Filosofia

Pragmatismo

O Pragmatismo surgiu no século XIX ao propor um método para determinar o significado dos termos fundamentais da linguagem a partir de sua contextualização prática.

Definição

Corrente filosófica segundo a qual uma ideia deve ser julgada por sua funcionalidade e não pelo modo como parece ou soa. William James, com frequência chamado o fundador do Pragmatismo, disse certa vez que ele era “um novo nome para velhas maneiras de pensar”.

O pragmático acha que nada é “evidente”. Uma ideia é verdadeira se funciona e falsa se não funciona. O Pragmatismo tem sido considerado uma filosofia peculiarmente norte-americana.

A verdade não diz respeito aos objetos, mas antes às ideias, ou às formas de relação concretas que os homens têm com os objetos. Deste modo, ela deve ser determinada mediante a consideração destas relações.

O pragmatismo desvia o olhar das substâncias primeiras, presentes no pensamento dogmático, para considerar as consequências, os fatos produzidos por determinadas inter-relações. Assim, ele pretende acentuar o papel dinâmico da consciência — e esta compreendida como algo em constante mutação, a partir de suas buscas, ensejos e satisfações — na determinação da realidade.

Origem da palavra pragmatismo

Constituído a partir da palavra grega pragma, ação, atividade, coisas de uso, o pragmatismo surgiu no século XIX, nos Estados Unidos e estendeu-se para a Inglaterra e outros países, como a Itália, ainda no século passado, perdurando, sob variadas formas, até nossos dias.

A origem desta doutrina parece ser uma entidade denominada Methaphysical Club, grupo de pensadores formado em Cambridge, Massachussets, nos anos de 1872 a 1874. A este grupo, pertenciam Chauncey Wright, F. E. Abbot, Charles Sanders Peirce e William James, entre outros. Tais filósofos lançaram as bases do movimento pragmático.

Contudo, é possível encontrar aspectos desta doutrina presentes em vários outros pensadores, como Bergson, Spengler e Simmel. A tais aspectos, disseminados na obra de vários filósofos não caracterizados como pragmáticos em sentido estrito, foi dado o nome de pragmatismo parcial, em oposição ao pragmatismo total defendido por seus integrantes. A concepção do que constitui o pragmatismo varia para cada pensador, de modo a não ser possível precisar completamente este pensamento de maneira unitária.

Para provar este fato, Peirce chegou a mudar o nome de sua doutrina para pragmaticismo, a fim de diferenciá-la das distorções exercidas por outros autores, e pelo alargamento conferido a ela por William James. Todavia, para a maior parte de seus adeptos, o pragmatismo se apresenta a um só tempo como um método científico e como uma teoria acerca da verdade. Esta é concebida em sentido dinâmico.

Exemplo de pragmatismo

Segundo o Pragmatismo, não se pode julgar uma ideia verdadeira ou falsa observando-a apenas. Considera-se uma proposição verdadeira se ela provar ser eficaz em ligar o passado e o futuro e organizar as experiências atuais de modo satisfatório. Portanto, uma ideia pode ser verdadeira sob certas circunstâncias e falsas em outras.

Por exemplo, os astrônomos estão sempre analisando e explicando os movimentos visíveis do Sol e dos planetas. Durante mais de 2 mil anos, as ideias do sistema ptolemaico, segundo o qual a Terra seria o centro do universo, explicaram esses movimentos aparentes de maneira satisfatória. Mas, com o desenvolvimento da observação, o sistema geocêntrico de Ptolomeu tornou-se complicado e ineficiente. A ideia de Copérnico de que a Terra e os planetas giravam em torno do Sol parecia mais promissora.

Kepler e Newton, a partir da teoria de Copérnico, formularam um sistema que explicava os movimentos de maneira mais simples. Mais tarde, os astrônomos observaram fatos que não podiam ser explicados de acordo com os princípios de Newton. A Teoria da Relatividade era mais aplicável.

Muitos diriam que as teorias de Ptolomeu eram falsas e foram substituídas pelas de Copérnico, que, por sua vez, provaram ser falsas também. Mas um pragmático diria que as teorias de Ptolomeu e Copérnico eram verdadeiras até que deixaram de funcionar.

As distorções do Pragmatismo

Com frequência, o Pragmatismo é distorcido, por exemplo, quando se diz que é verdadeira qualquer ideia que permite ao indivíduo conseguir o que quer. Assim, delírios de grandeza podem dar a uma pessoa grande autoconfiança e permitir que domine os outros e alcance seus propósitos.

Parece que Benito Mussolini tinha essa concepção. Mas os filósofos norte-americanos que elaboraram as doutrinas do Pragmatismo – William James, Charles Peirce e John Dewey – nunca estabeleceram nada que justificasse essa interpretação. Afirmavam que se pode dizer que uma ideia “funciona” apenas quando as ações baseadas nela levam a resultados previstos.

O Pragmatismo pode ser considerado como a lógica que se encontra por trás do método científico. Quando a ênfase repousa não em como pensamos mas no fato de que todo o pensamento que conhecemos é formulado por diversos seres humanos, o Pragmatismo se torna um humanismo. O Humanismo do filósofo F.C.S. Schiller pode ser considerado uma versão inglesa do Pragmatismo.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

Veja também: