Geografia

Regiões da Ásia

A Ásia é o continente de maior extensão do planeta. Seus mais de 44 milhões de Km2 de superfície abrangem quase um terço de toda a superfície sólida. Além da massa continental, a Ásia também é formada por um grande número de ilhas, algumas delas bastante extensas.

Do mesmo modo, a Ásia concentra quase 60% de toda a população mundial – são cerca de 4,5 bilhões de habitantes, sendo que quase 3 bilhões apenas na China e na Índia.

É um continente de enormes diferenças, tanto físicas, quanto sociológicas, políticas e econômicas, e por essa razão há 6 regiões da Ásia, que facilitam o estudo do todo.

Mapa das regiões da Ásia.

1. Ásia Central

A Ásia Central abrange as terras do interior do continente, uma faixa de grandes desertos e estepes. Essa região é hoje formada exclusivamente por ex-repúblicas pertencentes à antiga União Soviética: Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão. A região é sobretudo plana: ao redor do Mar Cáspio e Mar de Aral, predominam planícies, e no restante do território sobretudo planaltos de variadas altitudes. Na parte leste da região, contudo, há uma grande incidência de cadeias de montanhas, já próximo ao Oriente Médio.

População e economia

A população, em sua maioria muçulmana, é escassa e concentra-se nas margens dos rios e lagos. A parca vegetação e extensas porções territoriais planas sempre beneficiaram a pecuária na região. Entretanto, no século XX, já sob domínio soviético, a região passou a ser uma área de exploração de recursos minerais: petróleo, carvão, minério de ferro e outros minerais. Mesmo assim, em países como o Quirguistão, pastores nômades ainda são frequentes.

Em 1991, com a desintegração da União Soviética, a região ganhou a cara atual, formada a partir de antigas repúblicas soviéticas. O maior país da região, o Cazaquistão, também possui um papel estratégico importante no cenário global, como um dos maiores exportadores de urânio enriquecido.

2. Ásia Setentrional

A Ásia Setentrional compreende a parte asiática da Rússia. Climas extremos em termos de frio e baixíssima densidade demográfica. Assemelha-se, em muitos aspectos, ao norte canadense, mas Américas.

População e economia

Seus habitantes, esparsos, são principalmente cristãos ortodoxos. É uma região pouco povoada porque o clima é muito frio e imprevisível. Boa parte da hidrografia local, incluindo lagos, rios e até mesmo mares, permanecem congelados durante a maior parte do ano. É o caso do rio Lena, que passa por enchentes devido ao degelo na primavera.

É uma região rica em florestas de coníferas (chamada de taiga) e em reservas carvão, estratégicas para os russos. Durante séculos, a taiga permaneceu quase desabitada. Somente os caçadores e os pastores de renas a visitavam, mas, a partir do século XX importantes indústrias madeireiras e florestais (madeira, subprodutos, carvão vegetal, celulose) passaram a se estabelecer na Sibéria Ocidental. A industrialização criou uma malha relativamente eficaz de ferrovias, rodovias, oleodutos e represas. Ainda assim, a população é esparsa e muito pequena.

A região também possui reservas significativas de petróleo e gás natural, fator de relevância para a economia russa. Extensas redes de oleodutos trazem a produção local para processamento e industrialização em regiões intermediárias, localizadas na Ásia Central ou nos Montes Urais, já à beira da Europa.

3. Oriente Médio

Berço dos mais antigos impérios da humanidade, na região da Mesopotâmia e da Península Anatólia, o Oriente Médio representa da região Sudoeste da Ásia. Em grande parte do território prevalecem os planaltos, castigados por um clima semiárido que produz regiões desérticas extensas. A antiga Mesopotâmia, na bacia dos rios Tigre e Eufrates, é uma das poucas exceções de áreas férteis mais extensas na região.

População

É uma área pouco habitada no geral, com concentrações populacionais em regiões muito específicas, devido a suas condições climáticas. Contudo, a maioria dos países ainda obedece a uma pirâmide etária em desenvolvimento – a natalidade excede a mortalidade consideravelmente, promovendo o crescimento vegetativo acentuado.

Embora ainda existam povos nômades, a maior parte da população concentra-se nas grandes cidades, como no caso do Kuait, Líbano e Israel, onde mais de 90% da população é urbana, e na Arábia Saudita, cujo índice chega a 87%.

A Turquia é hoje um país com cerca 85 milhões de habitantes, assim como o Irã. O Iraque conta com uma população de cerca de 40 milhões de pessoas, assim como a Arábia Saudita já registra uma população da ordem de 35 milhões de habitantes.

Economia

Nesta área se localizam alguns dos principais países produtores de petróleo do mundo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuait e Emirados Árabes Unidos. Todos eles, juntamente com os outros membros da poderosa OPEP, a Organização dos Países Produtores de Petróleo. Juntos os países do Oriente Médio fornecem cerca de 40% do petróleo consumido mundialmente, e detêm quase 80% das reservas minerais de petróleo do mundo.

Há, contudo, alguns países fora do eixo petrolífero na região, que possuem uma população empobrecida e carente de infraestrutura. O Iêmen é talvez o país mais pobre da região, enquanto que a Síria e o Afeganistão passam por situações ainda mais calamitosas, agravadas por anos de guerras civis, conflitos, invasões e ocupações.

Instabilidade política

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, o sudoeste da Ásia transformou-se em uma das regiões mais instáveis do mundo. Os conflitos ocorrem no Irã, no Golfo Pérsico e na Palestina. Na maioria das vezes, mesclam-se fatores geoestratégicos. como o controle do petróleo, às rivalidades locais e dos conflitos religiosos entre cristãos, judeus e muçulmanos xiitas e sunitas.

A maioria quase que absoluta da população do Oriente Médio – que soma cerca de 350 milhões de pessoas – compartilha também a fé muçulmana. Pequenos focos de populações judaicas (Israel) e cristãs podem ser encontradas em países como a Turquia, o Líbano e a Jordânia, ou mesmo alguns praticantes de outras religiões.

4. Ásia meridional

Constituída pelos países da porção sul do continente, abrange Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh, Butão, Myanmar e Sri Lanka. Destaca-se a Cordilheira do Himalaia, unidade de formação recente e de grande instabilidade geológica, ou seja, é uma área onde podem ocorrer terremotos e atividade vulcânica, que influenciam de maneira contundente o modo de vida e a economia das sociedades nela inseridas. Em termos sociológicos, a região também é conhecida por Subcontinente Indiano.

População

Aproximadamente 1,7 bilhão de pessoas vive na Ásia meridional, localizada na península Industânica, onde estão India, Paquistão e Bangladesh, três dos oito países mais populosos da Terra.

A distribuição territorial da população é bastante irregular. A maioria vive junto aos rios e no litoral, particularmente junto à foz dos rios. Assim, as densidades mais altas estão em Bangladesh (país que praticamente tem todo o seu território localizado nas várzeas formadas na foz do rio Ganges) e nos vales do Ganges e do Indo.

Ainda que a maioria da população seja rural, muitas das maiores regiões metropolitanas do mundo estão nessa região: Calcutá, Nova Délhi, Mumbai (na Índia), Karachi (no Paquistão) e Dacca (em Bangladesh). Todas essas metrópoles compartilham como características uma população acima dos 10 milhões de habitantes (sendo boa parte abaixo da linha de pobreza) e severos problemas de infraestrutura e saneamento.

As religiões predominantes são o hinduísmo, na Índia e no Nepal, o islamismo, no Afeganistão, Paquistão e Bangladesh, e o budismo, em Butão e Sri Lanka.

Entretanto, em todos os países há importantes minorias religiosas, que envolvem vários milhões de habitantes e estão na raiz de numerosos conflitos latentes. O mais conhecido e duradouro é a disputa entre indianos e paquistaneses pela região da Caxemira, na fronteira norte dos dois países. O conflito arrasta-se por praticamente um século e é um dos pivôs que levou ambos os países a investirem, inclusive, no desenvolvimento de ogivas nucleares.

Economia

A maior parte da população dedica-se à agricultura, principalmente ao cultivo de arroz, que é o alimento tradicional e básico da população local.

O setor secundário também é importante. Desde 1970, a industrialização cresceu muito na região, especialmente na Índia. Os indianos hoje possuem destaque em setores como o sídero-metalúrgico, o de mineração, além de setores como o de celulose, borracha e outros insumos e commodities industriais.

O setor terciário ainda é pouco desenvolvido em todos os países. Contudo, o setor de tecnologia avança rapidamente, em especial na Índia, principalmente impulsionado pelo imenso mercado consumidor da região e pelo crescente avanço da classe média, em todos os países.

As relações comerciais ocorrem principalmente com os países do Sudeste Asiático, Japão, China, Estados Unidos e a União Europeia. O comércio intrarregional representa apenas 4% do volume total. Esse baixo nível de intercâmbio deve-se às relações tensas entre a Índia e o Paquistão, os dois gigantes da região, que disputam há mais de meio século o controle da região da Caxemira.

As monções

Seu clima é quente e úmido graças à influência das massas de ar que atuam no verão, denominadas ventos de monções.

O clima de monções durante o inverno apresenta os ventos que sopram do norte em direção ao sul do continente; portanto, o ar se revela seco e muito frio. Durante o verão, os ventos sopram do oceano Índico, do sul para o continente, e são úmidos, o que causa chuvas torrenciais. Em algumas regiões, como em Bangladesh, Leste da Índia e Myanmar, chuvas podem ocorrer durante 9 ou 10 meses durante o ano. Em razão do baixo desenvolvimento da região, o período chuvoso normalmente é acompanhado por estragos e mortes significativos.

5. Ásia oriental

A Ásia Oriental compreende os territórios situados na costa do Pacífico e é mais comumente conhecida por Extremo Oriente. É uma região densamente habitada, formada por China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Mongólia, Japão e Taiwan. Embora países como a China possuam aspectos geográficos semelhantes aos de outras regiões da Ásia, esses países possuem semelhanças principalmente no contexto sociológico e histórico.

Um relevo de formação recente torna a região, especialmente no Japão e sul da China, particularmente propensa a terremotos, maremotos e outros desastres naturais. A região está próxima do Círculo de Fogo do Pacífico, de intensa atividade vulcânica em profundidades oceânicas. A geologia da China é vasta e diferenciada – planícies, planaltos, cadeias de montanhas elevadas e desertos.

Toda a região, exceto pela Coreia do Norte e talvez a Mongólia, apresenta uma economia vibrante e em constante ascensão.

População

A China concentra a maior parte da população da região – 1,4 bilhão de pessoas. O Japão aparece como segundo país mais populoso, com cerca de 125 milhões de pessoas. Em todos os países, a população é concentrada especialmente nas regiões costeiras – a intensa exportação de produtos industrializados a partir do Extremo Oriente, algo iniciado pelo Japão entre as décadas de 1970 e 1980, criou potências industriais e tecnológicas e cidades ricas e desenvolvidas, com indústrias poderosas e especializadas, como Osaka, Daito e Kobe, no Japão, Busan e Ulsan, na Coreia do Sul, além de dezenas de potências industriais chinesas surgidas nas últimas décadas.

A maior parte da população concentra-se nas planícies aluviais e na zona litorânea, e as regiões menos povoadas são os desertos e os planaltos do interior.

A população é predominantemente rural, exceto no Japão e em Taiwan. Porém, como no Oriente Médio, existem grandes aglomerações urbanas que superam os 10 milhões de habitantes, sobretudo Tóquio, Osaka, Seul, Xangai e Beijing (Pequim). São cidades altamente sofisticadas e desenvolvidas, que continuam a atrair a população rural, pois concentram uma elevada demanda de trabalho.

Economia

A economia baseia-se na indústria e nos serviços, sobretudo na China e no Japão, que são a segunda e terceira respectivamente potências econômicas do mundo. O crescimento econômico desses países tem sido extraordinário desde a Segunda Guerra Mundial. A China e a Coreia, de certo modo, repetiram a política agressiva de exportação de produtos de tecnologia e industrializados protagonizada por japoneses.

O desenvolvimento econômico dos chamados “tigres” ou “dragões asiáticos” – Coreia do Sul, Cingapura, Hong Kong (China) e Taiwan – também foi um fenômeno sem precedentes. Esses países conseguiram, em tempo recorde, sair de um quadro de subdesenvolvimento para ingressar na lista dos mais importantes produtores e exportadores mundiais, algo que foi repetido por chineses em escala planetária.

6. Sudeste Asiático

O Sudeste Asiático é formado pela península da Indochina e por numerosas ilhas. Engloba os países de Mianmar, Tailândia, Camboja, Laos, Vietnã, Malásia, Cingapura, Indonésia, Brunei e Filipinas.

População

É uma região densamente habitada, sendo a Indonésia o país mais populoso da região. Com mais de 220 milhões de habitantes, tem a quarta maior população do planeta. Embora a população seja principalmente rural, existem grandes aglomerações urbanas, como as de Jacarta (Indonésia), Bangcoc (Tailândia) e Ho Chi Minh (Vietnã), sem falar em Cingapura – um país que, na prática, é simplesmente uma região metropolitana independente.

À exceção de Cingapura, a maioria das grandes cidades do Sudeste Asiático apresentou um crescimento desordenado. Há bairros e pólos de grande riqueza e desenvolvimento, porém as regiões mais periféricas das cidades repetem uma realidade comum ao Brasil.

A região ainda apresenta uma diversidade de fé religiosa pouco comum no restante da Ásia. A região conta com países de maioria muçulmana, como a Indonésia, alguns de maioria budista, como Tailândia ou Vietnã e até mesmo maioria católica – como é o caso da população filipina.

Economia

Os países do Sudeste Asiático têm economia essencialmente agrícola. No Vietnã, 60% dos habitantes ocupam-se no setor primário. Destacam-se o cultivo de arroz, alimento básico da população, e as plantações de café, tabaco e cana-de-açúcar.

Por outro lado, a região vem recebendo nos últimos anos unidades industriais importantes de empresas chinesas e japonesas. Enquanto China e Japão já concentram as plantas especializadas e de maior tecnologia, a produção de bens industriais e componentes mais “generalistas” está sendo em grande parte voltada ao sul. O Vietnã e a Tailândia já contam com diversas empresas chinesas – e muitas das exportações de produtos hoje encontrados no Brasil, Estados Unidos e Europa são feitas a partir desses países. Há que apelide Malásia, Vietnã e Tailândia de “novos tigres asiáticos”, uma vez que esses países vêm repetindo sistematicamente o modelo de desenvolvimento já implantado no passado pela Coreia do Sul e Taiwan.

Por: Carlos Artur Matos

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