Geografia

Modelos Produtivos

Taylorismo

Nos primeiros anos do século XX, o engenheiro estadunidense Frederick Taylor criou um método organizacional de trabalho, o qual foi denominado taylorismo.

Taylor estudou maneiras de aperfeiçoar o processo produtivo por meio, por exemplo, da cronometragem de cada fase do trabalho, além de eliminar movimentos longos ou inúteis. Com isso, houve redução significativa do tempo dispendido e aumento no volume produzido.

A cronometragem estabeleceu para cada operário o tempo a ser gasto em cada execução. Cabia aos engenheiros, e não ao trabalhador, determinar o tempo.

Frederick Winslow Taylor (1856-1915) nasceu na Filadélfia (EUA). Técnico em mecânica, também se formou engenheiro mecânico. O seu livro Princípio da administração científica propõe a utilização de princípios cartesianos associados à gestão de empresas, até hoje bibliografia de referência nos cursos de gestão empresarial. COLEÇÃO PARTICULAR

Fordismo

Nos primeiros anos do século XX, o engenheiro estadunidense Henry Ford revolucionou o modo de produzir mercadorias, ao estabelecer a produção em série na fabricação de automóveis. Esse modelo de produção foi denominado fordismo.

A grande inovação de Ford foi fixar o trabalhador na linha de produção, fazendo a tarefa designada em uma posição predeterminada diante de uma esteira rolante. Dessa maneira, havia uma simplificação muito grande de cada etapa na linha de produção: o operário realizava apenas uma determinada operação ao longo da jornada de trabalho.

Foto do modelo de carro fordista.
O 15.000.000º Ford modelo T produzido.

A linha de produção em série elevou acentuadamente a produtividade da Ford. Para se ter ideia, o custo de produção de um automóvel, à época, diminuiu de US$ 1.340 para US$ 200, o que permitiu a um grande número de pessoas o acesso à aquisição desse bem.

Com o passar do tempo, o modelo fordista de produção exauriu-se. A superprodução gerava grandes estoques, nem sempre com mercado consumidor suficiente. Além disso, possíveis defeitos só eram detectados ao fim do processo de produção, o que aumentava os custos. Com isso, o modo de produzir mercadorias foi reinventado, como veremos a seguir.

Aprenda mais: Fordismo

Quadro comparativo entre os modelos produtivos de Taylor e Ford.
As diferenças entre o taylorismo e o fordismo.

Toyotismo

O modo de produção toyotista surgiu nas unidades fabris da Toyota, a partir da década de 1950. Esse modelo é considerado um exemplo de produção flexível, no qual o trabalhador é constantemente qualificado, podendo, caso necessário, atuar em diversas funções relacionadas ao processo de produção.

Outro elemento fundamental na inovação toyotista é a maneira de gerenciar a unidade produtiva, denominada just-in-time (“na hora”), em que o ritmo produtivo se adapta às demandas do mercado. Com isso, os estoques de matérias-primas são reduzidos e é menor o capital de giro estagnado na unidade produtiva, o que pode gerar ganhos à empresa, pois esse capital pode ser investido no sistema financeiro.

Dentro do modelo produtivo toyotista, merece destaque o sistema de kanban, palavra japonesa que pode ser traduzida como cartão, símbolo ou painel. É com base nessa metodologia que a produção acontece, respeitando o que está estabelecido nos cartões ao longo do processo produtivo, norteando o trabalhador no que há a fazer, no que está sendo feito e no que já foi realizado.

Exemplo de um modelo produtivo.
O sistema kanban

No quadro a seguir, compare os modelos de organização industrial fordista e toyotista.

Modelo Produção Processo de trabalho Controle de qualidade
Fordismo Larga escala, o que propicia redução de preços devido ao volume produzido. Linha de montagem em série, com trabalho especializado, simples e repetitivo. Realizado ao final do processo produtivo.
Toyotismo Estoques mínimos, com quantidades programadas de acordo com a demanda dos consumidores. Em ilhas produtivas, com os trabalhadores capacitados a participar de todas as etapas produtivas. Baseado na experiência e na criatividade da equipe ao longo do processo de fabricação.

O toyotismo também é denominado “ohnoísmo” em homenagem ao criador do modelo, o engenheiro da Toyota Taiichi Ohno.

Aprenda mais: Toyotismo

Volvismo

O modelo produtivo volvista foi desenvolvido por Emti Chavanmc, engenheiro da Volvo nos anos 1960, de origem indiana.

Em linhas gerais, a indústria sueca é caracterizada pelo seu elevadíssimo grau de informatização e automação e pela forte presença dos sindicatos trabalhistas e mão de obra alta­mente qualificada. Em particular nas fábricas da Volvo, a pro­dução é ainda marcada por um alto grau de experimentalismo, sem o qual talvez não fossem possíveis tantas alterações.

Desse modo, o volvismo surgiu como resultado de várias inovações conjuntamente postas em prática, com a peculiari­dade da participação constante dos trabalhadores.

A competitividade do mercado acarretou exigências, que acabaram por levar a melhorias. O que fez a diferença no caso da Volvo foram claramente características inerentes à socie­dade sueca. Além dos sindicatos atuantes e influentes, o alto grau de automação das fábricas no país faz, há tempos, os jo­vens não aceitarem ser colocados como “apêndices das má­quinas”, como em outros modelos produtivos, por exemplo, o taylorismo e o fordismo.

Tal fato causou mudanças estruturais. Nessa linha, o operário tem um papel completamente diferente daquele do fordismo e mais importante que no toyotismo. No volvismo, o trabalhador é quem dita o ritmo das máquinas, conhece todas as etapas da produção, é constantemente reciclado e participa, por meio dos sindicatos, de decisões no processo de montagem da planta da fábrica (o que o compromete ainda mais com o sucesso de novos projetos), levando-o a se sentir plenamente engajado na empresa.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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