Botânica

Algas

As algas formam um agrupamento artificial (parafilético), composto por organismos eucariontes e majoritariamente autótrofos fotossintetizantes com grande diversidade de formas e pigmentos.

Características e diversidade

Esses organismos diferem das plantas por não apresentarem embriões dependentes de estruturas de origem materna para sua nutrição; além disso, têm o corpo na forma de talo, isto é, não possuem raízes, caule e folhas com tecidos. Nas algas, os talos podem ser laminares ou tubulares.

A presença de parede celular é uma característica marcante da maioria das algas, uma vez que representa importante barreira de proteção para as células que compõem esse organismo. A principal proteção é contra a lise (ruptura) celular, que poderia ocorrer com a entrada de grande quantidade de água no interior da célula.

Existem espécies de alga unicelulares e pluricelulares, vivendo isoladas ou em colônias, de formas microscópicas até talos laminares com 60 metros de comprimento. As algas com talos grandes formam “florestas” de algas marinhas e abrigam muitas espécies de animal, fornecendo-lhes alimento.

As algas habitam principalmente ambientes aquáticos, como mares, rios, lagos, lagoas e fontes termais. Algumas espécies podem ser encontradas em ambientes terrestres, como solo úmido e cascas de árvores, ou ainda em associações de mutualismo com outros seres vivos, como é o caso dos liquens, uma associação entre fungo e alga.

Como pigmentos fotossintetizantes, têm as clorofilas e outros pigmentos auxiliares, como carotenos, xantofilas, fucoxantina e ficobilinas (ficoeritrina e ficocianina). Nas algas, a clorofila a é o pigmento principal, entretanto outras formas de clorofila também são encontradas, como as clorofilas b, c e d, que diferem da primeira quanto à estrutura molecular.

Classificação das algas

O fato de o grupo das algas ser bastante diversificado gera muitas divergências quanto a sua classificação. Conforme proposto pelo sistema dos cinco reinos de Whittaker (1969), as algas compõem o reino Protista, juntamente com os protozoários e outros organismos que não se encaixam nos reinos Fungi, Plantae e Animalia. Contudo, avanços na filogenia molecular sugeriram a construção do sexto reino, o Chromista, que inclui, além das algas, fungos aquáticos (oomicetos) e certos protozoários. O termo cromista refere-se a “colorido” e, embora alguns componentes do grupo sejam incolores, a maioria possui pigmentos fotossintetizantes. Há evidências de que os cromistas surgiram de uma linha evolutiva diferente da que originou plantas, fungos e animais. No entanto, esse grupo é provavelmente parafilético, e os nove filos que o compõem ainda são tema de intensos debates.

Um dos critérios tradicionais de classificação das algas é o tipo de pigmento que pode ser encontrado nos plastos, assim como a forma e o tamanho dessas estruturas. Os plastos são organelas membranosas que podem conter vários tipos de pigmento. O mais conhecido dos plastos é o cloroplasto, que apresenta, em seu interior, o pigmento clorofila.

A classificação das algas, adotada aqui para fins didáticos, divide-as em seis grupos: Chlorophyta, algas verdes; Phaeophyta, algas pardas; Rhodophyta, algas vermelhas; Chrysophyta, algas douradas ou diatomáceas; Pyrrophyta, algas cor de fogo ou dinoflagelados; Euglenophyta, algas verdes sem parede celular. O quadro a seguir reúne algumas características de diferentes grupos de algas.

Quadro com os diferentes grupos de algas e suas características.

Clorofíceas

As clorofíceas ou algas verdes podem ser unicelulares, coloniais ou pluricelulares. Vivem no mar, em água doce ou em terra úmida. Apresentam grande importância evolutiva, pois são tidas como ancestrais das plantas terrestres. Algumas das evidências apontadas nesse sentido são o que as clorofíceas têm em comum com as plantas terrestres, já que têm em comum com estas os tipos de pigmento, a reserva (amido) e o material da parede (celulose). Uma variedade de clorofícea que vive em água doce é a alga unicelular Chlamydomonas, espécie de coloração rosada capaz de se desenvolver sobre a neve. Em certos locais, essa variedade é tão abundante que a neve pode ficar cor-de-rosa. Outra alga verde é a Volvox, espécie microscópica que forma colônias esféricas.

Chlorophyta, algas verdes.

Feofíceas

As feofíceas ou algas pardas são pluricelulares e apresentam maior porte e complexidade entre as algas. Uma feofícea interessante é o Sargassum, a alga mais abundante do Brasil. O Sargassum vive fixo no fundo do mar e apresenta várias ramificações, com expansões que realizam fotossíntese. Essa alga tem estruturas cheias de ar que auxiliam a flutuação. Quando porções dessa alga se desprendem do fundo do mar, podem vir à superfície da água e, às vezes, são levadas pelas ondas até as praias. O Sargassum é abundante no Oceano Atlântico, ao norte da América do Sul, no Mar de Sargaço.

Phaeophyta, algas pardas.

Rodofíceas

As rodofíceas ou algas vermelhas têm o corpo geralmente constituído por filamentos delicados. Estas algas são predominantemente multicelulares e também podem atingir dimensões consideráveis. É comum o seu talo apresentar diversas ramificações, sendo que a sua base é diferenciada e presa a algum substrato por estruturas de fixação.

Rhodophyta, algas vermelhas.

Crisofíceas

As crisofíceas, algas douradas ou diatomáceas, são importantes componentes do fitoplâncton, participando de boa parte da fotossíntese mundial. Sua parede celular é impregnada de sílica, constituindo uma camada em forma de concha bivalve. Vivem tanto na água doce como na salgada.

Chrysophyta, algas douradas.

Pirrofíceas

As pirrofíceas, algas cor de fogo ou dinoflagelados são unicelulares e componentes do fitoplâncton. Algumas dessas algas, como a Noctiluca, são bioluminescentes, ou seja, emitem luz, observada à noite como pontos brilhantes na água ou na areia molhada em certas praias. São pirrófitas as responsáveis pelas marés vermelhas que por vezes assolam algumas costas, e que chegaram mesmo a ser responsáveis pelo baptismo do Mar Vermelho.

Pyrrophyta, algas cor de fogo ou dinoflagelados.

Euglenófitas

As euglenófitas ou algas flageladas verdes são também unicelulares e, como o nome indica, movimentam-se por meio de flagelos. Na maior parte organismos de água doce, têm como representante mais conhecida a euglena (Euglena viridis), que possui a capacidade de detectar a presença de radiações luminosas, graças a uma mancha ocular com um pigmento fotossensível.

Euglenophyta, euglenas.

Reprodução das algas

Pode ocorrer de modo assexuado ou sexuado. A reprodução assexuada produz organismos geneticamente idênticos a seu progenitor. Nas algas, essa reprodução pode ocorrer por meio de esporos, por divisão binária, uma simples divisão celular comum nas algas unicelulares, ou ainda por fragmentação dos filamentos, que se fixam no fundo do mar, crescem e originam outro indivíduo. Essa última forma de reprodução é frequente em algas com talos muito desenvolvidos.

A reprodução sexuada ocorre com a alternância de gerações ou metagênese, em que a fase haploide (n), o gametófito, produtora de gametas, alterna-se com a fase diploide (2n), o esporófito, produtora de esporos. Nesse tipo de reprodução, os gametófitos produzem esporófitos, que, por sua vez, originam outros gametófitos; dessa forma, as fases são interdependentes.

Representação da reprodução das algas.
Esquema do ciclo de vida por alternância de gerações da alga verde Ulva lactuca (alface-do-mar). Destacam-se os organismos adultos, como o esporófito, cujos esporângios produzem esporos, e o gametófito, cujos gametângios produzem gametas.

Importância das algas

As algas, por serem organismos autótrofos fotossintetizantes, ocupam o primeiro nível trófico das cadeias alimentares dos ecossistemas aquáticos e fazem parte do fitoplâncton, servindo de alimento para o zooplâncton e outros animais.

Por meio do processo fotossintético, as algas produzem de 70% a 90% do oxigênio liberado na atmosfera, garantindo o processo respiratório dos seres aeróbios de todo o planeta. Essa elevada taxa de oxigênio liberado para a atmosfera é decorrente do fato de a taxa de fotossíntese ser muito maior que a taxa de respiração. Dessa forma, as algas consomem apenas uma parte do oxigênio produzido, e o excesso é eliminado para a atmosfera.

As algas são muito utilizadas em várias atividades industriais e na própria alimentação humana, particularmente pelas populações orientais. Algas verdes, vermelhas e pardas são empregadas no preparo de pratos típicos e chás. A espirulina, uma alga verde unicelular, é comercializada na forma de cápsulas, para complementação de nutrientes em dietas, pois são muito ricas em proteínas.

Entre as algas vermelhas, a Porphyra é usada como condimento em sopas industriais e, da Gelidium, extrai-se o ágar, polissacarídeo utilizado como meio de cultura para o cultivo de micro-organismos, técnica empregada no estudo da eficácia de diversos medicamentos. Além disso, o ágar é usado na indústria de alimentos, em panificadoras e docerias. Também das algas vermelhas, a carragenina é extraída da parede celular e é utilizada como substância estabilizadora de alguns tipos de doces, sorvetes e em bebidas lácteas achocolatadas, nas quais evita a formação de grumos.

De algumas algas pardas, extrai-se, da parede celular, o alginato (ou algina), usado na indústria de cosméticos e sorvetes. O alginato também é empregado nas massas de moldes dentários, muito utilizadas pelos dentistas.

As diatomáceas, quando morrem, sedimentam e formam depósitos de carapaças silicosas, que, ao longo do tempo, originam um tipo de rocha chamado diatomito, o qual pode ser cortado na forma de tijolo e usado na construção de habitações em regiões litorâneas. O diatomito também pode ser empregado na fabricação de filtros de piscina, pois as carapaças das diatomáceas são porosas. Pulverizado, pode ainda ser utilizado como abrasivo em ceras para polimento da lataria de automóveis.

Maré vermelha

As algas nem sempre são benéficas ao ser humano ou aos ecossistemas, sobretudo aos ambientes aquáticos. Quando ocorre elevação da temperatura da água e as condições são muito favoráveis, com, por exemplo, abundância de nutrientes, as algas pirrofíceas ou dinoflagelados podem causar a maré vermelha.

Esse fenômeno provoca a morte de organismos aquáticos, como peixes e mamíferos, podendo ter efeito residual no corpo de moluscos e crustáceos e consequente intoxicação das pessoas que se alimentam desses organismos.

Esse fenômeno é provocado pela liberação de toxinas na água, formando grandes manchas que podem ser avermelhadas. Quando a população de algas diminui, o fenômeno desaparece rapidamente.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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