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Pestalozzi

João Henrique Pestalozzi, nascido em Zurique-Suiça no séc. XVIII (1746). Considerado um grande humanista e pedagogo, cuja Filosofia contribuiu para a educação moderna, que se prolongou até aos nossos dias.

A sua ideologia acentuava na educação escolar, como complemento da família e como meio de preparação da educação para a vida.

Podemos dizer que ele psicologizou a educação, pois um século antes do surgimento da psicologia infantil, Pestalozzi descobriu intuitivamente os princípios caracterizadores da educação nova. Posteriormente, a Psicologia confirmou experimentalmente a afirmação do autor, na medida em que diz que o papel parental é fundamental no desenvolvimento da criança.

Ainda hoje o destino afectivo e social do indivíduo resulta da interacção física e psíquica entre o sujeito e a família.

Pestalozzi, foi assim, considerado mentor e reformador da escola popular.

Pestolazzi           

Os acontecimentos sociais, culturais e políticos que comoveram a velha Europa durante a segunda metade do Século XVIII e as primeiras décadas do XIX, configuram o âmbito histórico dentro do qual surgiu a inteligência e a criatividade pedagógica de João Henrique Pestalozzi, influenciado nas suas leituras sobre Rousseau “Contrato Social e Emílio”. A subida do capitalismo industrial como forma predominante da produção social, a exaltação dos nacionalismos étnicos, históricos e religiosos e a aspiração de liberdade do romantismo nos campos da vida política e cultural dos povos, a vertente revolucionária capitalizada pela burguesia que desprezava o absolutismo feudal, entre outros fenómenos, forjaram e orientaram a aventura educativa do humanista suíço/alemão.

O pensamento e entrega de Pestalozzi ainda ocupa, nos nossos dias, a atenção de filósofos, psicólogos e pedagogos, devido ao interesse que desperta uma das suas obras educativas mais transcendentes, isto se o julgarmos a partir da profunda influência que alcançou, indo, inclusive, mais além das fronteiras do século XIX europeu, até chegar aos educadores de hoje. Biógrafos, historiadores e críticos, reconheceram a generosidade e autenticidade dos sentimentos que guiaram as experiências pedagógicas do discípulo de Rousseau, inseridas numa época de profundas mudanças na sociedade e na cultura.

Pestalozzi idealizou a possibilidade de libertar o povo e notabilizá-lo pela educação. A sua intenção de auxiliar os oprimidos, foi a razão porque passou a viver entre os camponeses dedicando-se à agricultura na tentativa do seu aperfeiçoamento para empregar como exemplo aos demais, com vista à independência económica.

Foi na sua propriedade denominada Nuehof, que Pestalozzi recriou um asilo para as crianças pobres (albergando inicialmente cerca de 50), iniciando a sua carreira pedagógica.

As crianças eram retiradas da sua mendicidade e na instituição atribuíam-lhes uma ocupação fácil, remunerada e eram instruídas nas suas horas de recreio. Pestalozzi preocupava-se em defender as crianças e os seus destinos emanando, nos anos seguintes, o exemplo de sacrifício em todas as instituições nos povos modernos.

Esta instituição fechou após 5 anos pois os rendimentos não eram suficientes para suportar as despesas.

Passados 18 anos, Pestalozzi abriu o asilo de Stanz, onde chegou a acolher cerca de 400 órfãos, continuando com a educação do povo. Em 1780 publicou o livro “Serões de um solitário”, tendo como pontos principais:

“1º O desenvolvimento de todas as disposições e forças humanas para uma existência independente e feliz. A força básica da instrução é a mesma para todos, e, segundo as possibilidades deve proporcionar-se a cada um, num total e são desenvolvimento.

2º A educação geral do homem como base da formação de cada estado e de cada vocação, derivada de toda a instrução e de toda a actividade que nos cerca. Deve haver uma subordinação da formação profissional à instrução geral do homem.

3º Desenvolvimento intuitivo, de uma penetração efectiva em oposição à simples substância das palavras.

4º Formação de um carácter virtuoso e de um sentimento religioso como fim supremo da educação.” Ainda vou ver, (ano). Enciclopédia (Vol.). Cidade:Editora.

Seguidamente, ainda publicou os livros “Leonardo e Gertrudes”, em 1782, “Cristóvão e Elisa” e em 1791, as “Fábulas”.

Após a revolução francesa, Stanz foi incendiada e centenas de crianças ficaram órfãs e abandonadas. O novo governo organizou em Stanz um orfanato sob a direcção de Pestalozzi.

Perante tanta miséria e tristeza, Pestalozzi desempenhou o papel de pai e professor para todas aquelas crianças, dando todo o seu amor, afecto e dedicação.

As crianças mais velhas foram formadas para serem mestres das mais novas. Estes princípios da escola de Stanz, influenciou as escolas dos nossos tempos, pois foi a partir deste asilo que iniciou a educação elementar, com a educação intelectual – o ensino moral, o ensino do coração e o ensino da mão. Os seus trabalhos pedagógicos giram em torno destes princípios, uma vez que Pestalozzi, preocupava-se com a necessidade de desenvolver as faculdades físicas e psicológicas, as quais são a base da educação primária moderna.

No recomeço da guerra e com a ocupação da instituição por militares, as crianças foram-se dispersando.

Em 1800, juntamente com o professor Krusi, Pestalozzi fundou, em Burgdorf, um novo instituto de educação, começando com a 1ª classe, onde obteve magníficos resultados com as crianças. Aqui escreveu sobre “As instruções para ensinar a ler” e “Como Gertudes ensinara seus filhos”, no qual salientava a importância da melhor forma de educar, evocando os principais erros, pois, o seu desejo era que o educador fosse como um segundo pai. A escola deveria ser uma continuidade da tarefa educativa do lar, pois a família é o ponto de partida para a educação. Estas acções, atraíram as atenções de pensadores europeus como Herbart.

O Instituto de Burgdorf, teve a participação de vários colaboradores competentes, permitindo o alargamento do ensino por várias áreas (Química, Álgebra, Línguas, Geografia, etc.).

Em 1805, o Instituto foi transferido para Yverdon. Aqui, os processos pedagógicos e a sua aplicação foram uma inspiração para vários pedagogos. Desde os recreios, trabalhos manuais, até aos passeios, eram um vasto leque de actividades acompanhadas pelos professores, num relacionamento de empatia, afeição e amor, entre professores e alunos.

 Em 1825, Pestalozzi deixou Yverdon, para regressar a Neuhof, juntamente com o seu colaborador Schimd, «A minha instituição, tal como nasceu em Burgdorf do seio do caos, tal como subsistiu em Yverdon numa disformidade sem nome, não era o fim da minha vida», disse Pestalozzi.

Pestalozzi não desistira do seu sonho e ainda escreveu “O Canto dos Cisnes” e “Os meus Destinos”. Faleceu em 1827. Através do testemunho de discípulos e colaboradores, resume-se assim as principais ideias da pedagogia Pestalozziana:

“1ª Ideia da educação humana baseada em a natureza espiritual e física da criança;

2ª Ideia da educação como desenvolvimento interno, formação espontânea, embora necessitada de direcção;

3ª Ideia da educação baseada nas circunstâncias em que se encontra o homem;

4ª Ideia da educação social e da escola popular, contra a anterior concepção individualista da educação.

5ª Ideia da educação profissional, subordinada à educação geral.

6ª Ideia da educação religiosa íntima, não -confessional;” (A pedagogia no século XVIII, pág. 178*).

Certamente que, à luz dos nossos dias, muito pouco resta em pé da estrutura intelectual proposta por Pestalozzi, não quanto ao humanismo de uma pedagogia que soube congregar os avanços do pensamento filosófico e social, mas uma aventura de sentindo único na história moderna da educação.

Os seus ideais “não representam hoje em dia mais do que um interesse de ordem histórica, referentes à finalidade e processos educacionais: paradoxos, poesia satírica, apóstrofes e efusões, permanecem, assemelhando-se à lava vulcânica, incandescentes sob uma camada mínima de metais. E é neste braseiro que ainda hoje se aviva a chama que em milhares de corações faz com que a profissão de educador (…) seja elevada à dignidade de um serviço de Deus na pessoa de criança.” (Chateau J., 1956, p.233)

Pestalozzi, apresentava uma unidade orgânica no seu conjunto de pensamentos sobre educação, pela acção educativa e inspirado no seu espírito humanitário, ambicionando melhorar a qualidade de vida do povo.

Mais tarde, com o surgimento das perspectivas psicológicas e pedagógicas, procurou-se um estatuto científico para a teoria e as práticas educativas, através dos princípios de Pestalozzi.

Acentua-se, em todo o caso, que as ideias pedagógicas do humanista suíço/alemão representaram um valioso alento aos processos de abertura na modernidade no campo da educação e pedagogia.

Entre Neuhof e Iverdon interpõem-se 50 anos de busca e trabalho, de experiência e paixão. A obra literária, recurso sempre eterno para olhar desde outra latitude o objectivo de estudo, permite a Pestalozzi a elaboração de um discurso em cuja trama se misturaram referências a toda a classe (teóricos, artísticos e religiosos), expostos com a teoria da época.

As Escolas Novas (Montessori, Decroly, Freinet…) são baseadas nas filosofias e pedagogias que não se afastam dos princípios gerais de Pestalozzi (onde o ritmo, combinado com a leitura e a escrita, deixando a criança desenhar livremente, ensinando canto, geografia e moral, doseados sempre com um gesto de amor) que incorporavam avanços das ciências sociais e tecnológicas, observando certos aspectos que são abordados nas actividades, propondo métodos e técnicas específicas e experimentando novos modelos e sistemas.

A contribuição de Pestalozzi neste processo é indiscutível, sendo valorizadas as suas reflexões ao redor do problema da criança e sua aprendizagem, sobressaindo o seu papel na experiência e aventura no conhecimento da educação e suas pedagogias.

Hoje ao ver o sistema de lei de Bases do Sistema Educativo deparamo-nos com alguma semelhanças aos progressos de Pestalozzi, tais como:

(Art.2º alínea 1) “Todos os portugueses têm direito à educação e à cultura, nos termos da Constituição da República.” e (Art.2º alínea 2) “É da especial responsabilidade do Estado promover a democratização do ensino, garantindo o direito a uma justa e efectiva igualdade de oportunidades no acesso e sucesso escolares.”Também Pestalozzi lotou por uma educação igual para todos (pobres e ricos). Por este motivo Pestalozzi era conhecido como “o homem do povo” (Cruz, 2005)

(Art.1º alínea 3) O sistema educativo desenvolve-se segundo um conjunto organizado de estruturas e de acções diversificadas…” a escola de Pestalozzi era organizada, flexível e simples, com as tarefas distribuídas durante o dia.

(Art.2º alínea 3) “…garantido a todos os portugueses o respeito pelo princípio da liberdade de aprender e de ensinar, com tolerância para com as escolhas possíveis…” Condenou a educação exclusivamente teórica, intelectual e acreditava que as faculdades das crianças devem ser desenvolvidas de acordo com a natureza (cruz, 2005)

(Art.2º alínea 4) ”O sistema educativo responde às necessidades resultantes da realidade social, contribuindo para o desenvolvimento pleno e harmonioso da personalidade dos indivíduos, incentivando a formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos e solidários e valorizando a dimensão humana do trabalho.” e (alínea 5) “A educação promove o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista”.também Pestalozzi acreditava que “a educação poderia mudar a terrível condição de vida do povo”.(Nascimento & Moraes, 2006)

Art.5º alínea 1 b) “Contribuir para a estabilidade e a segurança afectivas da criança”, já no séc. XIX, a escola planejada por Pestaozzi “deveria ser não só uma extensão do lar como inspirar-se no ambiente familiar, para oferecer uma atmosfera de segurança e afeto.” (Ferrari, 2004).

Art.5º alínea 1 c) “Favorecer a observação e a compreensão do meio natural e humano para melhor integração e participação da criança”, não é por acaso que Pestalozzi chegou a comparar o professor a um jardineiro, ele dava muita ênfase ao real, ao concreto aos sentidos, “o processo educativo deveria englobar três dimensões humanas, identificadas com a cabeça, a mão e o coração.” (Ferrari, 2004).

Art. 5º Alínea1 d) “Desenvolver a formação moral da criança e o sentido da responsabilidade, associado ao da liberdade;”, na escola de Pestalozzi “os problemas disciplinares eram discutidos à noite, ele condenava a coerção, as recompensas e punições” (Zacharias, 2006)

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