Tráfico Negreiro

Os primeiros escravos africanos teriam chegado ao Brasil com a expedição de Martim Afonso de Sousa que portou no litoral paulista (São Vicente), em 1531. Contudo, o tráfico negreiro para o Brasil somente foi regulamentado em 1550, por um ato de D. João III, rei de Portugal na época. Assim, desse ano até meados do século XVII, 350 mil africanos já tinham sido introduzidos nas plantações de cana-de-açúcar brasileiras.

No século XVIII, o número do tráfico chegaria a 1.600 mil, exigidos pela mineração e pela lavoura de exportação (algodão e açúcar) e que dobraria na primeira metade do século XIX, com a lavoura cafeeira. Segundo Roberto Simonsen, até 1850, quando foi extinto o tráfico negreiro, foram trazidos para o Brasil, aproximadamente, 3.300 mil africanos.

O tráfico de Escravos

O tráfico negreiro na costa africana se dava de várias maneiras: poderiam ser adquiridos de mercadores muçulmanos ou diretamente de chefes africanos sempre dispostos a vender seus cativos e, até mesmo, seus súditos. Os portugueses também se valiam das desavenças entre grupos tribais, normalmente terminadas em lutas e, conseqüentemente, escravos, além da corrupção dos pais, que não hesitavam em vender seus próprios filhos. Nas trocas para a aquisição de escravos (escambo), usava-se como forma de pagamento desde a aguardente, tabaco e armas, até miçangas, quinquilharias e outras bugigangas. Nas viagens, a bordo dos navios negreiros (tumbeiros). perdiam-se aproximadamente 40% do total de "peças" embarcadas. Em alguns casos, chegavam a mais de 60%.

Tráfico negreiro
Cenas do tráfico negreiro retratadas no carnaval do Rio de Janeiro

Já na América, o negro era submetido à violência da escravidão capitalista, sem precedente na História da Humanidade, uma vez que, nesta, o trabalhador era simplesmente um objeto, uma peça (coisa ou res), ao contrário do escravismo praticado na Antiguidade.

Os sudaneses, caracterizados pela elevada estatura, foram introduzidos em grande número através do tráfico negreiro nos engenhos de açúcar da Bahia, embora já conhecessem os trabalhos com metais. Os bantus, de estatura mais baixa, eram mais numerosos e preferidos para os trabalhos na agricultura. Por isso, foi o grupo que mais se espalhou pelo Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Alagoas, Maranhão e Pará. Os guineanos-sudaneses eram minoritários e foram muito usados nas plantações da Bahia; pelo fato de serem islamizados, souberam expressar a reação contra o branco dominador, sendo por isso temidas as suas rebeliões.

De Onde Vinham os Escravos?

Os senhores brancos do Brasil colonial não tinham noção da origem dos seus escravos; muito menos, das diferenças culturais existentes entre eles. Expressões, como Nagô, Mina, Angola ou Moçambique eram meras referências geográficas do continente africano. Para eles, não havia diversos grupos negros, mas apenas o negro escravo. Contudo, eles vinham de áreas diferentes e pertenciam a grupos culturais diferentes.

A grosso modo, os escravos africanos que vieram para o Brasil correspondiam a três grupos distintos:

• Sudaneses - representados pelos povos Yoruba, da Nigéria, destacando-se entre eles os Nagôs e os Eubá, entre outros; pelos Daomenanos - Gêges e Efan e outros; pelos Fanti e Ashanti, da Costa do Ouro - os Minas, e por grupos menores da Serra Leoa, da Libéria, da Costa da Malagueta e da Costa do Marfim.

• Bantus - representados pelos povos Angola-Congolês, das regiões de Angola e do Congo e povos da Contra-Costa, de Moçambique. Destacam-se entre estes, os Angicos, Angolas, Caçanjes e Bengalas, entre outros.

• Guineano-Sudaneses - povos africanos islamizados do Norte da Nigéria e do Sudão Oriental, genericamente denominados Males, mas que se subdividiam em Fulas, Haussás, Mandingas e outros grupos menores.

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