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Coerência Textual

A coerência textual pode ser basicamente definida como um princípio de não contradição e de entendimento, pois se refere às ideias lógicas que dão sentido ao texto.

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Se alguém disser: “Fui ao cinema porque não gosto de filmes”, facilmente se percebe que não há coerência, isto é, não há sentido: se a pessoa não gosta de filmes, não faz sentido ir ao cinema!

Quando um texto está sem sentido, diz-se que é incoerente. Portanto, a coerência textual está relacionada ao sentido das ideias do texto, explicitada por relações lógicas e não contraditórias.

A coerência é um dos princípios de interpretabilidade, isto é, o texto é coerente para as pessoas que conseguem interpretá-lo, atribuir sentido a ele. Por isso, para estabelecer a coerência, isto é, para que o texto tenha sentido, são necessários alguns fatores, tais como:

  • conhecimento de mundo;
  • conhecimento da língua;
  • reconhecimento da intencionalidade do texto (intenção);
  • conhecimento de fatores de contextualização;
  • reconhecimento da intertextualidade, entre outros.

Para a interpretação e compreensão de textos literários, isto é, para a atribuição de coerência a gêneros como poesia, música, pintura, entre outros, o conhecimento de mundo é um dos principais fatores.

Inúmeros textos só podem ser compreendidos se o leitor possuir conhecimento prévio sobre o assunto. Como exemplo, pode ser citada a música “Rosa de Hiroshima”, escrita por Vinícius de Moraes e Gerson Conrad. De maneira poética, os compositores induzem a refletir sobre as vítimas do ataque nuclear a Hiroshima.

Se o leitor não tiver conhecimento prévio sobre os fatos históricos da Segunda Guerra Mundial, em que as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram bombardeadas com a tão temível bomba atômica, dificilmente atribuirá coerência à música.

No texto, os autores não fazem referência direta a esse fato histórico e retratam a bomba de forma poética, como, por exemplo, “a anti-rosa atômica”, “rosa estúpida”.

Assim, se não tiver conhecimento sobre este triste episódio, o leitor não atribuirá coerência à poesia, que diz ainda.

Elementos de coerência textual

Além dos fatores já vistos, necessários para conferir sentido ao texto, existem outros elementos de coerência, tais como a  intencionalidade e a intertextualidade.

Intertextualidade

A intertextualidade é um dos mais importantes elementos de coerência textual, pois é muito usada em textos literários, anúncios publicitários, charges, obras de arte, entre outros gêneros textuais. Se o leitor não reconhecê-la, pode não atribuir coerência ao texto.

A intertextualidade é muito importante para o estabelecimento da coerência. Ela ocorre quando um texto faz referência direta ou indireta a outro texto que já existe.

Os dois tipos básicos de intertextualidade são a paráfrase e a paródia.

Na paráfrase, o autor retoma a mesma ideia do texto original, porém com palavras diferentes. Na paródia, a forma e a estrutura do texto podem ser semelhantes às do original, mas o conteúdo é diferente.

A paródia questiona o conteúdo do texto original e a paráfrase mantém o conteúdo do “texto base”, mudando apenas sua estrutura e forma.

Intencionalidade

Reconhecer a intencionalidade discursiva de um texto significa entender as intenções comunicativas do outro. Muitas vezes, a intenção é justamente expressar o oposto do que está escrito.

A palavra discursiva refere-se à língua na prática.

Leia a tira de Hagar, de Chris Browne.

Exemplo de coerência textual.

A fala de Helga: “pão e água ou ir jantar fora” não significa exatamente que o casal tenha essas opções para o jantar, pois “pão e água” não é uma refeição muito apetitosa. Na verdade, sua intenção era dizer que não tinha nada para jantar.

Da mesma forma, a fala de Hagar não significa exatamente o que ele disse, pois, na realidade, não havia escolha, portanto ele foi irônico.

Assim, reconhecer a intencionalidade discursiva é uma habilidade fundamental de leitura, pois auxilia o leitor a compreender o texto.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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