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Santa Inquisição

Na Santa Inquisição, mais tarde rebatizada de Congregação do Santo Ofício (julgamentos do credo incondicional na Igreja que durou de 1230 à 1825), foram consideradas hereges todas as pessoas que não aceitassem ou proferissem os dogmas da Igreja Católica Apostólica Romana, tais como: Cristo é o salvador, Deus é onisciente, o Papa é o senhor absoluto, o homem foi criado do barro, a Terra é o centro do universo, o dízimo é uma indulgência. Assim, todas as outras religiões e culturas eram satânicas.

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Nos tribunais do Santo Ofício, julgavam-se crimes contra a fé, considerados graves, como judaísmo, luteranismo, blasfêmias e críticas aos dogmas católicos, e crimes contra a moral e os costumes, que recebiam penas mais leves, como bigamia e feitiçaria.

Estima-se oficialmente em 9 milhões de pessoas julgadas e condenadas à morte através da fogueira, afogamentos ou linchamentos, e neste índice oficial não se contabiliza a Guerra Santa (retomada de Jerusalém, 1096 à 1270).

Denúncias anônimas, delações e simples indícios eram o suficiente para a prisão, a tortura, a condenação e a queima na fogueira do réu, que não tinha o direito de defesa e muitas vezes nem sabia o motivo de sua prisão. Ao serem condenados à morte, os hereges “eram entregues as autoridades civis para serem executados, o que era feito em solenes cerimônias públicas, denominadas” autos de fé”.

O fato curioso nos réus é que 75% eram mulheres viúvas com mais de 50 anos, 15% de homens viúvos de qualquer idade, 10% de crianças (todos filhos de pessoas já condenadas) e 5% indefinido e de outras religiões, em todos os processos eles eram acusados de ações sexuais com o satã ou lascívia bestial! Detalhe: quem acusava poderia receber 25% das propriedades do réu caso fosse comprovado o “conjunctus” com o demônio, o restante iria para a Igreja caso não houvesse herdeiros!

Condenado à fogueira na santa inquisição

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Raríssimas pessoas importantes foram julgadas na Santa Inquisição, na maioria absoluta eram pessoas de estirpes não agregadas ao clero e a sociedade local; podemos citar que os mais nobres foram queimados vivos por NÃO aceitarem os dogmas católicos e NUNCA por praticarem as artes ditas esotéricas: Cecco D’Ascolli (1327, astrólogo); Giordano Bruno (1600, alquímico, astrólogo); Galileu Galilei (1664, cientista, alquímico, astrólogo, este não foi queimado mas recebeu excomunhão por retratar suas teorias científicas).

Todos diziam que o sistema planetário era heliocêntrico, contrário aos dogmas da Igreja que imputava como geocêntrico. Todas as vítimas tinham inevitavelmente um ponto que abalavam os dogmas católicos ou o poder monárquico francês ou espanhol.

A Inquisição agiu de forma impiedosa sobre aqueles considerados “hereges”, principalmente na Itália, em Portugal e na Espanha, onde o rei Filipe II (1527/1598) se mostrou um incansável defensor do Catolicismo.

Na Península Ibérica, a Inquisição esteve ligada ao processo de centralização das monarquias e foi usada pelos reis como meio de submissão dos súditos. Sua ação estendeu-se também às terras da América espanhola e portuguesa, Os burgueses protestantes, os muçulmanos e os judeus sofreram cruéis perseguições nesses países. Para evitar o exílio os judeus eram obrigados ao batismo forçado e à renúncia às suas crenças, sendo chamados de “cristãos-novos”.

“Milhares decidiram partir e fortunas reverteram novamente para o tesouro real, pois os judeus trocavam casas, propriedades, por um pedaço de pano ou qualquer coisa que pudessem carregar consigo.”

As ações da santa inquisição provocaram a migração em massa de homens de negócios para as regiões mais livres do norte da Europa, trazendo êxodo de capitais e empobrecimento econômico aos países católicos.

Referência:

NOVINSKY, Anita. A Inquisição. São Paulo, Brasiliense, 1983 p. 33.

Autoria: Sandra Elis Abdalla

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