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Mito e Pensamento Entre os Gregos

A mitologia é um assunto fascinante, com este trabalho, entenderemos quais as principais funções que os mitos tinham, e por que eles eram tão importantes para os gregos.

Os mitos acima de tudo organizavam as comunidades e formavam o ser pessoal dos cidadãos. Neste trabalho explicaremos como e por que isto ocorria.

O SIGNIFICADO DOS MITOS PARA OS GREGOS

A mitologia foi uma forma encontrada para se compreender o mundo e entender coisas que para aquela época eram quase impossíveis de se entender: O que é a terra, por que ela existe, quem somos nós, por que estamos aqui e o que acontecerá quando morrermos.

A mitologia dava respostas para estas perguntas. Eram respostas falsas, mas satisfaziam a curiosidade das pessoas. Muitas destas perguntas não tem resposta até hoje.

Sempre ficou muito claro na mitologia que os deuses não gostavam dos humanos, nós éramos apenas "brinquedinhos" deles. Mas por que? Será que isso não seria uma explicação para os seres humanos entenderem por que as vezes a vida e tão dura, tudo dá errado, e também para compreender por que existia tanto sofrimento, tanta dor, tanta injustiça?

E as Mouras? Não seriam a explicação para todas aquelas vezes em que por mais que a pessoa tivesse lutado, batalhado e sofrido, ela não tivesse alcançado seus objetivos? Ao invés de se considerar um perdedor, talvez fosse mais fácil dizer que não existia a vontade humana, apenas a vontade divina.

Os mitos foram muito importantes para toda a sociedade daquela época, pois sempre foi essencial para o homem saber suas origens e a origem do mundo. E os mitos além da função religiosa tinham também esta função: Explicar o incompreensível.

A mitologia se aproxima demais da realidade, pois sem a realidade os mitos não existiam, já que estes são explicações de uma difícil realidade.

Os deuses eram muito parecidos com os homens não só fisicamente. Nós sabemos que os deuses eram considerados muito mais inteligentes do que os homens, mas acontece que os sentimentos e as representações dos deuses eram todos refletidos em nós.

Se acontecia uma peste, por exemplo, era por que algum deus estava descontente com os humanos, e logo isto refletia na sociedade.

A mitologia tentava esclarecer entre tantas coisas os fenômenos naturais da terra.

Os deuses eram figuras individuais com aspectos humanos, que recebiam uma força maior do além. E muito raramente eles usavam estas forças para beneficiar os humanos. Como eu já disse antes, os deuses não gostavam de nós.

Com os recursos da época, era praticamente impossível descobrir a origem do mundo. Com os mitos, isso foi possível. Para os gregos, segundo Hesiodo, no poema TEOGONIA, tudo começou com o Caos, e a partir dele surgiu Nyx, a noite, e Gaya, a terra. Partindo deste fato, foi surgindo toda uma teoria mitológica das origens não só do mundo, mas de tudo, como o surgimento do homem, do tártaro, dos deuses, etc.

Portanto podemos assim concluir que os mitos eram uma explicação irracional do mundo. Eles só seriam racionais a partir do momento em que o homem separasse o espirito da razão, que no momento não era o caso. Eles eram a única forma dos gregos conhecerem a origem deles próprios, mesmo sendo uma origem falsa. Eles acreditavam em seus mitos, e isso era o mais importante. É obvio que eles não sabiam que os mitos existiam principalmente para desvendar tais mistérios, para eles aquilo era verdade e pronto.

Era muito importante para a sociedade daquela época que os deuses fossem parecidos com eles. Para eles, eles eram reflexos inferiores dos deuses. mas na verdade os deuses que eram reflexos superiores a eles. Os deuses eram como se fossem seres humanos perfeitos, sem os problemas banais do homem, e com uma força do alem muito forte. Eles não tinham que trabalhar para conseguir comida e nem para sustentar uma família. Também não precisavam desvendarem os mistérios da vida. Eles sabiam tudo.

A impressão que se tem é que a morte era uma coisa que assustava demais os gregos, por eles não a entenderem. Independente de você ter sido bom ou ruim, você ia para o inferno (Tártaro) só com o corpo, pois sua alma evaporava. Você não iria ser mais nada: Estava condenado ao sofrimento eterno.

Os deuses não tinham este problema, uma vez que eram imortais.

A CONTRIBUIÇÃO DOS MITOS PARA COM A SOCIEDADE 

Os mitos contribuíam para que houvesse uma integração à vida social e política das pessoas. Os mitos que organizavam as leis e regras de uma comunidade. Se alguém desrespeitasse alguma destas leis ou regras, isto não refletia nele como pessoa, mas sim em todos como sociedade. Por exemplo, se uma pessoa deixasse de fazer um culto a um deus, este deus não ficaria bravo e se "vingaria" da pessoa, e sim da comunidade aonde esta pessoa vivia. Este era um fator que contava para que todos fizessem seus cultos aos seus deuses.

Os mitos eram tão importantes que até as pessoas que não participavam do polis (Escravos e mulheres) encontraram um espaço, assim desenvolvendo uma religião própria, o dionisismo.

Os mitos funcionavam meio que como a lei dos lugares. Por exemplo, em certa comunidade eles falavam que quem roubasse de outra pessoa ia ser punido pelos deuses, logo eles não roubavam.

Se uma pessoa cometesse uma falta muito grave e fosse expulsa de sua comunidade, ela perdia o seu ser social, isto é, perdia suas raízes. Para ela ser aceita em outra sociedade e voltar a ser alguém, ela tinha que através desta nova sociedade pedir aos deuses para ser aceito. Não era fácil mudar de comunidade, pois cada uma tinha seus cultos e culturas. Os mitos variavam de cidade em cidade. Não que eles fossem inteiramente diferentes: Apenas algumas características mudavam, assim como as oferendas a eles feitos. A pessoa que mudava de cidade também teria de acreditar em coisas diferentes do que as outra em que ela estava habituada. As cidades eram formadas para algum mito. Por isto também que os mitos eram importantes para a formação da sociedade.

COMO FUNCIONAVAM OS MITOS DENTRO DA SOCIEDADE

Para pedir qualquer permissão a um deus sobre algum assunto, não era qualquer pessoa que podia fazer isto, e sim aquelas que faziam parte da magistratura, pois elas também faziam parte do sarcedócio.

Os deuses eram invisíveis, e por melhores que fossem as representações deles, elas não tinham muita validade pois os mitos traspassavam qualquer representação. Os deuses eram oniscientes e onipresentes, isso é, eles estavam em todos os lugares a todos os momentos e sabiam de tudo o que estava acontecendo.

As figuras mitológicas eram perfeitas. Eles tinham traços humanos e representavam coisas bem delineadas. Zeus por exemplo, além de ser o deus dos deuses, era o deus do juramento, do contrato, da chuva, etc.

A grande diferença entre um Deus e um ídolo, é que o ídolo é a pessoa até quando ela é ela mesma, já o mito não. Por exemplo, hoje em dia o Pelé é considerado um mito, pois além de ser o melhor jogador de futebol, ele é considerado o melhor atleta, o mais honesto, etc. Isso é, ele superou-se e superou a todos.

DO MITO A RAZÃO

O homem deixa de acreditar nos mitos quando ele percebe a separação da razão e do espírito, assim descobrindo a ciência. Ele passa a ver que as coisas não acontecem por que Zeus quer, e sim por que elas tem uma certa lógica.

A partir destes pensamentos constroe-se a filosofia, que é muito importante para que o homem entenda por que ele vive, por que esta aqui, etc.

CONCLUSÃO

Geralmente quando as pessoas falam em mito, elas não imaginam que por detrás destes mitos existia um grande pano de fundo, que cobria toda a organização política e social e toda a formação dos carateres pessoais de uma comunidade. Com este trabalho aprendemos que mitologia é muito mais do que uma simples religião. Ela fez tudo isso e muito mais.

Mas a partir do momento que o homem descobre que a razão e o espírito não estão juntos, toda a "teoria" dos mitos desaba; Aí está fundada a filosofia.

A mitologia foi muito importante para aquelas comunidades, pois ela tentou e conseguiu esclarecer suas várias dúvidas.

BIBLIOGRAFIA

MITO E PENSAMENTO ENTRE OS GREGOS. VERNANT, J.P.
APOSTILA DE FILOSOFIA DO 1 ANO DE 1996.

Por: Rian Souza Bernardes

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