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Crise de 1929 – A grande Depressão

Compreender o impacto da quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929 no mundo é, antes de tudo, ter conhecimento do grau de interdependência dos países após o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918.

Causas da Crise de 1929

A vitória sobre a Alemanha não representou a afirmação da Inglaterra ou da França, pois todos foram atingidos por uma crise econômica, e a Europa começava a perder espaço no globo para os Estados Unidos, principalmente.

Os Estados Unidos da América (EUA) tinham ampliado sua capacidade produtiva e a participação das potências europeias na produção mundial havia declinado. O país com maior condição de exportar capitais agora se encontrava na América do Norte, o que fazia a economia mundial tornar-se dependente de seus recursos.

Assim, entende-se que o eixo da interdependência dos países se chamava EUA e, é claro, se , por algum motivo, a economia estadunidense fosse abalada, isso afetaria a economia mundial.

Outro aspecto relevante do quadro econômico após a Pri­meira Guerra Mundial é encontrado na forma como as empre­sas estadunidenses se capitalizaram para atrair mais inves­timentos em sua capacidade produtiva, projetando atender à demanda mundial por produtos industrializados. Elas transfor­maram-se em empresas de sociedade anônima com participa­ção societária por ações, negociadas na bolsa de valores.

Assim, capitais podiam ser atraídos sem que houvesse necessidade de endividamento bancário. A questão que gira em torno da venda das ações diz respeito a seus valores, que dependem da expectativa do mercado de ações em relação à possibilidade de lucro da empresa. Acrescente-se a isso a ati­vidade de grupos especuladores e uma visão da economia em que o progresso é um contínuo movimento da história. O resul­tado: ações sobrevalorizadas.

Os sinais de que a economia mundial não estava bem eram vários, mas a euforia parecia ser maior que a prudência. Os países europeus procuravam diminuir a dependência dos produtos estadunidenses por meio de políticas protecionistas que possibilitassem a recuperação de suas indústrias. O setor industrial não era o único visado; a produção agrícola também era foco de ações protecionistas dos europeus.

Neste sentido, podemos afirmar que a agricultura do Estados Unidos foi a primeira a ser atingida. Os produtores rurais tinham se endividado, pretendendo ampliar a produção, que teria como mercado certo a Europa, mas as políticas protecionistas impedi­ram a exportação e houve “quebradeira” no setor agrícola do país.

Os bancos, entretanto, ficaram fortalecidos, pois incorpo­raram terras que haviam sido hipotecadas pelos agricultores para seus investimentos no campo. O discurso liberal tinha for­ça, por isso muitos acreditavam que essa situação fazia parte do jogo do mercado, que se autorregularia sem que houvesse intervenção governamental.

Assim, a atividade na bolsa de valores continuou inten­sa, com a participação até mesmo da classe média estadu­nidense, que aprendia o caminho da compra de ações como meio de enriquecimento. O problema é que, se a classe mé­dia aumentava o nível de poupança para aplicar na bolsa de valores, quem iria comprar os produtos que saíam da linha de produção?

A Crise de 1929

Quando muitos começaram a perceber que as empresas não iriam alcançar o lucro imaginado por não conseguirem vender seus produtos, houve uma corrida à bolsa para a ven­da de ações.

A semana de 29 de outubro de 1929 foi trágica para a economia do Estados Unidos. Milhões de títulos foram colocados à venda e não houve compradores. Era a quebra da Bolsa de Valores de Nova York. Empresas faliram, o desempre­go cresceu, o consumo foi reduzido ainda mais e novas de­missões foram anunciadas. Homens se suicidavam por terem perdido todas as economias na jogatina da bolsa de valores.

Crise de 1929.
Muitos acionistas e investidores tomaram Wall Street, onde fica a Bolsa de Valores de Nova York. Na foto de outubro de 1929, as pessoas se aglomeram em frente à Bolsa de Valores, após o crash.

Propagação da Crise e a Grande Depressão

Foi o efeito dominó da crise nos Estados Unidos que con­figurou a Grande Depressão. Recursos investidos no exterior eram repatriados para enfrentar o problema, empresas dos EUA que atuavam fora do país fechavam filiais e a crise de 1929 co­meçava a afetar o mundo.

Em meio ao caos econômico, polí­ticos norte-americanos começavam a discutir de forma séria os textos de um economista chamado John Maynard Keynes. Ele já havia defendido a ideia de que o Estado deveria atuar na economia como forma de alavancar o consumo e a renda, em sua Teoria do juro da moeda.

Foi nesse quadro que um político do Partido Democrata, Franklin Delano Roosevelt, candidatou-se à Presidência dos EUA com um programa de governo que contemplava o pen­samento de Keynes. Roosevelt apresentou o New Deal, uma nova programação econômica que envolvia a participação do Estado como instrumento de recuperação da economia.

Foi eleito presidente e aplicou seu plano de governo criando várias obras públicas, as frentes de trabalho, que ampliavam o mercado consumidor, pois o Estado se tornava um grande empregador. Além disso, o dólar foi desvalorizado e firmaram-se acordos entre bancos e agricultores e entre industriais e sindicatos de trabalhadores mediados pelos órgãos governa­mentais, com o intuito de estabelecer um pacto produtivo que gerasse emprego sem que houvesse inflação.

Os resultados conferiam à nova política econômica a simpatia de governantes em vários países e representava o colapso do pensamento liberal, ou seja, do laissez-faire, laissez-passer (princípio do liberalismo econômico, em tradução literal: deixai fazer, deixai passar).

Efeitos da Grande Depressão no mundo

A economia dos países dependentes dos EUA acompanhava a crise iniciada na bolsa de valores. As falências e as demissões não ficaram circunscritas à economia estadunidense, pelo contrário, alcançaram quase todo o globo terrestre, provocando o que se chamou de Grande Depressão.

Cada país procurava uma resposta para a crise de 1929 e seus governantes estavam interessados em resolver seus problemas internos, mesmo que isso custasse a própria paz mundial. Assim, políticas belicistas e nacionalistas integraram o quadro das tentativas de superação do colapso econômico.

Nos EUA não foi diferente, pois boa parte da recuperação de sua economia esteve atrelada ao setor militar, principalmente em relação ao que os políticos estadunidenses chamavam de ameaça nipônica do Oceano Pacífico.

Autoria: Simone Élide Bortoletto