Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago

Em 1922, em Azinhaga, Conselho de Golegã, nasceu José Saramago, autor de Ensaio sobre a cegueira. Inicialmente escreveu poesias, crônicas, contos, romances e peças de teatro. Logo, em 1980, iniciou a segunda fase de sua carreira como escritor, então Saramago lançou sua melhor obra que lhe rendeu o prêmio Nobel de literatura, em 1996.

José Saramago é detentor da capacidade de narrar precisamente suas obras, recheando-as de detalhes que possibilitam ao leitor vivenciar de forma realista e se incluir no texto narrado.


RESUMO DE ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

De forma repentina, um homem de 38 anos, casado, motorista, foi tomado por uma cegueira enquanto esperava sozinho dentro do carro o sinal abrir. Essa cegueira é definida como um mar de leite. Algumas pessoas o acudiram e um indivíduo se oferece para levá-lo em casa e acaba por roubar-lhe o carro. O ladrão vive um drama por ter roubado um homem cego, entretanto, também fica cego.

Livro Ensaio Sobre a CegueiraAo chegar em casa – o primeiro cego, sua esposa o leva ao oftalmologista, que não encontra nenhuma lesão nos olhos do homem, mas lhe solicita alguns exames para sustentar um possível diagnóstico sobre esse caso raro, o qual nunca vira. Por fim, o médico oftalmologista também é acometido pela treva branca e aos poucos infecta todos os seus pacientes, transformando a doença em uma epidemia.

Todos os indivíduos tomados pela cegueira branca são isolados e internados em um manicômio abandonado, porém, a única pessoa que não contraiu a cegueira é a mulher do médico, que esconde esse fato dos demais, exceto do marido. Nesse ambiente irão passar por diversas situações consideradas subumanas, vivendo como bichos, em que o instinto se sobreporá à razão e à dignidade humana.

Passado certo tempo, os cegos, já vivendo fora do manicômio, enfrentam a carência da cidade grande que fora saqueada, assim os moradores que tiveram suas casas saqueadas foram obrigados a viver como nômades, à procura de alimentos, água e abrigos pelas ruas. Conforme a cegueira chegou repentinamente, aos poucos se foi, possibilitando-nos associar a obra ao Mito da Caverna, de Platão.


PERSONAGENS

Os personagens de Ensaio sobre a cegueira não são identificados por seus respectivos nomes, mas sim por suas profissões ou por uma característica marcante. Sobre isso, leia:

[...] Ainda estava nesta balança entre a curiosidade e a discrição quando a mulher fez a pergunta directa, Como se chama, Os cegos não precisam de nomes, eu sou esta voz que tenho, o resto não é importante, Mas escreveu livros, e esses livros levam o seu nome, disse a mulher do médico, Agora ninguém os pode ler, portanto é como senão existissem.

SARAMAGO, José. Op. cit. p. 275.

  • A mulher do médico – única personagem que não é contaminada com a cegueira branca. Assim, desempenha a função de guia e protetora dos acometidos pela cegueira.
  • O médico – oftalmologista, fica cego enquanto investiga a rara cegueira.
  • O primeiro cego – o primeiro indivíduo a ser contaminado enquanto aguardava o sinal abrir.
  • A mulher do primeiro cego – ela reencontra o marido no manicômio.
  • O cego ladrão – oferecendo-se a ajudar o primeiro cego, roubou-lhe o carro. Enquanto esteve no manicômio foi morto por soldados que cuidavam do lugar.
  • O velho da venda preta – paciente do médico, possuía catarata, foi contaminado com a cegueira branca, que atingiu o olho que ainda enxergava.
  • Rapariga dos óculos escuros – prostituta, que se consultou com o médico devido a uma conjuntivite. Teve relações sexuais com ele enquanto estavam no manicômio. Ao sair de lá, relacionou-se com o velho da venda preta. Simboliza uma Maria Madalena que foi perdoada e uniu-se ao cego da venda preta.
  • O rapazinho estrábico – levado ao manicômio sem a companhia da mãe, lá a rapariga dos óculos escuros desempenhava esse papel materno.
  • O cachorro das lágrimas – encontrado pela mulher do oftalmologista que o abraça e faz dele seu animal de estimação.
  • O cego da pistola – chefe que comandava o grupo de cegos malvados que causava terror nos demais do manicômio.
  • O cego da contabilidade – antes da epidemia já era cego, sabia o alfabeto Braille e práticas contábeis.
  • A velha do andar de baixo – vizinha dos pais da rapariga dos óculos escuros, sozinha e abandonada, não aguentou e morreu.
  • A cega das insônias – tinha dificuldade para dormir no manicômio, ao ser agredida pelos cegos malvados, não aguentou e morreu.
  • Escritor – ao ser expulso de seu próprio apartamento, passou a morar no apartamento do primeiro cego. Mesmo contaminado com a treva branca continuou a escrever, pois sem isso não teria seria capaz de viver.


ESPAÇO E FOCO NARRATIVO

A obra tem como espaço uma cidade grande, com manicômio, supermercados, lojas de roupas e calçados e apartamentos.

Ensaio sobre a cegueira é narrado em 3ª pessoa, narrador onisciente. Saramago exclui pontos de interrogação e exclamação de sua obra, sinalizando os diálogos apenas com iniciais maiúsculas.


REFERÊNCIAS

SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

Ensaio sobre a cegueira – análise comentada. Disponível em: <http://sejaetico.com.br/novo/professor/em/analise-de-livros>. Acesso em 04 mai. 2013. 

Por: Miriã Lira


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