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O contato entre brancos e índios na América

Logo de início, os índios receberam cor­dialmente os europeus em geral.

Entretanto, a cobiça dos brancos por ouro, prata e artigos exóticos logo mudaria essa relação pacífica, promovendo um violen­to etnocídio das populações nativas. Além da destruição física propriamente dita, os nativos americanos tiveram sua cultura, seus usos e seus costumes destruídos pelos europeus, que, em nome da "civilização" e da "religião", lhes impuseram novos idiomas e uma nova fé.


O contato com os astecas

Uma antiga profecia asteca afirmava que um dia o deus Quetzalcoatl, a serpente emplumada, que era retratado como um homem de pele clara e de barba, viria, em pessoa, pelo mar.

Quando os espanhóis chegaram saindo das águas, com vestimentas brilhantes (armaduras), de pele e olhos claros e barbudos, os astecas acreditaram que a profecia estava se concretizando.

índios visualizando a chegada de um navio espanhol

Para agradar a esse deus, o imperador Montezuma II o recebeu com presentes e festas, mas o espanhol Fernão Cortez, impressionado com a grandiosidade dos templos e com a cidade, tratou logo de conquistar aquela região cujo povo conhecia e dominava a arte da fundição aurífera.

O povo já ouvira falar que aqueles "deuses" possuíam "raios que matavam" (arcabuzes) e ficaram aterrorizados com a visão daqueles homens brilhantes montados em "monstros que soltavam fumaça pelo nariz" (cavalos, animais desconhecidos até então).

Numa demonstração de força e ousadia, Cortez exigiu vinte bravos guerreiros astecas. Ao ter o pedido atendido, Cortez decepou as mãos daqueles valentes guerreiros na frente do imperador Montezuma.

Em seguida, os espanhóis iniciaram a destruição da cidade e Montezuma, um so­berano prisioneiro, pregara uma política de conciliação com os invasores. O povo asteca reagiu à invasão como pôde e, num desses confrontos, Montezuma foi morto.

Seu sucessor, Cuauhtémoc, enfrentou os espanhóis, que haviam conseguido apoio de tribos rivais, e foi derrotado em 13 de agosto de 1521. Ao se tornar prisioneiro dos espa­nhóis, foi barbaramente torturado durante três anos, até que Cortez resolveu enforcá-lo.

Placa que eterniza o feito de Cuauhtémoc

Nas ruínas de Tenochtitlán, no centro da Cidade do México, uma placa eterniza o feito de Cuauhtémoc, o último imperador asteca. Em 13 de agosto de 1521, heroicamente defendido por Cuauhtémoc, caiu Tlatelolco em poder de Fernão Cortez. Não foi triunfo nem derrota. Foi o doloroso nascimento do povo mestiço que é o México de hoje.

Com apenas 11 navios, 500 soldados, 16 cavalos e 10 canhões, Fernão Cortez conquistou o Império Asteca, que, na época, possuía cerca de 15 milhões de habitantes.

Para realizar tal proeza, os espanhóis con­taram com cavalos e canhões, que os nativos não conheciam, com as disputas internas e as revoltas de outros povos dominados pelos aste­cas, mas que não aceitavam essa subordinação.

Praça das Três Culturas

Esta praça denomina-se Praça das Três Culturas e representa a cultura asteca (ruínas), a catedral erguida pelos espanhóis com as pedras do Templo Maior da capital asteca e os modernos edifícios atuais.


O contato com os maias

Após a conquista do México, Fernão Cor­tez enviou Pedro Alvarado para a região de Yucatán, em 1523.

Os maias que os espanhóis encontraram nem de longe lembravam a civilização cujas ruínas encantaram e encantam estudiosos e turistas.

Aterrorizados pelas armas de fogo e pelo cavalo, os descendentes maias sucumbiram ao poder espanhol. Além da belicosidade es­panhola, os nativos foram derrubados por epidemias desconhecidas por eles, como a va­ríola.

Mesmo conquistados e aviltados, os des­cendentes maias preservaram variações da língua maia, especialmente na península de Yucatán e na Guatemala. Ninguém sabe por que os maias abandonaram suas cidades e ninguém consegue explicar também como eles conseguiram resistir até hoje, mantendo tradições milenares.

Descendentes maias na Guatemala

Guatemala - O colorido das vestimentas é a marca registrada dos descendentes maias.


O contato com os incas

Em 1531, Francisco Pizarro partiu para o Peru para anexar o Império Incaico à Espa­nha. Contava com cerca de 180 homens, 37 cavalos e algumas armas de fogo.

O chefe supremo inca - Sapa-Inca - de­tinha os poderes militar, religioso e político, mas a sua sucessão não era muito bem esta­belecida e a disputa pelo poder desencade­ava lutas sangrentas entre os candidatos ao título.

À época da chegada dos espanhóis, o Império Inca estava sendo disputado entre os irmãos Atahualpa e Huáscar. Atahualpa tornou-se o Sapa-Inca após derrotar o ir­mão.

Quando Pizarro chegou aos altiplanos an­dinos, encontrou-se com Atahualpa na cidade de Cajamarca e lá o inca foi feito prisioneiro dos espanhóis.

Pizarro exigiu um fabuloso resgate pela vida do imperador, assim como Cortez havia feito com a prisão de Montezuma, no México, em que ele recebeu 800 kg de ouro asteca.

Os homens de Pizarro exigiram como res­gate uma sala de ouro e prata. A sala possuía 6,70 m de comprimento, 5,20 m de largura e 2,70 m de altura. No total, os espanhóis rece­beram mais de 5 toneladas de ouro! Mesmo assim, a vida de Atahualpa não foi poupada.

A prisão e morte do imperador inca der­rubou qualquer resistência aos espanhóis, de imediato. Os nativos abandonaram as cidades e os povoados e iniciaram a reação ao domí­nio espanhol.

O último imperador andino foi Tupac Amaru, que efetivou a última grande revol­ta contra o domínio espanhol. Executado em 1572, seu nome tornou-se símbolo da luta pela liberdade. No século XVIII, seu descen­dente João Gabriel Tupac Amaru liderou uma rebelião indígena contra os espanhóis. Após violentos enfrentamentos, Tupac Amaru foi preso, torturado e morto em Cuzco, em 1781. O nome Tupac Amaru foi proibido em público e o uso de ornamentos da nobreza inca tam­bém foi proibido.

A conquista da América Andina contou com a violência bélica (cavalo, espadas e canhões), com a violência cultural (imposi­ção dos valores europeus sobre os nativos) e ainda com o imaginário popular (os incas, ao verem os espanhóis brancos, barbudos e de armaduras, acreditaram que era o deus Viracocha, o filho do Sol). Além disso, os es­panhóis conseguiram a adesão da classe do­minante. O povo agora trabalharia não para o rei, mas para a Espanha.

Lago Titicaca

O lago Titicaca, 3.800 m acima do nível do mar, era o lago sagrado onde viveu Viracocha, um homem de pele branca e de barba.


Conclusão

A conquista do território americano e a sua conseqüente exploração por parte dos europeus provocaram a desagregação e a destruição das culturas nativas existentes no continente.

As terras americanas foram sistematica­mente tomadas pelos brancos, que aqui funda­ram suas vilas e cidades em nome dos reis euro­peus. As comunidades caçadoras coletoras, como os nativos brasileiros e norte-americanos, foram sendo empurradas cada vez mais para o interior, para darem lugar às plantações dos brancos.

Nas regiões da Mesoamérica e Andina, os espanhóis dominaram civilizações extrema­mente organizadas e urbanizadas e explora­ram a mão-de-obra nativa nas minas de ouro, prata e sal.

Apesar de toda a violência perpetuada pelos colonizadores e exploradores europeus, a cultura nativa ainda resiste na língua, nos costumes, no artesanato, na prática da agri­cultura em andenes e no tipo físico.

Passados mais de 500 anos, os povos indí­genas ainda continuam sendo desrespeitados e explorados. No Brasil, as terras indígenas são continuamente invadidas por fazendeiros ou garimpeiros; nos EUA, populações nativas, acabaram confinadas em reservas indígenas. Por toda a América pode-se perceber que os primeiros habitantes desta terra vivem pra­ticamente abaixo da linha de pobreza. Na região de Maras, perto de Cuzco, os índios ainda trabalham nas salinas, extraindo o sal das montanhas, como na época do Império Incaico.

Carregando sacos de 70 kg nas costas, sendo queimados e cegados pelo sol que se espalha na brancura do sal, potencializando seus raios, exploram um produto que, à época dos espanhóis, valia tanto quanto o ouro e a prata e hoje vale quase nada.

Se, por um lado, nós falamos português, espanhol, francês ou inglês e somos cris­tãos, por outro lado comemos batata, milho, mandioca, pimenta. Se, por um lado, índios foram obrigados a aprender a língua e a ado­tar os costumes dos europeus, por outro lado os europeus acabaram por adotar muito dos costumes e da alimentação dos povos que eles dominaram, demonstrando a dinâmica da história, em que vencidos e vencedores deram origem a uma nova cultura, um novo povo.

Fonte: Apostia COC

Por: Renan Bardine em 19/01/2012



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