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Governo Jânio Quadros

Um dos personagens polêmicos da história brasileira, Jânio Quadros, dono de um estilo político próprio e único, utilizou-se da “vassoura” como símbolo de sua campanha política: o da moralidade, varrendo a corrupção. Foi o presidente eleito que menos tempo ficou no poder: 7 meses.

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Um curto governo que marcou a história do Brasil

Embora o governo Jânio Quadros tenha sido um dos mais breves na vida política brasileira, foi também um dos mais polêmicos.

Eleito com o apoio da UDN, sem, entretanto, pertencer ao partido, Jânio Quadros canalizou votos entre os setores descontentes da sociedade, notadamente entre os trabalhadores e as camadas médias urbanas, apresentando um estilo de discurso eloquente, moralista e supostamente inovador, prometendo austeridade política, combate à corrupção e à inflação. Como vice-presidente foi eleito, novamente, João Goulart.

O início de seu governo não foi nada promissor: herdou do presidente JK uma elevada dívida externa (3 bilhões e 800 milhões de dólares); teve de enfrentar o Congresso dominado pela oposição (PTB-PSD); e, tendo de tomar medidas de austeridade pública, acabou por descontentar o funcionalismo público e operários.

Caricatura de Jânio Quadros com uma vassoura.
Jânio Quadros.

A vassoura, símbolo de sua campanha e representação da austeridade prometida, começou a “varrer no governo”, instituindo inquéritos para investigar a corrupção dos governos anteriores. Os protestos no Congresso não foram poucos, e o próprio vice-presidente se viu envolvido em um deles.

Reatando com o FMI, Jânio adotou uma política econômica de austeridade, em conformidade com as orientações do próprio FMI, com o objetivo de racionalizar os gastos públicos e obter recursos para saldar a dívida externa, que, no seu governo, chegara ao valor de 2 bilhões de dólares.

Para tanto, liberou a cotação do dólar, encarecendo-o, e, por conseguinte, encareceu os produtos importados (maquinários, trigo, petróleo e outros). Cortou subsídios do governo, do trigo e do petróleo, afetando os produtos a eles ligados, como o pão, a farinha, o transporte público, o frete e os alimentos em geral. Adotou ainda a desvalorização monetária em 100%, tornando os produtos brasileiros competitivos no mercado internacional, aumentou as tarifas públicas e congelou os salários, visando a frear o consumo e a deter a inflação.

O descontentamento foi geral: dos assalariados, porque tiveram seu poder de consumo reduzido, e dos empresários, porque a importação de produtos e maquinários necessários à produção foi dificultada.

Uma política externa independente e uma diplomacia polêmica

Em busca de mercados e do aumento das exportações para saldar os compromissos de pagamento da dívida externa, o governo adotou uma política externa independente, porém não neutra, aproximando-se dos países do Leste Europeu, pois os parceiros capitalistas do Brasil não tinham muito o que importar do país.

Essa política procurava ampliar os mercados consumidores de produtos brasileiros entre os soviéticos, chineses e países africanos. Era uma forma de não manter o país preso às determinações norte-americanas. Os Estados Unidos e a UDN condenaram a política externa brasileira.

A condecoração do Ministro das Relações Exteriores de Cuba com a Ordem do Cruzeiro do Sul, Ernesto “Che” Guevara, levou Carlos Lacerda, governador da Guanabara, a um pronunciamento bombástico no dia 24 de agosto de 1961 (aniversário de morte do presidente Getúlio Vargas). Carlos Lacerda denunciava Jânio por ser um conspirador golpista. O medo que a UDN tinha era de que Jânio se esquerdizasse, pois essa era a imagem que se tinha dele no exterior, ao passo que internamente Jânio era um ardente anticomunista.

A renúncia de Jânio Quadros

Foto tirada na renúncia de Jânio Quadros.
Renúncia de Jânio Quadros.

No dia 25 de agosto, Jânio renunciou. O Presidente esperava que o Congresso e as Forças Armadas insistissem pela sua permanência, pois o sucessor constitucional, o vice-presidente João Goulart, encontrava-se em visita oficial à República Popular da China (comunista) e era considerado herdeiro do varguismo, o que contrariava os interesses dos setores conservadores que haviam apoiado a eleição de Jânio Quadros.

Acredita-se que Jânio pretendia permanecer no poder, com o impedimento à posse de João Goulart, porém com mais poderes sobre o Congresso. Não foi o que aconteceu, pois Jânio não possuía apoio parlamentar nem partidário nem de organizações sindicais; assim, sua renúncia não provocou as reações de apoio por ele esperadas.

A renúncia de Jânio Quadros à presidência da República abriu uma das mais graves crises políticas já vistas na história do Brasil.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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