. O fato de ter uma população em grande parte vegetariana, e mesmo os não vegetarianos não comerem carne de vaca porque ela é sagrada, faz com que os espaços não sejam ocupados com pasto, propiciando assim maior incentivo `a agricultura. Mesmo que muitas pessoas na India não tenham teto, talvez sapato, sempre existe comida fácil e barato, além da disposição de ajudar uns aos outros ser uma coisa natural no indiano.

Da mesma forma , a população cuida de sua própria segurança.É muito raro assaltos à mâo armada, situações de risco desta natureza, pois o povo religioso como todos sabem, tem uma atitude diferente da ocidental perante a miséria , talvez por ter uma cultura que não é baseda no "ter".Mas quando ocorre algo, os próprios cidadãos se encarregam de punir o delinqüente. Todos os templos exigem que se tirem os sapatos e estes são deixados do lado de fora. Mesmo com grande número de pessoas sem poder aquisitivo para comprar um sapato, estes não são roubados.

Outro aspecto da auto suficiência é o sistema de conselho municipal, chamado panchayati; cinco membros, geralmente mais idosos, portanto mais sábios, que cuidam dos assuntos da comunidade. Isso vem dos tempos ancestrais, decorrente dos clãs, que são chamados gotra, e foi caindo em desuso, mas a autoridade legal desses conselhos foi restaurada oficialmente em 1989 por Rajiv Gandhi. Não há melhor meio de se exercer uma educação em direitos democráticos do que a chance de exercitar eles mesmos. Dois milhões e meio de habitantes das vilas são eleitos para posições no panchayat e o governo exercido por pessoas comuns fazem da democracia um fenômeno genuínamente de massas.

A democracia da India é a maior do mundo pela sua população, e o sistema político é parlamentar. Há duas câmaras, a câmara baixa ou "Câmara do Povo" (Lok Sabha) com 544 membros e a câmara alta ou "Conselho de Estados" (Rajya Sabha) co 245 membros . esta última não pode ser dissolvida. Há um Chefe de Estado e um Chefe de Governo, diversos partidos políticos e sindicatos.


CURIOSIDADES

A Índia moderna, como todos os outros países, absorveu a cultura ocidental, mas talvez devido ao orgulho de sua identidade própria, sem perder as características culturais. Um grande exemplo é a indústria cinematográfica, que é a maior do mundo. O número de filmes feitos na India é maior que em qualquer outro país. A indústria cinematográfica surgiu em Bombay em 1913. Sete anos mais tarde produziu-se em Calcutá o primeiro filme em língua bengali e em 1934 foram inaugurados em Madras os estúdios destinadoss à produção de filmes em tâmil e telugo. Essa é a maior paixão do indiano. Os cinemas vivem lotados, eles adoram seus astros, e o estilo "bollywood" (Bombay é o pricipal centro cinematográfico) se faz presente nas ruas, com músicas que são presentes em alto e bom som em todos os lugares, o colorido que os indianos tanto gostam saindo dos saris, que ainda são uma constante, para as roupas ocidentalizadas, pelo menos nos grandes centros. Mas tudo tem a cara da India, não se vê uma invasão cultural como ocorre em outros países, que perdem a sua identidade em nome de serem modernos.

Esta diversidade colorida, esta mistura de línguas, religiões, saris e turbantes, além de arquiteturas diferentes, é o que o fazem da India este "Caldeirão Cultural".A princípio o ocidental acha que um sari é sempre igual ao outro, mas um olhar mais atento vai mostrar que conforme a região o modo de amarrar difere do outro, assim como dependendo da religião vemos os diferentes modos de se amarrar um turbante.

As religiões são o fator mais determinante nas expressões do povo, como podemos ver em todas as manifestações da arte. A literatura e a poesia nasceram como mais uma maneira de se conectar com o divino, assim como toda pintura ou escultura. Os poemas de Tagore e Kabir são lidos até hoje, e muitos quadros contemporâneos que podemos ver no Museu de Arte de Delhi fazem referência às tradições e mitos.

Apesar de tudo, quem imagina a India um país místico, com cheiro de insenso e cheio de guirlandas e santos vagando pelas ruas, deve saber que é tudo verdade, mas convivendo lado a lado com um povo extremamente progressista, que gosta da modernidade e com uma identidade cultural única no mundo.
 

China e Índia – amigos ou adversários?

A retórica dos funcionários do governo, tanto da Índia quanto da China, sugere que ambos consideram um ao outro como amigos e buscam a cooperação e a harmonia. Embora a Índia e a China tenham concordado em melhor e maior cooperação a respeito da solução das fronteiras, segurança, luta contra o terrorismo e comércio, a Índia ainda vê a China de maneira suspicaz. Ainda em março de 2003 discussões e exposições de funcionários do governo e militares de elevada hierarquia demonstraram que a Índia vê a China como uma das suas duas grandes ameaças. A Índia, agora, baseia sua estratégia de segurança em um cenário de duas frentes, usando a ameaça chinesa como razão de adquirir novos sistemas de armas. Com efeito, a China pode alcançar todas as partes da Índia com seu arsenal nuclear,contanto a Índia comprou recentemente aeronaves Su-30 MKI, fabricadas na Rússia,em resposta a essa ameaça e parte do esforço de preencher a lacuna militar entre os dois países.

Parece que a Índia acredita que a China a tratará em condições de igualdade apenas se ela puder oferecer à China uma ameaça nuclear recíproca. Adicionalmente, os indianos ficam frustrados com o andamento “glacial” dos esforços de solução dos problemas de fronteira. A China tem-se mostrado lenta nesta questão desde que os dois países começaram seu diálogo, em 1998. Em poucas palavras, a Índia acha que a China não a considera uma potência regional ou asiática legítima. Para superar esta percepção, muitos indianos sentem necessidade de construir um arsenal militar mais forte e melhor. Já outros,argumentam que a Índia jamais conseguirá vencer uma corrida armamentista contra a China.

Além disso, a Índia e a China são rivais no mercado, competindo por negócios na Ásia, Europa e Estados Unidos. Embora busquem a cooperação em algum nível, tenham certamente aperfeiçoado o comércio bilateral, os dois produzem, em muitos casos, os mesmos bens; ambos têm populações de um bilhão de pessoas para empregar, e o empobrecimento de suas grandes populações lhes dá um poder aquisitivo pequeno. Mais uma vez, a China tem vantagens sobre a Índia em termos de bens, serviços e acesso a outros mercados. Por exemplo, os Estados Unidos mostraram muito mais interesse no comércio com a China do que com a Índia.

Outros empecilhos a uma cooperação bilateral mais próxima incluem a posição da China a respeito de Sikkim e a posição da Índia a respeito do Tibet. Também a recusa da China de apoiar os esforços indianos de obter assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) impede uma cooperação de plena escala entre os dois.

Embora a China e a Índia tenham concordado na guerra contra o terrorismo, a Índia continua reticente às relações da China com o Paquistão, pois em 1963,o Paquistão cedeu cerca de 5.800 km2 da Caxemira indiana à China. Além disso, em 1965, durante o conflito indo-paquistanês, a China forneceu armas ao Paquistão e acusou a Índia de “agressão criminosa”. Com a desintegração da União Soviética, será interessante ver como vão evoluir essas relações.


Veja também:



Comente:



Receba atualizações do site:

Copyright © 2014 - Todos os direitos reservados: Proibida a reprodução sem autorização (Inciso I do Artigo 29 Lei 9.610/98)

O Cola da Web auxilia sua vida escolar e acadêmica ajudando-o em suas pesquisas e trabalhos. O Cola da Web NÃO faz a venda de monografia e É TOTALMENTE CONTRA a compra de trabalhos prontos, assim como, NÃO APOIA e NÃO APROVA quem deseja comprar Trabalhos Prontos, por isso nós incentivamos o usuário a desenvolver por conta própria o seu trabalho escolar, TCC ou monografia.
R7 Educa‹o